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Alerta: Especialista vê risco em plano de Flávio. ‘Pessoas não foram às urnas para mudar de Constituição’

Diego Arguelhes alerta para concentração de poder após candidato do PL afirmar que pretende usar maioria no Congresso para alterar a Carta e ‘redemocratizar’ o país

Advogado constitucionalista e diretor da Faculdade de Direito do Insper, Diego Werneck Arguelhes alerta, em entre para os riscos da proposta do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de usar a maioria conquistada pela direita e extrema direita no Congresso Nacional para promover mudanças na Constituição.

Para o especialista, embora alterações por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) façam parte do funcionamento institucional do país, uma eventual tentativa de substituir a Carta de 1988 exigiria uma legitimidade popular que não foi concedida nas eleições de 2026.

“As pessoas não foram às urnas para mudar de Constituição. As pessoas foram às urnas para escolher representantes dentro das regras que existem na Constituição e que limitam esses representantes”, afirmou Arguelhes.

Nesta terça-feira (6), Flávio disse que pretende aproveitar a nova composição do Congresso para eleger os presidentes da Câmara e do Senado e alterar a Carta.

“Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país”, declarou.

Arguelhes ressalta que mudanças constitucionais foram realizadas por diferentes governos desde a década de 1990, mas a preocupação, segundo ele, está na concentração de força política conquistada pelo Partido Liberal (PL) e seus aliados.

“A gente está jogando um jogo novo. Estamos jogando um jogo que a gente não viu nesses termos desde a democratização, que é um único partido com tanta força na Câmara, no Congresso e na própria Presidência”, afirmou.

Segundo o especialista, uma maioria ampla reduz a necessidade de negociação e moderação para aprovar mudanças na Constituição. “Em termos de emendar a Constituição, isso cria menos necessidade para esse partido de ter que moderar suas visões para conquistar apoio, de negociar mais para chegar em um texto de uma emenda que seja mais palatável para vários setores da sociedade”, explicou.

‘Redemocratizar’ acende alerta
Arguelhes também chamou atenção para o uso da expressão “redemocratizar esse país” por Flávio. Segundo ele, a própria Constituição de 1988 é resultado do processo de redemocratização após a ditadura militar. “Quando ele fala ‘mudar a Constituição para redemocratizar o país’, será que ele está falando algo além? Mudar de Constituição?”, questionou.

O professor diferencia mudanças feitas por PECs, previstas na própria Carta, de uma eventual tentativa de substituir a Constituição ou ultrapassar as cláusulas pétreas. “A Constituição brasileira não prevê mecanismos para sua substituição. O que ela prevê é um mecanismo de emenda, sujeito, inclusive, a cláusulas pétreas”, explicou.

Para Arguelhes, a maioria conquistada nas eleições não representa autorização para elaborar uma nova Constituição. “Eles podem ter propostas de fazer uma nova Constituição, mas, em termos de mobilização política necessária para ter essa conversa, para legitimar essa mudança, não é a maioria que o PL conquistou nas eleições que os legitima para isso.”

O especialista lembra que, no processo que resultou na Constituição de 1988, os brasileiros foram às urnas sabendo que deputados e senadores eleitos também teriam a missão de elaborar uma nova Carta. Para ele, esse tipo de participação popular é o que diferencia um processo constituinte legítimo de uma tentativa de simplesmente “mudar as regras do jogo no meio do jogo”.

“A gente não teve essa conversa. Não era isso que estava em discussão nas eleições”, afirmou. “Essa pergunta não foi feita. Ela pode até ser feita no futuro, mas não tenho a menor dúvida de que ela não foi feita agora.”

*Chico Alves e Gabriel Gomes/ICL


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Política

A engrenagem de que se cercou Flavio Bolsonaro

A fusão que se formou em torno da campanha de Flávio Bolsonaro — entre interesses políticos, setores do sistema financeiro, alto empresariado, grande mídia, grupos religiosos e personagens associados ao universo das milícias e das organizações criminosas — não pode ser tratada como uma simples coincidência de interesses. Ela revela uma engrenagem de poder. E essa engrenagem ajuda a entender como Daniel Vorcaro e o Banco Master conseguiram chegar tão longe.

O caso Master deixou de ser apenas a história de um banqueiro cercado por suspeitas e passou a expor algo muito mais profundo: as relações entre dinheiro, política, influência institucional e proteção de interesses privados.

As investigações da Polícia Federal revelaram que Vorcaro transitava com desenvoltura por diferentes ambientes de poder. Há registros de proximidade com políticos de alto escalão, interlocuções com integrantes de instituições públicas e relações que estão sendo examinadas pelos investigadores. Também surgiram suspeitas sobre a atuação de servidores do Banco Central que, segundo a PF, teriam repassado informações privilegiadas e atendido a interesses do banqueiro enquanto o próprio Master estava sob fiscalização.

E há um ponto politicamente explosivo: Flávio Bolsonaro aparece nas investigações como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações envolvendo o filme Dark Horse. Segundo a PF, houve mensagens, reuniões presenciais, cobranças de pagamentos e acompanhamento da produção. A investigação apura a origem, o trânsito e a destinação dos recursos envolvidos.

Isso não significa, por si só, que toda pessoa que manteve contato com Vorcaro tenha cometido crime. Mas significa algo que a política brasileira deveria levar muito a sério: Vorcaro não operava no vazio.

Ele circulava.

Ele negociava.

Ele construía pontes.

Ele estabelecia relações.

E, segundo as investigações, buscava influência justamente onde decisões capazes de afetar seus negócios eram tomadas.

É nesse ponto que a história do Banco Master deixa de ser apenas financeira e passa a ser essencialmente política.

Porque um esquema de tamanha dimensão não depende apenas de um banqueiro. Depende de portas abertas, interlocutores disponíveis, relações privilegiadas, silêncio conveniente e uma rede de proteção capaz de retardar ou dificultar a reação das instituições.

As próprias investigações indicam uma impressionante amplitude dessa rede. Mensagens obtidas pela PF mostram relações próximas de Vorcaro com figuras do Congresso, enquanto outras apurações examinam sua influência sobre órgãos reguladores e sua proximidade com agentes públicos.

E é justamente por isso que a pergunta central não deveria ser apenas:

“O que Daniel Vorcaro fez?”

A pergunta mais importante é:

“Quem permitiu que Daniel Vorcaro chegasse tão longe?”

Porque banqueiro nenhum constrói sozinho uma rede dessa magnitude.

Nenhum banco opera durante anos sem passar por órgãos de fiscalização.

Nenhuma operação financeira de grande porte acontece sem deixar rastros.

E nenhuma estrutura de poder se sustenta apenas pela vontade de um indivíduo.

É preciso haver conexões.

É preciso haver acesso.

É preciso haver gente disposta a abrir portas.

É preciso haver uma atmosfera política em que determinadas relações sejam naturalizadas enquanto outras sejam imediatamente transformadas em escândalo.

É aí que a fusão em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro ganha um significado que ultrapassa a eleição.

Ela revela a tentativa de juntar, sob uma mesma estrutura de poder, interesses que normalmente aparecem separados: o dinheiro do grande capital, a influência política, a força eleitoral do chamado evangelistão, a máquina de comunicação da grande mídia e setores historicamente associados à política subterrânea do Rio de Janeiro.

Não é necessário afirmar que todos esses grupos formem uma organização criminosa — isso seria uma conclusão que cabe às investigações e à Justiça.

Mas é perfeitamente legítimo perguntar que projeto de poder emerge quando tantos interesses diferentes encontram um mesmo candidato como ponto de convergência.

E talvez seja justamente essa pergunta que incomode tanto.

Porque, quando se olha apenas para cada escândalo isoladamente, tudo parece fragmentado.

Um episódio no Banco Master. Outro envolvendo Vorcaro. Outro no sistema financeiro. Outro no Congresso. Outro envolvendo agentes públicos. Outro envolvendo o Dark Horse. Outro relacionado à campanha.

Mas, quando se coloca tudo sobre a mesma mesa, aparece uma paisagem muito mais perturbadora:

dinheiro, influência, política e poder circulando pelos mesmos corredores.

É por isso que o caso Master precisa ser investigado até o fim, sem blindagens políticas, sem seletividade e sem transformar nenhum personagem em intocável.

Porque a questão já não é apenas descobrir o tamanho do buraco financeiro.

É descobrir o tamanho da rede de relações que permitiu que esse buraco existisse.

E, sobretudo, quem estava ao redor dele quando tudo acontecia.

Vorcaro pode ser apenas o nome mais visível de uma engrenagem muito maior.

E quanto mais essa engrenagem aparece, mais difícil fica sustentar a narrativa de que o Banco Master foi apenas a aventura de um banqueiro que perdeu o controle.

Talvez o verdadeiro escândalo seja justamente este:

não é apenas saber até onde Vorcaro chegou. É descobrir quantas portas precisaram ser abertas para que ele chegasse lá, e quem as abriu.

A mídia protege André Mendonça para que este proteja Flavio Bolsonaro.


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Brasil Mundo

Documentos ligam lobby de Eduardo Bolsonaro a fundo secreto de Trump contra o STF

Programa de US$ 1 milhão foi criado pelo Departamento de Estado norte-americano para financiar ações no Brasil contra Corte Suprema

Documentos do governo de Donald Trump e do Congresso norte-americano revelam a existência de um fundo secreto de US$ 1 milhão liberado pelo Departamento de Estado para financiar ações contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O programa, batizado de Countering Lawfare and Censorship in Brazil, teve os recursos liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. As informações são do UOL.

Os mesmos documentos registram o lobby do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) junto a autoridades americanas pela aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo declarado de forçar uma anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fundo secreto dos EUA contra o STF
Segundo documentos obtidos pelo UOL, o Departamento de Estado dos EUA patrocinou o programa Countering Lawfare and Censorship in Brazil, algo como “Enfrentando o lawfare e a censura no Brasil”, com dotação de US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5 milhões.

Os recursos foram liberados em 30 de outubro, cinco dias antes do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil, em um momento de intensa polarização política no país.

Os documentos descrevem o fundo como uma ferramenta para “apoiar a sociedade civil para combater o ativismo judicial excessivo e a censura no Brasil”.

Um dos textos é mais explícito e afirma que “o prêmio visa mirar o Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) e a percepção de que a Corte está atacando a liberdade de expressão nos EUA”.

O documento também menciona ordens para “remoção de uma publicação sobre Trump” nas redes sociais, em possível referência às decisões do inquérito das fake news, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que atingiram residentes americanos.

O fundo havia sido revelado pelo jornal britânico The Guardian, que o identificou como parte de uma lista de 43 programas do Departamento de Estado.

O enquadramento adotado pelos documentos americanos, ao descrever decisões soberanas do STF como “censura” e “ativismo judicial excessivo”, reproduz a narrativa construída pela direita bolsonarista desde que Moraes passou a atuar nos inquéritos sobre desinformação e a tentativa de golpe de Estado.

A adoção dessa narrativa como justificativa oficial para um fundo governamental americano evidencia a aproximação entre o discurso defendido por aliados de Jair Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

O lobby de Eduardo Bolsonaro
Os documentos vão além de descrever o fundo e registram nominalmente a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

“O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para que sanções sejam impostas ao ministro Moraes”, afirma um dos trechos, segundo a apuração do UOL.

Nos documentos acessados pela reportagem, não há confirmação de que Eduardo tenha recebido recursos do fundo. Procurado por mensagem e telefonema, ele não se manifestou até a publicação.

Eduardo se mudou para o Texas em fevereiro de 2025 e, desde então, conduziu uma campanha junto a autoridades americanas pela aplicação de punições a autoridades brasileiras, com foco em Alexandre de Moraes.

O objetivo declarado seria forçar algum tipo de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.

A campanha produziu resultados concretos. Moraes chegou a ser alvo de sanção pela “Lei Global Magnitsky”, enquanto outros ministros do STF foram incluídos em uma lista de restrição de vistos para os Estados Unidos pelo governo Trump.

A atuação também teve consequências para o próprio Eduardo Bolsonaro: ele foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por sua atuação no caso.

O registro do lobby de Eduardo nos documentos do fundo americano indica que a campanha do ex-deputado passou a integrar a justificativa oficial de um programa governamental dos Estados Unidos.

Os documentos, dessa forma, revelam uma sobreposição entre a agenda política defendida pela família Bolsonaro e as ações adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil.

Controvérsias e sigilo
O programa passou por uma mudança relevante em seus termos. Inicialmente descrito como de “concorrência aberta”, com chamamento público a indivíduos ou entidades interessadas, o fundo foi posteriormente convertido para “concorrência restrita”, direcionada a poucos selecionados.

Um dos documentos justifica a mudança afirmando que “a divulgação pública do programa comprometeria sua eficácia, prejudicaria os interesses diplomáticos dos EUA no Brasil e exporia os executores ao risco de ações judiciais”.

A menção ao risco jurídico para os executores chama atenção por indicar que os responsáveis pelo programa consideraram a possibilidade de implicações legais decorrentes das atividades realizadas no Brasil.

O sigilo vai além da mudança de modalidade.

A identidade dos beneficiários dos recursos é mantida em segredo até mesmo de membros do Congresso americano e de servidores públicos que normalmente teriam acesso a esse tipo de informação.

O Departamento de Estado não respondeu à reportagem sobre quem são os destinatários finais dos valores.

Com recursos públicos, objetivos políticos declarados, beneficiários mantidos sob sigilo e uma justificativa baseada em interesses diplomáticos, o programa permanece distante do escrutínio de integrantes das próprias instituições americanas responsáveis por acompanhar esse tipo de iniciativa.

*Opera Mundi


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Em eleição presidencial, sobretudo com Lula, não vale a escrita

Em eleição, sobretudo quando Lula está no jogo, não existe “escrita” capaz de antecipar o resultado. Essa mistificação supersticiosa que circula na mídia — segundo a qual quem vence o primeiro turno inevitavelmente vencerá o segundo — não passa de uma construção simplista apresentada como se fosse uma lei da política.

A tese é ainda mais frágil quando se tenta transformá-la em argumento para afirmar que uma eventual vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno significaria uma espécie de sentença definitiva sobre o segundo. Não significa.

Há um detalhe histórico que costuma ser convenientemente esquecido nessa narrativa: até 2022, nenhum presidente brasileiro que disputara a reeleição havia sido derrotado na tentativa de permanecer no cargo. Jair Bolsonaro rompeu essa sequência ao perder a reeleição para Lula. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 60.345.999 votos, contra 58.206.354 de Bolsonaro, segundo a totalização oficial do TSE.

Ou seja: a própria história recente mostrou que uma regularidade eleitoral pode ser quebrada.

Por isso, vender ao PT a ideia de “terra arrasada” simplesmente porque Flávio teria terminado o primeiro turno à frente, ainda que por uma margem estreita, é transformar estatística em superstição. Primeiro turno e segundo turno são momentos distintos da mesma eleição, mas não são a mesma eleição.

Entre uma votação e outra, mudam as alianças, mudam os discursos, mudam as estratégias, muda a distribuição dos votos dos candidatos eliminados, muda o comportamento do eleitor e podem mudar até as prioridades que orientam a escolha de milhões de pessoas.

Não existe piloto automático eleitoral.

O fato de determinada característica ter se repetido em dez eleições não concede a ela autorização para se repetir automaticamente na décima primeira. Eleição não é uma fórmula matemática em que se apertam os mesmos botões e se obtém necessariamente o mesmo resultado.

Cada eleição tem sua própria voltagem. Cada disputa é determinada pelas circunstâncias políticas, econômicas e sociais do seu tempo. O eleitor também não é uma peça imóvel de um tabuleiro: ele pode mudar de posição, rever sua escolha e redefinir suas prioridades entre um turno e outro.

Foi justamente 2022 que deixou isso ainda mais evidente no plano da reeleição: uma sequência histórica que parecia consolidada foi interrompida.

Portanto, transformar uma vantagem de primeiro turno em garantia de vitória no segundo é muito mais do que uma análise eleitoral simplificada: é confundir recorrência histórica com destino.

E eleição não é destino.

Nostalgia não ganha jogo. Estatística passada não vota. E uma eleição não é obrigada a repetir a anterior apenas porque alguém encontrou uma sequência que parece conveniente para sustentar sua narrativa.

O segundo turno começa quando o primeiro termina. E é ali, diante de novas circunstâncias e de um novo cálculo do eleitor, que a disputa efetivamente recomeça.


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Se Flávio Bolsonaro for ao debate com Lula, afunda. Se não for, afunda também

Flávio chegou ao segundo turno carregando um problema que nenhum treinamento de televisão consegue esconder: agora não haverá candidatos para dividir os ataques, nem espaço para discursos genéricos, nem a possibilidade de transformar adversários ausentes em espantalhos.

Será Lula contra Flávio. Um contra um.

Se Flávio for ao debate, terá de encarar Lula de frente, responder perguntas, sustentar suas propostas e explicar contradições, alianças e episódios que sua campanha preferiria manter longe dos holofotes. E, sobretudo, terá de demonstrar que existe por trás do sobrenome Bolsonaro alguma coisa além da herança política do pai.

Se fugir, o problema muda de forma, mas não desaparece. A ausência será interpretada como medo do confronto, incapacidade de sustentar suas próprias ideias e falta de preparo para ocupar a Presidência da República.

É o clássico dilema: se correr, o eleitor vê a fuga; se ficar, o eleitor vê o despreparo.

Flávio pode até escolher não comparecer. Pode tentar transformar a ausência em estratégia. Pode produzir lives, vídeos, discursos e acusações. Mas nada disso substitui o teste mais elementar de uma eleição presidencial: sentar diante do adversário e explicar, olho no olho, por que o país deveria entregar a ele o comando da República.

Por isso, o debate com Lula é uma armadilha política para Flávio.

Se for, corre o risco de afundar diante das câmeras.
Se não for, corre o risco de afundar pela covardia.

E talvez seja justamente essa a maior fragilidade de sua candidatura: Flávio precisa desesperadamente do debate para provar que está preparado, mas o próprio debate pode provar o contrário.


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A entrega das chaves do Estado e da rampa do Palácio do Planalto ao Escritório do Crime

📝 ENSAIO CONSOLIDADO: A FÁBULA DOS CPFs E O CREPÚSCULO DOS MARCOS CIVILIZATÓRIOS

O debate político brasileiro foi deliberadamente anestesiado por um estamento burocrático e midiático que reduziu a crise do país a uma discussão de superfície sobre quem é ou não corrupto. Nós não estamos discutindo no Brasil quem é corrupto e quem não é corrupto; nós estamos discutindo marcos civilizatórios. A exaustão que sufoca a inteligência crítica nacional brota da percepção de uma dismetria histórica escandalosa, onde pequenos deslizes de imagem do campo progressista provocam linchamentos reputacionais e quedas de ministros — como a célebre tapioca de R$ 8,30 no cartão corporativo —, enquanto a extrema-direita normaliza a barbárie estrutural em troca de votos e status nos salões de Brasília.

Essa engenharia de normalização foi gestada a partir de laboratórios de blindagem retórica que hoje cobram o seu preço mais alto. Recordar o arsenal de frases clássicas durante as campanhas e governo bolsonarista anterior — como “o CPF de um não se confunde com o do outro”, “eu voto no pai, não nos filhos” ou o dissimulado “se o filho errou, que ele pague” — é compreender como o sistema foi progressivamente treinado para aceitar o inaceitável. Essa separação artificial de responsabilidades familiares serviu como biombo para acobertar interferências explícitas em órgãos de controle, como as trocas de comando na Polícia Federal, garantindo que a imagem de Jair Bolsonaro – enquanto chefe do Executivo, permanecesse blindada pelas torcidas digitais enquanto os seus herdeiros políticos pavimentavam alianças com o crime organizado e o extrativismo financeiro de figuras como Daniel Vorcaro e o Banco Master.

O resultado dessa cumplicidade discursiva e do apagamento da régua moral foi desnudado pelo próprio ecossistema da imprensa tradicional, que finalmente foi forçada a abandonar a complacência. No histórico e demolidor editorial “Flávio e a sombra dos milicianos”, o jornal O Estado de S. Paulo elevou o alarme a um nível existencial ao cravar que os vínculos históricos e nunca esclarecidos do senador Flávio Bolsonaro com operadores de organizações criminosas de sangue — como Robson Calixto, o “Peixe”, intermediário de emendas de seu gabinete e ligado aos mandantes do assassinato de Marielle Franco — não representam um problema paroquial. A candidatura de Flávio Bolsonaro embute o risco real e iminente da ascensão das milícias ao topo do poder da República. O artifício dos CPFs separados ruiu: o que está em jogo não é um erro isolado de um filho de presidente, mas a entrega das chaves do Estado e da rampa do Palácio do Planalto ao Escritório do Crime.

Diante de uma sociedade estruturalmente fraturada, onde um general subserviente que sabotou o oxigênio e as vacinas na pandemia é consagrado nas urnas e um ministro que operou para “passar a boiada” contra o meio ambiente obtém mais votos do que os defensores da floresta, o ato de votar deixa de ser uma escolha meramente partidária.

Escolher candidatos visceralmente comprometidos com as causas populares, com a justiça social real e com a preservação urgente da Amazônia e das instituições é a única salvaguarda civilizatória restante.

A fotografia oficial do governo federal assinando a Medida Provisória que bane as bets do território nacional é o retrato de uma burocracia que tenta conter, tardiamente, o colapso financeiro doméstico provocado por essa mesma hipocrisia e o mesmo cinismo sistêmico. Se a população não recuperar a sua soberania de pensamento para rasgar a cartilha da mentira performática e enxergar que os CPFs do crime operam sob o mesmo CNPJ político, o Brasil marchará definitivamente para o crepúsculo de sua dignidade, governado pelo terror das armas e pelo silêncio dos que escolheram fechar os olhos.

BASTIDORES DO CRIME

O levantamento de bastidores sobre a reação da campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), diante do avanço das investigações da Polícia Federal (PF) revela um cenário de alerta máximo e contenção de danos cirúrgica. O estopim da crise ocorreu com o vazamento de mensagens obtidas pela PF revelando que a sua secretária parlamentar no Senado, Maria de Fátima Bezerra Castro, intermediou o repasse de emendas de quase R$ 200 mil a pedido do miliciano Robson Calixto, o “Peixe”. Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 9 anos de prisão por atuar como o braço direito e elo de ligação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Os bastidores do comitê político do PL expõem a engenharia de defesa desenhada para isolar o candidato a menos de dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais:

1. O “Isolamento Técnico” e a Blindagem do Candidato

A ordem expressa da coordenação jurídica da campanha é desidratar o componente político do caso e tratá-lo sob um viés estritamente institucional. Em nota oficial emitida pelo gabinete, a defesa alega que a emenda de R$ 199.999,79 enviada ao Instituto IFOP para o projeto “Jogadores do Futuro” seguiu “critérios técnicos e a legislação vigente” do Ministério do Esporte. A estratégia nos bastidores é transferir o ônus da execução e prestação de contas integralmente para a ONG beneficiada, sob o argumento legal de que o parlamentar apenas indica o recurso, não gerenciando a aplicação final do dinheiro público (mesmo com auditorias do TCU apontando indícios de desvios desse montante).

2. A Ambiência do Silêncio sobre a Milícia

Diferente das reações intempestivas do passado, o QG de Flávio Bolsonaro adotou o silêncio obsequioso sobre o crime organizado. Em nenhuma das manifestações oficiais ou inserções digitais o senador pronuncia os nomes de “Peixe”, dos irmãos Brazão ou faz menção à estrutura das milícias do Rio de Janeiro. Nos bastidores, cientistas políticos e marqueteiros da campanha admitem que responder diretamente ao conteúdo das mensagens de WhatsApp — onde o miliciano se refere ao presidenciável como “nosso senador” — traria o assassinato de Marielle para o centro do debate nacional, o que validaria o duro editorial do Estadão que alertou para o risco da “ascensão das milícias ao topo do poder”.

3. A Contraofensiva nas Redes: “Cortina de Fumaça”

Para conter o avanço do desgaste junto ao eleitorado de classe média e das torcidas organizadas, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou a máquina de desvios temáticos. A ordem nas redes é abafar o caso da assessora com duas pautas de forte apelo emocional:
• A exploração agressiva da recente Medida Provisória de Lula que baniu as bets, rotulando o atual presidente como “o pai do Tigrinho” para inflar o eleitorado conservador;
• O resgate das acusações contra o PT no caso do Banco Master, tentando equiparar as crises para diluir o impacto ético na cabeça do eleitor tribal.

O clima interno na campanha é de forte tensão geopolítica e institucional. Sabendo que as mensagens estavam no celular de Peixe desde a sua prisão, o comitê bolsonarista teme que novos trechos de conversas envolvendo o direcionamento de emendas para redutos milicianos da Zona Oeste do Rio vazem nos dias imediatamente anteriores ao pleito, quebrando de vez a narrativa de que o “CPF de um não se confunde com o do outro”.


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Site mostra onde é possível buscar votos para Lula virar contra Flávio no segundo turno

Plataforma independente cruza dados públicos do TSE, permite pesquisar endereços e aponta locais de votação com maior concentração de abstenções, brancos, nulos e votos em candidatos que ficaram fora da disputa

Em uma eleição decidida por uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos no primeiro turno, uma iniciativa independente resolveu transformar os dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um mapa para mostrar onde ainda há eleitores em disputa no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O site “Onde dá pra conversar” permite que o usuário informe onde mora, trabalha ou estuda, ou escolha diretamente um ponto no mapa, para identificar locais de votação próximos em que há maior número de votos potencialmente disponíveis para Lula.

A ferramenta não pertence à campanha do presidente, ao PT ou à coligação. Segundo a própria plataforma, trata-se de uma iniciativa independente e voluntária, feita pela MACAPE Pesquisas e Consultoria em Tecnologia Ltda., com conteúdo sob responsabilidade de Matheus C. Pestana.

Na página inicial, o projeto resume sua proposta: “Tem gente perto de você que pode fazer esse resultado virar”.

Como funciona o mapa
O sistema cruza os resultados do primeiro turno, seção por seção, com o cadastro dos locais de votação do TSE.

Entram no cálculo eleitores que não compareceram às urnas, votaram em branco ou nulo e aqueles que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno, além da distribuição geográfica dessas votações.

A ferramenta exibe os pontos em um mapa do Brasil e permite pesquisar por bairro, cidade ou rua. A partir daí, mostra a dimensão do eleitorado que, segundo sua metodologia, ainda poderia ser disputado naquela região.

Na atualização exibida pelo site, baseada em 496.784 boletins de urna, a plataforma calculava 47.913.428 votos que poderiam ser disputados em todo o país e apontava 26.857 locais de votação nos quais apenas a soma de abstenções, votos brancos e nulos seria suficiente, segundo seus cálculos, para alterar o resultado local considerado pela ferramenta.

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O próprio projeto ressalta que os números vêm dos boletins de urna publicados pelo TSE e do cadastro oficial dos locais de votação.

Para calcular as abstenções, compara quantas pessoas estavam aptas a votar em cada urna com o número de eleitores que efetivamente compareceram.

Dados agregados e voto continuam secretos
Apesar do grau de detalhamento geográfico, a ferramenta não identifica eleitores individualmente nem revela em quem uma pessoa votou.

Os dados eleitorais utilizados são agregados por seção.

Segundo a Forum, é possível saber, por exemplo, quantos votos Lula, Flávio Bolsonaro ou outro candidato recebeu em determinada urna, assim como o número de abstenções, brancos e nulos, mas não quem deu cada voto.

O site informa também que não solicita nome, e-mail ou telefone de quem sinaliza que pretende realizar uma conversa em determinada região.

Ao clicar em “Vou conversar por aqui”, o mapa apenas registra mais uma pessoa naquela área, numa tentativa de distribuir os voluntários por diferentes locais.

A iniciativa foi inspirada no projeto “Como meus vizinhos votam”, que também utiliza dados eleitorais para mostrar a distribuição dos votos por local de votação.

Ferramenta também compara propostas
O projeto não se limita ao mapa.

Há uma seção dedicada a orientar conversas com diferentes segmentos do eleitorado, incluindo quem não foi votar, votou em branco, anulou o voto ou escolheu Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema no primeiro turno.

No caso dos candidatos eliminados, o site coloca lado a lado trechos de seus programas de governo e do programa de Lula registrado no TSE, destacando pontos que considera semelhantes.

Entre os temas comparados estão educação integral, saúde mental, segurança pública, digitalização da saúde, prontuário eletrônico, filas do SUS e saneamento.

A plataforma disponibiliza as referências dos programas e as páginas de onde foram retirados os trechos apresentados.

“Olho no olho e nas redes”
O “Onde dá pra conversar” também apresenta uma espécie de roteiro de organização para quem pretende participar da mobilização eleitoral.

A orientação é consultar o mapa, formar grupos voluntários, dividir tarefas, conversar pessoalmente e atuar nas redes sociais.

Ao mesmo tempo, a página chama a atenção para limites da legislação eleitoral.

Orienta, por exemplo, a não adicionar pessoas sem consentimento a grupos de WhatsApp, não realizar disparos em massa e não pagar pelo impulsionamento de publicações.

A plataforma informa ainda que a mobilização de rua deve se encerrar às 22h de 24 de outubro, véspera do segundo turno.

No domingo (25), dia da votação, a orientação é não realizar campanha ou abordagem de eleitores.

A aposta do projeto é transformar a enorme quantidade de dados produzidos pelas urnas em uma pergunta mais concreta para a militância de Lula nesta reta final: não apenas quantos votos são necessários para virar a eleição, mas onde eles podem estar.


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CIA planta histórias pró-Flávio para influenciar eleição, diz ex-agente dos EUA

Ex-agente diz que indício segue padrão da CIA de tentar influenciar eleições no exterior

A CIA estaria agindo nos bastidores da eleição no Brasil, plantando histórias para favorecer Flávio Bolsonaro e criar uma narrativa positiva para o senador.

As revelações são de John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos. No começo da semana, ele foi às redes sociais para denunciar o que ele aponta ser um indício “crível” do envolvimento da agência de espionagem na eleição brasileira.

Nesta terça-feira, em seu podcast, ele deu mais detalhes. “Ouvi um rumor de um ex-colega meu da CIA, neste fim de semana, que a agência está ativamente trabalhando nos bastidores para apoiar Bolsonaro”, afirmou.

“E a forma que estão agindo é plantando histórias pro-Bolsonaro tanto na imprensa brasileira como imprensa internacional”, alegou.

Sem apresentar provas, ele foi cuidadoso em dizer que “não sabe” se essa versão é verdadeira. Mas pondera que a atitude vai na linha da atuação da agência ao longo de anos.

“Há uma longa história do envolvimento da CIA em eleições no exterior, controlando a narrativa midiática”, disse.

Ele destaca que muitos na imprensa brasileira saíram ao apoio de Bolsonaro. “Isso apesar do fato de que a presidência de Jair Bolsonaro ter sido um erro atrás de erro”, afirmou.

O ex-agente destacou como o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, citando supostamente uma atitude “incrivelmente corrupta”.

Para Kiriakou, as projeções para o segundo turno não são favoráveis para Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que a direita já obteve uma das maiores vitórias de sua história no Brasil. “Lula deve perder a eleição e acho que o jovem Bolsonaro vai perdoar o pai”, estimou.

Ele também destacou como Donald Trump já endossou a candidatura de Flávio e admitiu como isso seria uma “violação das regras internacionais”.

No início da semana, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Lula há três anos. Nesta terça-feira, ele explicou que foi um assessor do presidente que entrou em contato, para que Lula pudesse conversar sobre transparência no governo.

Na conversa, segundo o ex-agente, um dos temas foi a violência policial no governo de Jair Bolsonaro. O americano afirmou que sugeriu que Lula lidasse com essa realidade e que isso teria levado o setor policial a se voltar contra ele.

Quem é o agente?
Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.

Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.

Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.

O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.

Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.

*Jamil Chade/ICL


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Preocupante: PL rejeita acordo com STF e já mira impeachment de Moraes e Dino

O PL decidiu rejeitar qualquer acordo político com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e passou a discutir a apresentação de um pedido de impeachment contra ele no Senado em 2027. A sigla também coloca o ministro Flávio Dino entre os possíveis alvos da ofensiva.

Integrantes do partido avaliam que sinais atribuídos a ministros vistos como próximos ao governo poderiam abrir uma negociação envolvendo a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. A direção partidária, porém, não pretende vincular essas questões a uma trégua com Moraes.

O movimento ocorre após a defesa de Bolsonaro protocolar um novo pedido de revisão criminal. O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, indicou que pretende levar o processo a julgamento depois do segundo turno.

O ex-presidente Michel Temer também entrou nas conversas políticas por ter manifestado apoio a Flávio Bolsonaro antes de outros candidatos derrotados e partidos. Temer indicou Moraes ao STF em 2017 e mantém interlocução com o ministro e com a família Bolsonaro.

PL calcula votos para processo contra Moraes no Senado
De acorco com o DCM, dentro do PL, há preferência por uma apuração no próprio STF sobre a relação de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro, com eventual afastamento do ministro durante as investigações. Caso essa alternativa não avance, a legenda pretende concentrar esforços no Senado a partir de 2027.

Nos cálculos do partido, 49 senadores apoiariam o impeachment de Moraes. Para alcançar os 54 votos necessários à condenação e à perda do cargo, o grupo afirma que precisaria conquistar mais cinco votos.

Flávio Dino poderá entrar na mesma estratégia, a depender da atuação que o PL espera do ministro diante de uma eventual vitória eleitoral de Flávio Bolsonaro. A legenda considera que Dino pode se tornar alvo de pedido de impeachment caso avance em apurações que, na visão do partido, questionem o resultado das urnas.

Entre as preocupações citadas por dirigentes estão investigações sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras e procedimentos sigilosos relacionados ao uso de emendas parlamentares. O PL avalia incluir Dino na ofensiva caso essas frentes tenham novos desdobramentos.


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