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Dino manda bloquear até R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por indicação de emendas

Ministro do STF afirma que foram identificadas pelo menos 21 emendas empenhadas e pagas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares. A decisão é de 6 de julho e tornou-se pública neste domingo (12).

O ex-presidente da Câmara é alvo da mesma investigação que bloqueou R$ 119 milhões do presidente do PL, o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto por indicação irregular de emendas.

A indicação de emendas é uma prerrogativa de deputados e senadores em exercício. Mas a Polícia Federal identificou que Eduardo Cunha, que é ex-deputado, “dispõe dos serviços de MARIANGELA FIALEK e da liberalidade política para destinar recursos conforme seus interesses, em sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato”.

De acordo com o ICL, as medidas ocorrem após uma representação da PF que é desdobramento da chamada “Operação Transparência”, realizada em dezembro do ano passado e que teve a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, a Tuca, como alvo.

“Como dito, se na primeira etapa da Operação Transparência já se tinha por muito delineada ausência de controle na distribuição desses valores em emendas, o aprofundamento das investigações passou a delimitar situações claras de desvio desses valores a partir da figura de TUCA. A extração e análise de dados do aparelho de MARIÂNGELA FIALEK indica a existência de um arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas, no qual EDUARDO COSENTINO DA CUNHA, desprovido de mandato, aparece como vetor relevante de definição e remanejamento de emendas”, diz trecho da decisão de Dino.

A decisão do ministro Dino afirma ainda que, “das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 6,15 milhões, que foram empenhadas e pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para escamotear o verdadeiro solicitante da indicação.”


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Política

Não se esqueçam, Michelle e Eduardo Bolsonaro lideraram a ala mais radical da tentativa de golpe do 8 janeiro

Não se esqueçam de um fato que muitos tentam apagar da memória coletiva: Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro foram apontados pelo tenente-coronel Mauro Cid como integrantes da ala mais radical do entorno bolsonarista após a derrota eleitoral de 2022. Segundo seu relato às autoridades, eles estariam entre os que mais pressionavam Jair Bolsonaro a rejeitar o resultado das urnas e a adotar medidas de exceção para impedir a posse do presidente eleito.

Enquanto o país assistia à transição democrática prevista pela Constituição, setores do bolsonarismo alimentavam teorias conspiratórias sobre fraude eleitoral, desacreditavam as instituições e incentivavam a mobilização de grupos que não aceitavam o resultado das eleições. O ambiente político criado por essa radicalização não surgiu do nada: foi construído por meses de ataques ao sistema eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal e às regras básicas da democracia.

Por isso, quando se fala nos acontecimentos que culminaram nos atos de 8 de janeiro, é impossível ignorar o papel desempenhado por figuras que ajudaram a insuflar a narrativa de que a eleição deveria ser contestada a qualquer custo. A tentativa de reescrever essa história, apresentando alguns de seus protagonistas como meros espectadores dos acontecimentos, não resiste aos fatos já conhecidos.

Potanto, não permitam que a conveniência política reescreva a história. Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro passaram anos alimentando a ala mais radical do bolsonarismo, difundindo discursos de confronto contra as instituições, desacreditando o sistema eleitoral e estimulando a narrativa de que uma derrota nas urnas só poderia ser resultado de fraude.

Após as eleições de 2022, quando a maioria dos brasileiros esperava uma transição pacífica e democrática, o núcleo mais extremista do bolsonarismo intensificou a pressão por medidas de ruptura institucional. Segundo o relato de Mauro Cid às autoridades, Michelle e Eduardo, figuravam entre os mais alinhados com essa estratégia de enfrentamento. Não se tratava de simples divergência política ou de contestação jurídica de resultados eleitorais. O que estava em jogo era a tentativa de manter vivo um movimento que se recusava a aceitar a soberania do voto popular.

O ataque às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, não nasceu espontaneamente. Foi o desfecho de uma campanha sistemática de desinformação, radicalização e hostilidade contra a democracia. Durante anos, lideranças bolsonaristas trabalharam para convencer seus seguidores de que as instituições eram inimigas do povo, que as eleições eram suspeitas e que apenas uma intervenção de força poderia “salvar” o país. O resultado dessa semeadura foi colhido naquele domingo vergonhoso que entrou para a história como uma das maiores agressões à ordem democrática brasileira.

Agora, diante do desgaste político e jurídico que cerca aquele episódio, alguns tentam reconstruir suas biografias públicas como se fossem personagens periféricos ou meros espectadores dos acontecimentos. Não eram. Estavam no centro do movimento político que insuflou a desconfiança nas urnas, atacou adversários, desacreditou instituições e criou o ambiente que tornou possível a tentativa de ruptura.

A memória é um obstáculo para os que apostam no esquecimento. Por isso é importante recordar, sempre que necessário, quem ajudou a construir a narrativa golpista, quem incentivou a radicalização e quem apostou no caos quando a democracia exigia responsabilidade. O Brasil tem o dever de seguir em frente, mas não tem a obrigação de esquecer. E muito menos de absolver politicamente aqueles que contribuíram para levar o país à beira do abismo institucional.


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Política

Empresários usam anúncios para sustentar Alcolumbre após engavetamento da PEC 6×1

A reação do empresariado à paralisação da PEC que põe fim à escala 6×1 revela que a disputa sobre a jornada de trabalho está longe de ser apenas um debate técnico. Entidades empresariais passaram a financiar campanhas publicitárias nas redes sociais para defender o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após as críticas recebidas por manter a proposta longe da pauta de votação.

A iniciativa expõe uma realidade conhecida da política brasileira: quando interesses econômicos relevantes se sentem ameaçados, a pressão não se limita aos corredores do Congresso. Ela se espalha pelas redes sociais, pelos anúncios patrocinados e pelas campanhas de convencimento cuidadosamente planejadas para moldar a opinião pública.

A PEC do fim da escala 6×1 ganhou apoio popular justamente por tocar numa das questões mais sensíveis da vida do trabalhador brasileiro: o direito ao descanso, à convivência familiar e a uma rotina menos sacrificante. Em vez de responder a essa demanda social com debate transparente e votação aberta, setores empresariais parecem ter optado por investir recursos na construção de uma narrativa destinada a justificar o adiamento indefinido da proposta.

Não há irregularidade em defender posições políticas ou econômicas. O problema surge quando o poder financeiro passa a exercer influência desproporcional sobre um debate que afeta milhões de trabalhadores. Enquanto empregados enfrentam jornadas exaustivas e têm pouca capacidade de pressionar o sistema político, grupos econômicos dispõem de recursos para impulsionar campanhas, contratar publicidade e amplificar suas vozes em escala nacional.

A movimentação também reforça a percepção de que o engavetamento da PEC atende mais aos interesses de determinados setores empresariais do que ao interesse público. Se a proposta é ruim, que seja derrotada pelo voto e pelo debate. Se possui falhas, que seja aperfeiçoada. O que não parece razoável é mantê-la indefinidamente na gaveta enquanto campanhas financiadas por empresários trabalham para transformar a obstrução legislativa em ato de responsabilidade.

Quando o dinheiro entra em campo para defender quem impede o avanço de uma pauta trabalhista de amplo apelo popular, a pergunta inevitável é: quem está sendo representado nesse debate — os milhões de trabalhadores afetados pela escala 6×1 ou os setores econômicos que lucram com sua manutenção?


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Investigações do crime organizado chegam cada vez mais perto do pré-candidato do clã e podem fazê-lo desistir da disputa

Segundo Merval Pereira, O Globo, “Conexões pessoais” no Rio ameaçam candidatura de Flávio Bolsonaro. PL avalia substituição.

Em artigo publicado na edição deste domingo (12) de O Globo,  Merval Pereira, afirma que a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro pode ser inviabilizada antes mesmo de sua oficialização pelo PL, diante do avanço das investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. Confira trechos:

A escolha de Flavio pareceu um erro no início, mas consolidou-se quando ficou claro que uma maioria da direita estava sendo levada para o extremismo da famiglia, tornando-se refém do populismo radical que elevou Bolsonaro a líder antiesquerdista. A fraqueza intrínseca de Flavio, porém, revela-se insuperável, além de seu telhado de vidro. (…)

Tudo indica que ele pode ser inviabilizado como candidato à Presidência até mesmo antes de chegar a ser indicado pelo PL, pois as investigações do crime organizado no Rio de Janeiro chegam cada vez mais próximas a suas conexões pessoais. Uma análise da gestão interina do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio e interventor no governo do Estado do Rio de Janeiro, destaca que o estado há muito tempo está refém de um grupo político que vem se revezando no poder através do uso da máquina pública. Está sendo demonstrado agora que essa máquina era baseada na corrupção. (…)

Mais uma vez no Rio de Janeiro estamos diante de exemplo que vem de cima. Desde o pequeno desvio, até a corrupção em alto nível, tudo faz com que o Estado não produza bem-estar para a população. Ao contrário, quando, como agora, há um governo que planeja o futuro e varre a corrupção, há avanços. O senador Flavio Bolsonaro, indicam as investigações, está envolvido diretamente nesse esquema criminoso que dominava o governo do Estado do Rio, e por isso está tendo dificuldades para montar sua própria chapa no Estado. Os candidatos ao Senado foram todos inviabilizados pelas ações policiais. O presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, candidato em potencial ao governo do Estado, é do mesmo grupo que está sendo investigado, e provavelmente não terá a oportunidade de assumir o governo interino. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nos próximos dias pela impossibilidade de realizar-se duas eleições no período de três meses, permanecendo o presidente do Tribunal de Justiça na interinidade até a eleição. (…)

*DCM


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Política

Kakay diz que Bolsonaro deve ser preso por carta em defesa da candidatura de Flávio

Segundo criminalista, estratégia busca provocar reação de Alexandre de Moraes e transformar decisão judicial em disputa política

carta manuscrita de Jair Bolsonaro em apoio à pré-candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abriu uma nova frente de tensão entre o grupo político do ex-presidente e o Supremo Tribunal Federal (STF). Para o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, a divulgação do documento pode representar uma violação das medidas cautelares impostas pela Corte.

A manifestação ocorreu após Flávio Bolsonaro apresentar, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais neste sábado (11), uma carta assinada pelo pai. No texto, Jair Bolsonaro pede que aliados deixem diferenças de lado, declara apoio ao filho e o chama de “porta-voz”.

Kakay citou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu Bolsonaro de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros, para divulgar mensagens, vídeos ou manifestações.

Segundo o advogado, ao transmitir a carta durante uma live, Flávio Bolsonaro teria servido como instrumento para a divulgação de uma mensagem política do ex-presidente.

“Obviamente o candidato Flávio Bolsonaro ao ler a ‘carta’ do presidiário Bolsonaro sabe que está descumprindo a determinação do Supremo”, afirmou Kakay.

Para o criminalista, a iniciativa representa uma tentativa de confronto político com o Judiciário e uma estratégia para provocar uma reação do STF.

“É um ato político de um senador candidato que sempre desrespeitou o Supremo. Este ato visa uma resposta do ministro Alexandre de Moraes determinando a prisão na Papuda do Bolsonaro por descumprimento óbvio da medida imposta pelo Supremo”, declarou.

Kakay avaliou ainda que a divulgação da carta demonstra, em sua visão, uma situação de fragilidade política do grupo bolsonarista.

“Demonstra desespero e um enfrentamento político, mais uma vez, com o Judiciário”, disse.

A carta foi divulgada em meio às dificuldades internas enfrentadas pelo PL para consolidar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. No documento, Jair Bolsonaro pede unidade aos aliados e afirma confiar no filho como seu representante político.

A defesa de Bolsonaro e seus aliados ainda não se manifestaram sobre a avaliação feita pelo advogado. Forum.


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Império decadente: Rubio convida Brasil para reunião nos EUA sobre suposto “terrorismo de extrema-esquerda”

Encontro convocado pelo governo Trump pretende reunir representantes de mais de 60 países, mas objetivos da iniciativa geram dúvidas entre aliados e autoridades ocidentais

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, convidou ministros e autoridades de alto escalão de mais de 60 países, incluindo o Brasil, para uma reunião dedicada ao que o governo norte-americano chama de “ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema-esquerda”. O encontro está previsto para ocorrer em 16 de julho, na sede do Departamento de Estado, em Washington.

As informações foram publicadas originalmente pela Sputnik Brasil, com base em reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, documentos oficiais e relatos de autoridades ocidentais. A participação brasileira no grupo de países convidados também foi confirmada pelo portal g1 junto ao Ministério das Relações Exteriores e ao Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A reunião foi convocada pela administração do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera organizações e movimentos classificados como de extrema-esquerda uma ameaça relevante à segurança nacional e internacional. A maior parte dos países europeus, importantes nações da América Latina e governos asiáticos, como Índia, Indonésia e Cingapura, teriam recebido o convite.

Segundo o chamado “documento conceitual” preparado para orientar o encontro, a reunião ministerial discutirá o “ressurgimento do terrorismo político” e formas de ampliar a cooperação internacional nas áreas de inteligência, segurança pública e aplicação da lei.

O documento, citado pelo The Washington Post, afirma que a atenção estará concentrada principalmente em “terroristas de extrema-esquerda” que estariam “cada vez mais recorrendo à violência organizada e letal para promover seus objetivos políticos”.

Brasil está entre os países convidados
De acordo com o g1, o Brasil figura entre os países sul-americanos convidados para a reunião. A informação teria sido confirmada tanto pelo Itamaraty quanto pelo governo norte-americano.

O texto fornecido não informa se o governo brasileiro aceitou o convite nem qual autoridade poderia representar o país no encontro. O prazo solicitado pelos Estados Unidos para que os governos respondessem ao chamado terminou na sexta-feira, 10 de julho.

O convite foi enviado com poucos dias de antecedência, circunstância que provocou críticas e dúvidas entre representantes estrangeiros. Algumas autoridades afirmaram que seria improvável a presença de ministros das Relações Exteriores ou do Interior, devido à agenda diplomática já programada para o período.

Outros governos teriam questionado os motivos da convocação e a prioridade atribuída pelo governo Trump ao chamado terrorismo de esquerda, uma vez que não consideram essa ameaça central em suas próprias políticas de segurança.

Iniciativa desperta preocupação entre aliados
A proposta norte-americana gerou preocupação entre alguns aliados europeus e analistas independentes, que não compartilham necessariamente da avaliação de que exista um avanço coordenado do terrorismo transnacional de extrema-esquerda.

Representantes de países estrangeiros ouvidos pelo The Washington Post descreveram os objetivos do convite como pouco claros. Também houve questionamentos sobre a definição dos grupos que poderiam ser enquadrados como terroristas ou extremistas.

Dentro do próprio governo dos Estados Unidos, algumas autoridades demonstraram receio de que a iniciativa possa fazer parte de um esforço mais amplo para empregar instrumentos antiterrorismo contra ativistas e movimentos políticos domésticos considerados de esquerda.

Uma autoridade da administração Trump afirmou ao jornal norte-americano que alguns funcionários dos Estados Unidos decidiram não comparecer ao encontro. A identidade e os cargos desses servidores não foram informados.

A principal preocupação mencionada é que conceitos associados ao combate ao terrorismo possam ser aplicados de maneira abrangente, atingindo movimentos sociais, organizações políticas ou manifestantes que não estejam envolvidos em atividades violentas.

Governo Trump concentra discurso no Antifa
A reunião deverá abordar especialmente o movimento Antifa, expressão usada para identificar grupos e militantes antifascistas que atuam de maneira descentralizada em diferentes países.

O governo Trump tem associado o Antifa à violência política e ao extremismo de esquerda. Entretanto, autoridades e especialistas divergem sobre a possibilidade de tratar o movimento como uma organização transnacional estruturada, com comando centralizado e atuação coordenada.

A iniciativa do Departamento de Estado ocorre em meio à tentativa do governo norte-americano de construir uma agenda internacional voltada ao combate de grupos classificados pela Casa Branca como extremistas de esquerda.

A convocação de mais de 60 países demonstra que Washington pretende conferir caráter multilateral a essa política, estimulando o intercâmbio de dados de inteligência e a cooperação entre órgãos policiais.

Ao mesmo tempo, as dúvidas manifestadas por governos convidados revelam que não existe consenso internacional sobre a dimensão da ameaça descrita pela administração Trump nem sobre os critérios que serão utilizados para identificar pessoas ou organizações suspeitas.

Reunião anterior ocorreu em Haia
No final de maio, o Departamento de Estado já havia organizado uma reunião sobre o Antifa e o chamado terrorismo de esquerda em Haia, nos Países Baixos.

Segundo duas pessoas familiarizadas com o encontro ouvidas pelo The Washington Post, a reunião reuniu autoridades de segurança pública e de combate ao terrorismo, principalmente de países europeus.

Uma das fontes afirmou que o governo holandês se recusou a coorganizar o evento. Diante da negativa, a reunião foi realizada na Embaixada dos Estados Unidos em Haia.

O episódio reforçou as diferenças de avaliação entre o governo norte-americano e alguns de seus parceiros europeus. Para parte dos aliados, outras formas de extremismo e terrorismo representam ameaças mais imediatas à segurança de seus países.

Cooperação de inteligência está na pauta
Apesar das controvérsias, o documento de preparação do encontro prevê discussões sobre compartilhamento de informações de inteligência, cooperação policial e coordenação entre governos.

O governo norte-americano deverá defender a criação ou o fortalecimento de mecanismos internacionais capazes de rastrear atividades consideradas violentas, identificar redes de financiamento e acompanhar a movimentação de pessoas classificadas como extremistas.

Não está claro, no entanto, se os países convidados serão chamados a assinar algum documento conjunto ou a assumir compromissos formais ao final da reunião.

Também não há informações sobre como o governo dos Estados Unidos pretende distinguir manifestações políticas legítimas, ações de movimentos sociais e crimes enquadrados como terrorismo, segundo o 247.

A reunião convocada por Marco Rubio deverá, portanto, expor não apenas a política do governo Trump contra grupos identificados como de extrema-esquerda, mas também as divergências entre Washington e seus aliados sobre os limites das medidas antiterrorismo e os riscos de sua utilização contra adversários políticos.


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Esgoto a céu aberto: Sóstenes e outros dois deputados do PL são ‘laranjas’ de Valdemar em emendas, diz jornal

Deputados do PL assumiram autoria de R$ 119 milhões em emendas de comissão que eram comandadas pelo presidente do partido

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), e os deputados Luiz Carlos Motta (SP) e Capitão Alden (BA) aparecem como autores formais de R$ 119 milhões em emendas parlamentares de comissão que, segundo investigação da Polícia Federal, teriam sido controladas pelo presidente do partido, Valdemar da Costa Neto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A PF suspeita que os parlamentares tenham sido indicados como solicitantes das emendas para conferir aparência de legalidade à destinação dos recursos.

A investigação levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a determinar o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar.

De acordo com a Polícia Federal, o dirigente partidário teria direcionado 21 emendas de comissão, liberadas pelo governo federal em 2024 e 2025, mesmo sem exercer mandato parlamentar. Os investigadores apontam ainda que servidores da Câmara dos Deputados teriam sido utilizados para operacionalizar o esquema envolvendo recursos das chamadas emendas de comissão, que sucederam o orçamento secreto.

Levantamento realizado pelo Estadão com base em dados do governo federal, da Câmara dos Deputados e da Polícia Federal mostra que Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden figuram como solicitantes oficiais das emendas. Segundo a PF, a inclusão dos nomes dos deputados teria servido para ocultar o efetivo controle exercido por Valdemar sobre a indicação dos recursos.

Os parlamentares negam irregularidades. Luiz Carlos Motta afirmou que seu nome aparece nas emendas por ter atuado como relator do Orçamento de 2024. Capitão Alden disse que as indicações seguiram os procedimentos institucionais. Sóstenes Cavalcante não comentou o caso, segundo o ICL.

Em nota divulgada por sua defesa, Valdemar da Costa Neto criticou a decisão judicial e afirmou que há uma “indevida criminalização da atividade político-partidária”.


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Política

Emendas atribuídas a Valdemar pagaram shows de sertanejos em cidades no interior

Cidades usaram emendas parlamentares destinadas por Valdemar da Costa Neto para a contratação de artistas para se apresentarem em eventos

Emendas parlamentares atribuídas por investigação da Polícia Federal (PF) ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, ao Orçamento da União foram utilizadas para o pagamento de shows em eventos promovidos em cidades do interior de São Paulo e do Paraná.

A coluna apurou que os recursos enviados a quatro cidades, e que têm a indicação atribuída a Valdemar pela PF, foram utilizados para a contratação de artistas. A situação se repetiu nas cidades de Iepê (SP), Guaimbê (SP), Macedônia (SP) e Cafelândia (PR). É o que apontam dados da plataforma Transferegov.

Emenda enviada a Iepê (SP) — cidade com cerca de 7,6 mil habitantes — foi utilizada para a contratação da banda Traia Véia e da dupla Thaeme & Thiago, que se apresentaram na 4° Agrofest em novembro de 2025. Cada apresentação custou R$ 250 mil.

Em Guaimbê (SP), o recurso supostamente indicado por Valdemar Costa Neto foi usado também para contratação de Thaeme & Thiago. O cachê da dupla para se apresentar na Festa do Peão de Boiadeiro de Guaimbê, em novembro de 2025, custou R$ 280 mil.

De4 acodo com o Metrópoles, a contratação da dupla Thaeme & Thiago também se repetiu em outra cidade beneficiada com os recursos federais. Cafelândia (PR), cidade do interior do estado com cerca de 19 mil habitantes, utilizou a verba para contratar os cantores para a celebração de 43 anos do município.

No município de Macedônia (SP), que tem menos de 4 mil habitantes, as verbas da União pagaram show da cantora Mariana Fagundes na comemoração do aniversário da cidade, em outubro do ano passado.

Até então, a indicação das emendas era atribuída à Liderança do Partido Liberal, conforme documentos divulgados pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. Investigação da PF, no entanto, aponta que o real autor das indicações ao Orçamento seria Valdemar Costa Neto.

Outros destinos
A investigação da PF, que cruzou descobertas de operação com informações do Portal da Transparência, apontou que Valdemar seria o responsável por mais de R$ 100 milhões em emendas indicadas na área da Saúde. Recursos esses já pagos aos municípios pelo governo federal.

Outra parte das emendas foi para o Turismo e Desenvolvimento Urbano. Despesas que ainda não haviam sido pagas seriam destinadas para finalidades como pavimentação, revitalização de infraestrutura, contratação de artistas e realização de evento natalino.

Diante dos indícios apontados pela PF, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de R$ 119 milhões em bens de Valdemar. O magistrado ainda determinou a suspensão da execução de todas as despesas listadas pela corporação.

A decisão de Dino reproduz trechos de representação da PF que revelam a atuação de três servidores da Câmara dos Deputados para inserir entre as indicações regulares emendas de Valdemar. Segundo a apuração, os investigados tinham consciência de que tratavam emendas como quotas privadas de agente estranho ao cargo, o que preenche os elementos do “peculato‑desvio”.

Presidente do PL se defende
Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido com surpresa a decisão de Flávio Dino. “Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”, afirmou.

“Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, completou.

A defesa do presidente do PL afirmou que é “natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada”.


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Política

Eurasia Group eleva para 60% a chance de reeleição de Lula em 2026

Revisão da consultoria internacional reflete a recuperação recente na aprovação do governo federal, contrariando projeções mais pessimistas do mercado

A consultoria internacional de risco político Eurasia Group revisou suas projeções para a sucessão presidencial brasileira e elevou de 55% para 60% a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A análise, divulgada originalmente pela revista Exame, aponta que o atual mandatário consolidou sua posição de favoritismo para o pleito, amparado por uma reação em seus índices de popularidade e por indicadores econômicos favoráveis.

Recuperação da popularidade

De acordo com o relatório enviado a clientes e investidores, o principal motor para a melhoria nas perspectivas de Lula foi a recuperação de sua aprovação nos últimos meses. Os dados mostram que a avaliação positiva do governo voltou a superar a marca de 47%, após ter atingido o patamar mínimo de 44,6% no fim do primeiro quadrimestre.

Os analistas da Eurasia destacaram que essa guinada está diretamente ligada a fatores econômicos perceptíveis no dia a dia da população, como o arrefecimento da inflação de alimentos e os efeitos práticos de medidas voltadas para o aumento da renda. De acordo com o Vermelho, essa leitura contrasta com as expectativas majoritárias do mercado financeiro, que vinham subestimando o poder de recuperação do governo e apostando em um desgaste político mais severo.

Estatisticamente, líderes com taxas de aprovação consolidadas acima de 40% nos meses que antecedem a eleição costumam registrar uma probabilidade majoritária de vitória. O histórico global mostra que a máquina pública atua como um forte equalizador, mesmo em contextos de polarização acirrada.

Cenário competitivo e desafios à frente

Apesar de conferir o favoritismo ao atual presidente, a Eurasia ressalta que o cenário eleitoral para a disputa continua aberto e altamente competitivo. A margem de 60% indica uma vantagem clara, mas está longe de representar uma fatura liquidada.

Entre os principais gargalos que podem comprometer a trajetória de crescimento do governo, o relatório aponta a segurança pública e os desafios fiscais como potenciais “calcanhares de Aquiles” para a campanha governista. A consolidação dos nomes da oposição e a oscilação dos indicadores de emprego e renda até o início oficial do período eleitoral ditarão se a tendência de alta de Lula se manterá estável ou sofrerá novas oscilações.

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