Categorias
Mundo Política

A derrota histórica de Trump que perde o controle do Congresso

Dois anos depois de chegar ao poder nos EUA e tentar redesenhar a democracia americana e a ordem mundial, Donald Trump sai humilhado das urnas. Nesta terça-feira, a eleição de meio de mandato deu aos democratas a maioria dos assentos – e portanto, o controle – tanto da Câmara dos Deputados como do Senado, numa derrota retumbante para o republicano.

A dimensão da vitória dos Democratas não era esperada nem mesmo pela oposição. Em declarações à Fox News, Trump admitiu que a guerra no Irã e a alta nos preços dos combustíveis contribuíram para a derrota. Ele indicou que irá aceitar os resultados da eleição.

Ainda que a contagem possa levar dias para ser concluída, os democratas conquistaram a maioria das vagas no Senado em estados tradicionalmente republicanos. Nem os US$ 500 milhões colocados por Elon Musk para apoiar os aliados de Trump foram suficientes para deter a ira dos eleitores contra os republicanos.

No Kansas, a última vez que os democratas tinham eleito um senador foi há quase cem anos.

O democrata James Talarico venceu uma disputa no Texas, na maior derrota para os Republicanos nas eleições deste ano. Trata-se ainda da primeira vez que um democrata conquista uma cadeira no Senado dos EUA pelo Texas desde 1988. “Acabamos de provar que todo o dinheiro do mundo não é páreo para o povo do Texas”, disse ele, numa referência aos milhões que Elon Musk despejou para eleger os republicanos pelo país.

O mesmo tom foi usado em outros estados. Josh Turek, senador eleito pelo Partido Democrata em Iowa, classificou sua vitória inesperada para muitos como prova do poder da maioria sobre a riqueza concentrada de poucos. “Provamos que o impossível era possível. Superamos os bilionários na votação”, disse.

Muçulmano, indígena, gay e latinos
Mas não foi apenas no controle do Congresso que a população deu uma resposta ao governo Trump.

Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed foi eleito senador. Ele será o primeiro muçulmano a ocupar o cargo.

No Novo México, a democrata Deb Haaland foi eleita governadora. Ela será a primeira mulher indígena a alcançar o posto no país.

No Texas, a democrata Gina Hinojosa será a primeira governadora hispânica.

Em Winsconsin, o democrata David Crowly foi eleito o primeiro governador negro da história do estado.

Em New Hampshire, o democrata Chris Pappas foi o eleito para o senado. Ele será o primeiro homossexual declarado a assumir o cargo.

Keisha Lance Bottoms será a primeira governadora negra da Geórgia e a primeira governadora negra na história dos EUA.

Latinos punem Trump
Um dos aspectos mais destacados da eleição foi a rejeição dos latinos em relação a Trump, em grande parte por conta de sua política de deportação. Segundo o New York Times, os condados com maioria de população hispânica registraram uma queda de mais de 22 pontos percentuais em oposição aos candidatos republicanos ao Senado, em comparação com a eleição presidencial de 2024.

“No Kansas e no Texas, as oscilações foram drásticas. Condados com maioria de população hispânica no Kansas deslocaram-se 45 pontos percentuais em direção à esquerda, enquanto, no Texas, a mudança foi de quase 36 pontos percentuais”, indicou a previsão do jornal.

Impeachment, Flávio Bolsonaro e tarifas
Agora, com o controle completo do Congresso, os democratas poderão frear os planos de Trump para os próximos dois anos — e até abrir processo de impeachment.

Não se descarta que, para o caso do Brasil, os democratas também abram investigações sobre como Flávio Bolsonaro foi autorizado a entrar no país ou como tarifas foram impostas sobre os bens brasileiros.

“Uau! Uau! Agora, contra todas as expectativas, nós, democratas, conquistamos o Senado”, declarou o líder da minoria, Chuck Schumer, em Washington, D.C. “Temos cinco palavras para o povo americano: o alívio está a caminho.” Eles ainda venceram em Maine, Carolina do Sul e Iowa.

Outro impacto da vitória será a capacidade dos democratas de barrar nomeações feitas por Trump para seu gabinete ou para o judiciário federal — incluindo a Suprema Corte.

Até o começo da manhã desta quarta-feira, os democratas somavam 53 cadeiras no Senado, contra 41 dos republicanos. Mesmo na Flórida, onde os republicanos venceram, a candidata Ashley Moody reconquistou seu mandato por uma pequena margem. Para o partido Republicano, trata-se de um recado duro das urnas.

Brasil vê chance de nova relação com Trump
Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a aposta é que a vitória dos democratas possa reequilibrar a relação de força de Donald Trump em seu avanço na América Latina e na ingerência no Brasil.

Desde 2025, o Brasil vem sofrendo medidas de sanções, tarifas e mesmo a fuga de Flávio Bolsonaro, com a ajuda dos EUA. Ao longo dos meses, porém, tanto o governo brasileiro como atores independentes costuraram uma relação de proximidade com senadores e deputados democratas, tentando criar uma aliança e expor as violações por parte de Trump.

O objetivo era ainda o de permitir que, a partir de 2027, Lula possa ter mais espaço para manter sua política externa independente, tanto na relação com potências como na construção de canais pragmáticos com os demais governos na América Latina.

Foram pelo menos dez manifestações e cartas por parte dos democratas, cobrando a Casa Branca por atitudes perturbadoras no Brasil, inclusive durante o processo eleitoral do país. Nos bastidores, deputados progressistas no país e observadores viajaram até Washington para apresentar a situação brasileira a congressistas americanos.

Apenas na última semana, por exemplo, quase 30 deputados democratas enviaram uma carta para o secretário de Estado Marco Rubio cobrando explicações sobre qual teria sido o papel do governo Trump na fuga de Flávio Bolsonaro.

Até agora, porém, os democratas eram minoria no Congresso americano. Isso significava que, mesmo fazendo pressão, não tinham votos suficientes para estabelecer comissões de inquérito ou transformar suas queixas em ações concretas contra Trump.

Uma situação diferente pode ser criada a partir de agora. Não se descarta, por exemplo, que a fuga de Flávio Bolsonaro se transforme em uma comissão de inquérito.

Outra expectativa do governo brasileiro é de que uma maioria democrata represente também um freio às medidas comerciais de Trump pelo mundo. Pelas regras nos EUA, a política comercial é prerrogativa do Congresso.

No governo Lula, a expectativa é de que a eleição dos democratas se transforme em uma mudança na relação. Há uma coincidência de agendas. O Brasil busca interromper o avanço americano na região, enquanto os democratas querem usar as propostas de diplomacia de Trump como um sinal do caminho perigoso que sua política externa vem tomando.

Com uma nova correlação de forças, Lula espera abrir uma relação pragmática com a Casa Branca. A avaliação em Brasília é de que os EUA são um parceiro “inescapável” e que o melhor caminho que pode ser tomado pela diplomacia nacional é a busca por acertos em áreas de interesse comum.

*Jamil Chade/ICL


Compartilhe, curta e apoie o Antropofagista via Pix com qualquer valor: 65725972704 ou 24981274823


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

Lula gabaritou na PEC da Segurança

Hoje (03/11) o Senado aprovou em 2 turnos — 73 e 75 votos, zero contra.

O que é:

  • SUSP vira regra constitucional. União coordena, estados e municípios executam.
  • PF e PRF ganham mais poderes. Fundo nacional passa a repassar 50% obrigatório pros estados. Fim de regime brando pra chefe de facção.
  • Abre caminho pro *Ministério da Segurança Pública*.

Como gabaritou:
Oposição tentou colar redução da maioridade (14 e 16 anos) na PEC. Governo articulou o *fatiamento*: aprovou a PEC limpa e mandou a maioridade pra outra PEC separada. Evitou voltar pra Câmara e garantiu a promulgação.

Lema novo: “Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão”.


Compartilhe, curta e apoie o Antropofagista via Pix com qualquer valor: 65725972704 ou 24981274823


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

Em vitória do governo, Senado aprova PEC da Segurança Pública

Mais cedo, plenário decidiu votar a PEC sem discutir redução da maioridade penal. Aprovação abre caminho para presidente Lula criar Ministério da Segurança Pública.

O Senado aprovou em dois turnos a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública nesta terça-feira (3). O texto segue para promulgação.

A proposta foi aprovada por 73 votos favoráveis no primeiro turno e por 75 votos e nenhum contra no segundo.

Para ser aprovada, uma PEC precisa ter ao menos três quintos dos votos favoráveis nas duas votações. Ou seja, precisa contar com o apoio de 49 senadores.

Mais cedo, o plenário decidiu que iria votar a proposta sem apreciar os destaques, do PL e do PT, que tratam da redução da maioridade penal.

A proposta do PL era para a maioridade penal diminua para 16 anos em casos de crimes de menor gravidade, e para 14 anos nos hediondos;

A proposta do PT reduziria a maioridade para 16 anos apenas para crimes hediondos, mantendo para os demais.

Na prática, o Senado Federal aprovou dois requerimentos que encaminha as duas emendas apresentadas tramitem de forma separada da PEC da Segurança Pública no Senado.

Antes do segundo turno das eleições, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a PEC e o plenário chegou a pautar o tema para votação. No entanto, a análise foi adiada por causa de um impasse entre governo e oposição sobre a diminuição da maioridade penal.

O governo indicou que é a favor de discutir a redução da maioridade para 16 anos em caso de crimes hediondos. Mas quer que essa discussão seja feita em uma PEC própria que já está em análise na Câmara.

Esse é o primeiro teste do governo depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições. A estratégia é aprovar o texto ainda neste ano e evitar a análise com uma maioria de senadores do PL a partir de 2027.

A PEC da Segurança Pública é considerada prioritária para o governo de Lula, que pretende, após a aprovação, criar o Ministério da Segurança Pública.

O plenário do Senado aprovou em outubro um calendário especial para quebrar o interstício – período previsto no regimento interno do Senado que prevê cinco sessões de debate antes da votação da proposta em primeiro turno, mais cinco dias úteis e três outras sessões de debate para a votação do segundo turno.

Sistema Único de Segurança Pública
A proposta estabelece na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), cujo objetivo é integrar o combate ao crime organizado entre os entes.

De acordo com o texto, União, Estados e Distrito Federal poderão criar leis na área de segurança pública, incluindo forças-tarefa intergovernamentais, organização das polícias e guardas municipais e do sistema socioeducativo.

Outro ponto central da PEC da Segurança Pública é sobre o combate a crimes violentos e facções criminosas.

Entre as medidas estão a obrigatoriedade de prisão em estabelecimento penal de segurança máxima ou de natureza especial.

Também fica proibida ou restringida a progressão de regime, a concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança, e de saída temporária.

A PEC também permite a expropriação de todo e qualquer bem, direito ou valor econômico envolvido com as atividades criminosas. As regras valem para organizações criminosas, paramilitares e de milícia privada.

*G1


Compartilhe, curta e apoie o Antropofagista via Pix com qualquer valor: 65725972704 ou 24981274823


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

Vorcaro enviou mensagem “secreta” a Flávio um dia antes de ser preso; entenda

O banqueiro Daniel Vorcaro enviou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dia antes de sua prisão, uma mensagem em que relatou ter mandado duas parcelas de uma quantia e enfrentava dificuldade para concluir a transferência. A informação é da coluna de Cézar Feitoza no UOL.

“Ta muito dificil mas vamos vencer. Se eu passar da semana que vem ai resolvemos tudo em seguida”, escreveu.

Flávio havia enviado duas fotos de visualização única e cobrado uma resposta do empresário: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Vorcaro respondeu com uma imagem de visualização única pelo WhatsApp, e o senador escreveu “Amém!” no minuto seguinte.

O conteúdo da resposta foi recuperado a partir do log do iPhone 17 Pro de Vorcaro. Ele digitou o texto no aplicativo Bloco de Notas, fez uma captura de tela e mandou a imagem pelo WhatsApp; depois, apagou a anotação. Um PDF temporário gerado pelo aparelho e os metadados do celular permitiram reconstituir a mensagem.

O envio ocorreu às 15h52 de 16 de novembro de 2025, nove segundos após a captura da tela. Vorcaro estava em Brasília, havia chegado à residência no Lago Sul e aguardava um encontro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

PF investiga destino de recursos ligados ao filme “Dark Horse”
A sequência de conversas indica que as parcelas mencionadas tratavam do financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro e sua chegada à Presidência. Vorcaro assinou contrato para aportar R$ 132 milhões em 14 parcelas, mas fez sete repasses que somaram R$ 67 milhões antes da prisão.

A Polícia Federal investiga se os recursos foram usados na produção audiovisual ou tiveram outra destinação. A apuração reúne suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

Em novembro de 2025, Flávio enviou a Vorcaro mensagens sobre o filme e tentou falar com ele por telefone nos dias 13, 14 e 15. No dia 7, o senador mandou um vídeo de visualização única e afirmou que tudo aquilo só era “possível por causa de vc!”.

As mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, reunidas pela PF em relatório encaminhado ao STF por determinação do ministro André Mendonça, apontam que o banqueiro já temia uma ação policial. Em uma delas, pediu que um possível ato contra ele e o Banco Master fosse adiado: “Se o Andrei conseguir atrasar pra putra semana, pois tem feriado, o banco nao quebra.” DCM.

Os recursos e o dono deles bateram asas e voaram.


Queridos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuar criando conteúdo de qualidade e mantendo esse projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com qualquer valor. Curta e compartilhe. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

Apoie o ANtropofagista hpje com qualquer valor

O apoio dos nossos leitores via PIX, é fundamental para manter a independência e a qualidade do jornalismo.

O Antropofagista valoriza a liberdade de expressão e o compromisso com a verdade, sem influências externas que possam comprometer a imparcialidade das notícias.


Apoie com qualquer valor
PIX: 65725972704 e 24981274823
Agradecemos aos nossos leitores


 

Categorias
Política

Ou o Brasil acaba com as Bets, ou as Bets acabam com o Brasil

Vamos falar sem rodeio. As Bets são a nova crackolândia digital. Entraram nas casas pela tela do celular, vestidas de “aposta esportiva”, “joguinho” e “diversão”, mas o que fazem é moer salário, moer família e moer futuro.

O mercado chama de “setor”. Nós chamamos do que é: agiotagem legalizada, cassino na palma da mão, vício patrocinado por influencer e narrado por comentarista de futebol.

Enquanto o governo tenta taxar o pão do povo, as Bets sonegam bilhão, lavam dinheiro e compram o horário nobre. Compraram time, compraram campeonato, compraram até a fé do povo trabalhador que acha que vai ficar rico com um clique.

Não vai.

O que tem por trás de cada “ganhei 5 mil no Tigrinho” são cem famílias que perderam o aluguel, o botijão, o dinheiro da feira. É o pai que apostou o Bolsa Família. É o jovem que se endividou no agiota porque o aplicativo prometeu “cashback”.

Não é liberdade econômica. É predação.

Ou o Brasil regula, taxa pesado, proíbe propaganda e fecha a torneira dessa máquina de triturar pobre, ou daqui a cinco anos não vai sobrar nem time de futebol sem logo de aposta, nem família sem alguém viciado.

Ou o Brasil acaba com as Bets. Ou as Bets acabam com o Brasil.

Chega de fazer de conta que isso é negócio normal. Não é. É sangria.


Compartilhe, curta e apoie o Antropofagista. Via Pix com qualquer valor: 65725972704 ou 24981274823


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

FMI projeta o Brasil como a 8° economia do mundo. E agora, como fazem as redações?

A mídia corporativa apostou suas fichas políticas em Flávio Bolsonaro e, diante do resultado das urnas, parece ter encontrado no terrorismo econômico uma espécie de plano B. Sem conseguir transformar seu candidato em alternativa política, passou a vender a imagem de um Brasil à beira do abismo, como se a economia brasileira estivesse permanentemente na bacia das almas.

O problema é que existe um inconveniente nessa narrativa: os números e as projeções internacionais precisam ser considerados.

O próprio FMI, tantas vezes tratado como autoridade incontestável quando suas projeções servem para alimentar o pessimismo sobre o país, estima que o Brasil chegará a 2027 como a oitava maior economia do planeta, com um PIB de aproximadamente US$ 2,8 trilhões, ultrapassando Itália e Rússia.

E agora? Vão contestar o FMI? Vão descobrir que o oráculo econômico deixou de ser confiável justamente quando apresenta números que não combinam com o roteiro de catástrofe?

O Brasil tem problemas reais, desafios fiscais e obstáculos estruturais que precisam ser enfrentados. Mas uma coisa é fazer crítica econômica; outra, bem diferente, é transformar cada dificuldade em anúncio de apocalipse.

A pergunta que fica para os barões da mídia é simples: se o Brasil está tão acabado quanto vocês anunciam, como explicar que o FMI projete o país entre as oito maiores economias do mundo?

Parece que, depois da derrota política, a velha mídia ainda não conseguiu se reconciliar com a realidade econômica.

E o pior para ela é que o FMI não lê editorial de O Globo para fazer suas projeções.


Queridos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuar criando conteúdo de qualidade e mantendo esse projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com qualquer valor. Curta e compartilhe. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

Fux prioriza convidados pró-bets em audiência no STF; governo defenderá proibição das apostas

Ao menos 22 dos 34 expositores chamados pelo ministro já defenderam a derrubada da MP que proibiu apostas no Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (3) audiência pública sobre a Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa, as bets, em todo o país. Dos 34 representantes convidados pelo ministro Luiz Fux, ao menos 22 já se manifestaram contra a medida. Fux é relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que pede a derrubada da MP.

O desequilíbrio aparece na própria ordem do dia. Toda a manhã, das 10h10 às 12h40, está reservada a entidades esportivas. Falam 11 clubes de futebol, entre eles Flamengo, Corinthians, São Paulo e Cruzeiro, além da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Paralímpico do Brasil. Dois dos clubes inscritos, o Botafogo e o Guarani, estão em recuperação judicial. Os clubes têm usado a preocupação com a saúde financeira para defender as bets. A posição é criticada por torcedores.

À tarde, falam a Advocacia-Geral da União (AGU), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os ministérios da Fazenda, do Esporte, da Justiça e Segurança Pública e da Saúde. Em seguida vêm entidades do comércio, da indústria e do setor de apostas, como o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Cada expositor tem dez minutos. O cronograma completo foi divulgado pelo STF.

Ampliação a pedido da AGU
A lista original tinha 28 entidades, e 20 delas já haviam defendido publicamente a derrubada da MP. A AGU contestou a composição. “O total dos atores convocados parece formar um quadro predominantemente integrado por entidades esportivas (11) e representantes de operadoras de apostas (6), composição que […] pode vir a dificultar a vocalização equilibrada das diversas correntes de opinião”, argumentou o órgão em manifestação ao ministro.

Fux aceitou incluir os ministérios da Saúde e da Justiça e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na mesma decisão, porém, também convocou o Comitê Paralímpico, a Fenapaf e o Grêmio. Entidades de saúde e de defesa do consumidor que falaram na audiência de 2024, como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Instituto Alana, não estão na lista. Ao justificar a escolha, o relator lembrou aquela audiência. “Os impactos sanitários e consumeristas já são de conhecimento desta Corte”, escreveu Fux no despacho.

O próprio ministro já se posicionou contra o modelo de negócio das apostas. Em agosto, ao votar em processo sobre a Lei de Contravenções Penais, ele afirmou que a exploração de jogos de azar extrai lucro “a partir da incapacidade cognitiva do sujeito de fazer uma avaliação dos riscos envolvidos em sua decisão”. “Não há um direito fundamental, constitucionalmente protegido, à exploração de jogos de azar”, declarou na ocasião. O julgamento está suspenso por pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Impacto social
Entre os defensores da proibição, a Abras deve apresentar ao STF, às 15h10, o estudo que associa o fim das bets ao aumento das compras de comida. Segundo a entidade, a venda de alimentos subiu 6,5% entre 5 e 11 de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025, e 6,3% na semana seguinte, com alta em supermercados, atacarejos e mercearias. O crescimento se concentrou em itens básicos, como arroz, óleo, macarrão e café.

A Abras também cita dados do Banco Central que apontaram queda de 10% nas transações via Pix logo após a proibição, recuo que hoje estaria em 7%. O presidente da entidade, João Galassi, avalia que parte do dinheiro antes gasto em apostas migrou para a compra de alimentos, mas reconhece que ainda não é possível cravar a causa do crescimento.

O efeito das apostas sobre o orçamento das famílias também deve ser levado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na audiência de 2024, a CNC apresentou estudo que atribuiu às bets a inadimplência de 1,3 milhão de brasileiros naquele ano, sobretudo entre quem ganha até três salários mínimos. A entidade e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apoiam a MP.

Na saúde, a AGU reuniu números de órgãos técnicos do Ministério da Saúde. Os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) ligados ao transtorno do jogo cresceram 140% entre 2018 e 2025, e a AGU estima em R$ 30,6 bilhões anuais os custos sociais das apostas na saúde. Especialistas ouvidos pelo BdF apontam a relação entre as apostas, o endividamento e o adoecimento mental.

Decisão fica para depois
A audiência não define o destino das bets. Ela serve para reunir subsídios ao relator, que ainda vai analisar o pedido de suspensão da MP.

No Congresso, a medida anunciada pelo governo Lula em setembro ainda depende de aprovação para virar lei. Até a última sexta-feira (30), a comissão mista que analisa o texto não tinha sido instalada. A MP passa a trancar a pauta em 9 de novembro. A proibição tem respaldo da população. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que 75% dos brasileiros defendem o fim das apostas on-line.

*BdF


Queridos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuar criando conteúdo de qualidade e mantendo esse projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com qualquer valor. Curta e compartilhe. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Mundo Política

O Texas já não é porto seguro para os Bolsonaro

A possível virada à esquerda no Texas acende um sinal de alerta para Eduardo e Flávio Bolsonaro. O que parecia ser um refúgio confortável para o clã, protegido pela proximidade com a extrema direita americana e pela influência política do trumpismo, pode estar entrando em uma nova realidade.

O problema é que o bolsonarismo apostou todas as fichas na ideia de que os Estados Unidos seriam uma espécie de retaguarda internacional para suas aventuras políticas. Transformou o trumpismo em referência, tratou a política americana como extensão de seus interesses e imaginou que estaria sempre protegido pelo ambiente conservador norte-americano.

Agora, com as eleições americanas colocando em xeque a hegemonia republicana, o Texas, historicamente identificado como um dos grandes bastiões conservadores dos Estados Unidos, também dá sinais de mudança. Pesquisas apontam o democrata James Talarico à frente na disputa pelo Senado, enquanto outras corridas eleitorais se tornaram muito mais competitivas do que os republicanos esperavam.

Pesquisa da AtlasIntel realizada entre 28 de outubro e 1º de novembro, com 1.678 entrevistados, aponta Talarico com 51,3% das intenções de voto, contra 45,4% de Paxton. A vantagem é de 5,9 pontos percentuais, com margem de erro de dois pontos.

Para Eduardo e Flávio Bolsonaro, a notícia tem um significado que vai além das urnas americanas. Afinal, o refúgio político imaginado pelo clã pode deixar de oferecer o ambiente de tranquilidade ideológica que tanto lhe agradava.

É mais uma peça do tabuleiro internacional que começa a escapar das mãos da extrema direita. Depois da derrota de Flávio para Lula, o bolsonarismo ainda precisa lidar com a possibilidade de perder sustentação justamente no território que transformou em referência de sua devoção política.

O Texas pode não virar de uma hora para outra, mas uma coisa já está clara: nem mesmo os antigos redutos da direita americana estão imunes ao desgaste do trumpismo.

O clã Bolsonaro está descobrindo que não existe exílio político capaz de congelar a história. E que até o Texas pode deixar de ser abrigo para quem apostou todas as fichas no fascismo.


Queridos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuar criando conteúdo de qualidade e mantendo esse projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com qualquer valor. Curta e compartilhe. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1

Siga-nos no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?

Categorias
Política

Militantes criam ‘Tinder do Exército do Lula’ no WhatsApp para paquera na esquerda

Paquera acontece em grupos, separados por DDD, onde todos podem conversar — cabem até 1.024 pessoas por vez

Lula (PT) nunca criou o Ministério do Namoro. A pasta fictícia nasceu de um meme na campanha de 2022, mas o petista entrou na brincadeira e, já presidente, chegou a pedir desculpas por não ter cumprido a promessa. Coube à militância colocar a ideia em prática e distribuir os solteiros interessados em grupos, por DDD.

Batizado de “Tinder do Exército do Lula”, o projeto foi anunciado ao meio-dia de terça-feira (27) em canal de WhatsApp. A missão do primeiro dia era uma só: recrutar.

“A brincadeira só fica legal com mais soldades de Lulinha”, escreveu a página, que à tarde já sugeria um tema para engajar: se Flávio Bolsonaro (PL) tinha ou não fugido do país — após o pleito, o senador deixou o Brasil com a mulher e as filhas em um jato privado.

O sistema funciona em duas etapas. No canal, só os administradores publicam, e os seguidores apenas recebem os avisos e os convites. A paquera acontece nos grupos, separados por DDD, onde todos podem conversar — e onde cabem até 1.024 pessoas por vez.

Os primeiros grupos foram criados na noite de terça, para Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Vieram em seguida Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Antes das 20h, já estavam lotados.

“Estamos contratando moderadores. Vamos contar com a paciência de vocês”, avisou o “ministério”.

Entrar, porém, ainda não significava conversar. “Tropa! Entrem nos grupos e aguardem!”, orientou o canal. Os grupos só seriam abertos para mensagens às 10h do dia seguinte. “Descansem, soldadinhes do amor. Beijos revolucionários.”

Na quarta (28), Recife, Curitiba, Belém, Fortaleza, Campinas e Ribeirão Preto ganharam grupos, com a mesma convocação: “Entre antes que ele lote”.

Nos já abertos, começaram as apresentações. A Folha acompanhou a movimentação no de Curitiba. Muitas mensagens seguem uma ficha padronizada, com emojis: nome, idade, orientação sexual, pronomes, o que busca, se o privado está “aberto” e o perfil no Instagram.

Na noite de quarta, uma mulher de 34 anos se dizia fã de café e vinho e avisava que dificilmente daria conta de acompanhar o grupo: “Se tiver interesse pode chamar no privado”.

Já um morador de Londrina contou ter dois empregos e cursar duas faculdades, o que chamou de “o terror dos que bebem detergente” — provocação a bolsonaristas que, em maio, saíram em defesa da Ypê depois que a Anvisa suspendeu a fabricação e o uso de lotes da marca.

No grupo, um autodeclarado paulistano de 47 anos já se antecipava a eventuais críticas: “votei no Aécio pro governo de MG – não me julguem”. Na ficha, que incluía campos para drogas e álcool, respondeu que não curte surubas.

Entre uma apresentação e outra, os flertes se desdobravam. Uma participante divulgou um grupo paralelo para pessoas com mais de 30 anos “marcarem uns rolês que realmente saiam do WhatsApp”. Outro quis saber se os colegas já se organizavam em algum partido político. E um terceiro resumiu as expectativas: “Se não desencalhar aqui, pode fechar o porto que o navio não vem mais”.

Segundo o canal, ao menos três grupos serão abertos por dia. A ordem de lançamento ficou a cargo dos seguidores, convidados a votar no DDD da sua cidade nos comentários da página do Instagram namoro.gov.br, que originou o canal.

Em menos de quatro horas, o canal tinha 5.000 “soldades do flerte”. Na manhã seguinte, saudava a “tropa mais tesuda e gostosa da esquerda”, próxima aos 30 mil. Horas depois: “Atingimos 40k de delícias revolucionárias. O amor voltou! O tesão voltou!”. Neste domingo (1), ultrapassava 58 mil seguidores — e já havia ao menos 15 grupos formados para as trocas de mensagens.

O vocabulário não é casual. Cada mensagem do canal reproduz o manual do deputado André Janones (Rede-MG), que transformou o canal “Exército do Lula” no quartel-general digital da campanha petista no segundo turno.

O “urgente” acompanha Janones desde 2018, quando se elegeu na esteira de vídeos para caminhoneiros em greve. O “explode”, que viralizou nas madrugadas desta eleição, “surgiu pronto” em sua cabeça, segundo disse à Folha. A “missão” era o formato das tarefas que distribuía aos apoiadores, como coordenar postagens e impulsionar buscas contra o adversário.

Funcionou. Criado em abril, o “Exército do Lula” tinha cerca de 50 mil membros até o primeiro turno e passou de 10,8 milhões na véspera da eleição, segundo o deputado. Lula, que havia terminado a primeira rodada atrás de Flávio, virou a disputa e foi reeleito no domingo (25).

Mesmo a mecânica foi copiada. No “Exército do Lula”, as missões tinham prazo; no Ministério do Namoro, a urgência vem da escassez: “São apenas 1.024 vagas. Explode esse convite para os seus amigos”.

A piada, no entanto, é anterior. O perfil do Instagram, que se apresenta como extraoficial e tem 75 mil seguidores, existe desde 2023. A primeira publicação, com um vídeo de Lula, avisava: “O Ministério do Namoro está sendo montado. Aguardem!”.

Nos meses seguintes, o perfil cobrou a pasta nos cem dias de governo, lançou o fictício programa Meu Crush Minha Vida para o Dia dos Namorados e criou o “Lula da Sorte”, duende que traria um amor em menos de três meses a quem o compartilhasse.

Com a campanha de 2026, o humor encontrou um galã. Depois que um manifestante mascarado e sem camisa viralizou no ato pró-Lula na avenida Paulista, em 11 de outubro, e foi apelidado nas redes de “a picanha que o Lula prometeu”, o perfil anunciou ter acesso à “ficha amorosa” do “Petista Misterioso”.

Na mesma publicação, informou que o presidente procurava para chefiar a pasta alguém de perfil celibatário, para evitar conflito de interesses. E prometeu: “Vai ter Ministério do Namoro no Lula 4”.

Passada a eleição, a tropa ganhou outra frente de batalha, e a conquista de território continua. Diante dos limites do WhatsApp, seguidores sugeriram migrar os grupos para o Facebook. O canal tratou a ideia como mais uma ofensiva: “Seria mais um território do bolsonarismo que invadiríamos? Já resgatamos a bandeira, a camisa amarela, só falta o Facebook”.

*ICL


Queridos leitores

Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuar criando conteúdo de qualidade e mantendo esse projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com qualquer valor. Curta e compartilhe. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 65725972704 e Pix: 24981274823. Agradecemos seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/G5ZN457hFHwFBCVZSvRgZ7?mode=gi_t

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista1