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Empresas de Flávio Bolsonaro e Careca do INSS dividem a mesma sala em Brasília

Empresa de capacetes da família Bolsonaro está registrada no mesmo lugar de empresas do operador financeiro do esquema que prejudicou aposentados e pensionistas brasileiros

A empresa de capacetes Bravo Grafeno, cujo dono é o candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), divide o mesmo endereço em Brasília com pelo menos 16 firmas de Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já participou da sociedade, é o garoto-propaganda da marca.

Esta revelação conecta diretamente a família Bolsonaro ao Careca do INSS, personagem central das investigações sobre as fraudes bilionárias que lesaram mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas brasileiros. Os desvios ocorreram entre 2019 e 2024 e resultaram no prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

O levantamento do Núcleo Investigativo do ICL Notícias indica que a empresa do candidato usou, além dos mesmos serviços de contabilidade, a mesma estrutura do investigado na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.

O Careca do INSS está preso preventivamente desde setembro de 2025, no Presídio da Papuda em Brasília. De acordo com as investigações, ele operava empresas de fachada para desviar as mensalidades recebidas irregularmente por associações de aposentados.

Em declarações anteriores, Flávio Bolsonaro negou envolvimento no escândalo do INSS. Procurado, o candidato a presidente ainda não se pronunciou. A reportagem também procurou a defesa do Careca do INSS, mas não houve retorno até o fechamento da edição. O espaço segue aberto para manifestação.

Mesmo endereço e contador em Brasília
O endereço compartilhado é a sala de número 2601 bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal.

A reportagem esteve no local nesta sexta-feira (dia 11), por volta das 10h30. Logo na portaria do prédio, uma funcionária informou que a sala 2601 é ocupada pela Voga Serviços Contábeis, empresa que pertence ao sócio do Careca do INSS, Alexandre Caetano dos Reis, que também está preso.

Alexandre Caetano dos Reis é o primeiro elo conhecido entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS. Ele é responsável também pela contabilidade do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro.

A Voga ocupa quatro salas no 26º andar do prédio. A recepção da empresa fica na de número 2603, onde o ICL Notícias foi recebido pelo advogado Thalles Setúbal. Ele confirmou que a Voga presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601, onde estão registradas as empresas do senador e do Careca do INSS, pertencesse à contabilidade, apesar de os funcionários que circulavam pelo corredor, terem confirmado à reportagem que o local também é ocupado pela Voga.

Inclusive, em duas ocasiões, ao bater na 2601 que estava fechada, fui abordada por funcionários que me orientaram que me dirigisse à recepção da Voga, ou seja, a sala vizinha, 2603.

Thalles afirmou que na 2601 funcionava um coworking e pertencia à outra empresa, com donos diferentes da Voga. Questionado sobre a relação da empresa de contabilidade com o senador Flávio Bolsonaro e as investigações da PF, Thalles respondeu: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.

A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024 e conta com capital social de R$ 100 mil. A loja online vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta, por R$ 54.

“Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”, anuncia o ex-presidente em vídeo divulgado no site da empresa. O domínio do site foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro lançou o capacete para motos, no dia 11 de março de 2025, no Salão das Motopeças, realizado em São Paulo. O tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, também divulgou a marca durante uma live em 2025.

Conexão entre Flávio Bolsonaro e Careca do INSS, contador está preso
Preso desde dezembro de 2025, Alexandre Caetano dos Reis foi sócio do Careca do INSS, em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe.

O e-mail da Voga consta nas notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro, evidência da prestação de serviços contábeis ao senador revelada pelo Metrópoles.

Como mostra a investigação da Polícia Federal, Alexandre atuou como contador de diferentes empresas vinculadas ao Careca do INSS e tinha acesso a planilhas internas, documentos estratégicos e operações financeiras consideradas sensíveis pelos investigadores.

Outra conexão de Flávio Bolsonaro com personagens investigados no escândalo do INSS se chama Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador. Ela é irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis.

Carlos Bolsonaro também é sócio da empresa de capacetes
Além de Flávio, o filho 01 de Jair, o ex-vereador Carlos Bolsonaro, o 02,também aparece na sociedade do negócio. Ele disputa uma vaga ao Senado pelo PL no estado de Santa Catarina.

Há outros três sócios na Bravo Grafeno. Entre eles, está o empresário Pedro Luiz Dias Leite, que foi sócio do ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, Marcello de Oliveira Lopes, na empresa Bitts Tecnologia, Consultoria Empresarial e Comunicação, encerrada em agosto do ano passado.

Marcelão, como é conhecido nos bastidores de Brasília, enviou R$ 1 milhão à produtora Go UP, do filme Dark Horse, em dezembro de 2025, conforme inquérito da Polícia Federal. “Eu sou investidor do filme, é uma natureza totalmente empresarial. Tudo certinho, legal. Não houve repasse, houve investimento”, disse em resposta à coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. O ICL Notícias tenta contato com ele.

No quadro societário da empresa de capacetes, surge também o nome do personal trainer Paulo Giordano Bernardi e o ex-assessor do senador, Fernando Nascimento Pessoa, que foi investigado no caso da rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Procurados, os dois, assim como Carlos Bolsonaro, não retornaram às tentativas de contato.

As informações sobre sócios e endereço em que a Bravo Grafeno foi registrada constam em base de dados pública da Receita Federal.

A rede de empresas do Careca do INSS na Sala 2601
A concentração de empresas do Careca do INSS na Sala 2601 chama atenção também pela forma como elas foram criadas. Levantamento feito pela reportagem encontrou ao menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes registradas no mesmo endereço cadastral da Bravo Grafeno. Algumas foram baixadas após as investigações.

O grupo reunia empresas de consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e até um call center.

A Sala 2601 também aparece como endereço de empresas diretamente relacionadas à movimentação do dinheiro investigado no escândalo do INSS.

É o caso da Prospect Consultoria Empresarial, uma das principais empresas de Antunes. Segundo o relatório final da CPMI, a Prospect recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas, incluindo R$ 115,9 milhões da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA. Documentos da comissão registram como endereço da empresa justamente a QS 1, Rua 212, lotes 19, 21 e 23, Sala 2601.

Oito delas foram fundadas exatamente no mesmo dia: 5 de outubro de 2023 e uma, a RPLD Construtora e Incorporadora, apenas um mês depois do registro da Bravo.

O Careca do INSS atuava junto às entidades que tinham autorização para descontar mensalidades diretamente dos benefícios e, segundo a investigação, recebia milhões dessas associações por meio de sua rede de empresas. O dinheiro circulava entre diferentes CNPJs e era usado, entre outras finalidades investigadas, para aquisição de patrimônio e pagamentos a pessoas ligadas ao grupo. Ele também atuava nos bastidores do INSS em defesa dos interesses dessas entidades.

*Alice Maciel/ICL


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Fachin, a rigor, blindou ainda mais Flávio Bolsonaro, exaltou Mendonça e jogou Moraes aos leões

Se alguém ainda tinha dúvida sobre quem sai politicamente fortalecido desse rearranjo no Supremo, basta olhar para o resultado: Flávio Bolsonaro emerge mais protegido do que nunca, enquanto Alexandre de Moraes é empurrado para o centro de uma fogueira política que interessa diretamente ao bolsonarismo.

A ironia é brutal. No momento em que o campo bolsonarista precisava desesperadamente de uma narrativa para transformar seus problemas em combustível eleitoral, surge um cenário perfeito: Moraes convertido em alvo permanente, enquanto André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao STF, ganha espaço e protagonismo justamente no ambiente em que Flávio precisa de proteção política.

É difícil não perceber o tamanho da contradição.

O grupo de Flávio pode comemorar. Aquilo que parecia ser um cerco vai se transformando, aos olhos de seus aliados, em uma espécie de corredor de proteção. A atenção pública se desloca, o debate muda de foco e, no lugar das perguntas incômodas que deveriam permanecer no centro da mesa, a política brasileira volta a consumir a velha guerra contra Moraes.

E é aí que a frase ganha uma atualidade impressionante: Fachin, a rigor, acaba produzindo um efeito político que favorece Flávio Bolsonaro, fortalece a posição de Mendonça e deixa Moraes exposto aos leões.

Não é preciso acreditar em conspiração para reconhecer o efeito concreto da movimentação. Na política, resultado também é mensagem. E a mensagem que chega ao bolsonarismo é cristalina: enquanto Moraes vira saco de pancadas, Mendonça aparece cada vez mais confortável no tabuleiro.

Para Flávio, isso é quase um presente.

A velha estratégia bolsonarista sempre funcionou melhor quando consegue trocar o assunto. Quando a pressão aperta, cria-se um inimigo maior, desloca-se o foco e transforma-se o debate institucional numa guerra de torcidas. Moraes, goste-se ou não de suas decisões, tornou-se novamente o personagem perfeito para esse roteiro.

E, enquanto todos olham para ele, quem está sendo beneficiado pelo deslocamento do foco?

Flávio Bolsonaro.

Essa é a pergunta que não pode desaparecer no meio do barulho.

Porque o mais curioso de tudo é que o bolsonarismo passou anos denunciando supostos privilégios e blindagens institucionais. Agora, quando o cenário produz um resultado politicamente favorável ao seu candidato, parece haver uma súbita amnésia coletiva.

Mendonça ganha oxigênio. Moraes vira alvo. E Flávio respira aliviado.

Se isso não é blindagem no sentido político da palavra, pelo menos é impossível negar que o efeito do rearranjo favorece exatamente quem mais precisava que os holofotes fossem desviados.

E o bando de Flávio, evidentemente, sabe aproveitar cada segundo.

A pergunta que fica é simples e incômoda: quem está pagando o preço político dessa operação de deslocamento de foco?

Até aqui, a resposta parece evidente: Moraes.

E quem está colhendo os dividendos?

Flávio Bolsonaro.

Há algo ainda que toca de perto a honorabilidade da presidência do STF na figura de Fachin, o gênio, Mario Frias, vendo que Flavio Dino lhe pegou pelo rabo, fez um pedido público para que fosse retirada das mãos de Dino a relatoria das emendas que acabou flagrando Frias e a produtora do filme Dark Horse, que receberam enxertos públicos de políticos do PL como, Bia Kicis e Marcos Pollon, exigindo que Fachin tirasse a relatoria de Flavio Dino e entregasse a André Mendonça, como bem comentou o jornalista Reinaldo Azevedo.


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Política

PF investiga Flávio Bolsonaro por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema de Vorcaro

Inquérito autorizado por André Mendonça apura atuação do senador na captação de recursos de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A apuração mira a participação de Flávio na obtenção e cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A PF encontrou no celular do banqueiro mensagens, ligações e registros de encontros que, segundo os investigadores, mostram o senador atuando diretamente nas tratativas para financiar a produção.

O inquérito específico sobre “Dark Horse” corre sob sigilo. Sua existência e parte dos elementos que levaram à abertura da investigação vieram à tona após Mendonça retirar o sigilo de outros procedimentos relacionados ao caso Master.

A PF pediu formalmente a abertura da apuração em 8 de julho. No documento enviado ao STF, os investigadores afirmaram que pretendiam apurar a eventual prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento internacional do filme, com “possível participação” de Flávio.

Paulo Gonet deu aval ao pedido em 21 de julho. O procurador-geral afirmou haver “indícios consistentes” das condutas narradas e considerou necessário aprofundar hipóteses que envolvem potencialmente corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

No dia seguinte, Mendonça autorizou a abertura do inquérito. A investigação foi formalmente aberta pela PF em 23 de julho.

O que a PF investiga
A suspeita de lavagem de dinheiro está relacionada ao possível uso de empresas e de um fundo no exterior para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação ou o destino dos valores usados no financiamento.

A hipótese de evasão de divisas será investigada para saber se houve remessas internacionais com declaração falsa, uso de intermediários, falta de identificação adequada dos beneficiários finais ou finalidade econômica diferente daquela declarada.

No caso da corrupção, a questão central é outra: saber se os aportes foram solicitados, oferecidos, prometidos ou recebidos em razão da função pública exercida por algum dos envolvidos ou como forma de vantagem indevida. A PF também mencionou preliminarmente a possibilidade de organização criminosa e outros delitos que possam surgir durante a investigação.

Os enquadramentos são preliminares. A abertura do inquérito não significa que Flávio tenha cometido esses crimes, mas que a PF recebeu autorização do STF para aprofundar os indícios e verificar se as suspeitas se confirmam.

Flávio aparece como interlocutor direto de Vorcaro
A representação da PF dedica um capítulo inteiro aos “indícios de participação” de Flávio na viabilização e cobrança dos aportes para “Dark Horse”.

Os investigadores afirmam que dados extraídos do celular de Vorcaro mostram o senador participando de tratativas relacionadas ao financiamento.

Os contatos remontam a dezembro de 2024. Naquele mês, Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O encontro foi agendado para 11 de dezembro. Mário Frias (PL-SP) também participaria da reunião por ser apontado como idealizador do projeto.

Em janeiro de 2025, aparecem cobranças pelo primeiro aporte. A partir de agosto, segundo a PF, a comunicação passa a ocorrer diretamente entre Flávio e Vorcaro.

Em 20 de agosto, mensagens indicam um provável encontro presencial. Vorcaro informou o horário e Flávio respondeu que estava “a caminho”.

Ligação coincide com remessa para fundo nos EUA
Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou um áudio a Vorcaro cobrando pagamentos do filme. O senador demonstrou preocupação com o risco de a produção ficar inadimplente com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria resolver a situação.

Uma semana depois, Thiago Miranda informou ao banqueiro que Flávio queria encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado.

No dia seguinte, 16 de setembro, houve uma ligação entre Flávio e Vorcaro. A PF destaca que o contato coincidiu com a última remessa identificada da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos utilizado no financiamento de “Dark Horse”.

A coincidência temporal é apontada pelos investigadores como elemento relevante, mas não demonstra, isoladamente, que a conversa tenha provocado a transferência.

A PF identificou US$ 12,33 milhões enviados pela Entre Investimentos ao Havengate ao longo de 2025. Já o acordo de financiamento localizado nas comunicações de Vorcaro previa um investimento total de US$ 24 milhões. Os valores das parcelas estabelecidas no documento eram semelhantes aos encontrados nas remessas internacionais.

“Estou e estarei contigo sempre”
Os contatos entre Flávio e Vorcaro continuaram.

Em outubro, o senador voltou a cobrar os aportes e disse que a produção estava “no limite”. Flávio afirmou que, se Vorcaro não conseguisse fazer o pagamento, precisaria avisá-lo para que encontrasse outra saída com urgência. Também convidou o banqueiro para jantar com o ator principal e o diretor do filme.

Em 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo a Vorcaro e afirmou, segundo a PF, que aquilo somente estaria acontecendo graças à ajuda dele.

O último contato destacado pelos investigadores ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro. Flávio tentou telefonar para o banqueiro e depois escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Ao analisar esse episódio, Gonet afirmou que Vorcaro teria obtido uma possível “promessa de apoio ou interferências do próprio Senador”. O procurador-geral ponderou, porém, que ainda era necessário encontrar eventual ato praticado no exercício do mandato que pudesse estabelecer uma relação entre o financiamento e a atuação parlamentar de Flávio.

A PGR pediu, por isso, que fossem levantadas propostas legislativas apresentadas ou apoiadas pelo senador que pudessem ser de interesse do Banco Master, de empresas vinculadas à instituição ou de Vorcaro. Também sugeriu uma busca completa nos celulares e computadores já apreendidos pela PF no caso Master e em investigações relacionadas para localizar referências a Flávio.

Os documentos conhecidos até agora não apontam um ato parlamentar específico praticado por Flávio em benefício de Vorcaro. Esse é um dos pontos que o inquérito pretende esclarecer.

Para a PF, porém, os elementos já reunidos mostram que Flávio não aparece apenas como alguém mencionado por terceiros. Os investigadores o classificam como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas sobre o financiamento, com cobranças de pagamentos, reuniões e acompanhamento das gravações. A investigação pretende esclarecer seu papel na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes.

Flávio admite que procurou Vorcaro para obter recursos para “Dark Horse”, mas nega irregularidades. O senador afirma que buscava financiamento privado para uma produção privada sobre seu pai, que não houve dinheiro público e que não ofereceu vantagens ao banqueiro em troca dos aportes.

Cleber Lourenço, Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn/ICL


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Operação da PF destampa o bueiro do Dark Horse — e o bafio já tomou conta do ar

A operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino fez aquilo que tanta gente parecia empenhada em evitar: destampou o bueiro do Dark Horse. E quando a tampa começa a sair do lugar, não aparece apenas o filme sobre Jair Bolsonaro. Aparecem dinheiro, emendas, empresas, personagens, transferências e uma sucessão de conexões que tornam cada vez mais difícil vender a história como um simples projeto cinematográfico.

A PF investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares para financiar a produção do filme. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias e pessoas ligadas à produtora e às entidades envolvidas no projeto. Segundo a investigação, houve movimentações financeiras consideradas suspeitas, inclusive transferências incompatíveis com a renda de alguns envolvidos.

E há um detalhe que torna o cheiro ainda mais forte: o nome de Flávio Bolsonaro aparece no entorno dessa história não por acaso. Ele não é alvo da operação autorizada por Dino, mas é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento do Dark Horse e às tratativas com Daniel Vorcaro. A própria campanha de Flávio já tentou transformar o episódio em “página virada”. Só que investigação policial não respeita roteiro de campanha eleitoral.

O que está vindo à tona é justamente aquilo que o discurso político tenta esconder: Dark Horse não é apenas um filme. É uma trilha financeira que passa por personagens, empresas, emendas e pelo universo do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

E o quadro ficou ainda mais incômodo depois que a PF identificou que um ex-marqueteiro da campanha de Flávio transferiu R$ 1 milhão para a produtora do filme. A investigação também aponta que a empresa responsável pela produção movimentou R$ 19 milhões em apenas dois meses.

Como se não bastasse, a delação homologada por André Mendonça envolve um operador ligado a Vorcaro e menciona recursos destinados ao fundo americano que financiou o Dark Horse. Segundo a reportagem, a colaboração também trata de transferências milionárias relacionadas ao projeto.

É por isso que a operação de Dino tem potencial para mudar o tamanho do escândalo.

O bueiro foi destampado.

E, quando se destampa um bueiro, não adianta pintar a tampa, trocar a placa ou mandar o marqueteiro dizer que não existe mau cheiro. O que interessa agora é saber o que estava escondido lá dentro, quem colocou cada coisa ali e para onde foi o dinheiro.

Flávio pode acusar Dino de interferência política. Pode dizer que tudo não passa de uma tentativa de atingir sua candidatura. Mas existe uma resposta muito simples para isso: as suspeitas precisam ser investigadas, e investigação não se faz com discurso de palanque.

O mais explosivo é que o Dark Horse começa a deixar de ser uma história isolada para se transformar em uma espécie de fio desencapado dentro do emaranhado Bolsonaro–Vorcaro–Banco Master.

E é justamente por isso que o cheiro incomoda tanto.

Porque, se as investigações confirmarem as suspeitas, não estaremos diante de uma simples produção cinematográfica mal explicada.

Estaremos diante de uma história de dinheiro público, interesses políticos, financiamento privado e relações financeiras que precisam ser explicadas centavo por centavo.

A operação da PF não encerra o caso.

Ela abre a porta do bueiro.

Agora é esperar para ver o que mais vai sair de lá.

A operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino fez aquilo que tanta gente parecia empenhada em evitar: destampou o bueiro do Dark Horse. E quando a tampa começa a sair do lugar, não aparece apenas o filme sobre Jair Bolsonaro. Aparecem dinheiro, emendas, empresas, personagens, transferências e uma sucessão de conexões que tornam cada vez mais difícil vender a história como um simples projeto cinematográfico.

A PF investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares para financiar a produção do filme. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias e pessoas ligadas à produtora e às entidades envolvidas no projeto. Segundo a investigação, houve movimentações financeiras consideradas suspeitas, inclusive transferências incompatíveis com a renda de alguns envolvidos.

E há um detalhe que torna o cheiro ainda mais forte: o nome de Flávio Bolsonaro aparece no entorno dessa história não por acaso. Ele não é alvo da operação autorizada por Dino, mas é investigado em outro procedimento relacionado ao financiamento do Dark Horse e às tratativas com Daniel Vorcaro. A própria campanha de Flávio já tentou transformar o episódio em “página virada”. Só que investigação policial não respeita roteiro de campanha eleitoral.

O que está vindo à tona é justamente aquilo que o discurso político tenta esconder: Dark Horse não é apenas um filme. É uma trilha financeira que passa por personagens, empresas, emendas e pelo universo do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

E o quadro ficou ainda mais incômodo depois que a PF identificou que um ex-marqueteiro da campanha de Flávio transferiu R$ 1 milhão para a produtora do filme. A investigação também aponta que a empresa responsável pela produção movimentou R$ 19 milhões em apenas dois meses.

Como se não bastasse, a delação homologada por André Mendonça envolve um operador ligado a Vorcaro e menciona recursos destinados ao fundo americano que financiou o Dark Horse. Segundo a reportagem, a colaboração também trata de transferências milionárias relacionadas ao projeto.

É por isso que a operação de Dino tem potencial para mudar o tamanho do escândalo.

O bueiro foi destampado.

E, quando se destampa um bueiro, não adianta pintar a tampa, trocar a placa ou mandar o marqueteiro dizer que não existe mau cheiro. O que interessa agora é saber o que estava escondido lá dentro, quem colocou cada coisa ali e para onde foi o dinheiro.

Flávio pode acusar Dino de interferência política. Pode dizer que tudo não passa de uma tentativa de atingir sua candidatura. Mas existe uma resposta muito simples para isso: as suspeitas precisam ser investigadas, e investigação não se faz com discurso de palanque.

O mais explosivo é que o Dark Horse começa a deixar de ser uma história isolada para se transformar em uma espécie de fio desencapado dentro do emaranhado Bolsonaro–Vorcaro–Banco Master.

E é justamente por isso que o cheiro incomoda tanto.

Porque, se as investigações confirmarem as suspeitas, não estaremos diante de uma simples produção cinematográfica mal explicada.

Estaremos diante de uma história de dinheiro público, interesses políticos, financiamento privado e relações financeiras que precisam ser explicadas centavo por centavo.

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Ela abre a porta do bueiro.

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Dark Horse: Dino derruba sigilo de ação da PF e impede Frias de sair do Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo da decisão que autorizou uma operação da Polícia Federal no caso do filme “Dark Horse” e determinou medidas cautelares que impedem o deputado federal Mario Frias (PL-SP) de deixar o país.

Operação da PF mira suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares na produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Um dos alvos foi Mario Frias, aliado da família Bolsonaro e produtor-executivo e roteirista do filme. Karina Gama, dona do ICB (Instituto Conhecer Brasil) e produtora do filme, também foi um dos alvos de busca. O UOL tentou contato com a assessoria de Mario Frias e de Karina Gama, mas não teve resposta.

Frias e Karina estão proibidos de deixar o país e de ter contato entre si —a determinação vale para os demais citados. “Elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”, argumentou o ministro.

Este é um dos inquéritos que investigam os repasses para o filme. Um outro processo, relatado por André Mendonça, apura transferências feitas pelo banco Master para a produção do filme a pedido de Flávio Bolsonaro (PL.

PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira. Os alvos são ligados ao ICB (Instituto Conhecer Brasil) e à ANC (Academia Nacional de Cultura), organizações envolvidas na produção do filme.

Decisão que impôs as cautelares é de 3 de setembro e teve o sigilo derrubado hoje. Dino proibiu Frias e outros investigados de deixar o país e de manter contato entre si, com recolhimento de passaportes.

Ministro citou risco de interferência na apuração ao justi

ficar as restrições. “Elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”, escreveu Dino.

Karina Gama é citada como responsável pela gestão de contratos e pela transferência de valores para empresas privadas, como a Go Up Entertainment. Para a PF, “há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”

Frias destinou emenda de R$ 1 milhão ao ICB para um programa de empreendedorismo em Pirassununga (SP). O projeto não saiu do papel e a suspeita é que o dinheiro tenha sido desviado para a produção do filme.

Investigação aponta indícios de crimes como peculato e lavagem de dinheiro. A apuração também cita suspeitas de fraude contratual, falsidade documental e organização criminosa, a partir de contratações e fluxos financeiros analisados.

CGU (Controladoria-Geral da União) apontou falhas estruturais e falta de capacidade técnica na entidade beneficiada. O relatório cita insuficiência operacional, dependência de terceiros para executar projetos e fragilidades nos planos de trabalho.

PF também apontou que Mario Frias fez transferências diretas de R$ 645,4 mil para a produtora do filme “Dark Horse”. Para a polícia, os repasses são “incompatíveis” com renda do deputado federa. Segundo a investigação, o valor não é compatível também com os “créditos identificados” nas contas bancárias de Frias.

*Uol


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Política

Fachin tira as fake news de Moraes, mas mantém o Master com Mendonça

A decisão de Edson Fachin de retirar das mãos de Alexandre de Moraes o inquérito das fake news produz uma pergunta inevitável: se a preocupação é preservar a imparcialidade, a segurança jurídica e a credibilidade do Supremo, por que o mesmo rigor não aparece quando o assunto é a relatoria do caso Banco Master nas mãos de André Mendonça?

Fachin assumiu a relatoria do inquérito das fake news e retirou do processo as acusações que Moraes havia apresentado contra Mendonça. A medida ocorre justamente no momento em que os dois ministros estão em rota de colisão por causa do caso Master e das revelações envolvendo Daniel Vorcaro.

O problema político, portanto, está no contraste.

De um lado, Moraes é afastado de um inquérito que conduziu por anos. De outro, Mendonça permanece à frente de uma investigação de enorme repercussão política, financeira e eleitoral, na qual aparecem personagens diretamente relacionados ao campo bolsonarista — inclusive Flávio Bolsonaro. A própria imprensa internacional já registra que o caso Master tem implicações sobre a disputa presidencial de 2026 e que Flávio está entre os políticos atingidos pelas suspeitas relacionadas ao escândalo.

É justamente aí que nasce a suspeita política de seletividade.

Se o argumento é impedir que ministros investiguem uns aos outros em meio a uma guerra interna no Supremo, então a lógica deveria valer para todos. Não basta tirar uma investigação das mãos de Moraes e deixar intacto o poder de Mendonça sobre o processo que pode atingir adversários e aliados políticos em plena campanha eleitoral.

E há um agravante, Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro e se tornou uma figura central do campo conservador na atual crise da Corte. Reuters observa que suas decisões passaram a ter peso direto no cenário eleitoral e que ele é visto por setores da direita como uma espécie de referência dentro da disputa ideológica do Supremo.

Não é preciso afirmar que Fachin esteja deliberadamente protegendo Flávio Bolsonaro para enxergar o problema. Basta olhar para a arquitetura das decisões.

Moraes perde o controle do inquérito das fake news. Mendonça continua com o Master. E o principal beneficiário político desse rearranjo, aos olhos da oposição, é justamente o candidato bolsonarista que aparece no entorno do escândalo.

É uma equação que precisa ser explicada.

Porque, quando um caso envolve Moraes, a palavra de ordem é afastamento, redistribuição e controle institucional. Quando envolve Mendonça e uma investigação que alcança figuras do bolsonarismo, a régua parece ser outra.

E é justamente essa diferença de tratamento que alimenta a percepção de que o Supremo está diante de algo maior do que uma simples disputa entre ministros.

O Banco Master não é uma briga particular entre Moraes e Mendonça. É uma investigação com ramificações financeiras, políticas e eleitorais. Vorcaro está no centro do escândalo; mensagens e relações com autoridades provocaram uma crise inédita no STF; e a disputa entre os ministros passou a interferir diretamente na condução das investigações.

Por isso, retirar Moraes do inquérito das fake news sem resolver de maneira igualmente transparente a questão da relatoria do Master, não encerra a crise.

Apenas muda o eixo da crise.

E deixa no ar uma pergunta incômoda:

Fachin está realmente colocando ordem na casa ou apenas redistribuindo o poder dentro dela — com Mendonça preservado justamente onde isso pode produzir consequências eleitorais favoráveis a Flávio Bolsonaro?

Enquanto essa pergunta não tiver uma resposta convincente, qualquer discurso sobre neutralidade institucional continuará esbarrando na realidade.

Porque não basta parecer imparcial.

O Supremo precisa ser imparcial — e, sobretudo, precisa parecer imparcial para todos.


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Polícia Federal faz buscas contra Mário Frias e produtora do filme Dark Horse

Produtora Karina Gama e deputado Mario Frias são alvos de buscas; investigação apura possível uso irregular de emendas e recursos públicos

A Polícia Federal (PF) cumpre mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10/9) em uma operação que investiga o financiamento de “Dark Horse”, filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), além de outras 20 pessoas. Não há mandados de prisão.

A investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito tramitava inicialmente em São Paulo e foi posteriormente assumido pela Corte. A apuração se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e de recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produtora responsável pelo filme.

A operação, batizada de Make Up, foi deflagrada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e investiga o suposto desvio de cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas a uma organização da sociedade civil ligada à produção do filme.

Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Segundo a PF, os recursos públicos foram repassados por meio de termo de fomento. A investigação aponta a suspeita de atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, que teria direcionado os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação de parte dos serviços contratados.

A corporação afirma ainda que as tentativas de ocultar os supostos desvios teriam continuado até julho deste ano. Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema investigado.

Os envolvidos são investigados por suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de uma segunda investigação no STF. Sob relatoria do ministro André Mendonça, esse inquérito apura repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, além do destino do dinheiro.

*EM


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“O Brasil precisa saber a verdade”: Lula defende quebra de sigilo no caso Banco Master

Presidente cobra transparência nas investigações, critica vazamentos seletivos e defende que informações sobre todos os envolvidos sejam tornadas públicas, “doa a quem doer”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (9), a quebra completa dos sigilos relacionados às investigações do caso Banco Master. Segundo o presidente, a medida é necessária diante da gravidade das denúncias e da crise institucional envolvendo o Poder Judiciário.

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu Lula em publicação no X (antigo Twitter).

O presidente também criticou o que classificou como “vazamentos seletivos” de informações das investigações, afirmando que eles estariam impactando a disputa eleitoral.

“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou.

Para Lula, a transparência sobre as investigações é fundamental para que a sociedade tenha acesso às informações e para que eventuais responsabilidades sejam apuradas sem distinção entre os envolvidos.

*CTB


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Vídeo: Haddad alerta, numa eventual vitória de Flavio, Vorcaro é solto na hora

Veja esta fala fundamental de Haddad no caso de vitória de Flavio Bolsonaro:


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Vídeos: Na GloboNews, Malu Gaspar dá chilique e ataca Dino por decisão que contraria Mendonça

Malu Gaspar deu um chilique com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino na manhã desta quarta-feira (9). A comentarista da GloboNews não se conforma com o fato de que a realidade teima em não se ajustar ao universo paralelo construída pelo lavajatismo, seita política e midiática que durante anos distribuiu seus próprios “feijões mágicos”, como os do pastor Valdemiro Santiago.

O motivo da indignação foi a decisão de Dino que reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. O diretor-geral havia sido afastado por determinação do ministro André Mendonça. Andrei é justamente o chefe da PF que comandou a operação que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e está à frente das investigações que alcançaram o filme “Dark Horse”.

“O STF virou uma várzea. Entra o ministro Dino no meio do caminho, atravessando o campo de jogo. Isso é mais um capítulo de um bangue-bangue judicial que tem muito pouco a ver com a Constituição. E ninguém explica as mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro”, disse.

A fala é reveladora menos pelo que diz sobre Dino do que pelo papel que Malu Gaspar escolheu desempenhar. A jornalista se notabiliza cada vez mais por um tipo de udenismo canhestro, herdeiro da tradição inaugurada por Carlos Lacerda: indignação permanente, linguagem de escândalo e a pretensão de falar em nome de uma classe média que precisa estar sempre revoltada com alguma coisa.

É um personagem conhecido da história política brasileira. Os mesmos personagens de sempre, em busca de encontrar uma crise institucional a cada esquina e apresentá-la como prova de que o país está à beira do abismo. O resultado é Flávio Bolsonaro.

O lavajatismo prosperou exatamente nesse ambiente. Durante anos, procedimentos excepcionais foram apresentados como necessários em nome de uma causa maior. Garantias legais tornaram-se detalhes incômodos. Vazamentos ilegais, que serviram para a extrema-direita reagir, são normalizados. E dane-se o país.

Malu não tem nem o talento de Lacerda. Sua presença entre os colegas é sempre condescendente. Ela sabe mais que todo mundo. Num determinado momento, vai ter de sair de cena, em nome da sobrevivência da própria Globo no teatro trágico que ela oferece aos brasileiros.

*DCM


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