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O caso dos cemitérios: por que André Mendonça entrou no radar de Dino?

O caso Banco Master vai deixando de ser apenas uma investigação sobre operações financeiras para se transformar em um verdadeiro teste de resistência das instituições brasileiras. A determinação de Flávio Dino para que a Polícia Federal investigue possíveis conexões do esquema com cemitérios de São Paulo amplia o alcance das apurações e mostra que, quando a investigação avança, podem surgir ramificações que ultrapassam os limites inicialmente conhecidos.

E é justamente nesse cenário que a atuação de André Mendonça continua sob questionamento. Não se trata de transformar suspeitas em condenações, mas de reconhecer que a transparência sobre decisões, encontros e eventuais interferências no andamento das investigações é indispensável. Nenhuma autoridade, por mais elevada que seja sua posição, pode estar acima do escrutínio público e institucional.

O problema não termina nos cemitérios

Segundo as informações divulgadas em 17 de setembro, as operações investigadas envolvem R$ 78 milhões em financiamentos do Banco Master para uma concessionária ligada ao Grupo Maya, com ações da empresa oferecidas como garantia. Dino determinou a apuração pela PF e pela CVM, incluindo a análise das relações financeiras entre o grupo e as concessionárias.

O ponto central da controvérsia é a combinação de três elementos: uma reunião com Daniel Vorcaro, a atuação de Mendonça em um processo sobre concessões funerárias e os vínculos familiares e institucionais mencionados na apuração.

A seguir, o que foi divulgado e por que esses fatos levantam questionamentos.

A reunião com Vorcaro antes do julgamento

Em 14 de março de 2025, André Mendonça recebeu Daniel Vorcaro, então banqueiro do Banco Master, na sede do Instituto Iter, em São Paulo. Segundo as informações divulgadas, o encontro ocorreu um dia antes de Mendonça pedir vista e suspender julgamento sobre limites de preços cobrados pelas concessionárias de cemitérios da capital.

Essa proximidade temporal é o que alimenta o questionamento: havia algum conhecimento prévio sobre interesses econômicos relacionados ao processo? O encontro, por si só, não comprova que houve favorecimento ou irregularidade. A questão é saber se existiam vínculos relevantes que deveriam ter sido declarados e examinados.

O vínculo com a concessionária Cortel

O nome de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, aparece na apuração porque ele teria ligação com a Igreja Batista da Lagoinha e exercido cargo diretivo na Cortel, concessionária de cemitérios em São Paulo. Dino relacionou esses elementos ao encontro de Mendonça com Vorcaro.

Esse é um ponto que precisa ser investigado documentalmente: a estrutura societária das empresas, os financiamentos, os contratos e eventuais relações com agentes públicos.

O irmão de Mendonça e a SP Regula

Outro elemento mencionado por Dino é Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, que atua na SP Regula, agência responsável pela regulação dos serviços públicos de São Paulo. A atuação do irmão na área funerária foi citada no contexto da investigação sobre as concessões.

É importante distinguir duas coisas: o vínculo familiar e a existência de eventual conflito de interesses. A presença de um parente em uma agência reguladora não demonstra, automaticamente, que o ministro tenha agido de maneira irregular. O que deve ser esclarecido é se houve alguma influência indevida, benefício particular ou circunstância que exigisse impedimento.


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Política

Instituto de Mendonça recebeu R$ 5 milhões de ex-parceiro de negócios de Vorcaro

O Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding controlada pelo empresário mineiro Lucas Kallas, ex-parceiro de negócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo a coluna de Cézar Feitoza no UOL. O repasse integrou um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024, modalidade que permite à credora transformar o valor em participação societária ou cobrar a devolução do dinheiro.

O contrato previa R$ 5,9 milhões em repasses, mas o Iter interrompeu a operação e iniciou a devolução dos recursos em janeiro de 2026. No mês seguinte, Mendonça se tornou relator das investigações sobre o Banco Master após sorteio no STF. O instituto afirmou que decidiu antecipar o vencimento da dívida porque já tinha sustentabilidade financeira.

Em nota, o Iter informou que fixou a taxa Selic para a devolução e já pagou cerca de 5,3% do total devido. De acordo com o DCM, a entidade disse que depositou todos os recursos em sua conta de pessoa jurídica e os aplicou exclusivamente na estruturação e nas atividades institucionais.

A negociação envolveu o presidente do Iter e ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, além de Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto, representantes da Cedro. O instituto declarou que Mendonça e Kallas não discutiram os termos da operação. O ministro deixou a entidade no início de setembro, e o Iter afirmou que ele atuava apenas como docente no âmbito acadêmico, sem receber dividendos ou participação nos resultados.

Relações empresariais de Lucas Kallas com negócios ligados a Vorcaro

Kallas foi sócio em empresas que também tiveram investimentos de grupos de Vorcaro. A Cedro detinha 8% da companhia de biotecnologia Biomm no fim de 2023; em fevereiro de 2024, a gestora WNT, ligada ao banqueiro e Nelson Tanure, comprou ações da empresa. Kallas também investiu na Latache Capital e adquiriu 33% da gestora em 2025.

A Cedro alegou que Vorcaro não manteve qualquer vínculo societário ou empresarial com seus negócios ou controladas. A holding declarou que investimentos de fundos e instituições financeiras em companhias abertas não configuram sociedade comercial e afirmou que deixou a Biomm e a Latache em abril de 2026 para concentrar investimentos na mineração.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que ele e Kallas viajaram a Caracas, na Venezuela, no fim de novembro de 2023, para discutir negócios no setor petroleiro.

Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias envolvendo Vorcaro e o Banco Master, e a Cedro não figura nos inquéritos do caso.

A Polícia Federal indiciou Kallas em junho por suspeitas de irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte. A defesa afirmou que os fatos já haviam sido investigados e arquivados pela Justiça e declarou que o empresário deixou definitivamente o negócio investigado em 2017.

Mendonça também confirmou um encontro com Vorcaro no Iter, em março de 2025, e disse que trataram de créditos de precatórios; no julgamento do tema, o STF decidiu por unanimidade contra a posição defendida pelo banqueiro.


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Política

Lula anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família; veja o novo valor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo pago pelo programa passa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777.

O anúncio foi realizado pelo presidente no Palácio do Planalto ao lado de ministros como Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento), Dario Durigan (Fazenda) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social).

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a medida terá impacto de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027. O ministro afirmou que o aumento corresponde à recomposição da inflação acumulada e será feito dentro do espaço fiscal disponível.

“Do ponto de vista fiscal, é importante que a gente lembre que isso está sendo feito dentro das regras”, afirmou Moretti.

“O que nós apuramos, a inflação, é que o INPC desde o início do programa até o mês de agosto, o último índice apurado, é de 15%. Ou 15,04%, para ser preciso. Isso dá um reajuste para cada um dos benefícios do Bolsa Família linear nesse patamar de 15%. Então o piso do programa, que é de R$ 600 vai a R$ 691. O benefício médio do programa sai de R$ 675 para R$ 777”, declarou o ministro do Planejamento.

De acordo com Bruno Moretti, será necessário fazer um ajuste no projeto de Lei Orçamentária já enviado pelo Executivo ao Congresso. A proposta não incluiu o aumento no programa.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste foi calculado com “responsabilidade fiscal”. “Em outros tempos se fez ‘PEC Kamikaze’, crédito extraordinário para além do que se estava previsto. E, com o compromisso de garantir regras e instituições, estamos incorporando o reajuste no Orçamento, sem solavanco”, afirmou.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, disse que a recomposição inflacionária do benefício está prevista em lei.

O piso de R$ 600 estava em vigor desde 2022, quando o governo Jair Bolsonaro elevou o valor do então Auxílio Brasil durante o ano eleitoral. Com a posse de Lula, em 2023, o programa voltou a se chamar Bolsa Família, e o presidente manteve o patamar mínimo de R$ 600.

Até esta quinta-feira, os pagamentos de setembro ainda estavam sendo realizados com o piso de R$ 600.

Bolsa Família chega a mais de 20,5 milhões de famílias a partir desta  segunda

Quem tem direito ao Bolsa Família
Criado em 2003, no primeiro governo Lula, a partir da unificação de programas de transferência de renda existentes, o Bolsa Família é destinado a famílias em situação de pobreza. O benefício é pago pela Caixa Econômica Federal e administrado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Pelas regras atuais, podem receber o benefício famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. Para chegar ao valor, é preciso somar a renda dos integrantes da família que vivem na mesma casa e dividir o total pelo número de pessoas.

Alguns recursos não entram nesse cálculo, como indenizações por danos materiais ou morais, benefícios temporários pagos pelo poder público e valores recebidos por meio de programas de transferência de renda.

*ICL


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Gilmar Mendes diz que Fux e Mendonça fizeram “ajuste prévio” em sessão sobre a PF

A denúncia de Gilmar Mendes sobre um suposto “ajuste prévio” entre Luiz Fux e André Mendonça na sessão que confirmou o afastamento de dirigentes da Polícia Federal expõe uma crise que vai muito além de uma divergência entre ministros. O que está em jogo é a transparência dos procedimentos do Supremo e a confiança na imparcialidade de suas decisões.

Segundo Gilmar, a sessão extraordinária teria sido convocada sem comunicação prévia a parte dos integrantes da Segunda Turma. O ministro apontou uma sequência de acontecimentos que, em sua avaliação, indicaria entendimento direto entre Fux e Mendonça.

O detalhe que chama atenção é a velocidade da operação: Mendonça autorizou a medida cautelar às 8h43, o processo foi incluído na pauta às 9h29, e o gabinete de Gilmar recebeu a comunicação às 9h38, com a sessão marcada para as 10h. Na abertura, Gilmar pediu vista, mas Fux e Nunes Marques apresentaram votos favoráveis ao relator minutos depois.

A questão central é simples: decisões de tamanha repercussão institucional podem ser conduzidas com tamanha pressa e sem que todos os integrantes do colegiado tenham sido adequadamente informados?

O afastamento de dirigentes da PF não é uma medida trivial. Envolve a autonomia institucional da polícia, a separação de Poderes e o equilíbrio entre os diferentes órgãos do Estado. Por isso, qualquer suspeita de articulação prévia precisa ser esclarecida com documentos, transparência e respeito ao devido processo.

A crise também revela um Supremo atravessado por conflitos internos, no qual os próprios ministros questionam os procedimentos adotados por seus colegas. Não basta invocar a autoridade do cargo: quanto maior o poder de uma decisão, maior deve ser a transparência de sua construção.

Gilmar Mendes colocou o assunto sobre a mesa. Agora, cabe esclarecer se houve apenas uma coordenação regimental acelerada ou se, de fato, ocorreu uma articulação prévia que deixou parte do colegiado à margem. A resposta não pode ser escondida atrás de formalidades nem de disputas políticas.

O STF precisa explicar seus procedimentos. A sociedade brasileira tem o direito de saber como decisões que atingem a Polícia Federal são tomadas.

Tem maçãs podres no cesto e a sociedade sabe bem quais são.


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A mídia que há décadas massacra Lula, agora se abraça a Flávio Bolsonaro: o que está por trás disso?

O mesmo bando da mídia que há décadas transforma Lula em alvo permanente de manchetes, editoriais e ataques políticos agora escancara sua preferência por Flávio Bolsonaro. E aí surge uma pergunta incômoda, daquelas que dificilmente aparecem nos grandes jornais: o que eles ganham com isso?

Porque uma coisa é jornalismo: investigar, cobrar, confrontar, publicar informações relevantes e dar espaço ao contraditório. Outra coisa é construir, dia após dia, uma narrativa em que Lula aparece como problema permanente, enquanto Flávio Bolsonaro recebe um tratamento muito mais condescendente justamente quando assuntos espinhosos envolvendo seu entorno entram no noticiário.

O caso Banco Master tornou esse contraste ainda mais evidente. Um levantamento da Datrix, citado pela imprensa, apontou que a redução das menções ao Banco Master alterou significativamente o ambiente de exposição de Flávio Bolsonaro nas redes.

É legítimo perguntar, portanto: quem se beneficia quando determinado assunto desaparece do centro do debate e outro passa a ocupar seu lugar?

O que está em jogo não é apenas uma eleição. É o poder de definir quais fatos merecem indignação, quais personagens merecem suspeita permanente e quais controvérsias podem ser tratadas como nota de rodapé.

E há algo ainda mais revelador: enquanto a imprensa afirma exercer o papel de fiscal do poder, o leitor também tem o direito de fiscalizar a própria imprensa. Quem fiscaliza os fiscalizadores? Quem pergunta quais interesses econômicos, políticos ou editoriais estão por trás de determinadas escolhas de pauta?

Não é preciso inventar uma conspiração. Basta fazer perguntas, comparar manchetes, observar o espaço concedido a cada assunto e acompanhar quem é colocado diariamente no banco dos réus — e quem recebe o benefício da dúvida.

Porque, quando a cobertura deixa de parecer apenas crítica jornalística e passa a produzir efeitos políticos previsíveis, a pergunta deixa de ser inconveniente e passa a ser inevitável:

Afinal, o que essa gente ganha com tanto empenho para atacar Lula e, ao mesmo tempo, favorecer a construção política de Flávio Bolsonaro?


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Flavio Bolsonaro e a ameaça de 2027

A democracia brasileira não pode ser analisada apenas pelos discursos feitos durante uma campanha eleitoral. É preciso observar também o que determinados atores políticos dizem sobre os limites que estariam dispostos a respeitar quando chegassem ao poder.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em junho de 2025, Flávio Bolsonaro associou a possibilidade de um futuro presidente enfrentar uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal que considerasse inconstitucional uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A declaração ganhou uma dimensão ainda mais grave quando foi interpretada como referência à possibilidade de uma ruptura institucional.

A expressão “o próximo golpe já está marcado para 2027”, atribuída a Flávio na repercussão da entrevista, transformou 2027 em uma espécie de marco simbólico: o ano em que um eventual novo governo poderia ser confrontado com a escolha entre aceitar os limites constitucionais ou desafiar uma decisão do STF.

O problema democrático está justamente nessa fronteira.

Em uma República, presidente, Congresso, Judiciário e Forças Armadas possuem competências constitucionalmente delimitadas. Uma decisão judicial pode ser contestada pelos instrumentos previstos na própria Constituição — recursos, debates legislativos e mudanças legislativas dentro das regras do Estado de Direito. O que não pode ser normalizado é a ideia de que uma decisão judicial possa ser enfrentada pela força.

Por isso, a discussão sobre 2027 não deveria ser tratada como mera retórica eleitoral.

Ela levanta uma pergunta fundamental: o projeto político que pretende chegar ao Palácio do Planalto aceitará os limites impostos pela Constituição quando esses limites contrariem seus interesses?

A resposta a essa pergunta é maior do que Flávio Bolsonaro, maior do que Jair Bolsonaro e maior do que qualquer eleição.

É uma questão sobre a própria sobrevivência das instituições democráticas brasileiras.

2027, portanto, não deve ser visto como uma data marcada para um golpe. Deve ser visto como um alerta sobre a necessidade de impedir que qualquer projeto de poder transforme a ruptura institucional em alternativa política.


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Vídeo – Lula: “Flávio está nervosinho porque vai aparecer falcatrua com Vorcaro”

A declaração de Lula coloca ainda mais pressão sobre um caso que já se transformou em um dos pontos mais sensíveis da campanha presidencial. Segundo o presidente, Flávio Bolsonaro estaria “nervosinho” porque o conteúdo relacionado a Daniel Vorcaro ainda pode revelar novos detalhes sobre a relação entre o candidato e o ex-banqueiro.

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está “nervosinho” porque devem aparecer “falcatruas” em sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração ocorreu em entrevista ao podcast Desce a Letra Show.

Lula citou churrasco, bebidas, mulheres e R$ 130 milhões que Flávio pediu a Vorcaro para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Ele está nervosinho porque vai aparecer toda a falcatrua dele com o Vorcaro”, disse o presidente.

“Eu não sou precipitado, eu estou indignado. A sociedade brasileira não merece isso. Estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir”, prosseguiu.

O presidente também cobrou uma reforma política e no Judiciário: “A política está apodrecida. Eu voltei 15 anos depois e a política está bem pior do que estava naquele tempo. Se a gente não reformar isso, eu não sei o que vai acontecer com esse país”. DCM.


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Imóvel de suposto encontro de Kássio Nunes com prostituta, paga por Vorcaro, era da empresa de cunhado do banqueiro

Na época citada, o imóvel pertencia à Super Empreendimentos e Participações S.A, que teve como diretor Fabiano Zettel

O suposto encontro de Kássio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), com uma garota de programa paga por Daniel Vorcaro ocorreu em um apartamento em São Paulo que pertenceu a uma empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, de acordo com levantamento feito em cartório pelos núcleos investigativos dos portais Alma Preta e ICL Notícias.

Na época do suposto encontro, o imóvel pertencia à Super Empreendimentos e Participações S.A, que teve como diretor Fabiano Zettel, ex-pastor da Igreja Lagoinha e casado com Natália Vorcaro. Preso também em março, ele é apontado pelas investigações da Polícia Federal como o operador financeiro dos esquemas de lavagem de dinheiro do Master. A empresa teve suas atividades suspensas por decisão judicial, no âmbito das investigações sobre as fraudes no Banco Master.

Reportagens dos sites UOL e Metrópoles divulgaram nesta quarta-feira (15) novas mensagens extraídas do celular do ex-dono do Banco Master e que foram enviadas aos gabinetes dos dez ministros da mais alta corte do país. O STF vive a mais grave crise da sua história por causa das relações reveladas entre alguns de seus integrantes e o pivô do maior escândalo financeiro do país.

Entre as conversas, há um diálogo de uma mulher de nome Rayanna com Daniel Vorcaro. Ela seria uma agenciadora de garotas de programa, de acordo com nossa apuração.

No dia 28 de fevereiro de 2025, Rayanna informa ao dono do Banco Master que “as meninas estão prontas”. O banqueiro manda em resposta o seguinte endereço: “Leopoldo 1377 andar 23 itaim”. A data foi uma sexta-feira, primeiro dia do carnaval de 2025.

Trata-se do apartamento tríplex que ocupa todo o 23º andar do edifício Pateo Leopoldo, localizado na Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior, 1377, no bairro do Itaim Bibi, bairro de classe média alta de São Paulo.

Uma semana depois, em 7 de março de 2025, Rayanna envia novas mensagens por WhatsApp ao banqueiro sobre o que havia ocorrido naquele dia, de acordo com a reportagem do Metrópoles. Ela manda a seguinte sequência de mensagens: “A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.

Vorcaro pede “dados e valor” e Rayanna responde “10 né” e volta a afirmar “Ela ficou com ele”. Kassio seria uma referência ao ministro do STF Kassio Nunes Marques e do contexto da conversa infere-se que se trata de uma negociação sobre pagamentos de serviços sexuais.

Procurado pela reportagem, o ministro Kassio Nunes Marques não respondeu aos questionamentos. Ao Metrópoles, ele negou o encontro.

Apartamento de encontro vale R$ 50 milhões
O imóvel na rua Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior tem área de 914 metros quadrados, com direito a sete vagas de garagem e atendimento garantido de manobrista e ocupa todo o 23º andar.

O imóvel foi comprado pela Super Empreendimentos pelo valor de R$ 38 milhões em 14 de março de 2022. Fabiano Zettel entrou na empresa em agosto de 2021 e permaneceu até julho de 2024, quando renunciou ao cargo de diretor da companhia. Em março de 2026, a empresa foi suspensa por ordem judicial por ligação com o caso Master.

Segundo a Agência Pública, Zettel foi o maior doador pessoa física da campanha de Tarcísio de Freitas para o governo de São Paulo, em 2022, com R$ 2 milhões, e de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões.

Entrada de Fabiano Zettel no quadro societário da Super Empreendimentos e Participações S.A. Imagem: Reprodução/Junta comercial de SP

Na época do suposto encontro entre Nunes Marques e uma garota de programa, os diretores da empresa eram Leonardo Palhares e Ana Claudia de Paiva.

Palhares prestou depoimento para a Polícia Federal e foi apontado como integrante da estrutura financeira de Vorcaro, e Paiva é apontada como a responsável por fazer os pagamentos para “A Turma”, uma milícia utilizada para coagir pessoas incômodas ao banqueiro. Atualmente, Paiva é a única sócia da Super Empreendimentos e Participações S.A.

O apartamento teve uma valorização expressiva, ao longo do tempo. A IM2D Participações, responsável por vender o imóvel para a Super Empreendimentos, comprou em 2016 o imóvel por R$ 13 milhões. Em outubro de 2025, a Super Empreendimentos conseguiu aumentar os valores do imóvel, com a venda para a SF 1030X Participações Societárias por R$ 50 milhões.

*Por Pedro Borges (Alma Preta) e Flávio VM Costa (ICL Notícias)


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Governo já monitorava risco apontado por Moraes enquanto extrema direita se mobiliza contra STF

Suspeita envolve manipulação de informações; Eduardo Bolsonaro busca novas sanções e Jason Miller pressiona STF

O governo brasileiro já monitorava o risco de grupos estrangeiros usarem a manipulação de dados, a produção de informes e estruturas públicas ou privadas para interferir no ambiente político do país antes de Alexandre de Moraes apontar a possível participação de agentes externos na produção de um relatório da Polícia Federal. A suspeita surge enquanto atores da extrema direita intensificam a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no exterior, às vésperas da eleição.

Nas últimas semanas, a “produção de informes” e a manipulação de dados passaram a ser tratadas em setores do governo como potenciais áreas de atuação internacional. A preocupação é que eventuais operações sejam usadas para aprofundar a instabilidade política durante o processo eleitoral.

“A declaração do ministro não surpreendeu ninguém”, afirmou à reportagem um interlocutor em Brasília.

Na área de inteligência, a possibilidade de interferência externa também é considerada crível. A crise política envolvendo o STF é vista como uma vulnerabilidade que pode ser explorada por atores estrangeiros interessados em influenciar o ambiente brasileiro. A avaliação, porém, é de que a suspeita apresentada por Moraes precisa agora ser submetida a uma investigação técnica.

“Tudo é crível”, resumiu um integrante da área de inteligência ouvido pela reportagem.

Moraes fala em relatório produzido fora da PF
A acusação apareceu numa manifestação de 44 páginas enviada por Moraes no domingo (14) ao presidente do STF, Edson Fachin, no âmbito da Petição 16.704. O documento respondeu a um pedido de esclarecimentos da Presidência da Corte em meio à crise provocada pelas investigações do Banco Master.

Moraes questiona a origem de um relatório da Polícia Federal que reuniu informações contra ele e sustenta que os metadados do arquivo mostram que o documento não teria sido produzido integralmente dentro da corporação.

“O relatório não foi produzido integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, escreveu. Na mesma passagem, classificou o episódio como uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.

Mais adiante, Moraes afirma que o tempo de elaboração seria incompatível com a complexidade do trabalho e diz que os metadados demonstrariam que o documento “não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos — pela forma de produção, provavelmente estrangeiros”.

Na versão apresentada pelo ministro, o relatório teria chegado pronto à PF e sido posteriormente inserido nos computadores da instituição. Em outro trecho, Moraes diz que o documento teria sido “‘plantado’ nos computadores da PF” e associa o episódio às pressões internacionais sofridas pelo STF, entre elas cancelamentos de vistos e sanções aplicadas pelos Estados Unidos.

A manifestação não identifica país, agência, organização ou pessoa estrangeira que teria produzido o material. É justamente esse o ponto que, na avaliação da inteligência, transforma a acusação numa questão que precisa ser investigada.

Inteligência vê vulnerabilidade a operações externas
O primeiro passo seria determinar se houve realmente a quebra da cadeia de custódia indicada por Moraes. Isso significa reconstruir por onde passaram os dados e o relatório, quem teve acesso a eles e se houve manipulação fora do ambiente autorizado.

“Houve o metadado? Houve. Houve a quebra de custódia? Essa é a primeira pergunta”, afirmou o integrante da área de inteligência.

Se o documento entrou pronto nos sistemas da PF, como sustenta Moraes, houve necessariamente uma ação humana para colocá-lo ali. A investigação teria então de determinar se isso ocorreu de maneira regular, por erro ou de forma deliberada.

“Se houve isso, houve um erro humano. Esse erro pode ter sido intencional ou não intencional”, afirmou. Se comprovada a quebra, a pergunta seguinte seria direta: “Tem que ver se essa quebra de custódia foi intencional ou não e, se intencional, quem influenciou.”

A suspeita ganha relevância, segundo a análise feita à reportagem, porque ocorre num momento de forte projeção política dos Estados Unidos sobre o Brasil e de confronto aberto de integrantes do governo americano com Moraes.

“Existe claramente uma tendência de projeção de poder dos Estados Unidos dentro da soberania brasileira”, afirmou. A avaliação é de existem elementos concretos no cenário político que tornam uma operação de influência possível, embora não comprovem a participação americana no relatório.

A disputa interna no Supremo aumenta essa vulnerabilidade. Na avaliação apresentada à reportagem, uma operação estrangeira não precisaria criar uma crise: poderia explorar uma divisão já existente.

“É sim possível uma influência, uma operação de inteligência que ajude quem procura influir num ponto que é vulnerável, que é a guerra política dentro do STF”. Segundo fontes na área de inteligência, a crise criada pelo caso master teria deixado a corte vulnerável a interferências externas por atores interessados em influir no processo eleitoral brasileiro.

A área de inteligência também trabalha com a possibilidade de uma interferência não partir diretamente de funcionários de um governo estrangeiro. Entidades privadas, grupos da sociedade civil ou especialistas com capacidade tecnológica podem funcionar como intermediários.

“Para não terem as digitais nesses processos, governos delegam esse trabalho a terceiros”, explicou outro interlocutor do governo que acompanha o mapeamento das ameaças à eleição.

Extrema direita amplia pressão sobre o STF
A suspeita aparece no momento em que integrantes da extrema direita brasileira e aliados nos Estados Unidos aumentam a pressão sobre o STF.

Eduardo Bolsonaro viajou para Washington com o objetivo de buscar uma nova rodada de sanções contra integrantes da Corte. O ex-deputado pretende usar episódios do julgamento como argumento junto a interlocutores americanos.

Jason Miller, ex-conselheiro de Donald Trump e apoiador de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também passou a direcionar publicações ao julgamento. Ele divulgou uma imagem produzida por inteligência artificial mostrando Moraes com uma tornozeleira eletrônica e, em outra postagem, publicou fotografias de Moraes e Daniel Vorcaro acompanhadas da expressão “tick-tock, Xandão”.

Não há elemento apresentado até agora que vincule esses movimentos à suposta participação estrangeira na produção do relatório. Eles compõem, porém, o ambiente de pressão internacional que já vinha sendo acompanhado em Brasília.

Para integrantes do governo, o período eleitoral tende a ampliar os riscos. Operações camufladas e o eventual uso de empresas ou estruturas privadas de tecnologia estão entre os cenários considerados, com atenção especial ao intervalo entre o primeiro e o segundo turno.

“Há uma movimentação real no submundo da tecnologia que não pode ser ignorada”, afirmou um experiente interlocutor do governo.

Uma das avaliações ouvidas pela reportagem dimensiona a preocupação de forma ainda mais contundente: a ingerência externa é considerada a maior ameaça desse tipo enfrentada pelo país desde o período que antecedeu o golpe de 1964.

A acusação de Moraes introduziu um caso concreto nesse cenário. Saber se ele corresponde ou não a uma operação externa depende agora de algo verificável: reconstruir a origem e o percurso do relatório atribuído à Polícia Federal.

*Cleeber Lourenço e Jamil Chade/Uol


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