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Site mostra onde é possível buscar votos para Lula virar contra Flávio no segundo turno

Plataforma independente cruza dados públicos do TSE, permite pesquisar endereços e aponta locais de votação com maior concentração de abstenções, brancos, nulos e votos em candidatos que ficaram fora da disputa

Em uma eleição decidida por uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos no primeiro turno, uma iniciativa independente resolveu transformar os dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um mapa para mostrar onde ainda há eleitores em disputa no segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O site “Onde dá pra conversar” permite que o usuário informe onde mora, trabalha ou estuda, ou escolha diretamente um ponto no mapa, para identificar locais de votação próximos em que há maior número de votos potencialmente disponíveis para Lula.

A ferramenta não pertence à campanha do presidente, ao PT ou à coligação. Segundo a própria plataforma, trata-se de uma iniciativa independente e voluntária, feita pela MACAPE Pesquisas e Consultoria em Tecnologia Ltda., com conteúdo sob responsabilidade de Matheus C. Pestana.

Na página inicial, o projeto resume sua proposta: “Tem gente perto de você que pode fazer esse resultado virar”.

Como funciona o mapa
O sistema cruza os resultados do primeiro turno, seção por seção, com o cadastro dos locais de votação do TSE.

Entram no cálculo eleitores que não compareceram às urnas, votaram em branco ou nulo e aqueles que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno, além da distribuição geográfica dessas votações.

A ferramenta exibe os pontos em um mapa do Brasil e permite pesquisar por bairro, cidade ou rua. A partir daí, mostra a dimensão do eleitorado que, segundo sua metodologia, ainda poderia ser disputado naquela região.

Na atualização exibida pelo site, baseada em 496.784 boletins de urna, a plataforma calculava 47.913.428 votos que poderiam ser disputados em todo o país e apontava 26.857 locais de votação nos quais apenas a soma de abstenções, votos brancos e nulos seria suficiente, segundo seus cálculos, para alterar o resultado local considerado pela ferramenta.

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O próprio projeto ressalta que os números vêm dos boletins de urna publicados pelo TSE e do cadastro oficial dos locais de votação.

Para calcular as abstenções, compara quantas pessoas estavam aptas a votar em cada urna com o número de eleitores que efetivamente compareceram.

Dados agregados e voto continuam secretos
Apesar do grau de detalhamento geográfico, a ferramenta não identifica eleitores individualmente nem revela em quem uma pessoa votou.

Os dados eleitorais utilizados são agregados por seção.

Segundo a Forum, é possível saber, por exemplo, quantos votos Lula, Flávio Bolsonaro ou outro candidato recebeu em determinada urna, assim como o número de abstenções, brancos e nulos, mas não quem deu cada voto.

O site informa também que não solicita nome, e-mail ou telefone de quem sinaliza que pretende realizar uma conversa em determinada região.

Ao clicar em “Vou conversar por aqui”, o mapa apenas registra mais uma pessoa naquela área, numa tentativa de distribuir os voluntários por diferentes locais.

A iniciativa foi inspirada no projeto “Como meus vizinhos votam”, que também utiliza dados eleitorais para mostrar a distribuição dos votos por local de votação.

Ferramenta também compara propostas
O projeto não se limita ao mapa.

Há uma seção dedicada a orientar conversas com diferentes segmentos do eleitorado, incluindo quem não foi votar, votou em branco, anulou o voto ou escolheu Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema no primeiro turno.

No caso dos candidatos eliminados, o site coloca lado a lado trechos de seus programas de governo e do programa de Lula registrado no TSE, destacando pontos que considera semelhantes.

Entre os temas comparados estão educação integral, saúde mental, segurança pública, digitalização da saúde, prontuário eletrônico, filas do SUS e saneamento.

A plataforma disponibiliza as referências dos programas e as páginas de onde foram retirados os trechos apresentados.

“Olho no olho e nas redes”
O “Onde dá pra conversar” também apresenta uma espécie de roteiro de organização para quem pretende participar da mobilização eleitoral.

A orientação é consultar o mapa, formar grupos voluntários, dividir tarefas, conversar pessoalmente e atuar nas redes sociais.

Ao mesmo tempo, a página chama a atenção para limites da legislação eleitoral.

Orienta, por exemplo, a não adicionar pessoas sem consentimento a grupos de WhatsApp, não realizar disparos em massa e não pagar pelo impulsionamento de publicações.

A plataforma informa ainda que a mobilização de rua deve se encerrar às 22h de 24 de outubro, véspera do segundo turno.

No domingo (25), dia da votação, a orientação é não realizar campanha ou abordagem de eleitores.

A aposta do projeto é transformar a enorme quantidade de dados produzidos pelas urnas em uma pergunta mais concreta para a militância de Lula nesta reta final: não apenas quantos votos são necessários para virar a eleição, mas onde eles podem estar.


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Brasil Mundo

CIA planta histórias pró-Flávio para influenciar eleição, diz ex-agente dos EUA

Ex-agente diz que indício segue padrão da CIA de tentar influenciar eleições no exterior

A CIA estaria agindo nos bastidores da eleição no Brasil, plantando histórias para favorecer Flávio Bolsonaro e criar uma narrativa positiva para o senador.

As revelações são de John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos. No começo da semana, ele foi às redes sociais para denunciar o que ele aponta ser um indício “crível” do envolvimento da agência de espionagem na eleição brasileira.

Nesta terça-feira, em seu podcast, ele deu mais detalhes. “Ouvi um rumor de um ex-colega meu da CIA, neste fim de semana, que a agência está ativamente trabalhando nos bastidores para apoiar Bolsonaro”, afirmou.

“E a forma que estão agindo é plantando histórias pro-Bolsonaro tanto na imprensa brasileira como imprensa internacional”, alegou.

Sem apresentar provas, ele foi cuidadoso em dizer que “não sabe” se essa versão é verdadeira. Mas pondera que a atitude vai na linha da atuação da agência ao longo de anos.

“Há uma longa história do envolvimento da CIA em eleições no exterior, controlando a narrativa midiática”, disse.

Ele destaca que muitos na imprensa brasileira saíram ao apoio de Bolsonaro. “Isso apesar do fato de que a presidência de Jair Bolsonaro ter sido um erro atrás de erro”, afirmou.

O ex-agente destacou como o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, citando supostamente uma atitude “incrivelmente corrupta”.

Para Kiriakou, as projeções para o segundo turno não são favoráveis para Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que a direita já obteve uma das maiores vitórias de sua história no Brasil. “Lula deve perder a eleição e acho que o jovem Bolsonaro vai perdoar o pai”, estimou.

Ele também destacou como Donald Trump já endossou a candidatura de Flávio e admitiu como isso seria uma “violação das regras internacionais”.

No início da semana, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Lula há três anos. Nesta terça-feira, ele explicou que foi um assessor do presidente que entrou em contato, para que Lula pudesse conversar sobre transparência no governo.

Na conversa, segundo o ex-agente, um dos temas foi a violência policial no governo de Jair Bolsonaro. O americano afirmou que sugeriu que Lula lidasse com essa realidade e que isso teria levado o setor policial a se voltar contra ele.

Quem é o agente?
Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.

Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.

Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.

O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.

Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Preocupante: PL rejeita acordo com STF e já mira impeachment de Moraes e Dino

O PL decidiu rejeitar qualquer acordo político com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e passou a discutir a apresentação de um pedido de impeachment contra ele no Senado em 2027. A sigla também coloca o ministro Flávio Dino entre os possíveis alvos da ofensiva.

Integrantes do partido avaliam que sinais atribuídos a ministros vistos como próximos ao governo poderiam abrir uma negociação envolvendo a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. A direção partidária, porém, não pretende vincular essas questões a uma trégua com Moraes.

O movimento ocorre após a defesa de Bolsonaro protocolar um novo pedido de revisão criminal. O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, indicou que pretende levar o processo a julgamento depois do segundo turno.

O ex-presidente Michel Temer também entrou nas conversas políticas por ter manifestado apoio a Flávio Bolsonaro antes de outros candidatos derrotados e partidos. Temer indicou Moraes ao STF em 2017 e mantém interlocução com o ministro e com a família Bolsonaro.

PL calcula votos para processo contra Moraes no Senado
De acorco com o DCM, dentro do PL, há preferência por uma apuração no próprio STF sobre a relação de Moraes com o empresário Daniel Vorcaro, com eventual afastamento do ministro durante as investigações. Caso essa alternativa não avance, a legenda pretende concentrar esforços no Senado a partir de 2027.

Nos cálculos do partido, 49 senadores apoiariam o impeachment de Moraes. Para alcançar os 54 votos necessários à condenação e à perda do cargo, o grupo afirma que precisaria conquistar mais cinco votos.

Flávio Dino poderá entrar na mesma estratégia, a depender da atuação que o PL espera do ministro diante de uma eventual vitória eleitoral de Flávio Bolsonaro. A legenda considera que Dino pode se tornar alvo de pedido de impeachment caso avance em apurações que, na visão do partido, questionem o resultado das urnas.

Entre as preocupações citadas por dirigentes estão investigações sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras e procedimentos sigilosos relacionados ao uso de emendas parlamentares. O PL avalia incluir Dino na ofensiva caso essas frentes tenham novos desdobramentos.


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Política

Grupo de Flávio Bolsonaro quer impedir discussão de hoje sobre o fim da 6×1 no Senado

O movimento é revelador: quando a pauta é melhorar a vida de milhões de trabalhadores, o bolsonarismo aparece para colocar obstáculos. A PEC que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas começa a ser discutida nesta terça-feira (6) no Senado.

E não é a primeira vez. Em setembro, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que uma articulação de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, havia contribuído para impedir o avanço da proposta no plenário.

Agora, às vésperas do segundo turno, a tentativa de retardar a discussão ganha um significado ainda maior. Marinho invoca as cinco sessões de discussão previstas para PECs, enquanto evita responder diretamente se houve tentativa de convencer Davi Alcolumbre a não pautar a matéria.

A questão é simples: quem trabalha seis dias para descansar um está pedindo mais do que discurso — está pedindo tempo para viver. A proposta prevê duas folgas semanais e manutenção do salário. Para ser aprovada, precisará de pelo menos 49 votos no Senado em cada turno.

O problema, para o grupo de Flávio, é que o fim da 6×1 transforma uma promessa eleitoral em uma conquista concreta. E é justamente aí que a máscara cai: enquanto tenta se apresentar como defensor do trabalhador, o bolsonarismo se movimenta no Congresso para dificultar uma mudança que pode significar mais descanso, mais convivência familiar e mais qualidade de vida.

Não é apenas uma disputa sobre calendário legislativo. É uma escolha política: acelerar uma conquista histórica dos trabalhadores ou empurrá-la para depois da eleição.


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Política

Kassio Nunes quer julgar soltura de Bolsonaro após 2º turno e avalia libertar ex-presidente com liminar

Senador Flávio Bolsonaro (PL) prometeu indulto ao ex-presidente caso vença o segundo turno contra Lula (PT)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques quer julgar logo após o segundo turno da eleição a ação que pede a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), independentemente de quem for o vencedor da disputa presidencial.

O magistrado avalia libertar Bolsonaro por meio de uma decisão liminar, mas o cenário mais provável é de que o caso (um pedido de revisão criminal feito pela defesa do ex-presidente) seja levado ao plenário da corte.

Kassio tem dito a auxiliares que vê uma série de “exageros” na ação da trama golpista conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, pela qual Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Bolsonaro cumpre a sentença em regime domiciliar.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) prometeu indulto ao ex-presidente caso vença o segundo turno contra Lula (PT). Porém, como só terá essa prerrogativa depois de eventualmente empossado, ele conta com uma decisão do ministro para subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado do pai.

Em maio, durante um evento da pré-campanha no Paraná, Flávio disse querer “fazer justiça” com o ex-presidente. “Ele vai subir aquela rampa junto com a gente em 2027”, projetou. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu o mesmo durante uma live feita com o senador em setembro.

A interlocutores Kassio afirma que o pedido de revisão criminal feito pela defesa de Bolsonaro já está pronto para ser julgado, mas que ainda não liberou o processo para não ser acusado de interferir nas eleições -o ministro é o atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Kassio afirmou a um auxiliar que já refletiu sobre sua posição e concluiu que houve excessos no julgamento de Bolsonaro -por exemplo, em relação ao amplo direito de defesa e ao rigor da pena aplicada.

O ministro disse a essa pessoa próxima que sanções políticas não existem no Código Penal e que seu voto ou sua liminar serão capazes de causar uma “comoção nacional”, pois há muitos elementos sobre a tramitação da ação a serem contestados.

A decisão pode desencadear uma nova crise interna no Supremo, que já vem dividido desde o início do ano na esteira das investigações sobre o Banco Master, com ministros se acusando mutuamente de atuação com viés político.

Embora Kassio tenda a dar razão aos advogados, há uma ala no Supremo que discorda da revisão criminal: os ministros que já votaram pela condenação: Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Eles ainda têm o apoio de Gilmar Mendes.

A avaliação é a de que esse tipo de pedido só pode ser admitido em casos excepcionais -por exemplo, quando surge um fato novo que comprove a inocência do réu ou quando há evidências de que a condenação ocorreu com base em depoimentos ou documentos falsos, o que não se aplicaria ao caso.

Já André Mendonça e Luiz Fux, que votou pela absolvição de Bolsonaro no julgamento, devem acompanhar o relator para rever a pena do ex-presidente. A dúvida recai sobre a posição do ministro Dias Toffoli e a do presidente do STF, Edson Fachin.

Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a rejeição do pedido de revisão criminal. De acordo com o PGR, a condenação definida pela Primeira Turma do Supremo foi baseada em um “vigoroso conjunto probatório”.

Gonet afirmou que o ex-presidente não teve uma postura passiva, mas se envolveu em uma articulação concreta para gerar um ambiente propício à violência e ao golpe de Estado, culminando nos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro.

“O controle da maquina publica, a instrumentalização de recursos do Estado e a manipulação de suas funções foram usados para fomentar a radicalização e a ruptura da ordem democrática”, disse o procurador-geral.

Os advogados de Bolsonaro pedem a anulação da sentença e dizem ser necessária “a reparação do erro judiciário”. Eles alegam falta de individualização das condutas (identificação de quem fez o quê) e prejuízo à defesa, além de defenderem que o julgamento deveria ter ocorrido no plenário, e não na turma.

*ICL


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Não, as inúmeras mentiras de Flávio Bolsonaro não colaram. Elas foram estrategicamente retiradas de circulação pela grande mídia

Essa é a diferença que precisa ser explicitada. Não houve uma súbita descoberta da verdade por parte do eleitorado, nem um esclarecimento exemplar promovido pelos grandes veículos de comunicação. O que houve foi algo muito mais conveniente: as mentiras foram perdendo espaço à medida que deixavam de servir à narrativa construída para favorecer Flávio Bolsonaro.

O que ontem ocupava manchetes, chamadas, comentaristas e horas de televisão simplesmente desapareceu. Perguntas incômodas foram substituídas por outras. Contradições foram empurradas para o rodapé. Declarações falsas deixaram de ser confrontadas. E aquilo que deveria permanecer no centro do debate eleitoral foi convenientemente soterrado pelo próximo assunto fabricado pela agenda da mídia.

É assim que funciona a blindagem sofisticada: não é preciso provar que o candidato disse a verdade; basta impedir que o público continue lembrando que ele mentiu.

Flávio Bolsonaro não precisou necessariamente vencer a batalha da narrativa. Em muitos momentos, bastou que seus adversários midiáticos parassem de cobrar explicações. A memória do eleitor foi sendo disputada pela própria avalanche de notícias produzida pelos mesmos veículos que, anteriormente, davam enorme destaque às declarações do candidato.

Mas há um problema nessa estratégia: o eleitor pode até esquecer uma manchete, mas não necessariamente esquece a sensação de que alguma coisa não fecha.

As mentiras não colaram porque eram frágeis. E desapareceram da grande mídia porque continuar insistindo nelas poderia produzir justamente o efeito contrário ao pretendido: transformar contradições em perguntas permanentes, perguntas em desconfiança e desconfiança em rejeição.

Portanto, não confundam silêncio editorial com absolvição eleitoral.

As mentiras de Flávio Bolsonaro não foram desmentidas pela grande mídia; foram simplesmente retiradas de cena. E esse silêncio, por si só, diz muito mais sobre a imprensa que as apagou do que sobre a credibilidade de quem as contou.


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Ex-espião dos EUA diz que há evidência de ação da CIA na eleição brasileira

John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos, foi às redes sociais para denunciar um suposto indício do envolvimento da agência de espionagem americana na eleição brasileira.

Ele promete novas relevações ao longo da semana e, pelo menos por enquanto, não apresentou qualquer prova que sustente sua denúncia.

Inicialmente, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Bolsonaro há três anos.

“Conversei com o presidente Bolsonaro há três anos, quando ele era candidato. Receio ter subestimado o poder do populismo nesta disputa atual. Ele vai perder. E há evidências confiáveis ​​de que a CIA está envolvida”, afirmou.

Instantes depois, ele foi às redes sociais para publicar uma correção.

“Uma correção aqui: minha conversa foi com LULA, não com Bolsonaro. (Para esclarecer, a CIA está potencialmente intervindo a favor de Bolsonaro, não de Lula). Explicações e mais detalhes sobre a eleição presidencial do Brasil sairão amanhã no programa *Briefing Room*, de John Kiriakou”, indicou.

Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.

Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.

Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.

O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.

Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.

*Jamil Chade/ICL


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Por que Flávio Bolsonaro, mesmo 1,87 ponto à frente de Lula, perdeu o primeiro turno — e perderá o segundo

Flávio Bolsonaro pode até ter terminado o primeiro turno com 1,87 ponto percentual de vantagem sobre Lula, mas há uma verdade política que esse número não consegue esconder: ele ganhou a apuração, mas não ganhou a eleição.

E essa diferença é fundamental.

Flávio teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Foram cerca de 2,2 milhões de votos de diferença. Só que, para vencer no primeiro turno, era necessário ultrapassar a barreira de 50%. Não ultrapassou. Portanto, a suposta “vitória histórica” que seus aliados tentam vender terminou exatamente onde começa a verdadeira disputa: no segundo turno.

Flávio Bolsonaro não derrotou Lula. Flávio apenas chegou à frente de Lula na primeira etapa de uma eleição que continua aberta.

E há algo ainda mais importante: o segundo turno não será disputado entre Flávio e Lula contra os outros candidatos. Será disputado entre Flávio e Lula diante de todo o eleitorado brasileiro.

É aí que começa o problema para o candidato do PL.

Os votos de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Zema e dos demais candidatos agora entram em uma disputa completamente diferente. Somados, os candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam milhões de votos. Esses eleitores não pertencem a Flávio — e tampouco pertencem automaticamente a Lula. Serão disputados.

Mas existe uma diferença brutal entre os dois projetos.

Lula tem uma trajetória política própria. Flávio carrega o peso inteiro do sobrenome Bolsonaro.

E o sobrenome que o levou a 47% também pode ser exatamente o que o impede de chegar aos 50% mais um.

Flávio não está disputando apenas contra Lula. Está disputando contra a memória política do bolsonarismo, contra a rejeição acumulada pela família Bolsonaro e contra a necessidade de convencer uma parcela do eleitorado que votou em outros candidatos de que ele seria capaz de governar o país para além da guerra permanente contra o PT.

No primeiro turno, o voto antipetista funcionou como uma gigantesca âncora eleitoral. No segundo turno, porém, o eleitor precisa escolher quem quer colocar no Palácio do Planalto.

E aí aparece a fragilidade de Flávio.

Porque uma coisa é votar em Flávio para impedir Lula de vencer no primeiro turno. Outra, muito diferente, é entregar a ele quatro anos de Presidência da República.

É exatamente por isso que o resultado do primeiro turno pode ser enganoso.

Flávio conseguiu ampliar o desempenho do bolsonarismo em relação a Jair Bolsonaro em 2022. Mas Lula também continua com uma base eleitoral gigantesca: mais de 53,8 milhões de votos no primeiro turno.

E existe outro dado politicamente devastador para a narrativa de uma suposta “onda Flávio”: a diferença entre os dois foi de apenas 1,87 ponto — a menor distância entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.

Isso não é uma avalanche.

É uma eleição absolutamente aberta.

E, quando a eleição chega ao segundo turno, a lógica muda.

Flávio terá de ampliar sua votação. Lula também. Só que Flávio precisa transformar um voto essencialmente bolsonarista e antipetista em uma maioria nacional. Precisa conquistar eleitores que não votaram nele. Precisa reduzir sua rejeição. Precisa convencer o centro. Precisa falar com quem não quer mais viver em permanente estado de guerra política.

E é justamente aí que o candidato Bolsonaro encontra seu maior obstáculo: para vencer, ele precisa deixar de ser apenas Bolsonaro.

Mas como fazer isso carregando Bolsonaro no sobrenome, Bolsonaro na campanha, Bolsonaro na identidade política e Bolsonaro como principal referência eleitoral?

É a contradição central da candidatura.

Lula, por outro lado, entra no segundo turno podendo apresentar uma narrativa muito mais simples: governar versus radicalizar; reconstrução versus conflito; experiência versus aventura.

Não se trata de dizer que a vitória de Lula está matematicamente garantida — não está. O resultado do primeiro turno prova justamente que a disputa será dura.

Mas há uma diferença fundamental entre estar na frente por 1,87 ponto e ter uma maioria consolidada capaz de vencer o segundo turno.

Flávio não tem essa maioria.

E é por isso que sua “vitória” no primeiro turno pode acabar sendo lembrada como aquilo que realmente foi: uma vitória de etapa, não uma vitória de projeto.

O primeiro turno mostrou que o bolsonarismo continua forte.

O segundo turno terá de mostrar se ele é forte o suficiente para governar o Brasil.

E essa é uma pergunta muito mais difícil de responder.

Flávio pode ter chegado em primeiro.

Mas, politicamente, a eleição começou de verdade agora.


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Política

Na tentativa de derrubar Lula, mídia apodrecida dá cobertura ao fascismo

A velha e apodrecida mídia não precisa declarar apoio explícito à extrema direita, ao fascismo para cumprir esse papel. Basta tratá-los como uma força política “normal”, apresentar seus representantes como candidatos comuns e fabricar uma falsa equivalência entre quem defende a democracia e quem ameaça as instituições e quer transformar o Brasil num caos.

É assim que o extremismo deixa de ser apresentado como extremismo. O discurso autoritário vira “opinião”; o golpismo vira “polarização”; a ameaça à democracia vira apenas mais uma “posição política”.

Na reta final da eleição, o que está em jogo não é simplesmente a preferência editorial de três grandes veículos, O Globo, Folha e Estadão, é algo muito maior: a tentativa de moldar o eleitorado para transformar a extrema direita em alternativa legítima e, ao mesmo tempo, desgastar Lula a qualquer custo.

Quando a imprensa naturaliza o fascismo, o banditismo para derrotar Lula, ela deixa de ser apenas espectadora da disputa política e passa a fazer parte dela.

A democracia não pode ser defendida colocando fascistas e democratas no mesmo plano.


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