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Itamaraty: Chanceler brasileiro soa alerta contra ingerência dos EUA

Em discurso na Assembleia da OEA, Mauro Vieira alertou para risco em eleições, denunciou ingerência e sugeriu que classificar crime como terrorismo abre a risco de intervenção

O chanceler Mauro Vieira usou seu discurso na Assembleia Geral da OEA, no Panamá, para mandar recados contundentes ao governo norte-americano e reafirmar a posição do Brasil sobre temas como a defesa da soberania.

Numa região que vem sofrendo uma ofensiva por parte do governo de Donald Trump e uma pressão sobre eleições, a postura do chefe da diplomacia brasileira foi a de soar o alerta sobre os riscos de ingerência estrangeira, abalo nos processos eleitorais e mesmo ataques contra a soberania.

A mensagem ocorre no mesmo dia em que Trump usou as redes sociais para divulgar um artigo no qual citava o avanço dos EUA na região como ele tem o Brasil como seu próximo foco de desestabilização.

Num dos trechos do discurso realizado nesta terça-feira, Vieira apontou como o sistema interamericano foi fundamental na defesa de princípios do direito internacional como a igualdade soberana das nações, a autodeterminação nacional e a não-intervenção em assuntos de outros países.

O recado estava claro: a ingerência será rejeitada. “O Brasil está convicto de que esses princípios sempre indicarão o bom caminho da convivência pacífica no âmbito interamericano”, avisou.

Para ele, a igualdade soberana, a autodeterminação e a não-intervenção serão “sempre melhores do que o caminho marcado pelas tentações do unilateralismo, da uniformidade e das esferas de influência”.

Na avaliação do brasileiro, “medidas coercitivas e grupos excludentes não resolverão os problemas que afligem muitos de nossos países”.

Crime não pode ser pretexto para atacar outro país
Um dos alertas de Vieira se referiu ao uso do suposto combate contra o crime organizado para justificar incursões em outros países.

O chanceler admitiu que “o crime organizado não respeita fronteiras e tem se revelado um dos problemas mais graves a afetar as diferentes regiões que conformam o âmbito interamericano”. Ele também insistiu que o governo brasileiro confere a “mais alta prioridade” ao combate ao crime organizado.

Mas mandou seu recado, diante da pressão de Trump para converter grupos criminosos em entidades terroristas.

Para ele, esses grupos são “estruturas criminosas movidos pelo lucro, que buscam controlar territórios e mercados ilícitos”.

“Nesse sentido, devemos resistir à tentação de reclassifica-lo sob rótulos que confundem fenômenos de naturezas distintas”, alertou.

“Categorias importadas de outros contextos não contribuem para desmantelar as redes criminosas. Ao contrário: limitam o fundamental intercâmbio de inteligência e podem converter-se em pretexto para respostas que ignoram fronteiras, jurisdições e a igualdade soberana das nações”, disse.

Eleição sob risco
Outro alerta do chanceler brasileiro foi direcionado ao impacto da desinformação nas eleições pela América Latina. “A estabilidade de nossa região depende, da mesma maneira, de democracias fortes, construídas a partir de eleições transparentes, justas e participativas”, disse.

Ele lembrou que, em 2026, vários países da região passaram ou passarão por pleitos importantes, inclusive o Brasil.

“É essencial reforçar nossa capacidade de garantir a integridade da informação e evitar o uso de meios digitais para disseminar notícias falsas, minar a confiança na democracia e interferir indevidamente em processos eleitorais”, defendeu.

“Nesse momento em que a difusão deliberada de informações falsas e o avanço da desinformação ameaça a integridade do voto em nossos países, cumpre-nos intensificar a troca de experiências para lidar com esse desafio”, reivindicou.

Sem dono único
Num contexto de um debate sobre a influência cada vez maior de grupos de extrema direita nos trabalhos da OEA e da pressão dos EUA, o Brasil também saiu em defesa de uma instituição que seja capaz de manter sua autonomia.

“Continuamos resolvidos a seguir a órbita independente ditada pelos nossos interesses nacionais. Continuamos, ao mesmo tempo, a atuar pela conservação do patrimônio coletivo da OEA na concertação política e na construção de consensos interamericanos”, disse.

“Mas essa Organização não tem, nem terá, dono único; ela pertence a todos”, alertou.

“Daí, justamente, advém a credibilidade que ela não deve descartar em troca de tentações ou ambições passageiras”, completou Vieira.

*Jamil Chade/ICL


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Política

PCdoB apresenta propostas para o Brasil seguir avançando com Lula

Partido lança contribuição ao programa presidencial em que defende medidas para que o país se desenvolva de maneira soberana, sustentável e com resultados concretos na vida do povo

Aliado de Luiz Inácio Lula da Silva desde 1989, o PCdoB já sinalizou seu apoio ao presidente na busca pelo quarto mandato. E, como forma de colaborar para a construção de uma plataforma transformadora, apresentou, nesta semana, o documento “Rumos Soberanos para uma Nova Arrancada do Desenvolvimento”.

Assinada pela Comissão Política Nacional do partido, a contribuição aborda os avanços obtidos no atual mandato e a necessidade do próximo governo de Lula aprofundá-los, a fim de garantir um desenvolvimento ainda mais sustentável, inclusivo, igualitário, soberano e democrático.

As propostas se inserem no processo de construção participativa do programa de governo que está em andamento e que envolve as fundações ligadas aos partidos da aliança, entre as quais a Maurício Grabois, do PCdoB.

“O PCdoB está apresentando uma contribuição própria ao programa do presidente Lula, na qual a questão da soberania nacional é um ponto central. Em torno dele, produzimos uma proposta de desenvolvimento acelerado do País com sustentabilidade ambiental, tendo como centro a reindustrialização; o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação; a valorização do trabalho e a elevação da qualidade de vida do povo”, explica Nádia Campeão, presidenta em exercício do PCdoB.

Leia também: Lula apresenta balanço do governo e programa para 2027-2030

Ao analisar o contexto político atual, no qual a proposta foi desenvolvida e apresentada, Nádia avalia que a disputa eleitoral se dará em condições favoráveis ao governo, abrindo caminhos para uma fase de maior aprofundamento das mudanças necessárias ao país nos quatro anos seguintes.

“O governo vem fazendo o seu trabalho de forma muito positiva, seja por todo o processo de reconstrução nacional pós-Bolsonaro, seja no enfrentamento dos problemas da atualidade”, destaca.

A dirigente comunista salienta que o governo vem procurando interferir e oferecer soluções para questões-chave para a população, entre as quais o endividamento das famílias, os problemas relativos à segurança pública — inclusive a violência contra a mulher — e a alta dos combustíveis em função da guerra no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, diz, o governo tem obtido realizações importantes como a isenção do Imposto de Renda e a luta travada pelo fim da escala 6×1. “Portanto, é um governo muito proativo na cena nacional, inclusive na defesa da democracia e contra a tentativa de golpe”, reforça.

Além disso, lembra Nádia, o governo “vem defendendo, de forma muito corajosa, a nossa soberania, enfrentando todas as ameaças, chantagens e tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump. Em meio a tudo isso, Lula se consolida como uma liderança internacionalmente reconhecida, uma voz em defesa da paz e da autonomia dos povos”.

Considerando esses e outros elementos, o PCdoB acredita que o Brasil não apenas precisa como tem condições dar passos mais largos e firmes para avançar como nação e, ao mesmo tempo, barrar a volta da extrema direita.

“O que propomos, essencialmente, é uma disputa política maior na sociedade para aprofundar os rumos do atual governo e falar de futuro, de novas esperanças, de outro patamar de conquistas, de soberania nacional, democracia e direitos”, explica Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois, um dos responsáveis pela redação do documento elaborado pelos comunistas.

As propostas do partido, acrescenta Sorrentino, “buscam contribuir para a construção de uma rota para um novo mandato de referência, para abrir um novo ciclo histórico de desenvolvimento nacional”.

Vértices para o País avançar

O documento formulado pelo PCdoB procura desenvolver questões centrais para o avanço do Brasil. Por isso, defende o papel estratégico do Estado como “agente de investimento, indução, planejamento e coordenação do desenvolvimento econômico, articulado com o aprofundamento democrático e a valorização do trabalho como motores do progresso”.

Para dar conta desses desafios, os comunistas apontam três vértices. O primeiro é a elaboração de um plano nacional de desenvolvimento a ser formulado nos primeiros meses do novo governo. O segundo diz respeito a uma política sistêmica de reconfiguração produtiva e tecnológica.

O terceiro vértice é o da ciência, tecnologia e inovação, sublinhado como “principal fator de transformação produtiva nas economias contemporâneas”. Nessa área, o PCdoB vem contribuindo diretamente, por meio do Ministério e CT&I, liderado desde 2023 pela presidenta licenciada do partido, Luciana Santos.

Para levar a cabo as transformações de fundo no País, os comunistas defendem, ainda, medidas nos âmbitos financeiro e monetário (entre as quais a queda acentuada da taxa de juros), bem como o aumento e a melhor aplicação dos recursos públicos em áreas de alto impacto social, nas quais o investimento do Estado é imprescindível, como o complexo industrial e de serviços em saúde, mobilidade urbana e adaptação das cidades às mudanças do clima.

Os comunistas também defendem o aprimoramento da alocação do orçamento público. Para isso, destacam que “a medida mais importante é o retorno do valor destinado às emendas parlamentares aos patamares históricos anteriores ao golpe de 2016 e a revogação do caráter impositivo de parte delas”.

O documento propõe, ainda, a elevação da receita pública “por meio da tributação progressiva e proporcional à renda e ao patrimônio dos detentores de grande riqueza”.

Ao mesmo tempo, o partido chama atenção para a necessidade de ações que fortaleçam a defesa do país e de medidas na área da segurança pública para combater o crime organizado e a violência, além de reformas no sistema eleitoral que garantam maior diversidade e mais democracia, e a ampliação de direitos da classe trabalhadora para além da escala 5×2.

Por fim, o PCdoB salienta que o momento atual exige um “novo ciclo histórico de desenvolvimento nacional” e que “com um novo governo Lula, essa possibilidade está posta. “Convertê-la em realidade dependerá de intensas lutas políticas e de ideias que galvanizem a luta unitária de amplas forças sociais e políticas. É uma necessidade que precisamos tornar possível”, enfatiza.

Para ler a íntegra do documento, clique aqui.

*Vermelho


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Brasil Mundo

Falastrão: Trump diz que eleições no Brasil é seu próximo desafio, ‘a potência política da região’

Texto compartilhado por Trump fala em virada à direita no Brasil e mudança no mapa da América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a citar o Brasil em sua rede social ao compartilhar um artigo que coloca a eleição presidencial de 2026 no país como um dos próximos temas de interesse do republicano. O episódio ocorreu dias após Trump afirmar que o Brasil se tornou “um pouco difícil” e “politicamente perigoso”.

A publicação foi feita na plataforma Truth Social e reproduz um texto do site norte-americano Newsmax, que afirma que as atenções políticas agora se voltam para o Brasil, descrito como “a potência política da região”. Segundo o artigo, a próxima disputa presidencial brasileira pode se tornar a mais relevante do hemisfério ocidental.

O texto também lista o Brasil entre os quatro principais “desafios” que ainda estariam no radar de Trump, ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Na análise, a eleição de 2026 já estaria gerando debates sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e sobre a condução do pleito em termos de liberdade e justiça.

Em outro trecho, o artigo afirma que “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente” e sugere que, caso o Brasil “se junte à crescente lista de países que se movem para a direita”, o mapa político da América Latina seria “drasticamente diferente do que era há apenas uma década”.

Confusão em discurso no G7
As declarações se somam a falas recentes em que Trump classificou o Brasil como um país “um pouco perigoso”, feitas após questionamentos sobre encontros com Lula durante a cúpula do G7, na França. Na ocasião, o republicano mencionou de forma incorreta a suposta prisão de “Bolsonaro Júnior”. O presidente americano confundiu Eduardo Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato ao Planalto, além de fazer referência equivocada a uma suposta prisão do deputado, que não ocorreu.

As declarações provocaram reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que Trump “não conhece o Brasil” e criticou o que classificou como possível interferência em assuntos internos do país. “Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, disse Lula.

O presidente brasileiro também saiu em defesa do sistema eleitoral do país e afirmou que os Estados Unidos poderiam “aprender com o Brasil” em termos de organização e tranquilidade nas eleições. “Os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”, afirmou.

Lula ainda reforçou que o processo eleitoral brasileiro é um tema interno. “Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse.

*ICL


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Política

Alvo da PF, Digimais recebeu aval do governo Tarcísio para consignado da PM

Governo de SP autorizou credenciamento em julho de 2025, quando o banco já era alvo de suspeitas durante crise financeira

O banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, recebeu autorização do governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para oferecer crédito consignado aos policiais militares do estado mesmo quando já enfrentava dificuldades financeiras. A informação foi revelada pelo portal UOL. Nesta terça-feira (23) o Digimais se tornou alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraude financeira.

O credenciamento do Digimais para atuar com empréstimos consignados ao funcionalismo público paulista foi publicado em julho de 2025 pela Diretoria de Folha de Pagamento (DFP), órgão vinculado à Secretaria de Gestão e Governo Digital do Estado. O contrato para operações com a Polícia Militar foi firmado em agosto daquele ano e tem validade até fevereiro de 2030.

A autorização permitiu ao banco acessar um mercado potencial de cerca de 80 mil policiais militares da ativa em São Paulo. O crédito consignado se tornou uma das principais frentes de atuação da instituição financeira. Segundo o balanço mais recente citado pela reportagem, a modalidade representava 33% da carteira de crédito do banco, equivalente a R$ 630,1 milhões.

Crise financeira antecedeu autorização
O credenciamento ocorreu em um momento em que o Digimais já enfrentava desafios financeiros. Conforme mostrou o UOL, Edir Macedo precisou realizar um aporte de R$ 250 milhões na instituição em dezembro do ano passado para atender exigências do Banco Central relacionadas à solidez financeira do banco.

Os números mais recentes apontam deterioração dos resultados. No primeiro trimestre deste ano, o Digimais registrou prejuízo de R$ 108,7 milhões. O desempenho contrasta com o lucro líquido de R$ 31,3 milhões divulgado para 2025. Ainda assim, a própria instituição afirmou em seu balanço que os resultados estavam “consistentes e alinhados à nova diretriz estratégica” adotada pelo banco.

Além do aporte para reforçar o caixa, Macedo também desembolsou R$ 741,3 milhões em uma operação envolvendo a compra de cotas do fundo de investimento Hermon por meio da B.A. Empreendimentos e Participações, empresa que controla o Grupo Record e o próprio Digimais.

Operação Miragem investiga supostas fraudes
A transação envolvendo o fundo Hermon está entre os fatos analisados pela Polícia Federal. Segundo as investigações, a operação teria sido utilizada para inflar artificialmente os ativos da instituição financeira.

Nesta terça-feira, a PF deflagrou a Operação Miragem, que apura suspeitas de fraude na administração do banco. Mais de 50 agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em São Paulo.

A decisão judicial também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Ligações políticas e partidárias
O movimento envplve a relação histórica entre o Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas, e a Igreja Universal do Reino de Deus. A legenda teve origem em grupos ligados à denominação fundada por Edir Macedo e é presidida nacionalmente por Marcos Pereira, bispo licenciado da igreja.

Prefeitura de São Paulo também autorizou consignado
Além do governo estadual, a Prefeitura de São Paulo também credenciou o Digimais para operações de crédito consignado junto aos servidores municipais.

Segundo o UOL, a autorização foi formalizada em outubro de 2023 por meio de um termo de adesão publicado pela Secretaria Municipal de Gestão, com validade de dois anos. Não há informação sobre eventual renovação após o encerramento desse prazo.

Em dezembro do mesmo ano, o Hospital do Servidor Público Municipal também credenciou o banco para atuar com cartão consignado, cartão de benefícios e empréstimo pessoal com desconto em folha.

Volume de operações despencou
Apesar das autorizações obtidas junto ao governo estadual e à prefeitura paulistana, o desempenho do crédito consignado no Digimais apresentou forte retração nos últimos meses.

De acordo com informações obtidas pelo UOL junto a executivos envolvidos nas negociações para uma eventual venda da instituição, o volume de operações caiu significativamente após o surgimento de notícias sobre a possível alienação do banco. Fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a demanda por empréstimos entre policiais militares e servidores municipais se tornou “baixíssima”, mesmo após a formalização dos convênios com os órgãos públicos. 247.


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Política

O PGR, Paulo Gonet, dá uma calça arriada em André Mendonça

O PGR, Paulo Gonet, abriu a cova de André Mendonça dando a ele a prerrogativa de investigar ou não o filme “Lavagem de Dinheiro” de Flavio Bolsonaro, também conhecido como Dark Horse.

Claro que isso produziu medo coletivo no fascismo medular, porque Gonet obriga André Mendonça a dar uma cambalhota para, se for a fundo, trairá o clã, se negar o avanço das investigações, ficará nu diante da sociedade brasileira.

Na verdade, o PGR deu-lhe um engasga-gato, e não há como ele insistir na “neutralidade”.

André Mendonça pode manter esse mistério até novembro, depois das eleições, o que não serviria para tirar dos seus ombros e do próprio Flavio a acusação de jogo casado.

Se não aparecer com uma solução do caso, digo, elucidação do destino do dinheiro que Vorcaro entregou a Flavio, como já é sabido de boca própria, em áudio, Mendonça selará a pecha em Flavio de interferir no judiciário e de Mendonça aceitar esse jogo sujo.


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Banco de Edir Macedo é alvo da PF por suspeita de fraude e tem bloqueio de R$ 670 milhões

Operação Miragem apura manipulação de balanços no Digimais, levou ao bloqueio de R$ 670 milhões e tem como base relatórios produzidos pelo BC

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A Justiça Federal de São Paulo autorizou nove mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 670,3 milhões em bens e valores dos investigados.

Mais de 50 policiais federais participam da operação, que também resultou na quebra dos sigilos bancário e fiscal dos alvos. As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal após representação da Polícia Federal baseada em relatórios produzidos pelo Banco Central.

Segundo a investigação, administradores do banco teriam criado mecanismos para ocultar a real situação econômico-financeira da instituição, apresentar resultados artificiais e manter uma aparência de solvência perante os órgãos reguladores e o mercado.

As apurações apontam para a existência de um esquema de manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis, com o objetivo de esconder prejuízos e inflar artificialmente o patrimônio da instituição.

De acordo com a Polícia Federal, a prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas em valores que alcançam centenas de milhões de reais.

Melhora artificial dos indicadores
Os investigadores afirmam que as operações sob suspeita tinham o objetivo de melhorar artificialmente os indicadores patrimoniais do banco e viabilizar operações de captação incompatíveis com a real situação financeira da instituição.

Em um dos trechos da investigação, a PF aponta que a suposta manobra teve “o escopo de inflar artificialmente o patrimônio” do Digimais para permitir a emissão desproporcional de títulos de captação, produzindo, segundo os investigadores, “fortes evidências da prática de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis”.

As investigações indicam que parte do esquema envolvia a inserção de ativos em fundos administrados por empresas ligadas ao grupo financeiro que atua junto ao banco. Segundo a Polícia Federal, essas operações permitiriam a superavaliação sistemática de ativos e a ocultação da deterioração financeira da instituição.

De acordo com Cleber Lourenço, ICL, a PF também apura a realização de operações financeiras supostamente irregulares em benefício da empresa controladora do banco, além da possível manipulação de informações encaminhadas aos sistemas oficiais utilizados pelo Banco Central na supervisão do sistema financeiro.

Segundo os investigadores, relatórios produzidos pelo órgão regulador identificaram graves irregularidades na condução dos negócios da instituição, o que deu origem às apurações criminais.

As investigações alcançam dirigentes ligados ao Digimais, administradores de fundos de investimento e pessoas ligadas à estrutura de controle da instituição.

Edir Macedo é um dos investigados em razão de sua condição de controlador do banco. O líder religioso, no entanto, não foi alvo dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira por estar morando no exterior.

Crescimento e deterioração
A Polícia Federal também aponta que, após a mudança de estratégia do banco para operações de crédito consignado e financiamento de veículos, houve um período de crescimento seguido de uma forte deterioração financeira da instituição.

As apurações indicam ainda que o banco ampliou a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI. Segundo a investigação, a posterior liquidação extrajudicial do Banco Master evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Digimais a carteiras de crédito da instituição.

Para os investigadores, a combinação entre a supervalorização de ativos, a geração artificial de receitas e a ocultação de perdas permitiu que o banco apresentasse uma situação patrimonial mais favorável do que a efetivamente existente.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.


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Lula se irrita com Jaques Wagner no caso Master

Presidente se irrita com suposto envolvimento de Wagner no Caso Master e com explicações dadas pelo senador

O presidente Lula (PT) ficou contrariado com o suposto envolvimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no caso Master, após a Polícia Federal apontar indícios de benefícios relacionados ao Banco Master e ao grupo de Daniel Vorcaro. A crise ganhou força também depois de uma entrevista do senador à BandNews, na qual ele comentou um telefonema recebido do presidente após ser alvo da operação, informa Bela Megale, de O Globo.

Auxiliares de Lula afirmam que dois pontos pesaram de forma especial para ampliar a irritação do presidente. O primeiro foi o fato de Wagner ter garantido a Lula que não havia nada que pudesse comprometê-lo em relação ao grupo de Vorcaro. A investigação da PF, porém, apresentou elementos em sentido oposto, segundo o relato publicado.

O segundo foco de desgaste foi a entrevista concedida por Jaques Wagner à BandNews. De acordo com a apuração, o senador falou sem autorização prévia sobre a ligação que recebeu de Lula após a ação da Polícia Federal. Segundo o 247, na mesma entrevista, Wagner afirmou que não deixaria a liderança do governo no Senado, salvo se o presidente determinasse sua saída, o que gerou constrangimento político ao Palácio do Planalto.

Nos bastidores, a avaliação é que o clima para a permanência de Wagner na liderança ficou deteriorado. Integrantes do PT e de uma ala do governo consideram frágeis as explicações apresentadas pelo senador para rebater as acusações presentes no inquérito policial.


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Ultra retrocesso: Ultradireitista Espriella vence na Colômbia; Cepeda pede impugnação de 33 mil urnas

Contagem inicial aponta vitória apertada de Abelardo de la Espriella

A Colômbia elegeu neste domingo (21) o advogado e empresário Abelardo de la Espriella, candidato da ultradireita, como novo presidente da República. Com 99,9% da apuração preliminar divulgada pela Registraduría Nacional, Espriella obteve 49,66% dos votos (cerca de 12,96 milhões), contra 48,70% de Iván Cepeda, senador de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro e pela coalizão Pacto Histórico. A diferença está em torno de 251 mil votos entre os dois concorrentes.

O resultado representa uma guinada política após o encerramento do primeiro governo progressista da história do país, liderado por Petro entre os anos de 2022 e 2026. Espriella, que nunca havia disputado um cargo eletivo anteriormente, possui um alinhamento ideológico com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — de quem recebeu apoio explícito —, e baseou sua plataforma eleitoral na promessa de aplicar uma política de mão de ferro contra grupos armados, narcotráfico e o crime organizado.

Esquerda questiona apuração preliminar

Mesmo diante da vitória apontada na contagem preliminar, a esquerda colombiana não reconhece o resultado como definitivo. Iván Cepeda anunciou formalmente que sua campanha iniciou o processo de impugnação de cerca de 33 mil mesas de votação em todo o território nacional, sob a alegação de irregularidades.

Ele afirmou que a apuração preliminar não possui caráter oficial ou vinculante e que só aceitará o desfecho após o escrutínio oficial, quando cada mesa contestada for revisada individualmente. “Reconhecemos o resultado da apuração preliminar desta noite como um dado ainda não oficial e sem força vinculante. No entanto, nosso grupo de testemunhas, advogadas e advogados está procedendo à impugnação de 33 mil mesas em todo o país. Cada uma delas deverá ser objeto do escrutínio oficial”, declarou Cepeda publicamente.

O presidente Gustavo Petro também questionou a apuração preliminar. Em postagens nas redes sociais, afirmou que, na condição de presidente, não aceita os resultados da apuração preliminar e cobrou a realização do escrutínio oficial. Petro mencionou possíveis problemas no sistema eletrônico e questionou a legitimidade de eventuais interferências externas. “Nenhum governo estrangeiro legitima resultados eleitorais na Colômbia. A Colômbia deve ser respeitada! Somos livres e soberanos. Vamos aguardar os resultados após o escrutínio oficial”, escreveu o mandatário.

Alinhamento com Trump e reflexos regionais

O resultado consolida a aliança entre a ultradireita colombiana e o governo norte-americano de Donald Trump. Espriella, que possui dupla cidadania e manteve residência estável em Miami por vários anos, recebeu endosso público do presidente dos Estados Unidos, que o qualificou como um líder forte e duro, assegurando que ele terá o apoio total norte-americano.

A vitória de Espriella é vista como um novo capítulo da onda ultradireitista que avança na América Latina, convergindo com os governos de Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador. Para setores da esquerda, o apoio aberto de Trump configura uma ingerência direta nos assuntos internos da Colômbia, ocorrendo em um momento de fragilidade do processo de paz.

Riscos para as negociações de paz

Durante a gestão de Petro, a Colômbia priorizou a chamada política de Paz Total, com tentativas de negociação e acordos com o Exército de Libertação Nacional, dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e outras organizações armadas. Apesar das dificuldades severas e da continuidade da violência em regiões interioranas, o caminho institucional escolhido foi o do diálogo político.

Espriella, por outro lado, defende uma abordagem militarizada e repressiva. Movimentos sociais alertam que a promessa de mão de ferro contra a criminalidade pode paralisar as negociações em andamento, resultando em uma escalada dos conflitos internos, o que setores progressistas classificam como o início de uma fase de retrocesso para a solução política do conflito histórico do país.

Com a posse presidencial prevista para o dia 7 de agosto, o novo mandatário assume uma sociedade profundamente dividida. O Pacto Histórico já sinalizou que prepara contestações jurídicas e mobilizações sociais, mantendo o desfecho em aberto até a conclusão do escrutínio oficial pelas autoridades eleitorais.


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Política

Flávio Bolsonaro teve um segundo encontro com Vorcaro

Revela O Globo

Até então, apenas a reunião realizada no fim de novembro de 2025 entre o presidenciável do PL e o banqueiro era conhecida.

Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro não se reuniram presencialmente apenas uma vez, como relatou o presidenciável do PL. Os dois tiveram ao menos mais um encontro, no primeiro semestre de 2025 em uma mansão alugada pelo banqueiro em Brasília. A revelação foi feita pelo colunista Lauro Jardim, em O Globo.

Até então, apenas a reunião realizada no fim de novembro de 2025 era conhecida. Nesta ocasião, Flávio foi à residência de Vorcaro, em São Paulo. Segundo a explicação dada pelo senador, ele teria ido à casa de Vorcaro para “dar um ponto final” nos contatos entre os dois. O filho 01 pediu R$ 134 milhões para viabilizar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Vorcaro chegou a repassar R$ 61 milhões.

A conversa conversa ocorrida no primeiro semestre de 2025 não teve testemunhas, diz o colunista do Globo.

O imóvel citado na reportagem era usado para receber diferentes convidados ligados ao meio político e institucional — inclusive o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, informa Lauro Jardim.

Inicialmente, Flávio negou que Vorcaro tivesse injetado dinheiro na produção de “Dark Horse”, mas após reportagem do site Intercept com áudios em que ele conversava com o dono do Banco Master sobre o assunto, teve que admitir o fato. O deputado Mario Frias, produtor do filme, também negou a princípio e depois teve que reconhecer a injeção de dinheiro de Vorcaro. Até agora, Frias não apresentou a prestação de contas de “Dark Horse”, ao contrário do que havia prometido.

O filme tem enfrentado dificuldades para avançar na etapa de distribuição e exibição, segundo informações publicadas recentemente por veículos da imprensa.

*ICL


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