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Michelle diz que só apoiará Flavio se ele fizer um pedido público de desculpas

Madrasta condiciona participação na corrida presidencial do filho do apenado à superação de conflitos familiares e políticos

Michelle Bolsonaro condicionou sua participação ativa na pré-candidatura presidencial do enteado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a um pedido público de desculpas por parte dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, apenado por tentativa de golpe de Estado, está em apuros após seu áudio com Vorcaro negociando milhões de dólares vazar e prejudicar os resultados das pesquisas de intenção de voto para presidente, especialmente entre evangélicos.

A informação foi revelada por lideranças do Partido Liberal à colunista Bela Megale, do O Globo, nesta segunda-feira (15/jun).

O distanciamento entre Flávio Bolsonaro e sua madrasta existe há anos, mas se agravou após o senador classificar a ex-primeira-dama como “autoritária”, em resposta à oposição dela à aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará.

Fontes próximas à Michelle relatam que esse não foi o único episódio de desrespeito percebido por ela.

A relação com outro enteado, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, também permanece azeda.

Eduardo resistiu publicamente à possibilidade de sua madrasta Michelle disputar a Presidência ou compor chapa como vice, enquanto atuou como um dos principais articuladores da candidatura de Flávio ao lado do pai.

Aliados de Michelle Bolsonaro no PL afirmam que ela só deve mergulhar na campanha quando a crise familiar for superada por meio de um gesto público de retratação.

Até o momento, os filhos de Jair Bolsonaro não sinalizaram disposição para realizar o pedido de desculpas em alto e bom som, conforme desejado pela ex-primeira-dama.

Questionada na semana anterior sobre quando entraria na campanha de Flávio, Michelle Bolsonaro respondeu que, neste momento, quem necessita de sua atenção é Jair Bolsonaro.

A exigência ganha relevância diante da queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

A pesquisa Genial/Quaest, divulgada ena quarta-feira (10/jun), mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno.

No primeiro turno, Lula aparece com 39% e o senador com 29%.

De acordo com o Urbs Magna, mediadores do PL atuam para reaproximar as partes, argumentando que apenas a eleição de Flávio Bolsonaro abriria caminho para que Jair Bolsonaro saia de sua situação jurídica atual.

A entrada de Michelle como cabo eleitoral forte é vista internamente como essencial para reverter a trajetória negativa da campanha.

Tensões internas na família Bolsonaro expõem fragilidades na construção de uma candidatura unificada da direita para as eleições presidenciais de 2026.


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Política

O mata-mata no campo reacionário

Sentindo cheiro de carniça na candidatura de Flavio, por motivos óbvios, a autofagia reacionária dos abutres neoliberais, seria fatal.

É bom que se diga que os dois touros sentados, Zema e Caiado, estão atolados em seus próprios redutos barrentos sem qualquer sinal de benefício com o escândalo dos irmãozões, Flavio e Vorcaro.

Flavio derrete, mas o espólio reacionário dos bolsonaristas não deu um grão de feijão para os dois mais velhacos da direita brasileira. A campanha dos dois, como mostram pesquisas, estão impávidas, empacadas, sem discurso, sem projeto, apenas da lenga lenga neoliberal do Estado mínimo contra qualquer benefício criado pelo governo Lula para a massa do povo.

Isso os três cavaleiros do apocalipse financeirista, incluindo, aí Renan Santos, atendem ao mesmo toque do diapasão da Faria Lima, que soa como apito de cachorro para atender os seus adestradores milionários.

Além de Renan Santo, que teve crescimento modesto nas pesquisas, Zema e Caiado passaram a atacar Flavio, porque virou galinha morta.

Os ditos conservadores estão vivendo essa panaceia autofágica que não produz exatamente uma oposição de ideias capaz de oferecer um projeto alternati o ao do governo Lula, além de uma velha retórica privatista que, para nós brasileiros, que conhecemos bem essa cantilena, sabemos que é o caminho do fracasso do país.

Na verdade, essa divisão dentro do campo reacionário não tem rigorosamente nada a ver com pontos de vista diferentes sobre o mesmo tema.

A coisa virou um vale-tudo pela disputa de uma bola murcha em que, cada um, a seu modo e gosto, chuta para onde o nariz aponta, sonhando com  os votos transferidos de Flavio, mas, com carisma zero, Zema e Caiado não veem qualquer sinal de  engajamento orgânico, seguem no mais do mesmo, andando em círculos e mordendo o próprio rabo.

Renan Santos se alimenta de farelo de porco e consegue um quilinhos a mais, mas não tem tutano para aproveitar o estado moribundo de Flavio, que deixa cada vez mais oco o destino dessa massaroca de oportunistas orbitar em torno da mesma carniça, enquanto Lula segue crescendo, reduzindo sua desaprovação e, consequentemente, aumentando a aprovação.


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Brasil Mundo

França oferece ao Brasil tecnologia para reduzir dependência dos EUA

Em encontro no G7, Macron indicou que quer participar de busca do Brasil por soberania digital

O governo da França se ofereceu para fornecer supercomputadores ao Brasil, num esforço para garantir a soberania digital do país. O tema esteve na agenda entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o francês, Emmanuel Macron. O encontro ocorreu em Evian, às vésperas do início da cúpula do G7.

De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de 40 minutos. “O presidente Macron reiterou o interesse da França em participar dos esforços brasileiros para a aquisição de supercomputadores, em reforço à soberania digital do Brasil”, disse.

Há pouco mais de dez anos, o governo adquiriu um primeiro supercomputador da França. Agora, o país está dando um salto em sua capacidade computacional e deve abrir licitação para a compra de novas tecnologias, principalmente para o setor de IA.

Ciente da busca do Brasil por alternativas à tecnologia dos EUA, Macron vem insistindo em oferecer supercomputadores ao país. Para Brasília, a França terá de fazer uma oferta de preços e apresentar uma tecnologia que seja considerada como adequada.

No encontro desta segunda-feira, o presidente brasileiro destacou ainda que este ano marca os 20 anos da criação da UNITAID, organização criada por Lula e Jacques Chirac em 2006, com o objetivo de promover a ampliação do acesso a medicamentos pelos países do Sul Global. A iniciativa foi lembrada como exemplo concreto de combate às desigualdades e de reafirmação da solidariedade internacional.

“Na esfera bilateral, os dois presidentes reiteraram os avanços positivos da cooperação em defesa, em especial o sucesso do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB)”, disse.

“Os mandatários concordaram também em ultimar medidas para o aprofundamento da cooperação transfronteiriça entre a Guiana Francesa e o Amapá”, completou a nota do governo.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Lula avança e Flávio afunda mais sob o peso da traição

Difícil imaginar um candidato a presidente da República mais claramente envolvido em crimes do que Flávio Bolsonaro. Difícil contemplar um candidato à reeleição que, ao final de seu terceiro mandato, esteja mais bem posicionado do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não é por outras razões que derrete aos olhos do país a candidatura do senador, enquanto a de Lula não apenas se sustenta como agora se avulta ainda mais, atraindo o precioso nicho dos eleitores independentes, que serão decisivos para o resultado final.

Na iminência da virada do primeiro para o segundo semestre deste ano eleitoral, o cenário é, portanto, dramático para o filho de Jair Bolsonaro. A crise da campanha bolsonarista está exposta pela pesquisa mais recente, a Genial/Quaest, que aliás pinta em cores mais dramáticas o quadro já exposto pelo levantamento anterior, do judicioso instituto Atlas, censurado escandalosamente pela autoridade que deveria, em tese, zelar pela isonomia do pleito, o presidente bolsonarista do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.

No primeiro turno, Lula, em ascensão, tem 39% das preferências, contra 29% de Flávio, em queda. No segundo turno, também cresceu para 6 pontos a distância de Lula para Flávio, antes empatados.

Ao contrário das aparências, uma eleição não é um concurso sobre a identidade dos candidatos. Os eleitores, na verdade, escolhem o caráter, os valores que entendem ser os melhores para o país. Ao escolher por um presidente, o país decide que identidade assumir, com que ideias se associar.

Neste caso das eleições presidenciais e gerais de 2026, o Brasil parece estar optando claramente por se distanciar de Flávio Bolsonaro por este estar associado a pelo menos dois crimes muito graves, os quais o país não quer ver abonados nas urnas: o crime do roubo e o da traição à pátria.

A boa notícia é essa: o Brasil de maneira muito clara não deseja estar vinculado ao crime. Quem aparecer ligado à atividade criminosa, por corrupção ou por esfaquear o próprio país em benefício do inimigo, receberá a repulsa da população. Isso demonstra que há um repositório imenso de respeito e profundo amor à pátria, um orgulho nacional, em todas as camadas da população. Há um núcleo forte de valores implantado no espírito da cidadania e da nacionalidade. É em torno dele que se constitui o país ao longo do tempo e do território.

Flávio Bolsonaro extraiu recursos superfaturados de Daniel Vorcaro e do Banco Master e os destinou ao seu grupo. Desenvolveu um esquema de ocultação do desvio desses recursos sob a forma do financiamento ao filme Dark Horse, usado como biombo para esquentar valores na verdade destinados a sustentar a ação do grupo bolsonarista nos Estados Unidos. O desígnio, que está a ponto de ser atingido, é atrair tarifas e sanções contra o Brasil. Como forma de derrotar Lula, querem afundar o Brasil.

Os recursos que sustentam essa campanha foram desviados de pensionistas de Estados e municípios. Estes foram enganados por promessas de retornos miraculosos que obviamente eram mentirosos.

O esquema sustenta o ócio nababesco de Eduardo Bolsonaro em mansão no Texas, de onde opera, por frustração e vingança, por torcida contra o Brasil, um lobby para atrair sanções contra o comércio brasileiro e principalmente contra o Pix.

Ao menos temporariamente, a trampa funciona. Após serem recebidos por Trump, Flávio e Eduardo lograram que os Estados Unidos anunciassem tarifas de 25% sobre as importações de produtos brasileiros. São esses dois crimes, corrupção e traição, que causam agora tanta repulsa aos brasileiros, como atesta a pesquisa Genial/Quaest.

É só o começo.

A marca da vingança do eleitorado apenas ensaia seu percurso.

Lula melhorou e Flávio caiu ao longo de um largo espectro do eleitorado: entre os chamados independentes, os evangélicos, os que ganham de 2 a 5 salários mínimos, no Norte, no Nordeste e no Sudeste. Nessa faixa, perde apenas no Sul. Parte da base eleitoral bolsonarista se esfarela a ponto de o próprio comando já dar a eleição por perdida antecipadamente. Começa a chegar a conta da nova inconfidência.

Para Lula, afinal, aparece o reconhecimento do resgate construído a partir de condições iniciais tão adversas como a conspiração golpista.

*247


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Política

Flavio Bolsonaro e o celular bomba de Claudio Castro que a PF destravou

A triangulação entre Vorcaro, do Banco Master, Claudio Castro e Flavio Bolsonaro é uma coisa só, disso todos sabem.

O desbloqueio do celular de Claudio Castro pela Polícia Federal acendeu um alerta mais que vermelho na sua campanha pré-eleitoral para a presidência, sobretudo no seu grupo político. A conexão entre essas três cabeças que estão como personagens centrais desse emaranhado de corrupção, é um aparelho de alta tensão para os planos eleitorais do 01 do clã Bolsonaro.

Por isso o avanço das investigações da PF gerou forte desespero por três fatores principais: seu elo com Daniel Vorcaro e o Banco Master, a desestruturação de sua prinncipal base eleitoral, Rio de Janeiro, e o principal, o risco de mensagens e agendas diretas que colocam Flavio no centro de uma bomba atômica.

O nome disso é efeito tóxico, melhor dizendo, radioativo de todo o seu entorno, de todos os candidatos à Câmara e ao Senado que orbitam em torno de Flavio.

Trocando em miúdos, muita gente pagará um custo como criminoso sim, mas outro tanto, que não é pequeno, pagará o custo por osmose, por ser parte de uma estrutura sabidamente miliciana que envolve um número incontável de gente que está na disputa e que será atingida  no peito. Mais que isso, qualquer associação a Flavio a essa altura dos fatos, em todo o terrirório nacional, sofrerá um tranco, já que ele é a figura mais importante em atividade na direita hoje no Brasil.

Ou seja, como se diz na linguagem mega popular, “o bagulho é doido”.

Soma-se a sso a própria figura de Claudio Castro, que está muito além de ser um mero subserviente do clã Bolsonaro no Rio de Janeiro, Claudio Castro tem sua própria demanda de crimes contra os cofres públicos em toda a estrutura de altarquias de todo o estado. E isso se transforma num carrapicho no paletó já todo cagado de Flavio Bolsonaro.

Ninguém pode afirmar que um impacto como esse nas pretensões do PL será grande, não, ele será devastador, provocando um esvaziamento político na legenda, tanto que Cladio Castro abdicou, ou melhor, desistiu de concorrer ao Senado que já, de antemão, desarticulou a principal chapa do PL fluminense.

Os riscos de mensagens e agendas cotidianas diretas do celular de Claudio Castro são nitroglicerina pura, porque ali contém o histórico completo de agendas privadas e registros de jantares, inclusive, com Vorcaro no exterior, além de outras com figuras investigadas.

Os investigadores buscam mensagens em aplicativos que possam comprovar o que já sabem, principalmente sobre a refinaria Refit, que contaram com interferência direta de Flavio Bolsonaro.

A avaliação dentro do PL carioca, portanto, é a de que estão diante de um verdadeiro desastre político para os planos do clã Bolsonaro e todas as suas ramificações no estado mais bolsonarista do Brasil, do ponto de vista institucional.


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Política

Flavio se confessa derrotado

Ver Flavio Bolsonaro reconhecendo sua culpa de tudo o que lhe tem acontecido de ruim na pré-campanha, não tem preço.

O primogênito do sacripanta genocida derrete mais que sorvete no asfalto em brasa. O motivo, todos sabem, a vorcaria do Master que o tratorou.

O irmãozão camarada, amigo da bolsonarada, deu-lhe um pé no peito e até os eleitores mais fieis de Bolsonaro, já mandaram, aí não dá!

Pior, mesmo que aquele bando de oportunistas, que se fartaram da grana grossa da Secom, em seus áureos tempos de lambe-botas de Bolsonaro para justificar o cachê, dizem agora, em última análise, que Flavio é um corrupto, não vale nada, mas é o presente que temos, e justificam tal calhordice em coisas ainda piores como pauta de costumes às avessas, defendendo sempre o lado hegemônico, numa leviandade para provocar discussões fúteis e inúteis em busca sempre do cálculo político que eles julgam ser digno daquilo que reconhecem como ponta de lança, com troca de argumentos que beiram ao caos.

Embora cada vez mais perdido no emaranhado de péssimas notícias de sua pré-campanha, e com o terrivelmente evangélico dando aquela blindada padrão em Flavio, o sujeito não para de cair. sem qualquer anteparo retórico que possa ao menos reduzir a velocidade de sua queda.

A verdade é que a bomba Vorcaro/Master explodiu a candidatura de Flavio Bolsonaro dentro do próprio PL, numa invasão de verdades incontestáveis, vide a confissão cômica de Valdemar da Costa Neto em plena GloboNews, aumentando a perceepção da gravidade do esquema de corrupção que envolve todo o clã Bolsonaro, o que faz Flavio ser cada vez mais chamado de corrupto e mentiroso, sendo crucificado, inclusive, pelos pares, como fez o senador Girão no podcast daquele doutor com cara de carranca, que não iteressa sequer saber o nome, pois é daquelas peças de pior qualidade moral.

Então, quando Flavio ataca Lula, ele sai bastante derrotado pela própria língua.

Na realidade, é a prova de que, com seu sofrível discurso contra o presidente da República, diante da incapacidade e inutilidade para explicar o inexplicável sobre o áudio, o sujeito parece alcoolizado.

Ele, mais do que ninguém, sabe o que lhe deu a pernada, mas não sabe como ficar de pé novamente.

Na verdade, a cada dia que passa, Flavio e seus timoneiros de campanha se assustam com o tamanho do rombo feito no casco de sua canoa. Mas não tendo como explicar, ataca Lula dando soco no vento, pedindo pelo amor de Deus para que o trombone invisível, cornetado pela sociedade pare de buzinar em seu ouvido, porque, ao fim e ao cabo, ele se confessa derrotado para os fatos que, somados com sua lambança via Eduardo sobre o Pix e as tarifas de Trump contra o Brasil, hipertrofiaram ainda mais sua imagem negativa com os múltiplos escândalos de sua relação promíscua, corrupta e criminosa com o maior bandido do sistema financeiro da história do Brasil, Daniel Vorcaro e seu Banco Master.


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Pesquisa

Quaest: O derretimento de Flavio em setores bolsonaristas; PL admite “naufrágio”

Pesquisa mostra Lula abrindo vantagem enquanto Flávio perde força entre evangélicos, jovens, mulheres e regiões estratégicas para o bolsonarismo

Osenador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, registrou queda em redutos considerados estratégicos para o bolsonarismo, segundo a pesquisa Quaest de junho. O movimento atinge evangélicos, jovens, mulheres e regiões-chave como Sudeste e Centro-Oeste/Norte, justamente após vir à tona o escândalo de seu envolvimento com Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master.

Em um cenário de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a liderar com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. A vantagem de 6 pontos rompe o empate técnico que vinha sendo registrado desde março e acendeu o alerta no entorno do filho 01 de Jair Bolsonaro.

Lula abre vantagem e muda o clima da disputa
A pesquisa Quaest de junho consolidou uma virada no cenário eleitoral que o campo bolsonarista não esperava tão cedo. Em uma simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% do senador.

Desde março, os dois vinham em situação de empate técnico nas simulações da Quaest. A abertura de vantagem foi captada justamente na semana em que as relações de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vieram à tona.

A reversão do quadro tem peso político concreto. Não se trata apenas de uma oscilação isolada, mas de uma mudança de tendência em segmentos que eram tratados como bases seguras da extrema direita.

Quando os dados são desagregados por região, faixa etária, gênero e religião, o que aparece é um processo de erosão simultânea em múltiplas frentes da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Redutos bolsonaristas entram em alerta
Os dados da Quaest mostram que Flávio Bolsonaro perdeu apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste/Norte. O Sudeste concentra dois dos maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, e era tratado como peça central da estratégia eleitoral bolsonarista.

Na região, Flávio chegou a ter 12 pontos de vantagem sobre Lula. Agora, aparece em empate técnico com o presidente, que vem em tendência de alta desde abril.

No agregado Centro-Oeste/Norte, o recuo também foi expressivo. Flávio oscilou 8 pontos para baixo: a vantagem de 14 pontos registrada em maio caiu para apenas 2 pontos em junho.

O recorte geracional amplia o problema. Na faixa de 16 a 34 anos, Lula ultrapassou Flávio, que antes liderava entre os jovens. O dado é especialmente sensível porque atinge um eleitorado decisivo para a construção de imagem pública, presença digital e capacidade de mobilização de uma candidatura.

Evangélicos deixam de ser fortaleza inabalável
Os números sobre evangélicos se tornaram o principal sinal de alerta para a campanha de Flávio Bolsonaro dentro da pesquisa. O apoio ao senador nesse segmento caiu de 61% para 52% em apenas um mês.

No mesmo período, Lula subiu de 24% para 31% entre os eleitores evangélicos. Entre os católicos, Flávio manteve os 34% registrados em maio, o que indica que a sangria tem endereço político específico: o eleitorado que o bolsonarismo sempre tratou como sua fortaleza mais sólida.

A queda entre evangélicos é mais grave porque não aparece isolada. Ela se combina com a perda de fôlego entre jovens, mulheres e regiões estratégicas, formando um quadro de desgaste que atinge a base social e eleitoral da pré-candidatura.

Para uma campanha que dependia do voto evangélico como âncora, perder terreno nesse segmento para um governo petista representa um desafio estrutural. Não é um problema que se resolva apenas com presença em cultos, acenos religiosos ou gestos públicos de devoção.

Caso Vorcaro agravou crise de confiança
Entre as pesquisas de maio e junho, dois episódios dominaram o noticiário e ajudam a explicar a movimentação nas intenções de voto. O primeiro foi a exposição da relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.

O senador teria recebido R$ 61 milhões de Vorcaro, dono do Banco Master, sob o pretexto de financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark Horse. O caso colocou Flávio no centro de uma crise que mistura dinheiro, família e política em um momento no qual ele tentava se consolidar como alternativa eleitoral viável.

Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram duas medidas de forte impacto para o Brasil: a classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas e o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. As duas decisões foram divulgadas após uma visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump e a integrantes do alto escalão do governo americano.

A associação, que poderia ter sido explorada como demonstração de prestígio internacional, acabou gerando questionamentos sobre os resultados concretos da aproximação.

Nos bastidores do PL, clima é de “naufrágio”
Nos bastidores do Partido Liberal, o ambiente mudou de tom. Interlocutores já descrevem reservadamente a situação como “naufrágio” da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

O principal motor do pânico instalado no comitê bolsonarista é a debandada do eleitorado evangélico, que corrói a principal fortaleza eleitoral da extrema direita antes mesmo de a campanha ganhar corpo.

Líderes evangélicos afirmam que a rejeição a Flávio Bolsonaro se consolidou após ele ter sido “pego na mentira” no escândalo do Banco Master.

A percepção desses líderes encontra respaldo nos números. A aprovação do governo Lula entre evangélicos, segundo a Quaest, subiu de 28% em abril para 35% em junho, enquanto a desaprovação recuou de 68% para 60%.

*Forum


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Política

Evangélicos começam a abandonar Flávio e a olhar para Lula

Em apenas um mês, intenções de voto de Flávio entre evangélicos caíram de 61% para 52%, enquanto Lula avançou de 24% para 31%.

Durante anos, a extrema direita tentou tratar os evangélicos como curral eleitoral. Sua narrativa se apoiava em quatro pilares: conservadorismo moral, guerra cultural, antipetismo e instrumentalização religiosa. Foi com base nisso que, desde 2018, o bolsonarismo construiu nesse segmento uma base social poderosa, organizada e altamente mobilizada.

Agora, porém, surgem sinais de erosão no grupo que se consolidou como principal sustentáculo eleitoral do clã Bolsonaro. A nova rodada da pesquisa Quaest, contratada pela Genial Investimentos e divulgada nesta quarta-feira (10), revela uma movimentação expressiva entre os evangélicos brasileiros.

Na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua liderando nesse segmento. Mas a vantagem encolheu de maneira abrupta em apenas um mês. De maio a junho, suas intenções de voto entre evangélicos caíram de 61% para 52%. Ao mesmo tempo, Lula avançou de 24% para 31%. As mudanças, para um período tão curto, foram politicamente significativas, indo além da margem de erro nesse recorte, que é de quatro pontos percentuais.

Mais revelador ainda é o crescimento da aprovação do governo Lula entre evangélicos. Em abril, 28% aprovavam a gestão federal. Em junho, esse índice chegou a 35%. A desaprovação caiu de 68% para 60% no mesmo período.

A resposta da esquerda

Pela primeira vez desde a ascensão do bolsonarismo, o campo progressista parece ver brechas reais para dialogar com uma parcela expressiva do eleitorado evangélico sem partir da defensiva. O governo Lula, em especial, compreendeu que a disputa política no País passa necessariamente por esse universo.

De acordo com o Censo 2022, o Brasil possui aproximadamente 47,4 milhões de evangélicos, o que corresponde a 26,9% da população total do País. Institutos como o Datafolha apontam, em projeções mais recentes, que essa parcela continuou crescendo e já se aproxima de 30% a 32% da população brasileira, respondendo por mais de 60 milhões de pessoas.

Tratar esses milhões de trabalhadores como um bloco homogêneo, impermeável ou automaticamente reacionário sempre foi um erro grave e, em muitos casos, elitista. A carta divulgada pelo PT aos evangélicos na segunda-feira (8) mostra o empenho de desfazer qualquer leitura preconceituosa do governo Lula e do próprio campo progressista.

O documento, aprovado no 4º Encontro de Evangélicos do PT, rejeita o discurso de confronto religioso, além de enfatizar o respeito às igrejas, à liberdade de culto e à presença crescente dos evangélicos nas periferias e no mundo do trabalho. Em vez de aceitar passivamente a narrativa bolsonarista, a esquerda vai à disputa de valores, linguagem e presença social – e encontra terreno fértil.

Para o bolsonarismo, além do desgaste natural de oito anos de radicalização permanente, existem contradições morais que ficaram mais difíceis de esconder. Com o caso Daniel Vorcaro-Banco Master, Flávio Bolsonaro foi apanhado em incoerência com declarações anteriores.

A Quaest procurou medir esse desgaste, testando desde o conhecimento do caso até a percepção de ocultação de crimes. O prejuízo do clã Bolsonaro aparece em todos os recortes. Para um eleitorado que faz da integridade moral um critério central de escolha, ser pego numa mentira é uma ruptura de contrato simbólico.

Críticas à guerra cultural

A tentativa de intensificar a guerra religiosa também cobrou seu preço na Marcha para Jesus, em 4 de junho. Levantamento da consultoria Ativaweb DataLab, citado pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, monitorou mais de 17 milhões de menções públicas ao nome do senador nas redes sociais nas primeiras 20 horas após o evento. O resultado foi acachapante: 51,9% das manifestações eram negativas.

Segundo os pesquisadores, muitas críticas vieram de cristãos incomodados com a transformação do evento religioso em palanque eleitoral agressivo. No palco da Marcha para Jesus, Flávio bradou sobre uma suposta “guerra espiritual” e prometeu expulsar o “mal” do governo. O candidato tentou vender uma profecia que, no fim, foi interpretada como instrumentalização da fé.

Além disso, a memória do governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, continua em disputa. A extrema direita utilizou o segmento evangélico naquele período como o principal pilar de sustentação e blindagem de sua agenda econômica regressiva. De acordo com o Vermelho, acreditavam que o apelo ao pânico moral e às fake news ajudaria a mascarar a destruição dos direitos trabalhistas e a fome.

Só que parte dos evangélicos privilegia questões concretas da vida cotidiana, como emprego, renda, estabilidade e proteção social. Nas periferias urbanas, onde o evangelicalismo cresceu entre trabalhadores precarizados, autônomos e famílias endividadas, medidas de alívio de renda possuem efeito político direto. Nesse terreno, o governo Lula possui ativos importantes, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o Desenrola 2.0, a melhora gradual do emprego e os programas sociais.

Não é exagero dizer que essa disputa pode definir o futuro político do país. A muralha evangélica do bolsonarismo mostra sinais de rachadura. Cabe à campanha de Lula reduzir a diferença para Flávio entre os evangélicos a um patamar administrável e impedir que os indecisos – hoje em 11% nesse segmento – migrem para o campo adversário.

Caso a extrema direita perca parte relevante do eleitorado evangélico – ou mesmo se deixar de vencer nesse segmento por margens esmagadoras –, as consequências podem ser profundas. Se a muralha continuar rachando, o bolsonarismo se distanciará da base social que o transformou em fenômeno nacional.


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Política

Flavio Bolsonaro e Vorcaro: Planilha mostra o caminho do dinheiro

Um dos esforços de aliados do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, desde a primeira reportagem da série Vaza Flavio, tem sido convencer o público de que as revelações não se sustentam. Uma das vozes na tentativa de deslegitimar o nosso trabalho tem sido a do comentarista Paulo Figueiredo.

“Começaram com o Intercept dizendo que eram 134 milhões do Vorcaro pro filme. Caiu para 61 milhões no Metrópoles. Depois, 2 milhões no Globo. Já já vocês vão descobrir que NÃO TEM dinheiro do Vorcaro no filme”, escreveu o aliado da família Bolsonaro no X, em 13 de maio.

A tese de discrepância nos valores ganhou força a partir de postagens falsas compartilhadas por parlamentares e páginas bolsonaristas, alegando que o Intercept teria recuado das informações, “pedido desculpas” ou admitido não possuir provas de que Daniel Vorcaro financiou o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Isso já foi amplamente refutado.

A alegação é mentirosa por vários motivos, mas o mais importante deles é que a primeira reportagem da nossa série sempre distinguiu dois números importantes para entender a negociata: os 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões, em valores convertidos pela cotação da época) negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro para financiar o filme; e os 10,6 milhões de dólares (equivalentes, naquele período, a R$ 61 milhões) efetivamente pagos.

Uma semana depois, em 20 de maio, Figueiredo questionou se o trabalho do Intercept revelaria, de fato, “transações financeiras”. E acrescentou: “Se não vierem (como Flávio jura e como eu acredito, até o momento), a credibilidade voltará aos poucos”. Pois bem: a edição desta semana da newsletter Cartas Marcadas traz documentos inéditos que comprovam de maneira irrefutável que houve repasses financeiros.

Planilha detalha fluxo de pagamentos
Além de mensagens, o Intercept teve acesso a planilhas, contratos, comprovantes bancários e registros financeiros que permitem reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro para bancar “Dark Horse”.

O primeiro documento é uma planilha intitulada “Funding Schedule”, apresentada nas conversas como o cronograma de financiamento do projeto. O arquivo registra uma operação de quase 24 milhões de dólares — o equivalente a R$ 134 milhões na cotação da época — e detalha tanto os aportes previstos quanto os valores efetivamente recebidos pelo fundo ligado à produção.

Cronograma compartilhado em troca de mensagens detalha pagamentos previstos e concretizados (Foto: Reprodução)

O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram de 2 milhões de dólares cada, inicialmente previstas para 20 e 25 de janeiro de 2025, mas efetivamente pagas em 13 de fevereiro e em 24 de março, segundo a planilha.

As outras 12 foram fixadas em 1,66 milhão de dólares cada – a primeira delas também foi paga em 24 de março, outras duas em 25 de abril e mais uma em 29 de maio. Ao final do cronograma, o total recebido indica uma soma de 10,6 milhões de dólares.

Essa tabela sobre os pagamentos foi encaminhada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acompanhada da observação: “Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”. Miranda recebeu uma resposta curta de Vorcaro: “Segunda fazemos duas”.

A mensagem é relevante porque sugere que novos desembolsos estavam sendo discutidos naquele momento, o que pode significar que o valor efetivamente pago tenha ultrapassado os 10,6 milhões de dólares.

Um cronograma semelhante havia sido encaminhado pelo próprio Daniel Vorcaro ao pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro, meses antes, em 12 de março de 2025. Segundo mensagens obtidas pelo Intercept, Vorcaro enviou o documento e deu duas orientações: “precisa me ajudar controlae isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Zettel respondeu logo em seguida: “Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo pra ele. Achei que ele tava fazendo”. O “Mineiro” citado na troca de mensagens seria Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado à Entre Investimentos e Participações, empresa que fez a transferência bancária.

Apesar das negativas oficiais, as mensagens indicam haver uma conexão entre Vorcaro e Freixo. Em fevereiro de 2025, segundo registros obtidos pelo Intercept, Zettel perguntou a Vorcaro se poderia “pedir pro Minas” logo após o banqueiro sugerir fazer a operação “via entre”. O telefone de Freixo foi salvo na agenda de contatos de Vorcaro como Mineiro.

Comprovante bancário detalha operação
Outro documento que chama atenção é o comprovante da primeira transferência internacional da operação, emitido pelo sistema SWIFT, utilizado por instituições financeiras para operações entre diferentes países.

O registro é datado de 13 de fevereiro de 2025 e confirma a remessa de 2 milhões de dólares ao Havengate Development Fund LP, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Segundo o comprovante, a operação teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda. O pagamento foi processado por meio do Banco BS2 e destinado a uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank. O comprovante contém os códigos de identificação da transferência, os dados das instituições envolvidas, as referências da operação e os registros de liquidação exigidos pelo sistema financeiro internacional.

O extrato registra o que seria a primeira transferência internacional para financiar “Dark Horse” e demonstra o funcionamento na prática da operação descrita nas mensagens.

Esse comprovante, inclusive, consta em uma série de mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro sobre dificuldades para concluir a operação. Em 5 de fevereiro, Zettel informou ao banqueiro que o câmbio do Banco Master estava criando obstáculos para a transferência destinada ao filme.

Durante a conversa, os dois discutiram alternativas para viabilizar o envio dos recursos ao exterior e acabaram decidindo recorrer à estrutura da Entre Investimentos e Participações Ltda, empresa que aparece como remetente no comprovante de transferência bancária.

Embora a Entre Investimentos e Participações e Vorcaro neguem qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre as partes, documentos obtidos pelo Intercept e reportagens publicadas por Metrópoles e Estadão sobre investigações em curso indicam haver uma uma conexão operacional e financeira entre o grupo e o banqueiro.

Menos de dez dias depois, em 14 de fevereiro, Zettel encaminhou a Vorcaro o comprovante emitido pela rede SWIFT acompanhado de uma única palavra: “Filme!”. A mensagem foi enviada um dia após a liquidação da operação de 2 milhões de dólares destinada ao Havengate Development Fund LP, exatamente a transferência cuja realização vinha sendo discutida nas conversas anteriores.

*Reportagem exclusiva do Intercept Brasil


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