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Vídeo – Flávio Bolsonaro: um miliciano na Presidência

Flávio Bolsonaro quer chegar à Presidência da República carregando nas costas o peso político de um clã marcado por acusações, denúncias e relações que exigem explicações públicas. Seu projeto de poder não pode ser analisado sem levar em conta a trajetória da família Bolsonaro, as suspeitas envolvendo rachadinhas, as conexões políticas com personagens ligados às milícias do Rio de Janeiro e a tentativa permanente de transformar adversários em inimigos para escapar do escrutínio sobre si mesmos.

O Brasil não pode tratar como uma candidatura qualquer a de um herdeiro político que pretende converter o sobrenome Bolsonaro em passaporte para o Palácio do Planalto. A Presidência não é patrimônio de família, muito menos escudo contra investigações, questionamentos ou responsabilidades políticas.

Flávio aposta na velha receita bolsonarista: gritar contra a corrupção alheia, posar de perseguido e apontar o dedo para Lula, como se a repetição de acusações fosse capaz de apagar as contradições do próprio campo político. É a moral seletiva elevada à condição de programa eleitoral.

E há algo ainda mais grave: quando um candidato pretende governar um país marcado pela violência das milícias, precisa esclarecer suas próprias relações políticas e responder, sem subterfúgios, às perguntas sobre esse universo. Não basta vestir a fantasia de defensor da lei enquanto as sombras de seu entorno continuam exigindo sérias investigações.

O Brasil não precisa de um presidente que transforme o Estado em instrumento de uma guerra política permanente. Precisa de alguém comprometido com a democracia, a transparência e a igualdade perante a lei.

Flávio Bolsonaro quer a faixa presidencial. Mas o país tem o direito de perguntar se, por trás da candidatura, existe um projeto para governar o Brasil ou apenas a ambição de perpetuar o poder de um clã.

Porque o Palácio do Planalto não pode se transformar em extensão de uma dinastia política cercada de crimes diversos. A democracia brasileira merece muito mais do que a simples transferência de um sobrenome de pai para filho. A coisa é muito mais séria.

Assista ao excelente vídeo de Anelize Moreira de Camargo, do Meio.


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Política

Hoje, no debate da Band, tudo indica que Lula liquidará a fatura

Não foram poucas as vezes que, diante de uma pergunta de Renata Lo Prete, Flavio perdeu a fala e se agarrou ao nome de Lula como boia salva-vidas.

Desde então, Flavio se transformou em alvo de piada, inclusive, em veículos tradicionalmente de direita, por sua total incapacidade de dizer ao menos uma frase que não fosse uma mentira como slogan de campanha, parecendo pedir para que elas o libertassem daquele sulício de momento.

A ciência política não é matéria simples, não vive de amarras incapazes de impedir corrupios numa disputa eleitoral. Isso ocorre como um rodamoínho de maneira mais frequente do que se imagina.

Mas na atual conjuntura, uma campanha bem manejad nas redes sociais e nas ruas, pode sim, mesmo diante de muitas variantes, traçar rumos das candidaturas.

Hoje, especialmente, em que tudo indica que o Exército de Lula, criado por Janones, com cada vez mais milhões de brasileiros progressistas aderindo ao movimento, a vantagem digital de Lula, se não é o núcleo central nas redes é, no mínimo, uma ferramenta de uso igual à da direita.

Se tirar o que os bolsonaristas utilizaram de cortes da sabatina de Lo Prete com Flavio, comparado aos memes produzidos pela campanha do PT o filho do golpista, pode-se cravar que se transformou numa humilhação tal a disparidade de compartilhamentos e novos conteúdos críticos a um candidato sem qualquer cintura para sair de uma pergunta incômoda.

Sim, Flavio conseguiu um feito e tanto, ser pior falando do que dançando.

Algumas respostas do candidato são verdadeiras pérolas de desconexão com o que o tema exige. Certamente, a mais galhofada nas ruas é a sua fala contrária ao fim da escala 6×1 a qual o próprio votou a favor, pela pressão dos trabalhadores, justificando que, com mais um dia de descanso, o trabalhador pegaria um ônibus e seria assaltado.

Isso serviu de carvão para Flavio ser fritado nas redes, com  muita gente chamando o candidato de chulé dos bolsonaristas.

As bicadas de Flavio em Lula, no famoso “mas o Lula”, produziram uma enorme romaria de piadas digitais que lhe renderam uma desmoralização sem prececdentes na história da disputa presidencial.

A avaliação que se faz é a de que Lula teve uma participação impecável com Renata Lo Prete e, que Flavio, ao contrário de Lula, teve uma avaliação desastrosa sem uma resposta que prestasse de apito de cachorro para o seu gado mais tradicional.

Tenho que concordar com o artigo de Elio Gaspari, em O Globo de hoje, intitulado “Os debates decidirão a parada”, mas vou um pouco mais longe, acredito que hoje, no debate da Band, Lula liquida a fatura.


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Política

Flavio Bolsonaro e sua defesa sombria ao golpe e à ditadura

A história que não pode ser apagada

Com base na coluna de Bernardo Mello Franco, publicada em O Globo.

O passado autoritário de Flávio Bolsonaro não é um detalhe incômodo que possa ser escondido debaixo do tapete eleitoral. Como resgata Bernardo Mello Franco, o senador deixou registros públicos de sua defesa do regime militar, de sua rejeição à caracterização de 1964 como golpe e de seu elogio a agentes da repressão.

Em seu livro Mito ou verdade, lançado em 2017, Flávio também exaltou o coronel Brilhante Ustra, reconhecido judicialmente como torturador, e atacou a Comissão Nacional da Verdade.

Eis o problema central: quem faz apologia da ditadura precisa explicar o que pensa sobre a democracia de hoje.

Não adianta vestir a fantasia de moderado durante a campanha, ensaiar discursos para conquistar o eleitor de centro e tentar apagar as próprias declarações. A história política de um candidato não desaparece porque seus marqueteiros decidiram mudar o figurino.

O Brasil não precisa de herdeiros políticos de uma tradição autoritária que trata torturadores como heróis e tenta reescrever um dos períodos mais sombrios de sua história. Precisa de compromisso com a liberdade, com o voto popular e com o direito de discordar sem ser perseguido.

A democracia não pode ser defendida apenas quando convém. E a ditadura não pode ser reabilitada como se seus crimes fossem uma nota de rodapé da história brasileira.


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Pesquisa

Virada – Vox Brasil: Lula vira e lidera por 51% a 49% sobre Flávio Bolsonaro

A maioria dos eleitores também acredita que o presidente vencerá a disputa: 46,9% contra 41,6%, que acha que o senador vai vencer. Instituto Vox Brasil foi um dos poucos que projetou Flávio Bolsonaro à frente no 1º turno.

Pesquisa do Instituto Vox Brasil, divulgada na madrugada deste domingo (18), confirma a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente liderando a disputa no segundo turno das eleições presidenciais por 51% a 49% dos votos válidos. O Vox Brasil foi um dos poucos institutos de pesquisa a apontar que o senador terminaria o primeiro turno à frente.

Na pesquisa estimulada, divulgada neste domingo, Lula tem 46,4% das intenções de voto contra 44,6% de Flávio Bolsonaro, com 5% de brancos e nulos e 3,9% de indecisos. A diferença de 1,8 ponto percentual mostra uma situação de empate técnico, com o presidente à frente, dentro da margem de erro de 2,15 pontos para mais ou para menos.

Na pesquisa espontânea, quando os eleitores não são informados dos nomes dos candidatos, Lula é citado por 44,9% e Flávio Bolsonaro por 43,8%.

A maioria dos eleitores também acreditam que o presidente vencerá a disputa: 46,9% contra 41,6%, que acham que o senador vai vencer. Outros 11,5% não souberam responder.

Lula e Flávio Bolsonaro também registra a mesma rejeição, segundo o Vox Brasil: 45,3% – 4,7% dizem rejeitar os dois candidatos e 2,4% não rejeitam nenhum.

O Vox Brasil entrevistou presencialmente 2.100 eleitores em seus domicílios, entre 15 e 17 de outubro. A pesquisa tem nível de confiança de 95%.

Instituto já apontava virada
Na pesquisa anterior, divulgada no dia 9 de outubro, o Instituto Vox Brasil já mostrava Lula à frente de Flávio Bolsonaro, com 44,2% das intenções de voto, contra 42,7% – diferença de 1,5 pontos, dentro da margem de erro de 2,15 pontos para mais ou para menos.

Os eleitores indecisos representam 9,7% da amostra, enquanto 3,4% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto. Na apuração dos votos válidos, que exclui essas categorias, Lula aparece com 50,9%, ante 49,1% de Flávio. Forum.


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Política

Liquidante do Master não encontra registros de financiamento ao filme de Bolsonaro

Responsável pela liquidação do banco afirma não ter localizado documentos de patrocínio a Dark Horse

O responsável pela liquidação do Banco Master informou que não encontrou documentos que comprovem financiamento ou patrocínio do banco ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro para a qual Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou recursos com o banqueiro Daniel Vorcaro. A informação consta de uma resposta oficial enviada ao deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), datada de 13 de outubro. O documento não esclarece a origem dos recursos destinados ao longa, que recebeu milhões de dólares por meio de operações financeiras envolvendo empresas intermediárias.

A resposta foi assinada por Eduardo Felix Bianchini, responsável técnico da empresa encarregada da liquidação das instituições do conglomerado Master. O documento atende a um requerimento apresentado por Lindbergh em 10 de outubro, solicitando informações sobre eventuais operações financeiras, diretas ou indiretas, relacionadas ao financiamento da produção, também chamada de O Capitão do Povo.

No item 2, o liquidante afirma:

“Após consulta aos acervos das instituições representadas, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratuais que evidenciem a realização de operações destinadas ao financiamento, patrocínio ou aporte de recursos para a produção cinematográfica mencionada.”

O documento acrescenta que não foram identificados registros dessas operações, diretamente pelas instituições do grupo ou por intermédio de terceiros, dentro dos limites das informações examinadas.

A declaração não descarta a possibilidade de Vorcaro ter financiado a produção com recursos particulares ou por meio de outras empresas. No entanto, não oferece respaldo documental, nos acervos consultados, à hipótese de um patrocínio realizado pelas instituições do Banco Master.

Liquidante também não encontra operações com fundo no exterior
A resposta aborda ainda o Havengate Development Fund LP, fundo norte-americano que aparece nas investigações sobre as transferências destinadas à produção cinematográfica.

“Não foram localizados registros ou documentos que demonstrem eventuais operações das instituições representadas com o mencionado Havengate Development Fund LP, que possam estar relacionadas à referida produção cinematográfica”, informa o liquidante.

O fundo é apontado como destinatário de transferências realizadas pela Entre Investimentos e Participações, empresa envolvida na movimentação dos recursos.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, Antonio Carlos Freixo Junior, ligado à Entre, declarou à Polícia Federal ter realizado sete transferências ao Havengate, totalizando US$ 12,3 milhões. Ele afirmou acreditar que os valores seriam destinados a investimentos imobiliários e não ao financiamento de um filme sobre Bolsonaro.

Banco invoca sigilo sobre operações de intermediária
Ao tratar da Entre Investimentos e Participações, entretanto, a resposta do liquidante adota uma posição diferente.

Em vez de informar se encontrou ou não operações envolvendo a empresa, o documento afirma que movimentações financeiras anteriores à liquidação estão protegidas pelo sigilo bancário previsto na Lei Complementar nº 105/2001.

O liquidante sustenta que não é suficiente, para afastar esse sigilo, “a mera formulação de requerimento administrativo ou a invocação genérica de interesse público”.

A resposta também menciona a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e afirma que a divulgação de informações protegidas depende de fundamento jurídico específico.

Com isso, permanecem sem esclarecimento público os detalhes de eventuais movimentações entre as instituições do Master e a Entre, empresa identificada nas investigações como uma das intermediárias das transferências internacionais.

Origem do dinheiro permanece sob questionamento
Flávio Bolsonaro reconheceu ter procurado Daniel Vorcaro para negociar recursos destinados à produção cinematográfica sobre seu pai. Sua assessoria afirmou à Folha de S.Paulo que ele não participou da execução dos pagamentos e desconhecia os meios utilizados para realizá-los. O candidato também negou ter recebido vantagens.

A resposta do liquidante não comprova irregularidades nas transferências, mas acrescenta uma informação à apuração: as instituições do Banco Master não localizaram, nos registros examinados, documentos que comprovem financiamento ou patrocínio bancário ao filme.

O esclarecimento mantém em aberto questões sobre a origem efetiva dos valores, a participação de intermediários e a destinação final dos recursos.

A dimensão da operação e o envolvimento de um banqueiro investigado, procurado pelo filho de um ex-presidente para financiar uma produção sobre sua trajetória política, tornam necessária a identificação documental de quem forneceu o dinheiro e em quais condições.

Até o momento, a resposta oficial não permite reconstruir integralmente o percurso dos recursos. A ausência de registros de patrocínio nas instituições do Master, somada às restrições de acesso às informações sobre a intermediária financeira, deixa sem resposta uma questão central: quem efetivamente financiou o filme de Jair Bolsonaro?


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O rodamoinho de Flávio Bolsonaro no JN: encenação para esconder o desprezo pelos trabalhadores

Se Flávio Bolsonaro chegar à Presidência, não será por falta de promessas, mas por excesso de contradições. E, quando o assunto é a escala 6×1, o trabalhador tem motivos de sobra para desconfiar de quem muda o discurso conforme a conveniência eleitoral. Afinal, estamos falando de um político cuja trajetória pública está cercada de denúncias e controvérsias que exigem explicações, não de um candidato cuja palavra possa ser aceita como cheque em branco.

A moral de Flávio parece ter a elasticidade de uma borracha velha. Antes mesmo de a chamada rachadinha se transformar em um dos maiores escândalos associados à sua trajetória política, já pesavam sobre ele questionamentos relacionados ao período em que trabalhou como assessor parlamentar ligado ao partido de Roberto Jefferson, enquanto seu pai também integrava aquela legenda. As suspeitas e acusações que marcaram sua vida pública não desaparecem simplesmente porque chegou a hora de disputar o Palácio do Planalto.

Por isso, aquele rodamoinho que Flávio exibiu diante de Renata Lo Prete, no Jornal Nacional, tentando negar ou contornar declarações anteriores sobre os direitos dos pobres, dos trabalhadores e dos aposentados, teve muito mais cara de encenação eleitoral do que de uma mudança genuína de convicções. Foi o velho truque da política oportunista: perceber que a própria brutalidade pode custar votos e tentar vestir, às pressas, uma fantasia de moderado.

O problema é que o trabalhador brasileiro não vive de malabarismo verbal. Quem enfrenta uma jornada exaustiva, perde o convívio com a família, chega em casa sem forças e ainda precisa fazer as contas para sobreviver não pode se dar ao luxo de acreditar em qualquer promessa de candidato com o nível moral nenhum de Flavio Bolsonaro. A escala 6×1 não é uma abstração de campanha: é uma realidade que rouba tempo, saúde e dignidade de milhões de pessoas.

E os aposentados tampouco podem se deixar seduzir por discursos fabricados para a televisão. Quando a eleição se aproxima, aparecem os sorrisos, as frases ensaiadas e as tentativas de esconder posições impopulares. Passada a votação, quem paga a conta é justamente quem vive do próprio trabalho e depende da proteção social.

A palavra de Flávio Bolsonaro não pode valer mais do que seu histórico de declarações e posições públicas. Se pretende convencer o país de que mudou, precisa demonstrar isso com compromissos claros, propostas concretas e coerência — não com gestos teatrais diante das câmeras.

No fim das contas, o rodamoinho do Jornal Nacional pode até ter produzido efeito cênico. Mas não apaga o passado, não resolve as contradições e não transforma oportunismo em compromisso social. Para quem vive do salário ou da aposentadoria, promessa de político de extrema direite sem garantia vale menos do que nada.

E, quando se trata de defender os direitos dos trabalhadores, o Brasil não precisa de um ator tentando interpretar o papel de defensor dos pobres. Precisa de compromisso real com quem trabalha, produz e sustenta este país.


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Política

Flávio, no JN, fugiu da pauta de economia porque os números do Brasil de Lula e da Argentina de Milei desmontam o discurso da extrema direita

A pergunta é inevitável: por que Flávio Bolsonaro fugiu da pauta econômica na entrevista ao Jornal Nacional? Porque falar de economia significa encarar os números, e os números podem se transformar em um constrangimento para quem vende a Argentina de Milei como modelo e tenta desqualificar o Brasil de Lula.

De um lado, Lula e o Brasil, com sua dimensão econômica, seu mercado interno e sua capacidade de atrair investimentos. Do outro, Javier Milei, o ídolo da cartilha ultraliberal bolsonarista, cuja política econômica Flávio teria de defender diante das câmeras, com todos os seus custos e contradições.

A economia não se resolve com bravatas, slogans de campanha ou ataques ao governo. Exige dados, resultados concretos e respostas sobre emprego, renda, inflação, crescimento e condições de vida da população.

E é justamente aí que o discurso ideológico tropeça na realidade.

O contraste ganhou força com a nova projeção do FMI: o Brasil deverá alcançar a oitava maior economia do mundo em 2027, com PIB estimado em US$ 2,8 trilhões.

Quem foge do debate econômico deixa uma pergunta no ar: cadê o projeto para o Brasil? Porque governar não é imitar Milei, posar para a Faria Lima ou repetir a cartilha do mercado financeiro. É mostrar como pretende melhorar a vida dos brasileiros.

E, quando o adversário político tem números para apresentar, que é o caso de Lula, o silêncio pode dizer mais do que qualquer discurso.


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Política

Plano de Flávio prevê revisão da Previdência sem dar garantias sobre aposentadoria e reajustes

Programa registrado no TSE não assegura preservação das regras atuais, enquanto empresários ligados à articulação econômica defendem aposentadoria aos 67 anos

O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prevê uma revisão de normas previdenciárias, mas não oferece garantias expressas de manutenção das atuais regras de aposentadoria, dos critérios de reajuste dos benefícios ou de sua vinculação ao salário mínimo. O documento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deixa em aberto quais mudanças o candidato pretende promover na Previdência e quais proteções serão preservadas para aposentados, pensionistas e trabalhadores.

A indefinição ocorre em meio à aproximação da campanha com empresários que defendem mudanças profundas no sistema previdenciário. Entre as propostas apresentadas a Flávio está a elevação da idade mínima de aposentadoria para 67 anos e a desvinculação do piso dos benefícios previdenciários do salário mínimo, medidas que poderiam ampliar o tempo de trabalho necessário para se aposentar e modificar as garantias de renda de milhões de brasileiros.

Na página 69, o programa prevê uma “ampla revisão normativa infralegal” nas áreas tributária, previdenciária e trabalhista. Apesar da abrangência anunciada, não especifica quais normas pretende alterar nem estabelece limites para a revisão.

Na prática, mudanças em regulamentos previdenciários podem atingir procedimentos de concessão, exigências documentais, comprovação de direitos e regras administrativas utilizadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dependendo de seu conteúdo, podem facilitar ou dificultar o acesso a benefícios.

O programa dedica outras passagens à digitalização do INSS, ao combate a fraudes e à modernização administrativa, especialmente nas páginas 26, 42 e 72 a 73. Entretanto, não apresenta compromissos específicos com a preservação das idades mínimas atuais, das regras de cálculo das aposentadorias ou dos mecanismos de reajuste dos benefícios.

A ausência dessas definições deixa sem resposta uma questão central para os segurados: quais condições de acesso à aposentadoria e quais garantias de renda Flávio pretende manter caso seja eleito?

Empresários defendem aposentadoria aos 67 anos
O silêncio do programa sobre essas garantias contrasta com propostas apresentadas por empresários ao candidato e com a presença de integrantes das entidades responsáveis por sua elaboração na equipe econômica da campanha.

Como revelou o ICL Notícias, Flávio Bolsonaro recebeu, durante encontro com cerca de 500 empresários em São Paulo, o projeto Brasil de Amanhã, que propõe elevar a idade mínima de aposentadoria para 67 anos, desvincular o piso previdenciário do salário mínimo e revisar os critérios de concessão e permanência no Bolsa Família.

Pelas regras gerais atuais, homens podem se aposentar aos 65 anos e mulheres aos 62. A proposta empresarial elevaria a exigência em dois anos para eles e cinco para elas, com períodos de transição de quatro e dez anos, respectivamente.

A conexão com a campanha vai além do encontro empresarial. Em outra reportagem do ICL Notícias, foi revelado que Alexandre Ywata e Anne Caroline Marciquevik Alves, dois diretores da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), integram a equipe econômica de Flávio. A entidade participou da elaboração do projeto que defende as mudanças previdenciárias e tem Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, como presidente de honra.

A FIL Brasil possui três diretores registrados, dos quais dois participam da formulação das propostas econômicas da candidatura. Ywata foi anunciado oficialmente pela campanha em agosto, enquanto Anne Caroline ingressou na equipe técnica em julho, a convite de Daniella Marques.

A desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo atingiria uma proteção prevista na Constituição. Atualmente, benefícios que substituem a remuneração do trabalhador não podem ser inferiores ao mínimo nacional. Uma mudança nessa garantia abriria caminho para estabelecer critérios diferentes de reajuste e de definição do piso das aposentadorias.

A medida poderia fazer com que os menores benefícios deixassem de acompanhar os ganhos reais do salário mínimo, dependendo das regras adotadas. Com isso, aposentados poderiam perder poder de compra relativo aos trabalhadores que recebem o piso nacional.

Já o aumento da idade mínima obrigaria os trabalhadores atingidos pelas novas regras a esperar mais tempo para se aposentar. Ambas as alterações exigiriam mudanças legislativas, inclusive constitucionais, e não poderiam ser implementadas apenas por revisão de regulamentos administrativos.

O projeto empresarial foi apresentado em um momento em que integrantes da articulação econômica de Flávio também discutiam alternativas para reduzir despesas obrigatórias. O programa oficial, porém, não esclarece como a candidatura pretende conciliar eventuais ajustes fiscais com a preservação dos direitos previdenciários.

Reajustes também ficam sem garantia expressa
Outro ponto relevante é a ausência de compromisso específico com a manutenção dos atuais critérios de reajuste das aposentadorias.

A legislação estabelece mecanismos distintos de correção. Benefícios equivalentes ao piso previdenciário acompanham o salário mínimo, enquanto aqueles acima do mínimo são reajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mecanismo destinado a preservar seu valor diante da inflação.

O plano não detalha se pretende manter esses mecanismos nem apresenta uma política específica de valorização das aposentadorias.

Essa indefinição ganha importância diante da proposta empresarial de desvincular o piso previdenciário do salário mínimo. Uma alteração dessa natureza atingiria uma das principais garantias de proteção de renda dos aposentados que recebem os menores benefícios.

A adoção de uma fórmula de correção menos favorável poderia fazer com que esses benefícios crescessem mais lentamente que o salário mínimo, ampliando a distância entre a renda dos aposentados e a remuneração mínima dos trabalhadores.

A ausência de compromissos específicos também deixa sem esclarecimento como a candidatura pretende tratar os reajustes dos benefícios acima do piso previdenciário, especialmente diante das discussões sobre contenção de despesas obrigatórias.

Bolsa Família e BPC também ficam sem regras detalhadas
A falta de garantias específicas se estende à proteção social. Nas páginas 9 e 42 a 43, o programa promete manter políticas sociais e facilitar a transição de beneficiários para o mercado de trabalho, mas não detalha como pretende preservar valores, critérios de renda e condições de permanência no Bolsa Família.

O documento também não estabelece compromissos individualizados sobre a manutenção das regras atuais do Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

O BPC tem valor de um salário mínimo garantido pela Constituição. Já o Bolsa Família depende de regras legais e administrativas que definem quem pode receber o benefício, quanto será pago e em quais circunstâncias o pagamento pode ser suspenso.

Alterações nesses critérios podem restringir o acesso ou reduzir a cobertura dos programas sem que eles sejam formalmente extintos.

O projeto Brasil de Amanhã também inclui propostas de revisão cadastral e verificações domiciliares relacionadas ao Bolsa Família. A iniciativa acrescenta outra frente de discussão sobre as condições de permanência de famílias de baixa renda nos programas sociais.

O conjunto das propostas coloca em discussão não apenas a continuidade formal dos benefícios, mas as condições concretas para recebê-los. Mudanças nas exigências de acesso, nos critérios de renda e nos mecanismos de fiscalização podem afetar diretamente famílias que dependem desses recursos.

Enquanto o plano de Flávio anuncia uma revisão de normas previdenciárias sem especificar seu alcance, empresários que se aproximaram da campanha defendem elevar a idade mínima de aposentadoria e modificar a vinculação dos benefícios ao salário mínimo. Dois dirigentes de uma das entidades responsáveis por essas propostas também participam da equipe econômica do candidato.

O programa apresentado aos eleitores não esclarece quais regras pretende modificar nem assume compromissos expressos de preservar as atuais garantias de aposentadoria e reajuste.

*Cleber Lorenço/ICL


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