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A TRILHA DO BILHÃO: Como a previdência do Rio financiou o filme de Bolsonaro antes do colapso de um banco

Por trás das telas de cinema e dos discursos de moralidade, a Polícia Federal e o Coaf desenterraram uma das engrenagens mais agressivas de troca de favores da história recente do Rio de Janeiro. Não se trata de palpite: os relatórios financeiros desenham uma linha reta que liga o dinheiro da aposentadoria do servidor público fluminense diretamente às contas de um filme biográfico de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

O roteiro do golpe é cirúrgico. De um lado, órgãos públicos do Estado do Rio de Janeiro — controlados por aliados políticos da família Bolsonaro — injetaram mais de R$ 1 bilhão em fundos e ativos geridos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Autarquias como o Rioprevidência e a Cedae viraram autênticos caixas eletrônicos para a instituição financeira.

Enquanto o dinheiro público entrava pela porta da frente do banco, o senador Flávio Bolsonaro operava nos bastidores. Mensagens interceptadas pela PF revelam o “filho zero um” cobrando Vorcaro agressivamente por parcelas de um patrocínio milionário. O objetivo? Financiar a cinebiografia Dark Horse, feita para exaltar seu pai.

Das tratativas que miravam R$ 134 milhões (US$ 24 milhões), o Coaf rastreou que pelo menos R$ 61 milhões cruzaram a fronteira. O dinheiro carimbado pelo banco de Vorcaro abasteceu o fundo Havengate, no Texas, sob os olhos atentos de Eduardo Bolsonaro. Flávio cobrava os repasses do filme com a urgência de quem sabia que o tempo estava acabando.

E acabou. Enquanto os milhões evaporavam para a produção cinematográfica no exterior, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, deixando um rombo estimado em R$ 12 bilhões e lesando mais de 800 mil clientes. Daniel Vorcaro foi preso. Os fundos de pensão do Rio ficaram com o prejuízo de papéis que hoje valem poeira.

A defesa de Flávio Bolsonaro se apressa em dizer que a captação para o filme foi uma “operação estritamente privada” e chama a investigação de perseguição política. Uma desculpa que esbarra na matemática dos fatos. O que a PF e o STF investigam agora não é uma coincidência cósmica, mas sim o crime de lavagem de dinheiro e corrupção: o bilhão público que entrou no banco foi a moeda de troca para os 61 milhões que saíram para o filme?

O pagador de impostos do Rio de Janeiro pagou o ingresso mais caro da história do cinema mundial para assistir a um filme que nunca quis ver. E o preço foi o futuro da sua própria previdência.


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Política

Como o TSE poderá julgar crimes eleitorais se sua própria cúpula está sob suspeita no caso Vorcaro?

O Brasil se depara com uma questão institucional que não pode ser tratada como mero detalhe de bastidores: como exigir confiança na Justiça Eleitoral quando integrantes de sua cúpula são alvo de questionamentos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro?

As notícias envolvendo Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos ministros indicados por Jair Bolsonaro, ampliam o debate sobre transparência, imparcialidade e conflitos de interesse. Reportagens recentes registraram o pedido de Nunes Marques para acessar dados do celular de Vorcaro e a confirmação, por Mendonça, de encontro com o banqueiro. Esses fatos, entretanto, não comprovam automaticamente a prática de corrupção.

A Justiça Eleitoral não pode ser colocada sob suspeita

O problema não é apenas quem ocupa a presidência ou a vice-presidência do TSE. É a confiança pública no próprio sistema de julgamento.

Se um candidato estiver envolvido em denúncias de financiamento ilícito, abuso de poder econômico ou outras infrações eleitorais, o processo deve ser conduzido com independência, provas e respeito ao devido processo legal.

Mas como assegurar essa independência quando surgem alegações de vínculos entre magistrados e pessoas investigadas?

A resposta não pode ser o silêncio, a blindagem corporativa ou a simples exigência de confiança. A resposta precisa ser transparência institucional, apuração independente e aplicação rigorosa das regras de impedimento e suspeição.

O caso Flávio Bolsonaro exige investigação, não proteção

As alegações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro devem ser examinadas pelas autoridades competentes. Caso sejam apresentadas provas de ilícitos eleitorais, cabe à Justiça Eleitoral avaliar as consequências jurídicas previstas em lei.

O mesmo padrão deve ser aplicado a qualquer candidato, seja de direita, seja de esquerda, independentemente de sua influência política ou de suas conexões institucionais.

A credibilidade da Justiça não se sustenta na proteção de nomes poderosos. Sustenta-se na capacidade de investigar e julgar sem favorecimentos.

Como enfrentar o impasse?

Porque, em uma democracia, nenhum candidato pode estar acima da lei — e nenhum magistrado pode estar acima do escrutínio institucional.

E mais, como o TSE julgará a candidatura de Flavio Bolsonaro se seu presidente, Kassio Nunes Marques e vice-presidente, André Mendonça, estão até o pescoço no envolvimento com o maior trapaceiro funanceiro, Daniel Vorcaro?

Aguardando a resposta.


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Brasil Mundo

ONU recebe alerta sobre ingerência dos EUA na eleição no Brasil

Às vésperas da ida de Lula para NY, Instituto Vladimir Herzog pediu que ONU conclame países a reconhecer resultado da eleição brasileira

A ONU recebeu neste fim de semana alertas com relação às possíveis ingerências dos EUA contra as eleições no país. O documento, encaminhado pelo Instituto Vladimir Herzog, chega ao gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para participar, em Nova York, da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Cópias ainda foram enviadas para o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk.

No texto, obtido com exclusividade pelo ICL Notícias, a entidade de direitos humanos no Brasil faz um relato detalhado dos episódios de ataque contra a democracia do país por parte do governo de Donald Trump. O documento também revela como a Abin chegou a soar o alerta em relação à ingerência.

A carta faz parte de uma ação coordenada por parte de diferentes movimentos da sociedade civil para mobilizar a comunidade internacional para reconhecer o resultado da eleição brasileira. O temor é de que, numa eventual vitória de Lula, o governo Trump e seus aliados de extrema direita se recusem a aceitar o resultado das urnas.

O objetivo da carta, portanto, é o de soar o alerta na mais alta instância da ONU e pedir que Guterres conclame países a reconhecer o resultado da eleição no Brasil.

Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, revela que, entre 20 e 24 de julho deste ano, participou da Delegação da Sociedade Civil Brasileira em Defesa das Eleições e da Democracia, recebida em Washington e Nova York e integrada por quinze organizações brasileiras.

“Reunimo-nos com congressistas democratas e republicanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, diplomatas e organizações da sociedade civil”, disse Sottili. “Voltamos dessa última missão com uma preocupação ainda maior”, constatou.

“Entendemos que já existem sinais concretos de uma dinâmica de ingerência externa sobre o processo político e eleitoral brasileiro e de uma tentativa de condicionar decisões soberanas tomadas por nossas instituições”, disse.

A questão de um eventual não reconhecimento do pleito no Brasil foi um dos aspectos alertados:

“Mais grave ainda: tememos que, caso essas pressões não produzam o resultado político pretendido antes da eleição, possam ser sucedidas por uma estratégia destinada a desacreditar o pleito, questionar sua legitimidade, retardar seu reconhecimento internacional e produzir instabilidade política depois da votação”, alertou o diretor.

O pacote de medidas tomado pelos EUA contra o Brasil, segundo a carta, “reúne várias características associadas às formas contemporâneas de coerção e guerra híbrida”.

“Em nossa avaliação, existe um risco que precisa ser considerado seriamente: que essas ferramentas sejam utilizadas para influenciar o ambiente eleitoral brasileiro em benefício de atores politicamente alinhados à administração estadunidense e que, caso o resultado das urnas seja contrário a essa expectativa, a estratégia se desloque para uma segunda etapa — a alegação de fraude, a deslegitimação das instituições e o eventual não reconhecimento do resultado”, disse.

O não reconhecimento internacional da eleição, segundo a entidade, é “particularmente perigoso”. “A proclamação do resultado eleitoral brasileiro é uma atribuição soberana das instituições brasileiras e sua validade não depende da chancela de nenhum governo estrangeiro”, disse.

“Entretanto, a experiência de 2022 mostrou que o reconhecimento internacional rápido contribuiu para reduzir o espaço político das narrativas de fraude e de ruptura institucional”, apontou o documento,.

O alerta do Instituto é de que, em 2026, “o silêncio, a hesitação ou o questionamento coordenado do resultado por governos estrangeiros podem produzir o efeito inverso: alimentar redes de desinformação, oferecer legitimidade externa à contestação interna e prolongar artificialmente um conflito eleitoral”.

“Por isso, entendemos como medida concreta e preventiva que todos os países reconheçam imediatamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor”, pediu a entidade.

O grupo pede a Guterres que atue em cinco frentes:

Reafirmar publicamente os princípios da soberania, da não intervenção e do direito exclusivo do povo brasileiro de escolher livremente seus governantes;
Conclamar os Estados-membros das Nações Unidas a respeitar prontamente o resultado oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira, independentemente do candidato vencedor;
Acompanhar, dentro dos mandatos pertinentes do Sistema das Nações Unidas, sinais de ingerência externa, manipulação informacional transnacional e pressões sobre as instituições democráticas brasileiras;
Defender a independência, a autonomia técnica e a integridade das missões internacionais oficialmente credenciadas para acompanhar o pleito;
Desencorajar o uso de instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou securitários destinados a condicionar o processo eleitoral de um Estado soberano.
A carta é concluída com um alerta do papel que o país desempenha na defesa da democracia no mundo.

“O que está em risco não concerne somente ao Brasil. Se uma potência puder condicionar negociações econômicas à participação de determinados atores políticos nas eleições de outro país, utilizar sanções contra suas autoridades, interferir na disputa sobre suas instituições e, ao final, decidir politicamente se reconhecerá ou não a escolha soberana de sua população, estaremos diante de uma situação que ameaça a todas as nações e aos próprios princípios sobre os quais se construiu a ordem multilateral”, alerta.

“Para o Instituto Vladimir Herzog, defender as eleições brasileiras significa defender um princípio universal: nenhum povo deve ter sua escolha democrática condicionada pela vontade, pela pressão econômica ou pelo poder político de outro Estado”, insiste.

“A democracia brasileira não diz respeito apenas ao Brasil: o que acontecer aqui repercutirá sobre a força, a credibilidade e o futuro da democracia em todo o mundo”, completou.

Violações de Direitos Humanos
Já na carta para Volker Turk, alto comissário para Direitos Humanos, a entidade brasileira faz os seguintes pedidos:

  • Reafirmar publicamente a importância de proteger o direito do povo brasileiro de participar livremente dos assuntos públicos e de expressar sua vontade por meio de eleições genuínas, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos;
  • Acompanhar de perto, no âmbito do mandato do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, as implicações para os direitos humanos decorrentes de ingerência externa, manipulação transnacional da informação e pressões externas sobre as instituições eleitorais e judiciais brasileiras antes, durante e após as eleições de 2026;
  • Manter diálogo, quando apropriado, com o governo brasileiro e com outros governos relevantes a respeito de ações que possam comprometer a participação política, a independência das instituições, o espaço cívico ou a livre expressão da vontade dos eleitores brasileiros;
  • Incentivar os mecanismos pertinentes de direitos humanos das Nações Unidas e as estruturas regionais do Alto Comissariado a permanecerem atentos a acontecimentos que possam afetar os direitos políticos, a liberdade de expressão, a independência do Poder Judiciário, os defensores de direitos humanos, jornalistas e a sociedade civil durante o período eleitoral;
  • Ressaltar publicamente que instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou de segurança não devem ser utilizados de maneira a interferir no exercício dos direitos políticos ou comprometer a integridade de um processo democrático soberano.
  • Considerar a emissão de um pronunciamento público alertando para os riscos que eventuais formas de ingerência externa podem representar para o exercício dos direitos políticos e para a integridade do processo eleitoral brasileiro, reafirmando a importância de que a vontade dos eleitores possa ser formada e expressa livremente, sem coerção, manipulação ou pressões externas, e conclamando todos os atores nacionais e internacionais a respeitar os direitos humanos, a independência das instituições democráticas e o resultado oficialmente proclamado pelas autoridades eleitorais brasileiras.

No documento, a entidade insiste que “a ingerência externa em um processo eleitoral não constitui apenas uma ameaça à soberania de um Estado. Ela pode afetar diretamente o exercício de direitos humanos internacionalmente protegidos, em particular o direito de participar dos assuntos públicos e de escolher livremente seus representantes”.

“Pressões econômicas ou diplomáticas, campanhas de desinformação, tentativas de desacreditar instituições eleitorais e judiciais ou ações destinadas a condicionar a participação de atores políticos podem comprometer a livre formação e expressão da vontade dos eleitores. Podem também produzir efeitos mais amplos sobre a liberdade de expressão, o espaço cívico, a independência das instituições e a atuação de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil. É, portanto, também sob a perspectiva do direito internacional dos direitos humanos que entendemos ser necessário avaliar os riscos atualmente enfrentados pelo processo eleitoral brasileiro”, completa.

*Jamil Chade/ICL


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Política

“DOMINADO AQUI”

Pagamentos a empresa ligada ao filho de Kassio Nunes Marques coincidem com julgamento em que ministro tomou decisão favorável aos negócios de Vorcaro

Trecho da troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e seu advogado de confiança, Luiz Rennó - Crédito: Reprodução

Trecho da troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e seu advogado de confiança, Luiz Rennó – Crédito: Reprodução

Às 16h48 de 8 de agosto de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro recebeu uma mensagem de Luiz Rennó, seu advogado de confiança, que atuava como assessor jurídico do Banco Master. “Dos pagamentos essenciais está faltando a consult”, alertou Rennó. Ele se referia à Consult Inteligência Tributária, empresa criada em 2022 por Francisco Craveiro, um contador que é amigo de longa data de Kassio Nunes Marques, ministro do STF.

As transações entre o Master e a Consult são conhecidas desde março deste ano. Um relatório do Coaf detectou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o banco de Vorcaro fez catorze transferências para a empresa, somando 6,632 milhões de reais. A Consult, por sua vez, transferiu nesse mesmo período 282 mil reais para Kevin Marques, filho do ministro do STF – levantando a suspeita de que a empresa fosse apenas uma intermediária por meio da qual ele recebia dinheiro do Master. Kevin sempre negou.

Agora, novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro agravam essa suspeita. No dia 8 de agosto, segundos depois de alertar o banqueiro sobre o pagamento “essencial” que precisava ser feito, Rennó mostrou para ele o cartão de contato de Kevin e escreveu: “Aqui.” Vorcaro respondeu com um “Oi”, e o advogado prosseguiu: “Esse aí.” “Único ‘meu’ que faltou.” Meia-hora depois, ele retornou para avisar ao chefe: “Foi pago.”

Não foi o único diálogo em que o nome de Kevin Marques apareceu associado a pagamentos. Um mês antes, no dia 4 de julho, o assessor jurídico do Master havia perguntado a Vorcaro: “Esse aqui – 500 mil mês – mantém?” A mensagem, novamente, marcava o cartão de contato de Kevin, para deixar claro de quem Rennó estava falando. Na sequência, o advogado deu uma risada – “Kkkkkkkkk” – e disse: “Então esse aqui já era né”. O banqueiro respondeu um minuto depois, também com um “Kkkk”.

A troca de mensagens veio à tona na terça-feira (15), depois que o conteúdo do celular de Vorcaro foi compartilhado com o gabinete de alguns ministros do STF, a pedido deles. O diálogo acrescenta uma nova camada às revelações que já haviam sido feitas sobre a relação entre Kevin e o Master, detalhadas em reportagens da piauí em março e abril.

A primeira novidade é o fato de que, nas mensagens de Vorcaro, o pagamento para a Consult está diretamente associado ao filho do ministro. A segunda novidade é a referência aos “500 mil mês”. Divididos em catorze transferências ao longo de um ano, os 6,6 milhões de reais que o Master transferiu para a empresa resultam em 474 mil reais por transferência, em média. É um valor próximo aos 500 mil mencionados por Vorcaro, embora não haja elementos para afirmar se as parcelas obedeceram a essa média e se os dois valores estão relacionados. Também não se sabe se, depois do “Kkkk”, Vorcaro respondeu à pergunta de seu advogado (“Esse aqui – 500 mil mês – mantém?”).

Mas há ainda uma terceira novidade. As transferências de dinheiro do Master para a Consult coincidem com o período em que a Segunda Turma do STF – à qual pertence Nunes Marques – julgava um processo de grande importância para o banco. Era o caso da Destilaria Alcídia, que cobrava da União a reparação de prejuízos causados na década de 1980. Como mostrou uma reportagem da piauí, a decisão do Supremo teria impacto direto sobre a carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro no balanço do Master, que somava mais de 10 bilhões de reais, segundo as estimativas da PF. Para Vorcaro – que naquele momento precisava de liquidez para evitar a falência –, era crucial que a Alcídia ganhasse, já que a decisão também impactaria processos de interesse do seu banco.

Foi o que aconteceu – e com um voto decisivo de Nunes Marques.

O ministro, num primeiro momento, não participou do julgamento. Na sessão virtual que transcorreu entre 9 e 20 de fevereiro de 2024, a certidão emitida pelo STF registra: “Impedido o ministro Nunes Marques.” Ele não votou. Justificou o impedimento afirmando que, em outubro de 2018, quando era desembargador do TRF-1, havia julgado um recurso do caso Alcídia, inclusive presidindo a sessão e assinando o acórdão. É uma medida prevista no Código de Processo Civil: para garantir um julgamento imparcial, recomenda-se que um mesmo juiz não decida sobre um processo em duas instâncias.

Mas, rapidamente, Nunes Marques voltou atrás na decisão. No mês seguinte, em março de 2024, produziu um despacho afirmando que seu impedimento havia sido registrado “por equívoco da assessoria do gabinete”. Afirmou que, na sua interpretação, o recurso julgado no TRF-1 não interferia no julgamento do STF. “Afasto o impedimento lançado no sistema, declarando-me habilitado a votar”, concluiu. Determinou que a decisão fosse comunicada ao presidente da Segunda Turma, ministro Dias Toffoli, e assim foi feito.

O processo, àquela altura, estava empatado em 2 a 2 (Toffoli e Fachin haviam votado a favor da Destilaria Alcídia; Gilmar Mendes e André Mendonça, contra). Depois da reabilitação de Nunes Marques, o caso demorou a voltar à pauta. Por um tempo, ficou empacado nas mãos de Gilmar, e em 17 de setembro foi liberado para uma sessão presencial. Em seguida, Nunes Marques pediu vista. Finalmente, em 1º de outubro, ele devolveu o processo à Turma e apresentou um voto de dez páginas, no qual conclui: “Acompanho o Ministro Relator, pedindo vênia aos que divergem de Sua Excelência.”

Com seu voto, o placar foi de 3 a 2 em favor da Alcídia, como Vorcaro queria. Na conversa de WhatsApp, Luiz Rennó não tardou a comemorar. “Ganhamos alcidia”, escreveu em mensagem a Vorcaro, às 16h58 daquele dia. Enviou o placar – “3 (Fachin/Tofoli/Cassio) x 2 (Gilmar e André)”, ao que Vorcaro respondeu com um emoji: “👍🏻”. Quatro minutos depois, Rennó retornou à conversa e, sinalizando novamente o cartão de contato de Kevin Marques, escreveu para o chefe: “Dominado aqui.”

Indagado pela piauí sobre sua participação no julgamento da Destilaria Alcídia, Nunes Marques afirmou, por meio de sua assessoria, que “compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla”, e que “votou diversas vezes no mesmo sentido enquanto estava no TRF-1”. Segundo ele, relacionar o julgamento e os repasses da Consult é uma “ilação maldosa”, já que “o recurso julgado não era do Master e o serviço prestado pelo filho do ministro foi efetivo e devidamente declarado, tendo ele recebido 10 parcelas de cerca de R$ 28 mil cada”. Sobre o diálogo de Vorcaro e Rennó, a assessoria de Nunes Marques afirmou: “Embora na mensagem eles estivessem comemorando o resultado, não se tratava de ação sobre o Master, era uma tese que se aplicaria a diversas empresas. O ministro nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.”

Kevin Marques seguiu a vocação do pai. Tornou-se advogado e, embora não tenha ainda completado três anos de carreira, já acumulou uma pequena fortuna. Em julho, a Folha de S.Paulo revelou que ele acumulava 27,7 milhões de reais aplicados em fundos de investimento. Na Consult, o filho do ministro não possuiu participação formal, mas mantém relações financeiras e societárias com os donos da empresa, que foi criada em março de 2022, no endereço de uma loja na Asa Sul, em Brasília. Inicialmente, o contador Francisco Craveiro, velho amigo de Kassio Nunes Marques, dividia as cotas com um irmão. Meses depois, passou a maior parte delas para o filho, Gabriel Campelo de Carvalho.

Em 9 de maio de 2024 – antes de Nunes Marques votar no caso Alcídia, mas depois de ter se declarado apto para tal –, a Consult passou por duas alterações societárias. Primeiro: seu capital social, que até então era de 10 mil reais, saltou para 500 mil reais. O documento não informou a origem dos 490 mil reais que entraram. Segundo: o controle da empresa mudou de mãos. Gabriel, que antes tinha 95% das cotas, passou a ter apenas 5%. Seu pai, Francisco Craveiro, fez o caminho inverso: de 5%, subiu para 95%.

A mudança se consumou de vez em 30 de julho. Nesse dia, Gabriel deixou formalmente a Consult, e Craveiro, com isso, tornou-se o único dono. No mês seguinte, a empresa começou a receber as transferências vultosas que chamaram a atenção do Coaf. No decorrer de um ano, o cofre da Consult foi abastecido com 11,38 milhões da JBS, a empresa dos irmãos Batista, e 6,62 milhões do Master. As cifras milionárias contrastam com o faturamento modesto declarado pela empresa, de apenas 25.555,56 reais por mês.

A Consult, enquanto isso, fazia os repasses a Kevin Marques. Ao todo, foram 282 mil reais, divididos em onze operações, segundo o relatório do Coaf. Em nota enviada à piauí, Kevin afirmou que os pagamentos foram uma remuneração por “serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa”. Disse também que “não prestou serviço ao banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro”, e que sua atuação junto à Consult “não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal”.

Mas os laços de Kevin com a Consult vão além dos repasses detectados pelo Coaf e das mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Rennó. Em 2 de outubro, dia seguinte ao voto de Nunes Marques que favoreceu a Alcídia – e, por tabela, o Master –, a sede da Consult foi transferida de Brasília para um escritório em um condomínio empresarial de Alphaville, Barueri. No mês seguinte, nesse mesmo endereço, Kevin e Gabriel Campelo – que tem parte da Consult – criaram outra empresa, chamada Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT). Kevin ficou com 70% das cotas, e Gabriel, encarregado de ser o administrador legal, com 30%. Francisco Craveiro foi escolhido como contador.

As transações da Consult não são o único ponto de contato entre Nunes Marques e o Master. A investigação da PF se deparou com uma conversa de WhatsApp, com a data de 5 de dezembro de 2024, em que Leo Serrano Giunchetti, empresário e agente de viagens, pergunta para Daniel Vorcaro: “Dani… veio de você este? E se sim, é pra atender ele independente ou faço e faturo pra vc?” Giunchetti estava se referindo a um print que acabara de compartilhar com Vorcaro, no qual aparecia uma mensagem enviada por um usuário com o nome e o número de Nunes Marques. A mensagem dizia assim:

Bom dia Leo

Ministro Kassio

Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem uns 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas.

De preferência com guias e motoristas de Vans que falem português ou espanhol.

Inicialmente imaginei Viena, com bate volta nas cidades próximas como Bratislava, Budapeste, Graz ou Salzburgo.

Outra opção seria o Peru.

Mas estou aberto a outras opções se tiverem algum roteiro pré-programado.

Muito obrigado.

Vorcaro não respondeu. Uma hora depois, Giunchetti mandou nova mensagem para ele: “Me avisa Dani! So pra eu saber como responde-lo please.” Três horas depois, ainda sem resposta, o agente de viagens enviou cinco interrogações seguidas. Os trechos divulgados nesta terça-feira (15) não permitem saber se Vorcaro respondeu e se a viagem, afinal, aconteceu. O ministro Nunes Marques nega. Por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que “apenas cotou preços e nunca utilizou os serviços da agência mencionada”. Giunchetti, por meio de seu advogado, Rogerio Cury, também afirmou à piauí que a viagem não se concretizou. Nenhum dos dois negou a autenticidade da mensagem.

Também vazou, nesta terça-feira (15), uma conversa de Vorcaro com uma mulher identificada apenas como Rayanna. Em 7 de março de 2025, ela apresentou ao banqueiro uma cobrança em nome de uma amiga. “Ela disse que ficou com o Kassio. Ela tá me cobrando aqui”, escreveu. Vorcaro respondeu: “Me manda aqui. Dados e valor.” Ao que Rayanna respondeu “10 né!”, enviando, em seguida, o nome e o e-mail da amiga. A piauí procurou Rayanna, que afirmou desconhecer o episódio. As mensagens não permitem estabelecer quem era “Kassio” nem se houve pagamento. A assessoria de Nunes Marques afirmou que “o ministro não tem conhecimento sobre o contexto” dessas mensagens.

Há, por fim, um outro indicativo da proximidade entre Nunes Marques e Vorcaro. Em 12 de novembro de 2025, seis dias antes de ser preso, o banqueiro enviou à advogada Camilla Ewerton Ramos, que atuava para o Master em processos de recuperação de créditos do setor de álcool, o contato de uma profissional de aviação executiva. Naquela mesma noite, a profissional informou diretamente a Vorcaro que “confirmaram [uma viagem] no [jato] Legacy” para o voo “da Sra Camila”, que sairia de Brasília, e perguntou se havia “alguma recomendação extra” além do champanhe e do uísque já solicitados. “Coloca dom perignon e whiskey macallan e um japones”, respondeu o banqueiro.

A troca de mensagens não cita passageiros. O que se sabe é que, dois dias depois, Nunes Marques e sua mulher embarcaram num Legacy 650 saindo de Brasília rumo a Maceió, onde compareceram à festa de aniversário de Camilla. O jatinho era operado pela Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. A viagem foi revelada pelo Estadão em abril. O gabinete do ministro confirmou que Camilla “ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”. A advogada afirmou ter contratado o jato pessoalmente.

Desde 26 de março, Kassio Nunes Marques é relator de um mandado de segurança que pede ao STF que obrigue o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar uma CPI do Banco Master. O requerimento reuniu 53 assinaturas de senadores, quase o dobro das 27 exigidas pela Constituição. Até agora, passados quase seis meses, o ministro não assinou sequer um despacho no processo. No mesmo período, porém, votou pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro e de outros investigados do caso.

Nesta terça-feira (15), na abertura da sessão extraordinária para avaliar o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, Nunes Marques pediu a palavra para fazer o que chamou de “um esclarecimento e um registro”. Disse que nunca havia usado a tribuna do Supremo para dar explicações, mas que “hoje o dia é relevante e a gravidade das circunstâncias merece”. E reforçou, em seguida, o que já havia dito em notas à imprensa: “Em relação a mensagens que circulam de ontem, de hoje e que sempre vão rondar autoridade no Brasil, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master.”

O ministro defendeu a própria atuação e a do filho. Afirmou que Kevin nunca prestou serviços nem foi remunerado pelo Master e sustentou ter “absoluta isenção” nos processos que julgou. Também negou ter trocado mensagens diretamente com Vorcaro. Ao final da fala, declarou-se impedido de participar do julgamento. Mas o motivo, segundo ele, era de outra natureza: como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), achou que a decisão daquele dia poderia conflitar com sua atuação nas eleições. Quanto aos possíveis conflitos de interesses com o Master, não disse nenhuma palavra.

*Breno Pires/Piauí,Uol


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Por onde passa, Lula arrasta multidões. A realidade das ruas desmente o roteiro da velha mídia

Por onde passa, Lula arrasta multidões, desperta entusiasmo e mostra que sua força política não se resume às manchetes dos grandes veículos de comunicação. É gente que chega, que se aproxima, que quer ouvir e demonstrar seu apoio. Uma mobilização que não se fabrica em estúdio, não se compra com propaganda e não se sustenta apenas em algoritmos.

Enquanto parte da velha mídia se empenha em construir narrativas favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro e tenta apresentar o bolsonarismo como uma força inevitável, Lula encontra o povo nas ruas. E é justamente aí que a disputa política ganha uma dimensão que nenhuma manchete pode apagar: a relação direta entre um líder político e a população.

Lula não precisa de uma realidade artificialmente produzida por manchetes seletivas. Sua trajetória, suas políticas públicas e sua capacidade de mobilização fazem parte de um debate que precisa ser enfrentado com fatos, não com manipulação da informação.

As multidões que acompanham o presidente não encerram, por si só, uma eleição. Mas revelam um fenômeno político que merece ser noticiado com seriedade, sem filtros partidários e sem o esforço permanente de diminuir a presença popular de Lula.

A rua também fala. E quando o povo se reúne em torno de Lula, não há operação de marketing da velha mídia capaz de simplesmente fazer essa imagem desaparecer.

Lula é um fenômeno. Não há termo de comparação.


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Abin alerta governo para nível ‘crítico’ de pressão dos EUA sobre eleições no Brasil

Relatório reservado enviado ao Planalto e ao TSE aponta escalada das ações de Washington e apoio à ascensão de governos conservadores na América Latina

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou para “nível crítico” o risco de influência e interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. A avaliação consta de um relatório reservado, encaminhado em agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça.

O conteúdo do documento foi revelado, neste sábado (19/09), pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. Nele, a Abin identifica uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e alerta para a “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA” sobre o país, “sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente”.

O relatório aponta a orientação do segundo governo Trump em reafirmar “a hegemonia dos EUA na América Latina”, visando diminuir a influência de potências rivais de Washington na região. Para isso, destaca o documento, o governo Trump vem pressionando pela “negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.

O documento lembra que o Brasil se destaca por ter um “governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica, ante as pressões estadunidenses por concessões e realinhamento geopolítico”.

Escalada das pressões
A Abin destaca que em julho deste ano, Washington anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal, por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Na avaliação da agência, a medida “representa mudança de fase na escalada de sanções e interferência estadunidense”.

A partir daí, ressalta o documento, a pressão passou a “incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias”.

Na avaliação da agência, a interferência “ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo”. O documento cita a sequência dessas ações: “enquadramento de organização criminosa brasileira como ameaça à segurança nacional dos EUA; construção de narrativa sobre sua atuação transnacional; vinculação do tema ao sistema financeiro estadunidense; e adoção de medidas sancionatórias específicas contra indivíduos e empresas brasileiras”.

A agência também menciona que essas medidas “ampliam o potencial de efeitos extraterritoriais sobre bancos, fintechs, empresas, prestadores de serviços e cadeias produtivas brasileiras”. E prevê que as sanções também poderiam “induzir agentes econômicos nacionais e estrangeiros a adotar condutas preventivas baseadas em risco reputacional, acesso ao sistema financeiro estadunidense ou receio de sanções secundárias”.

Marco Rubio
As declarações do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Marco Rubio, também ganham destaca no relatório da agência brasileira. Rubio “atribuiu ao presidente brasileiro [Lula] a responsabilidade pela imposição de tarifas, sob o argumento de que o Brasil não teria ‘negociado de boa fé’”, salienta.

Segundo a Abin, a afirmação de Rubio “insere caráter personalista à ação política estadunidense e tem potencial de impactar o debate público sobre o tema no Brasil, uma vez que a narrativa passou a ser reproduzida e amplificada por veículos de comunicação, agentes econômicos, analistas e atores políticos nacionais”.

A Abin observa, ainda, que a atuação do secretário de Estado norte-americano apresenta componente ideológico e “busca influenciar e reorientar a política externa dos países da região [América Latina]”. Lembra, ainda, que durante audiência no Senado, em junho, Rubio relacionou diretamente a recuperação da hegemonia norte-americana na América Latina “à ascensão de governos alinhados aos EUA”.

Na época, “os governos de Brasil, Colômbia (então sob Gustavo Petro), Cuba, Nicarágua e Venezuela” foram citados como não integrantes na lista de países amigáveis.

*Opera Mundi


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O bolsonarismo passivo virou cobaia da manipulação da velha mídia e das big techs a serviço dos interesses dos EUA no Brasil

O bolsonarismo passivo não é apenas um eleitorado fiel: é também um público submetido diariamente a uma operação de influência que combina desinformação, manipulação emocional e interesses econômicos e geopolíticos. De um lado, a velha mídia seleciona os assuntos que merecem destaque, define os personagens que devem ser protegidos e escolhe aqueles que serão submetidos ao desgaste permanente. Do outro, as big techs controlam plataformas cujos algoritmos podem ampliar determinados conteúdos, reforçar bolhas e transformar propaganda política em aparente opinião espontânea.

O resultado é um eleitorado frequentemente conduzido a reagir mais pelo medo, pelo ódio e pela repetição de slogans do que pela análise concreta dos fatos. Enquanto isso, questões fundamentais para o Brasil — soberania nacional, desenvolvimento econômico, empregos, saúde pública e proteção dos recursos estratégicos — são empurradas para segundo plano.

A situação se torna ainda mais preocupante quando setores da direita brasileira passam a tratar interesses estrangeiros como se fossem automaticamente interesses nacionais. A defesa de pressões externas, sanções ou interferências políticas em nome de uma suposta luta pela liberdade pode acabar colocando a soberania brasileira em segundo plano.

O problema não é a existência de opiniões conservadoras, mas a transformação de cidadãos em instrumentos de projetos políticos que nem sempre atendem às necessidades do próprio povo brasileiro.

A velha mídia pode apresentar seus editoriais como jornalismo imparcial. As plataformas digitais podem se vender como espaços neutros de livre expressão. Mas nenhuma dessas estruturas está acima de interesses econômicos, disputas de poder e escolhas editoriais ou algorítmicas. Isso exige fiscalização, transparência e senso crítico — não submissão.

O Brasil não pode ser tratado como território de experimentação para estratégias de influência estrangeira, nem seu povo como massa de manobra de grupos políticos, empresariais ou midiáticos.

A soberania popular começa quando o cidadão deixa de aceitar passivamente a narrativa que lhe entregam e passa a perguntar: quem está se beneficiando dessa campanha, quem está pagando a conta e quais interesses estão sendo defendidos em nome do Brasil?

Na prática, esse é  o royal street flush arquitetônico que a direita brasileira, sobretudo a direita miliciana tenta operar com suas cartas marcadas nessa eleição.

Nesse momento, o STF está na berlinda. Tudo é feito numa faixa elástica da narrativa dos manipuladores, mas a coisa acabou sobrando pesadamente para André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Fux, mesmo que a mídia insista em usar apenas Alexandre de Moraes como Cristo, quando, na verdade, esses personagens, incluindo Toffoli, estão a bordo de uma espécie de naufrágio do titanic jurídico que o Brasil assiste.

Está longe, bem longe de ser verdade que isso atingiu a imagem do presidente Lula, simplesmente porque ele não tem a ver com essa história.

Quem deu aval para a criação do Banco Master foi Bolsonaro. Tudo indica que, em troca, recebeu uma parcela de sociedade na empreitada do submundo do crime.

Talvez esteja aí o motivo dos R$ 134 milhões do suposto financiamento do filme Dark Horse para servir como lavanderia desse esquema.

O fato é que a coisa não parou aí e a lavra de todos os personagens marcantes nesse alto bordo faz parte justamente do universo bolsonarista. Isso já foi percebido pela sociedade, mesmo a mídia utilizando palavras ajeitadoras para livrar a cara de aliados e dar maior visibildade ao envolvimento de quem ela considera inimigo do bolsonarismo.

Seja como for, Flavio Bolsonaro tem como madrinhas de sua campanha a mídia e as big techs, tão corruptas quanto ele e seu clã  para atender interesses dos EUA ou da Faria Lima.


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CNT/MDA: Lula abre caminho para vitória no 1° turno

Lula passa de 51% dos votos válidos na espontânea e abre caminho para vitória no 1° turno

A nova pesquisa CNT/MDA coloca Lula em posição de destaque na corrida presidencial. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor declara seu voto sem receber uma lista de candidatos, o presidente aparece com 36,6%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 26,7%.

Na conversão para votos válidos, Lula ultrapassa a marca de 51%, um dado que reforça a dimensão de sua vantagem entre os eleitores que já manifestam espontaneamente uma escolha.

No cenário estimulado, Lula também aparece à frente, com 40,6% contra 30,4% de Flávio Bolsonaro.

O dado não significa que a eleição esteja decidida — pesquisas não substituem o voto das urnas. Mas, politicamente, o retrato apresentado pela CNT/MDA coloca no horizonte uma possibilidade concreta: Lula vencer no primeiro turno, caso consiga manter e ampliar esse nível de apoio até a eleição.

Lula acima de 51% dos votos válidos na espontânea. A disputa pelo Planalto ganha cada vez mais contornos de primeiro turno.

Só um lembrete. Este foi o instituto de pesquisa que nais acertou na eleição de 2022.


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Agregador de pesquisas para a Presidência no primeiro turno: Lula 39%, Flávio 33%

O agregador de pesquisas para o primeiro turno da eleição presidencial traz um cenário que merece atenção: Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Uma diferença de seis pontos percentuais que coloca frente a frente dois projetos políticos distintos e revela uma disputa ainda marcada por forte polarização.

O número não é apenas uma fotografia estatística. Ele representa o resultado da combinação de pesquisas eleitorais e oferece uma referência para acompanhar a evolução das intenções de voto. Mas é fundamental considerar as margens de erro, as datas de realização dos levantamentos e as diferenças metodológicas entre os institutos.

Para Flávio Bolsonaro, o percentual de 33% não elimina a necessidade de ampliar sua base eleitoral, especialmente entre os eleitores que ainda não definiram seu voto. Já Lula, com 39%, mantém uma posição numericamente superior nesse recorte, sem que isso permita antecipar o resultado das urnas.

A disputa está aberta ao movimento dos eleitores, às alianças, aos debates e aos acontecimentos que podem alterar o cenário até o dia da votação. Pesquisa não é eleição, mas o agregador ajuda a revelar a temperatura do momento político.


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