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Bolsonaristas ameaçam invasão a terra indígena no Pará se Flávio Bolsonaro for eleito, diz site

Mensagens obtidas pela Folha de S. Paulo mostram fazendeiros planejando ofensiva na TI Apyterewa após o segundo turno

Pecuaristas e fazendeiros do sudeste do Pará articulam a invasão da Terra Indígena (TI) Apyterewa caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das Eleições 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A articulação foi revelada por reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (12), com base em um conjunto de oito áudios enviados por aplicativo de mensagens e relatos de moradores dos arredores da reserva protegida.

As gravações obtidas pelo jornal paulista indicam que invasores planejam ingressar na área demarcada a partir de 25 de outubro, data da votação do segundo turno, para reabrir fazendas e pastagens ilegais.

As mensagens expressam a expectativa dos pecuaristas de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na Presidência da República e a posse do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), resultem na desregulamentação da área e na retirada da posse permanente dos indígenas da etnia Parakanã.

Homologada em 2007, a TI Apyterewa está localizada no município de São Félix do Xingu (PA), possui 773 mil hectares e abriga mais de mil indígenas parakanãs. Por se tratar de um povo de recente contato com a sociedade não-indígena, a comunidade possui alta vulnerabilidade sociocultural e epidemiológica frente a invasões predatórias de seu território.

Segundo as lideranças locais, os recados recomendam que os indígenas abandonem o território ou evitem transitar em setores onde pecuaristas já preparam o solo para plantio e pastagem. Relatos colhidos na região também apontam movimentação atípica de motocicletas e caminhonetes e a aquisição de lonas e ferramentas agrícolas por invasores para dar início à ocupação territorial logo após as eleições.

Governo federal monitora ameaças
O teor das mensagens e o risco de novas invasões chegaram aos órgãos de inteligência do governo federal e integraram a pauta da reunião do Comitê de Desintrusão na última quinta-feira (8).

Em nota à Folha de S.Paulo, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que acompanha o aumento da pressão para a ocupação ilegal e deliberou pelo envio de reforço policial.

“Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, disse a pasta à reportagem, acrescentando que a investigação sobre os áudios que citam as eleições cabe às autoridades policiais.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou que acompanha o cenário e alertou para mobilizações semelhantes no restante da Amazônia.

Autoridades federais também investigam se a explosão recente de queimadas na reserva foi provocada de forma deliberada por grileiros. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) compilados pelo Programa Xingu mostram que os focos de calor na Apyterewa saltaram de 41 em julho para 626 em agosto e alcançaram 1.007 em setembro.

Histórico de destruição
A TI Apyterewa sofreu intenso avanço da grilagem e do garimpo durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), período em que se consolidou como uma das terras indígenas mais desmatadas do país.

Números do Inpe mostram que o desmatamento no território saltou de 18,9 quilômetros quadrados em 2018 para 85,3 quilômetros quadrados em 2019, atingindo o pico histórico de 102,2 quilômetros quadrados devastados em 2022. Na época, invasores chegaram a erguer uma vila clandestina dentro da área demarcada, denominada Vila Renascer.

Em 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709 que o governo federal expulsasse os invasores do território, ordem que não foi cumprida na administração bolsonarista.

A operação integrada de desintrusão teve início no final de 2023, sob a gestão Lula, reduzindo a taxa anual de desmatamento para 20,6 quilômetros quadrados. O processo de retomada foi marcado por forte resistência armada de pecuaristas, que executaram emboscadas contra agentes de fiscalização e destruíram pontes de acesso.

No histórico recente de confrontos, um servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) foi baleado no final de 2023 e um colaborador terceirizado do Ibama foi assassinado em emboscada em 2025.

O Brasil de Fato entrou em contato com a campanha de Flávio Bolsonaro e com o Governo do Estado do Pará para solicitar posicionamento sobre os áudios e as ameaças de invasão da Terra Indígena Apyterewa. Até a publicação desta reportagem, nenhuma das partes havia se manifestado.

*BdF


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TSE não encontra no canal Exército de Janones conteúdo denunciado por Flávio Bolsonaro

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta segunda-feira (12) que não encontrou no canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o conteúdo citado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) em denúncia contra o grupo. A conclusão contraria o argumento apresentado para pedir medidas contra a página. Com informações de Folha de S.Paulo.

Em relatório enviado ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação declarou: “Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos”.

Kassio solicitou a análise da área técnica após receber o pedido da campanha de Flávio, que acusa Janones de usar o canal para disseminar informações falsas e coordenar ataques contra a candidatura do senador. A manifestação técnica examinou as publicações feitas durante o período indicado no processo, segundo o DCM.

Antes do relatório, Kassio havia determinado a suspensão do canal, medida que provocou críticas dentro do tribunal. O “Exército do Lula” reúne mais de 3 milhões de usuários e integra a estratégia digital da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Corregedor derrubou suspensão e pediu julgamento urgente

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva – Foto: Reprodução
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a decisão que bloqueava o canal e ordenou o restabelecimento de seu funcionamento. Ele também pediu que o caso entre na primeira sessão virtual regimentalmente disponível.

Cueva solicitou apreciação urgente, de preferência em até 24 horas. A decisão mantém o canal ativo enquanto o TSE analisa a controvérsia apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro.

O corregedor também determinou apuração sobre eventual circulação, em outras plataformas digitais, de conteúdo distribuído pelo canal. A solicitação incluiu a verificação de providências adotadas para avaliar riscos à integridade do processo eleitoral.

A disputa chegou ao debate entre os candidatos. Nesta segunda-feira (12), Lula cobrou uma postura imparcial de Kassio Nunes Marques e afirmou que o presidente do TSE “não pode ter lado”.


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Política

Flavio Bolsonaro e a imagem de Mussolini

A foto de Flávio Bolsonaro que remete à propaganda de Benito Mussolini tem um significado político muito forte: ela aproxima visualmente a campanha de Flávio da estética de propaganda do fascismo italiano. Não é apenas uma questão de aparência; é também uma questão de símbolos, memória histórica e mensagem política.

Segundo reportagem publicada pelo UOL em 10 de outubro de 2026, o canal oficial do Partido Liberal (PL) no WhatsApp divulgou uma montagem com o rosto de Flávio em preto e branco, ao fundo da expressão “Tropa do Flávio”. A composição lembrava uma propaganda de Mussolini instalada em Roma, em 1934. O partido retirou a imagem do ar e afirmou que não pretendia fazer essa associação.

O que essa imagem significa politicamente?

Culto à figura do líder
A propaganda fascista transformava o chefe político em símbolo absoluto do movimento. A repetição de sua imagem e de palavras de ordem buscava transmitir força, autoridade e unidade em torno de um homem.

A estética da mobilização autoritária
O preto e branco, a repetição de palavras e a centralidade do rosto do candidato evocam uma linguagem visual associada à propaganda política de massa. Nesse caso, a semelhança com uma peça histórica do regime fascista é o ponto central da controvérsia.

A normalização de referências extremistas
Quando símbolos associados a regimes autoritários aparecem em materiais de campanha, surge uma questão importante: até que ponto a comunicação política está normalizando referências históricas ligadas à supressão do pluralismo e das liberdades democráticas?

Por que a referência a Mussolini é tão grave?
Benito Mussolini foi o ditador que liderou o regime fascista italiano. Seu governo concentrou o poder, perseguiu opositores, reprimiu a imprensa livre e destruiu instituições democráticas.

A imagem histórica evocada pela montagem de Flávio foi utilizada em 1934, num plebiscito organizado sob o regime fascista, em que a escolha dos candidatos era controlada pelo próprio sistema.

Politicamente, a repercussão é significativa. A pergunta que fica é por que um partido que disputa a Presidência da República divulgou uma peça com uma referência visual tão carregada de significado histórico.

Em síntese, a fotografia coloca em discussão a relação entre o bolsonarismo, a exaltação de lideranças fortes e os símbolos históricos do autoritarismo. Não é preciso afirmar que Flávio seja Mussolini para reconhecer que a associação é politicamente explosiva.

E há uma contradição que merece ser explorada, quem pede o voto dos brasileiros em nome da democracia precisa explicar por que sua própria estrutura partidária divulga uma imagem que remete à propaganda de uma ditadura fascista.

O recado de Flavio Bolsonaro está dado, caso vença a eleição. Depois não diga que não foi avisado.


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Política

TSE contra Lula

Parcialidade contra o PT chama atenção

Desde que, meses atrás, se soube que os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça ficariam à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano, espalhou-se a preocupação de que houvesse parcialidade no julgamento das campanhas. Afinal, ambos foram indicados para o Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro com a anunciada missão de serem representantes do ex-presidente na Corte. Infelizmente, as decisões tomadas recentemente pelos dois parece confirmar esse favorecimento à corrente bolsonarista.

Na última delas, Nunes Marques determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Avante-MG) no WhatsApp, com 3,3 milhões de seguidores, a pedido do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Vai além: impede novas publicações e a entrada de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A medida absurda acabou derrubada pelo corregedor do TSE e a questão será levada a plenário.

Antes de a censura ser revogada, Lula comentou a decisão: “Nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim participarem do canal do ‘Exército do Lula’. Ora, não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”, disse o candidato à reeleição, na manifestação da Avenida Paulista.

“Eu vejo que nas redes sociais nós estamos ganhando o jogo. Nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está postando muita coisa e é por isso que eu estou desconfiando do comportamento da corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa e tem permitido que as ações deles continuem. Nós vamos hoje entrar na Justiça com pedido do nosso partido para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, afirmou.

A decisão de tirar do ar o canal “Exército do Lula” foi tomada sem que o ministro ouvisse o contraditório, ou seja, a defesa dos criadores da ferramenta de campanha. Além disso, o art. 9º-D, citado na resolução de Nunes Marques, fala em cessar acesso ao conteúdo — não em fechar o canal.

Antes, neste mesmo domingo, Nunes Marques tinha determinado a suspensão imediata de uma propaganda da campanha de Lula que associava Flávio a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

Decisões esdrúxulas como essas, inclusive a censura de uma peça de campanha que apresentava apenas o “currículo” criminal de Flávio com base em reportagens publicadas em grandes veículos de comunicação, têm sido a marca dessa temporada eleitoral.

Como esquecer a decisão de André Mendonça que derrubou todas as postagens nas redes que mencionavam Nossa Senhora Aparecida apenas em retaliação a uma publicação do humorista Antonio Tabet que associava uma “família miliciana” á rejeição à Padroeira do Brasil?

Enquanto isso, uma enxurrada de fake news bolsonaristas contra o petista circula pelas plataformas digitais e principalmente pelos aplicativos de mensagens, sem a necessária punição da Justiça. Até mesmo a admissão da Meta de que seus mecanismos apresentaram distorções que prejudicaram o petista tem passado em branco.

É preciso que os ministros do TSE, em especial André Mendonça e Nunes Marques, voltem ao trilho da institucionalidade.

Ou então esta eleição presidencial ficará marcada como o pleito em que o Tribunal Superior Eleitoral escolheu um dos candidatos.

A continuar desse jeito, a morte da democracia já estará sacramentada, mesmo antes de o Congresso de maioria bolsonarista tomar posse em 2027.

*ICL


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Lula recebeu ajuda de jovens nas ruas; Flávio, de Mendonça e Kassio no TSE

Lula e Flávio Bolsonaro receberam, hoje, duas ajudas para suas campanhas neste segundo turno. De um lado, a pulsação do asfalto empurrada por uma juventude que decidiu agir por conta própria para defender o pacto civilizatório contra o retrocesso. Do outro, gabinetes em Brasília que operam com uma assimetria constrangedora, nos quais decisões judiciais impõem freios a uma candidatura enquanto blindam a outra, usando censura descarada.

Na avenida Paulista, o centro gravitacional da campanha Lula mudou de mãos. O protagonismo não pertenceu à burocracia partidária ou aos figurões de sempre, mas sim a coletivos organizados, entidades estudantis e jovens sem filiação que construíram uma convocação robusta e capilarizada nas redes sociais. Embora não tenha havido uma contagem oficial realizada por institutos de pesquisa, os registros aéreos e em vídeo deixam evidente que este foi o maior ato eleitoral realizado na capital paulista em 2026.

A ovação pela multidão das deputadas federais como Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) e Luna Zarattini (PT), com força junto ao público mais jovem, não é mero detalhe de palanque. Essa energia explica, em grande medida, por que a campanha lulista conseguiu reencontrar fôlego e renascer no segundo turno.

A ovação pela multidão das deputadas federais como Erika Hilton (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) e Luna Zarattini (PT), com força junto ao público mais jovem, não é mero detalhe de palanque. Essa energia explica, em grande medida, por que a campanha lulista conseguiu reencontrar fôlego e renascer no segundo turno.

O medo do retorno ao poder de um grupo político de caráter abertamente autoritário (o mesmo que articulou e tentou executar um golpe de Estado mal-sucedido) foi um dos motores que empurraram jovens, militantes de esquerda e outros grupos preocupado com a democracia para a avenida. Muitos entenderam o tamanho do risco e decidiram compensar os tropeços da campanha e os erros cometidos pelo próprio Lula. Em bom português: os jovens cansaram de esperar e tomaram as rédeas de acontecimentos nas ruas e nas redes.

E enquanto a campanha do petista encontrava oxigênio popular na maior cidade do país, a de Flávio Bolsonaro encontrava socorro nas salas do Tribunal Superior Eleitoral.

As decisões tomadas neste domingo pelos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, nomes indicados por Jair Bolsonaro ao STF, vêm sendo recebidas com desconfiança e mal-estar por seus próprios pares na Corte, como apontou apuração de Pepita Ortega, no jornal O Globo. A cúpula do tribunal tem demonstrado celeridade para acolher pedidos que desidratam a campanha de Lula, enquanto adota uma lentidão diante de irregularidades que beneficiam Flávio.

O caso protagonizado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques escancarou esse abismo de critérios. Em menos de 24 horas após receber uma petição da campanha de Flávio, o ministro mandou censurar o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, gerido pelo deputado André Janones. A canetada foi tratada nos bastidores da Corte como um “atropelo desnecessário” e uma usurpação direta da competência do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.

Ele já havia despachado sobre o caso, fixando prazo para coleta de informações antes de qualquer medida drástica. Kassio ignorou o rito, pulou etapas e acolheu o pedido do senador de forma monocrática e sumária. O gesto soma-se à decisão recente de suspender três julgamentos no plenário virtual no exato.

Para completar a pinça institucional, o vice-presidente do TSE, André Mendonça, deu apenas três horas para que a campanha de Lula suspendesse centenas de anúncios pagos no Instagram e no Facebook que alertavam sobre perdas sociais caso o adversário vença o pleito. Sob a justificativa de coibir propaganda negativa e “estímulo de rejeição” (sim, foi isso o que você leu mesmo), Mendonça vetou o debate incômodo sobre programas como Farmácia Popular e aumentos reais do salário mínimo, restringindo o embate político no instante em que o eleitor mais precisa de clareza sobre o que está em jogo.

O contraste deste domingo revela duas dinâmicas simultâneas da disputa presidencial. De um lado, jovens e militantes demonstraram capacidade de reorganizar a mobilização de Lula. De outro, decisões judiciais com efeitos favoráveis a Flávio expuseram os intestinos do TSE — e o cheiro que surgiu não foi bom.

A mobilização nas ruas não substitui o voto, assim como decisões judiciais legítimas não podem ser confundidas automaticamente com interferência partidária. Mas, para que a disputa permaneça democrática, a participação política precisa ser livre e o árbitro eleitoral deve ser capaz de convencer a sociedade de que suas regras valem igualmente para todos.

Na Paulista, jovens mostraram que não pretendem delegar seu futuro às lideranças partidárias. No TSE, cabe aos ministros demonstrar que a autoridade de suas decisões vem da lei e não do CPF dos candidatos que delas se beneficiam.

*Leonardo Sakamoto/Uol


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PF aponta que Flávio Bolsonaro se reuniu com Vorcaro na noite em que foi selada a compra do Master pelo BRB

Mensagens recuperadas pela PF do celular de Vorcaro mostram que o senador e o ex-ministro estiveram na residência do ex-banqueiro em Brasília na mesma data em que Ibaneis Rocha sancionou a compra do pelo BRB

Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-ministro Ciro Nogueira (PP) estiveram na casa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no Lago Sul, em Brasília, na noite de 20 de agosto de 2025, data em que o ex-governador Ibaneis Rocha sancionou o aval da Câmara Legislativa do DF à compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB). A revelação é do colunista Lauro Jardim, de O Globo, com base em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro. O encontro contradiz a justificativa apresentada publicamente por Flávio Bolsonaro para seus contatos com Vorcaro.

Encontro revelado pela PF
Segundo as mensagens recuperadas pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro fez questão de permanecer em Brasília no dia 20 de agosto de 2025, data em que Ibaneis Rocha sancionou o aval da Câmara Legislativa do DF à compra do Banco Master pelo BRB. À noite, o ex-banqueiro recebeu em sua residência, no Lago Sul, o senador Ciro Nogueira (PP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro registram a articulação do encontro com precisão. Ao propor o horário, o ex-banqueiro escreveu “21 pode ser”. Flávio respondeu “Blz”. Às 21h47, o senador enviou nova mensagem informando que estava “a caminho”, confirmando que a visita havia sido combinada previamente entre os dois.

A versão de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tem declarado publicamente que seu contato com Vorcaro se restringiu a conversas sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As mensagens recuperadas pela PF, porém, registram a combinação de uma reunião presencial na casa do ex-banqueiro, sem qualquer menção ao projeto cinematográfico.

De acordo com a Forum, o áudio enviado por Ciro Nogueira a Vorcaro, obtido pela coluna, reforça o quadro. Cerca de uma hora e meia antes do encontro, Nogueira informou ao empresário que estava em uma cerimônia de premiação do site Congresso em Foco e acrescentou: “Até o Flávio tá aqui, mas ele já recebeu o dele, eu acho que ele vai antes, tá? Mas eu chego na hora que terminar.” Flávio Bolsonaro também havia sido premiado no evento. O áudio indica, portanto, que os dois senadores estavam juntos antes de se dirigirem à residência de Vorcaro.


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Cultura Política

Vídeo: Em show de Maria Rita, o público grita “Lula!” e reação da cantora emociona

Quando a cultura e a política se encontram, a emoção ganha voz, a arte ganha sentido e o povo se reconhece na luta por um mundo mais justo. Porque a cultura toca o coração, a política transforma a realidade — e, juntas, podem despertar consciências, alimentar esperanças e mover a história.

Há momentos em que a cultura e a política se encontram de uma maneira tão profunda que as palavras parecem pequenas diante da emoção que nasce desse encontro. A música, a poesia, o teatro, a literatura e todas as manifestações artísticas deixam de ser apenas expressões da sensibilidade humana e se transformam em instrumentos de consciência, resistência e transformação social.

É quando a arte ultrapassa os palcos, rompe as fronteiras do entretenimento e se mistura à vida real, aos sonhos, às dores e às esperanças de um povo. É quando uma canção faz lembrar as lutas de gerações, quando um verso traduz aquilo que milhões sentem, mas nem sempre conseguem expressar, quando a voz de um artista se encontra com a voz das ruas e ambas passam a falar a mesma língua: a da dignidade humana.

A política, nesse encontro, deixa de ser apenas disputa pelo poder, discursos de ocasião ou cálculos eleitorais. Ela ganha rosto, sentimento e significado. Passa a falar de gente, de direitos, de justiça social, de liberdade, de igualdade de oportunidades e da possibilidade de construir um país em que ninguém precise ser invisível para que outros possam viver seus privilégios.

Porque a cultura nunca está completamente separada da sociedade que a produz. Ela carrega a memória dos que vieram antes, denuncia as injustiças do presente e ajuda a imaginar os caminhos do futuro. Quando se une à política, pode despertar consciências, questionar poderes e lembrar que a história não é feita apenas por aqueles que governam, mas também por aqueles que trabalham, criam, cantam, lutam e sonham.

E talvez seja justamente aí que resida a força mais bonita desse encontro: a capacidade de transformar a emoção individual em sentimento coletivo, e o sentimento coletivo em vontade de mudança.

Quando a cultura e a política caminham juntas, o coração se emociona, a consciência desperta e o povo percebe que também é protagonista da própria história. Afinal, há emoções que nos fazem chorar, outras que nos fazem sorrir, mas existem aquelas que nos levantam, nos aproximam e nos dão coragem para seguir lutando por um Brasil mais humano, mais solidário e mais justo.

Porque, quando a arte encontra a esperança de um povo, a emoção deixa de ser apenas sentimento. Ela se transforma em força histórica.

Veja e se emocione:


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Ministros veem favorecimento a Flávio Bolsonaro em decisões de Kassio no TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, interrompeu três julgamentos virtuais que tinham placar de 5 a 1 pela remoção de conteúdos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Integrantes da Corte relataram incômodo com as decisões, tomadas na sexta-feira, por manterem em vigor as negativas iniciais do relator André Mendonça. Com informações do Globo.

Nunes Marques usou pedidos de destaque, mecanismo que transfere a análise para sessão presencial e reinicia o julgamento. Como presidente do TSE, ele também definirá a data em que os processos voltarão à pauta. Procurado, o ministro não comentou.

Uma das ações discute um vídeo no Instagram que retrata Lula como apoiador de facções criminosas e “defensor de bandidos”. De acordo com o DCM, Mendonça havia rejeitado o pedido liminar da campanha petista para retirar a publicação, sob o argumento de que uma conclusão política exagerada ou contestável baseada em declaração verdadeira não configura necessariamente divulgação de fato sabidamente inverídico.

Dias Toffoli, Ricardo Villas Bôas Cueva, Estela Aranha, Floriano de Azevedo Marques e Sebastião Reis Júnior divergiram de Mendonça e votaram pela remoção do vídeo. Nunes Marques pediu destaque quando a maioria de cinco votos já estava formada, enquanto Mendonça permanecia como único voto contrário.

Outros dois processos tiveram o mesmo desfecho no plenário virtual
O presidente do TSE tomou a mesma medida em uma representação contra uma postagem do perfil “Dama de Ferro”, no X, que chama Lula de “amigo” do PCC e do CV. Mendonça também havia negado a retirada imediata do conteúdo, e o placar virtual chegou a 5 a 1 pela remoção antes da interrupção.

O terceiro caso envolve publicações do próprio Flávio Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A campanha de Lula sustenta que os posts tiraram de contexto uma fala do petista sobre o trabalho de lixeiros e ultrapassaram os limites da crítica política. Mais uma vez, Mendonça negou a liminar e ficou vencido por 5 a 1 antes do pedido de destaque.

Um integrante do TSE classificou a iniciativa de Nunes Marques como “gol de mão”. Embora qualquer ministro possa pedir destaque, integrantes da Corte afirmaram que não é usual acionar esse instrumento quando a maioria já se consolidou e a votação virtual está perto do fim.

Nos três processos, as decisões individuais de Mendonça continuam válidas até a realização das sessões presenciais. Assim, os conteúdos questionados pela campanha de Lula seguem disponíveis nas redes sociais.

Ministros também questionaram a autodesignação de Nunes Marques para relatar ações sobre propaganda eleitoral irregular. O Solidariedade pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do ministro dessa função, mas não obteve decisão favorável. Tradicionalmente, ministros substitutos analisam esses processos, embora Alexandre de Moraes tenha aberto precedente ao integrar esse grupo no segundo turno da eleição de 2022.


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Política

Ataque a ato pró-Lula no Centro do Rio deixa seis feridos; criança foi atingida no rosto

Garrafas e recipientes cheios de água foram arremessados de um escritório

Seis pessoas teriam ficado feridas após um grupo arremessar garrafas e recipientes cheios de água de um escritório do Edifício Avenida Central contra uma manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta sexta-feira (09), no Largo da Carioca, Centro do Rio. Entre os feridos está uma criança, que foi atingida no rosto.

O ato foi organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e contou com a participação da deputada federal Benedita da Silva (PT) e da deputada estadual Renata Souza (PSOL).

Em nota, o MTST informou que todos os feridos registraram ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia e foram encaminhadas para exame de corpo de delito. O movimento afirmou ainda que, junto ao Comitê do PT, está adotando medidas jurídicas para cobrar a identificação e a responsabilização dos autores do ataque.

*ICL


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