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É sabatina marmelada que chama

Globo confirma encontro de Flávio com cúpula da emissora antes de sabatina no JN

Após coluna do Metrópoles revelar almoço com Flávio, Globo confirma visita e não esclarece se Lula teve convite semelhante

A TV Globo confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, fez uma visita institucional à sede da emissora, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16), horas antes de participar da sabatina do Jornal Nacional (JN).

A nota foi enviada à imprensa após a publicação da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que revelou que Flávio tinha um almoço reservado com a cúpula da emissora no mesmo dia da entrevista.

Segundo a Globo, o senador foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A emissora afirmou que o encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo.

Na nota, a empresa alega que pedidos de visitas institucionais “fazem parte da rotina dos executivos de empresas de mídia” e que é “usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”.

Segundo a coluna do Metrópoles, Flávio esteve acompanhado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha presidencial, e de um assessor de imprensa.

Este seria o segundo encontro de Flávio com a cúpula da emissora. O primeiro, conforme Igor Gadelha, ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral, como parte de uma agenda de visitas do senador aos principais veículos de comunicação.

Lula não teve encontro com executivos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à Presidência, foi entrevistado na quinta-feira (15).

De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, auxiliares de Lula afirmaram que o presidente não teria sido convidado para um almoço semelhante com executivos da Globo.

A Globo respondeu ao ICL Notícias que as visitas institucionais são comuns e que também teria atendido a um eventual pedido da campanha de Lula. O presidente, no entanto, não fez solicitação semelhante, e não houve, portanto, um encontro entre Lula e os executivos da emissora nos mesmos moldes.

Até a publicação, a assessoria do senador não havia se manifestado. O espaço segue aberto.

Confira a nota da TV Globo na íntegra:
O candidato à presidência da República do PL, Flavio Bolsonaro, fez hoje uma visita institucional à sede da Globo, no Rio de Janeiro, e foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. O encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia.

*ICL


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Política

Tudo junto e misturado

Grupo Globo, de porta-voz do bolsonarismo a suspeito de conexões que vão muito além de Luciano Huck e Fred Kachar

Escancaradamente bolsonarista, O Globo já nem faz questão de disfarçar seu engajamento político. O jornal da família Marinho parece ter abandonado de vez qualquer pretensão de imparcialidade para vestir a camisa de uma candidatura que interessa à velha direita e aos setores mais poderosos do mercado.

Mas há uma pergunta incômoda que não pode ser ignorada: até onde vão as conexões de Daniel Vorcaro com o Grupo Globo? Se as relações envolvendo Luciano Huck e Fred Kachar já levantam questionamentos sobre a proximidade entre o mundo financeiro e o poder midiático, é legítimo cobrar esclarecimentos sobre a extensão dessas relações e sobre os interesses que podem estar em jogo.

O que não se pode fazer é transformar suspeitas em conclusões sem provas. Mas tampouco se pode exigir que a sociedade feche os olhos diante de relações que merecem escrutínio público.

Quando um dos maiores grupos de comunicação do país assume uma linha editorial cada vez mais alinhada ao bolsonarismo, a pergunta deixa de ser apenas sobre jornalismo e passa a ser também sobre poder, interesses econômicos e influência política.

Quem financia, quem se associa, quem ganha e quem pauta a opinião pública? Essas são as perguntas que precisam de respostas transparentes.

A credibilidade de um veículo de comunicação não se sustenta na força de sua marca, mas na independência de sua cobertura. E, quando essa independência é colocada em dúvida, não basta posar de fiscal da República: é preciso aceitar ser fiscalizado também.

Basta um clique no jornal dos Marinho, para entender que seu conceito de democracia é de uma perna só. Isso deixa claro que o jornalão utiliza uma peneira moral em favor de quem, há anos, furta até o piruá de pipoca das vasilhas do povo, deixando vastos roletes de fumo.

Ou seja, já são dois figurões de cabeça coroada da Globo envolvidos até o talo  jo esquema de Daniel Vorcaro, o todo poderoso diretor, Fred Kachar, e o apresentador, Luciano Huck.

Então fica a pergunta: E os irmãos Marinho, não sabiam de nada? E só se manifestam jogando para a torcida quando aparece uma denúncia comprovando que o Grupo Globo, Vorcaro e, consequentemente, o próprio Flavio Bolsonaro formam um combo de interesses nada repubicanos.


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Política

Com que moral a Globo vai cobrar explicações sobre Vorcaro?

Como Renata Lo Prete pretende questionar Flávio Bolsonaro sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro e tudo o que essa relação representa de nefasto para a política brasileira, se a própria Globo está às voltas com revelações que atingem dois de seus medalhões, também associados ao mesmo Vorcaro?

Eis a pergunta que não pode ser varrida para debaixo do tapete: com que autoridade moral a Globo pretende colocar Flávio Bolsonaro contra a parede se a própria casa tem explicações a dar sobre suas conexões com o personagem que está no centro dessa trama?

O problema não é apenas o que Renata Lo Prete vai perguntar. É, sobretudo, o que ela terá coragem de perguntar. Vai apertar Flávio sobre os vínculos com Vorcaro? Vai exigir respostas concretas, documentos e explicações sobre as suspeitas que cercam essa relação? Ou veremos mais um espetáculo de indignação seletiva, com perguntas duras para uns e luvas de pelica para outros?

Porque, quando o escândalo chega à porta do adversário, a velha mídia costuma vestir a toga de juíza. Mas, quando as conexões alcançam os seus próprios salões, o rigor pode desaparecer, o tom pode mudar e o silêncio pode se tornar uma conveniente estratégia de sobrevivência.

A credibilidade do jornalismo não se mede pela dureza das perguntas feitas aos adversários, mas pela disposição de fazer as mesmas perguntas aos aliados, aos poderosos e aos próprios donos da casa.

Se a Globo quer cobrar explicações de Flávio Bolsonaro, que cobre. E que cobre sem anestesia. Mas terá de aceitar que a mesma régua seja aplicada a todos os personagens dessa história, inclusive aos que circulam pelos corredores do próprio grupo de comunicação.

O que não dá é transformar o jornalismo em tribunal para os outros e em assessoria de contenção de danos para os seus.

Vorcaro não pode ser tratado como um problema apenas quando o seu nome compromete Flávio Bolsonaro. Se as conexões alcançam também figuras de peso da Globo, a pergunta deixa de ser somente o que Flávio tem a explicar. Passa a ser o que a própria Globo está disposta a esclarecer.

Afinal, o público não quer uma entrevista montada para produzir manchetes convenientes. Quer respostas. Quer coerência. Quer saber se existe, de fato, disposição para investigar todos os lados ou se a velha mídia continuará escolhendo a dedo quem merece ser encurralado e quem merece ser protegido.

A pergunta que paira sobre a entrevista é brutalmente simples: Renata Lo Prete vai fazer jornalismo ou vai administrar os constrangimentos da própria Globo?

Por isso não se espantem, se hoje na sabatina de Renata Lo Prete com Flavio Bolsonaro, assistir a um bem manejado festival de platitudes.


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Pesquisa

Pesquisa PoderData/Aya: Lula e Flavio empatam em 50%

O petista avança 1 ponto percentual desde o último levantamento; os candidatos estão empatados dentro da margem de erro …

intenções de votos válidosTudo considerado, Lula reagiu e Flávio perdeu um pouco de ímpeto; a 9 dias da eleição, a disputa voltou ao ponto de partida: ninguém tem a vitória assegurada.

Pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta 6ª feira (16.out.2026), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados, com 50% dos votos válidos cada um. …

A pesquisa foi realizada de 13 a 15 de outubro, com 3.000 entrevistas e margem de erro de 1,8 ponto percentual. Parte das entrevistas já captou o impacto do fim da escala de trabalho 6 X 1, medida aprovada em definitivo pelo Congresso na 4ª feira (14.out.2026). …

O levantamento mostra uma mudança no cenário desde o 1º turno. Em duas semanas, a taxa de intenções de voto em Lula avançou, enquanto a de Flávio recuou. A distância entre os 2 era de 6 pontos percentuais no estudo divulgado em 8 de outubro. Há 3 dias, caiu para 2 pontos percentuais. Agora, é zero.

No 1º turno das eleições, Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A vantagem do senador sobre o petista havia sido de 1,87 ponto percentual nas urnas.

DEMOGRAFIA NO 2º TURNO

Lula preserva a preferência em segmentos estratégicos do eleitorado. Entre as mulheres, o presidente registra 55% das intenções de voto, contra 39% do senador do PL. Flávio vai melhor no Centro-Oeste (54%) e no Sul (57%).

REJEIÇÃO

A oscilação positiva das intenções de voto em Lula teve leve impacto na taxa de potencial de voto do candidato. Na nova rodada do PoderData/Aya, 44% dos entrevistados dizem que o petista.

é o “único em que votariam”. Essa taxa era de 42% há 3 dias. Os que declaram que não votariam “de jeito nenhum” no atual presidente são 46%. A taxa é a mesma desde o 1º turno.

Entre os que rejeitam Flávio, a taxa oscilou 1 ponto percentual para cima, de 44% para 45% em 3 dias.

*Poder360


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Política

Delator diz que aportes em fundo feitos para atender pedido de Flávio Bolsonaro viraram fraude

Empresário fez os aportes de U$ 12 mi no fundo para um investimento de Vorcaro. Meses depois, tentou resgatar os valores e não encontrou o dinheiro.

Em seu acordo de colaboração premiada, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, relatou que fez os aportes de dinheiro no fundo Havengate acreditando que fazia um investimento a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O empresário diz que não sabia que os valores supostamente iriam financiar “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Meses depois, porém, quando a crise do banco se instalou, Freixo Junior tentou resgatar os valores investidos e não encontrou mais o dinheiro. Segundo o empresário, o aporte se revelou uma fraude. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Freixo Junior firmou acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, em setembro. O empresário era dono da Entre Investimentos e Participações, de onde partiram os valores enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas. Uma reportagem da revista piauí revelou que, originalmente, a minuta de suposto acordo de patrocínio previa que o dinheiro destinado ao filme iria para a produtora Go Up, no Brasil. Depois, no entanto, os repasses foram enviados ao Havengate, nos EUA.

O Havengate Development Fund LP aparece como sendo de propriedade de uma empresa do tipo LLC, a Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas que o escritório de Calixto. Essa LLC tem como membros do quadro societário Paulo Calixto e o corretor de imóveis Altieris Santana.

Uma reportagem do Intercept mostrou que o Havengate havia sido criado originalmente para vender a investidores, inclusive brasileiros, participação em um projeto imobiliário no Texas chamado Havengate Community, empreendimento que não saiu do papel.

No início de setembro, o blog da jornalista Andréia Sadi revelou que Mineiro relatou sete repasses ao fundo entre fevereiro e setembro de 2025. Os repasses foram feitos por meio de “subscrição de cotas” e somaram US$ 12,333 milhões. A piauí também apontou a possibilidade de mais dois repasses. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, nega irregularidades e diz que pediu o dinheiro para o filme. No entanto, prometeu uma prestação de contas dos valores em maio e nunca a apresentou. Além disso, não explica por que o dinheiro foi enviado a um fundo no Texas, e não diretamente à Go Up.

A coluna procurou o advogado Marco Petrelluzzi, que defende Freixo Junior, mas ele disse que não poderia se manifestar. A defesa de Daniel Vorcaro pediu acesso ao expediente e a anulação da homologação do acordo, mas ainda não obteve resposta do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Na colaboração, Freixo Junior admitiu que sua função junto a Vorcaro era “gerar” dinheiro vivo. Segundo o delator, em cerca de dois anos e meio, ele conseguiu para o banqueiro R$ 1,3 bilhão em espécie, entregue a Vorcaro e à sua equipe em malas de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão. O dinheiro, de acordo com o relato, servia para pagar pessoas indicadas por Vorcaro.

Como funcionava a “geração” de dinheiro
Os pedidos chegavam por WhatsApp, feitos primeiro por Vorcaro e depois por [Fabiano] Zettel, [cunhado do banqueiro], e por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Mineiro então acionava operadores, também por WhatsApp, e fazia transferências bancárias para empresas indicadas por eles. Uma dessas empresas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já havia aparecido na Operação Carbono Oculto. Os operadores obtinham as cédulas com contatos no Brás, na região central de São Paulo, e no setor de combustíveis. Depois, levavam o dinheiro à sede da Entre, na rua Iguatemi, no Itaim Bibi.

As entregas eram combinadas para o mesmo dia com Vorcaro, ou com alguém indicado por ele, para evitar guardar o dinheiro. Segundo o relato, elas aconteciam no estacionamento subterrâneo do prédio da Entre ou na garagem do edifício onde Zettel morava, no mesmo bairro. Pelo serviço, os operadores ficavam com 4% dos valores, e Mineiro, com 1%.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Vorcaro editava textos do Metrópoles antes de irem ao ar

Polícia Federal encontra mensagens em que Daniel Vorcaro edita reportagens e sugere pautas ao portal Metrópoles

A Polícia Federal (PF) descobriu, no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mensagens que comprovam que a cúpula do portal Metrópoles submetia reportagens ao empresário antes da publicação, atendia a pedidos de edição nos textos e sugeria pautas de interesse dele. A interlocução direta era feita com a CEO do grupo Metrópoles, Lilian Tahan, e começou em 2024, mesmo ano em que o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o site. Entenda a ligação entre Vorcaro e Metrópoles com a TVT News.

  • Entenda: Lilian Tahan, CEO do Metrópoles, enviava textos a Vorcaro antes da publicação
  • Daniel Vorcaro agia como editor do site Metrópoles: pelo menos 14 textos foram enviados previamente ao ex-banqueiro, e 11 deles sofreram alterações após seus pedidos.
  • Quem é Lilian Tahan: CEO do Grupo Metrópoles desde setembro de 2015, é a interlocutora direta de Vorcaro nas mensagens obtidas pela PF.
  • O que a Polícia Federal descobriu: diálogos mostram Vorcaro determinando como os textos deveriam ser publicados, pedindo para retirar menções a empresas e até vetando a publicação de reportagens.
    Master Jornalismo: as mensagens também revelam a relação de Vorcaro com o diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar, que foi demitido após a repercussão das conversas.
    Daniel Vorcaro editava textos e sugeria reportagens do Metrópoles
    As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal mostram uma relação de interferência editorial direta entre o ex-banqueiro e a CEO do Metrópoles, Lilian Tahan.

Em um dos episódios, no dia 2 de abril de 2025, ao debater rumores de que o BTG teria feito uma proposta de pela compra de ativos do Master, Vorcaro enviou um desmentido oficial e determinou como o texto deveria ser publicado: “Mas tem que ser um jeito que nãp pareça que não tem interesse. So desmentir quem falou que tinha proposta de 1 real”. Tahan respondeu prontamente: “Tiramos”.

Em outra troca, Vorcaro sugeriu alterações para inflar os números do banco em uma reportagem que comparava os balanços do BRB e do Master. “Carteira credito do master é maior. Pois tem que pegar as carteiras dos fundos”, escreveu ele, repassando o número de R$ 52 bilhões. A jornalista acatou a mudança e publicou o texto com a alteração.

lilian-tahan-vorcaro-metropoles-mensagens-pf-policia-federal-banco-masterReprodução de mensagens obtidas por veículos de imprensa que trazem o que seriam as trocas de mensagens entre Lilian Tahan, CEO do Grupo Metrópoles, e Daniel Vorcaro – Imagem: Reprodução

lilian-tahan-vorcaro-metropoles-mensagens-pf-policia-federal-banco-masterReprodução de mensagens obtidas por veículos de imprensa que trazem o que seriam as trocas de mensagens entre Lilian Tahan, CEO do Grupo Metrópoles, e Daniel Vorcaro – Imagem: Reprodução

O poder de veto do ex-banqueiro sobre as matérias também ficou evidente. No dia 27 de maio de 2025, ao receber uma prévia de uma reportagem sobre a compra de ativos bilionários do Master pelo BTG Pactual, Vorcaro ordenou: “Pode retirar hapvida do texto?”. Tahan obedeceu (“Claro”) e a matéria foi publicada sem a menção à empresa.

Quem é Lilian Tahan
Lilian Tahan é CEO do Grupo Metrópoles desde setembro de 2015. Formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, ela trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília antes de assumir o comando do portal.

Segundo as mensagens obtidas pela PF, Tahan era quem se comunicava diretamente com Vorcaro, atendia a seus pedidos, marcava reuniões presenciais e intermediava encontros com o dono do Metrópoles, o ex-senador Luiz Estevão.

O que Lilian Tahan disse sobre as mensagens com Vorcaro
Em nota, Lilian Tahan afirmou que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”. Ela também negou que o contrato de publicidade do Master com o Metrópoles tivesse relação com a cobertura de interesse do banco: “Basta ver a quantidade de matérias publicadas pelo Metrópoles expondo a situação das empresas de Vorcaro, tais como Banco Master, Ambipar, Fictor, Oncoclínicas dentre outras”.

Vorcaro também agia no Grupo Globo
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não se restringem ao Metrópoles. A PF também encontrou conversas entre o ex-banqueiro e o então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar, e com o apresentador Luciano Huck.

mensagens-encontradas-pela-pf-mostram-relacao-comercial-e-pessoal-entre-apresentador-e-ex-dono-do-banco-master-huck-contesta-sociedade-em-aeronave-foto-dados-obtidos-pela-pf-no-celular-de-vorcaro-divulgacao-lilian-tahan-vorcaro-metropoles-mensagens-pf-policia-federal-banco-masterMensagens encontradas pela PF mostram relação comercial e pessoal entre apresentador e ex-dono do Banco Master; Huck contesta sociedade em aeronave. Foto: Dados obtidos pela PF no celular de Vorcaro/DivulgaçãoCom Huck, as mensagens revelam uma relação de amizade e negócios.

O apresentador atuou como conselheiro de Vorcaro e chegou a escrever: “Você merece sair inteiro desta turbulência toda”. A parceria de mídia entre os dois, envolvendo o patrocínio do Will Bank ao programa Domingão com Huck.

*TVTNews


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Relação com Vorcaro: Globo demite o executivo Fred Kachar após divulgação de conversas com Vorcaro

O Grupo Globo demitiu nesta quinta (15) o diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, Frederic Kachar, após ter acesso a conversas privadas mantidas por ele com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Ele trabalhou 29 anos na empresa e também comandava a Editora Globo e o Sistema Globo de Rádio.

Em nota, a empresa afirmou que as mensagens trocadas entre outubro de 2023 e julho de 2025 revelaram “uma relação inadequada do executivo com um anunciante”. O Grupo Globo disse que divulgará em breve o nome do substituto de Kachar.

A empresa declarou que a cobertura de seus veículos sobre o caso Master mantém caráter “crítico, isento e independente”. Também afirmou que a independência editorial do jornalismo constitui uma premissa de sua atuação.

Veja o comunicado:

Conversas incluíram encontro reservado e evento em Nova York
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal apontam convites para encontros privados, comentários sobre figuras públicas e tratativas comerciais entre Kachar e Vorcaro. Os diálogos incluem a articulação de um encontro com “Roberto”, uma referência a Roberto Marinho Neto, integrante da família controladora do Grupo Globo e CEO da Globo Ventures, área de investimentos do conglomerado.

As mensagens também citam um convite feito pelo então banqueiro em 15 de maio de 2024 para uma reunião reservada. Ao justificar a ausência em um evento da revista Forbes, Vorcaro escreveu que havia fechado um local próprio e usou as expressões “sem celular” e “sem risco”.

Kachar aceitou o convite e chamou Vorcaro de “convidado de honra”; os registros indicam que ele entrou no local perto da meia-noite de 16 de maio e agradeceu ao anfitrião no dia seguinte.

As mensagens não detalham o conteúdo da reunião nem esclarecem o sentido da expressão usada por Vorcaro. Em fevereiro de 2024, os dois também conversaram sobre encontros semanais em São Paulo, aos quais Kachar se referiu com os termos “guerra da Ucrânia” e “bomba na Rússia”.

A relação profissional entre eles incluiu o Summit Valor Econômico Brazil-USA, realizado em maio de 2024 no Hotel Plaza, em Nova York. O Banco Master patrocinou o fórum promovido pelo Grupo Globo, e Vorcaro discursou na abertura para apresentar produtos da instituição financeira.

De acordo com o DCM, documentos reunidos pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master incluem orçamentos de passagens para participantes de viagens a Londres, Nova York e Lisboa. Os registros apontam gastos superiores a R$ 60 milhões com autoridades nesses deslocamentos.

As mensagens também incluem comentários machistas sobre Deborah Secco e Sabrina Sato. Eles chegaram a comentar que a atriz “tava pra jogo” e falar sobre sua “bunda”. Sobre a apresentadora, Kachar disse que ela estava “soltinha”.

Mensagens entre Kachar sobre Deborah Secco e Sabrina Sato; Foto reprodução


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OpenAI alerta PF sobre ameaças de morte a Lula no ChatGPT

Empresa de inteligência artificial denunciou interações de usuários sinalizando intenção de atacar presidente e classificou diálogos como ‘possível emergência’

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, alertou a Polícia Federal sobre interações de ao menos dois usuários que sinalizaram, dentro da plataforma, intenção de atacar ou ameaçar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa compartilhou os diálogos com as autoridades e encerrou ao menos uma das contas envolvidas no começo de outubro. Em uma das interações, um usuário diz que pretende usar um “fuzil de precisão” em atentado contra o presidente.

No mesmo período, a PF encaminhou a documentação ao Ministério da Justiça para que o ministro Wellington César Lima e Silva decida sobre a abertura de dois inquéritos. A ação da OpenAI foi tomada após a empresa identificar, nos diálogos, o que classificou como “possível emergência com risco de morte ou lesão física grave”, segundo documentos obtidos pela Folha.

Segundo documentos obtidos pela Folha de S.Paulo, a empresa informou às autoridades que havia “motivos razoáveis para acreditar” que os diálogos envolviam “possível emergência com risco de morte ou lesão física grave”. No começo de outubro, a OpenAI encerrou a conta de um dos usuários e enviou os dados à PF, ressaltando que o material deveria ser avaliado de forma “independente pelas autoridades policiais competentes”.

A notificação foi feita em linha com o que a empresa chamou de plano de conformidade eleitoral. Além da PF, a OpenAI também comunicou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso. Em nota, a empresa afirmou que realiza alertas às autoridades quando as conversas indicam risco real de dano a outras pessoas e que compartilha dados para “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas, em conformidade com os Termos de Serviço e a Política de Privacidade”. O Ministério da Justiça e a PF foram procurados, mas não se manifestaram.

Conteúdo das interações e avaliação da PF
Um dos casos, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, envolve mensagens enviadas ao ChatGPT desde janeiro por um homem. Em setembro, durante a campanha eleitoral, ele relatou ao sistema ter visto o presidente Lula em um palco a cerca de 400 metros do local onde estava.

A partir daí, segundo os documentos obtidos pela Folha, o usuário expressou o desejo de atirar na cabeça do presidente, perguntou “o que acontece se eu matar o presidente” e “quantos anos eu pegaria [de pena]”, e ainda enviou foto de um local com uma torre que, segundo ele, ofereceria bom ângulo para um ataque.

O alerta da OpenAI sobre o trecho, conforme apurado pela Folha, descreve o caso nos seguintes termos: “embora o usuário tenha declarado que não agiria e que não possuía uma arma, expressou o desejo de usar um fuzil de precisão, perguntou o que aconteceria se matasse o presidente ou atirasse na cabeça dele, e fez referência a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta”.

O mesmo homem havia enviado, em outras datas, fotos de armas brancas, manifestado vontade de agredir parentes, compartilhado símbolos nazistas e declarado que, se tivesse dinheiro, faria um massacre. Os documentos obtidos pela Folha não mostram as respostas dadas pelo ChatGPT às mensagens do usuário. A PF avaliou que o material enviado pela OpenAI contém ameaças de violência a terceiros, incluindo o presidente Lula, comentários sobre armas de fogo e armas brancas, “fantasias violentas” e manifestações favoráveis a regimes autoritários.

Desdobramentos e implicações legais
No começo de outubro, a PF encaminhou a documentação da OpenAI ao Ministério da Justiça para que fosse decidida a abertura de dois inquéritos: um por supostos crimes de ameaça e injúria, e outro especificamente por ameaça contra o presidente Lula. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enviou o caso ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. O crime de ameaça prevê pena de detenção de um a seis meses, ou multa. Até o momento, nem a PF nem o Ministério da Justiça se manifestaram publicamente sobre o andamento do caso.

O episódio não é o primeiro em que um alerta da OpenAI resulta em ação concreta das autoridades brasileiras. Em junho, a empresa já havia notificado a PF sobre outro usuário, o que levou à prisão de um homem no interior do Espírito Santo suspeito de ter usado o ChatGPT para planejar um assassinato. O precedente reforça a dimensão prática do monitoramento feito pela empresa e coloca em evidência um desafio novo para as forças de segurança: rastrear e avaliar ameaças que surgem dentro de plataformas de inteligência artificial, onde o limite entre intenção declarada e ação concreta nem sempre é imediato, mas pode ser letal.

*Opera Mundi


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Política

As viagens de Flávio e Eduardo Bolsonaro ao Bahrein após avanço de investigações no STF

A visita mais recente de Eduardo foi na semana passada, no dia 8 de outubro

Levantamento feito pela coluna mostra que Eduardo Bolsonaro esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019. A visita mais recente foi na semana passada, no dia 8 de outubro, no Palácio Real de Manama, onde ele foi recebido pelo príncipe herdeiro e primeiro-ministro do país, Salman bin Hamad Al Khalifa.

As fotos foram divulgadas pelo gabinete do príncipe um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandar prender o ex-deputado devido à sua condenação no STF e cancelar seus passaportes brasileiros.

Eduardo fez o mesmo movimento no final do ano passado, quando foi denunciado, e, em maio, esteve lá nos mesmos dias em que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), logo depois da revelação do caso Dark Horse.

Quatro das nove viagens de Eduardo ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro. Três das mais recentes coincidem com momentos de pressão judicial sobre Eduardo ou aliados: em outubro de 2025, logo após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR); em maio de 2026, ao lado do deputado Mário Frias, então alvo de apuração no STF sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse; e agora, com a condenação já definitiva.

O Bahrein também aparece no caso das joias recebidas pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, um relógio Patek Philippe investigado entre os presentes pode ter sido entregue ao ex-presidente na visita oficial de novembro de 2021, quando ele inaugurou a embaixada brasileira em Manama. Eduardo o acompanhava.

Irmãos Bolsonaro no Bahrein
Em 31 de janeiro de 2026, Eduardo chegou ao Bahrein com o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência. A comitiva incluía os deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), o blogueiro Paulo Figueiredo e Paulo Guedes Landim. O grupo ficou no país até o início de fevereiro.

A agenda incluiu um festival de corridas de cavalos patrocinado pela família real, uma visita ao Parlamento, uma reunião no Ministério do Interior e um encontro com o príncipe herdeiro no palácio. Os brasileiros também foram recebidos no estábulo de Nasser bin Hamad Al Khalifa, filho do rei e conselheiro de Segurança Nacional.

No pedido formal ao Senado, Flávio declarou que a viagem não teria custo para a instituição. No entanto, ele não detalhou a agenda nem informou quem arcaria com as despesas.

De volta ao Brasil, Flávio chegou a conceder entrevista ao jornal bareinita Al Bilad e chegou a prometer que, se eleito, vai acabar com a exigência de visto para portadores de passaporte do Bahrein. Também convidou empresas do país a investir em ferrovias brasileiras, dizendo que “temos alterado a legislação” para permitir concessões a estrangeiros por até 50 anos.

Viagem com Mário Frias

Em maio de 2026, Eduardo viajou ao Bahrein com o deputado federal Mário Frias (PL-SP). A viagem foi divulgada apenas no Instagram de Frias; não há menção pública a ela nas redes de Eduardo.

Naquele momento, Frias já era alvo de apuração no STF sobre a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora do filme Dark Horse. O Supremo tentou notificá-lo em 31 de março e em 7 e 14 de abril. Em 13 de maio, uma nova tentativa de contato com o gabinete teve como resposta que o parlamentar estava em missão internacional.

O ministro Flávio Dino pediu informações à Câmara, que respondeu que o pedido de viagem ainda estava em apreciação. Na comunicação à Casa, Frias informou ter permanecido no Bahrein de 12 a 18 de maio, a pedido do Conselho de Desenvolvimento Econômico do país (EDB, na sigla em inglês).

As fotos publicadas por Frias mostram apenas reuniões com três integrantes do EDB: Noor Ali Alkhulaif, ministro do Desenvolvimento Sustentável e diretor executivo do conselho; Ishaq Abdulla Ishaq, diretor executivo de Manufatura, Transporte e Logística; e Ali Al Mudaifa, diretor de Desenvolvimento de Negócios. Não há registro público da agenda nos demais dias.

*Juliana Dal Piva/ICL


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