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Política

Inclusão de Flávio Bolsonaro na Interpol depende de etapa decisiva da investigação

Investigação abre caminho para eventual inclusão de Flávio Bolsonaro na Interpol

A possibilidade de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vir a ter seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol passou a ser discutida após informações de que investigadores avaliam mecanismos de cooperação internacional para rastrear movimentações financeiras e garantir eventual cumprimento de medidas judiciais no exterior. Até o momento, porém, não há decisão anunciada pela Interpol nem confirmação oficial de que seu nome será incluído na lista.

A chamada Difusão Vermelha (Red Notice) não representa uma condenação nem um novo mandado de prisão. Trata-se de um pedido de cooperação internacional para que autoridades policiais de outros países localizem e prendam provisoriamente uma pessoa que já seja alvo de ordem judicial expedida pelo país solicitante, visando futura extradição ou procedimento semelhante. A decisão de cumprir ou não esse pedido cabe às autoridades de cada país, de acordo com sua legislação.

No caso de Flávio Bolsonaro, a hipótese surgiu em meio ao avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal e supervisionadas pelo Supremo Tribunal Federal. Em maio, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre pedido para incluir Jair Bolsonaro e Flávio em um inquérito relacionado à suposta atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação ainda está em curso e não implica, por si só, a emissão de mandado de prisão.

Especialistas lembram que a inclusão de qualquer brasileiro na lista da Interpol depende de requisitos jurídicos objetivos. Em regra, é necessário que exista um mandado de prisão válido expedido pela Justiça brasileira e que o pedido atenda às normas da organização internacional. A Interpol também analisa se o caso está de acordo com suas regras internas, que vedam a utilização do sistema para perseguições de natureza predominantemente política.

Na prática, portanto, a discussão sobre uma eventual inclusão de Flávio Bolsonaro na Difusão Vermelha ainda permanece no campo das possibilidades jurídicas, condicionada ao desenrolar das investigações e a futuras decisões das autoridades brasileiras. Até agora, não houve anúncio oficial da Polícia Federal, do STF ou da própria Interpol confirmando a adoção dessa medida.


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Política

Moraes coloca Kássio Nunes Marques no centro da crise do vídeo de IA da campanha de Flávio

Bolsonaro tenta se desvincular de vídeo de IA e transfere crise para Flávio no TSE

A estratégia adotada pela defesa de Jair Bolsonaro no caso do vídeo produzido por Inteligência Artificial exibido durante a convenção que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro pode produzir um efeito político e institucional que vai muito além da situação jurídica do ex-presidente. Ao sustentar que Bolsonaro não teve conhecimento prévio da peça e que a responsabilidade pela sua produção e divulgação caberia à campanha do filho, a defesa deslocou o foco da investigação para o núcleo eleitoral da candidatura.

Com as explicações apresentadas, a tendência é que o ministro Alexandre de Moraes conclua a etapa de apuração relativa à conduta do ex-presidente e encaminhe ao Tribunal Superior Eleitoral os elementos referentes aos possíveis desdobramentos eleitorais do episódio. Caso isso ocorra, o processo chegará justamente à Corte presidida por Kássio Nunes Marques, ministro que, segundo críticos, tem adotado decisões favoráveis aos interesses de Flávio Bolsonaro em temas eleitorais.

É nesse ponto que a questão deixa de ser apenas jurídica e passa a adquirir um forte componente político. Ao remeter o caso ao TSE, Moraes transfere ao tribunal eleitoral a responsabilidade de decidir se a utilização de Inteligência Artificial durante a campanha configura abuso, propaganda irregular ou outra infração prevista na legislação eleitoral. Na prática, o ministro do STF coloca Kássio Nunes Marques diante de um teste de grande repercussão pública.

Como presidente do TSE, Kássio dificilmente conseguirá escapar do escrutínio. Uma eventual decisão pelo arquivamento poderá reforçar as críticas de que a Corte estaria adotando tratamento distinto para candidatos ligados ao bolsonarismo. Por outro lado, o avanço das investigações representaria um desgaste político para a candidatura de Flávio Bolsonaro em pleno processo eleitoral.

A defesa de Jair Bolsonaro, ao tentar afastar o ex-presidente da responsabilidade pelo vídeo, acabou produzindo um efeito colateral relevante: concentrou a atenção sobre a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Em outras palavras, para preservar o pai, a estratégia jurídica expôs o filho.

O episódio também amplia a pressão institucional sobre Kássio Nunes Marques. Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro e hoje presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro será observado não apenas pelo conteúdo de suas decisões, mas também pela capacidade de demonstrar independência diante de um caso que envolve diretamente o grupo político responsável por sua indicação ao STF.

Independentemente do desfecho jurídico, o caso tende a transformar-se em mais um capítulo da disputa entre o Supremo Tribunal Federal e o bolsonarismo, agora com um novo elemento: a responsabilidade eleitoral pelo uso de conteúdos produzidos por Inteligência Artificial em campanhas políticas. A forma como o TSE conduzirá essa discussão poderá influenciar não apenas o futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro, mas também estabelecer parâmetros para o uso dessa tecnologia nas eleições brasileiras.


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Cotidiano

Ventos fortes espalham destruição no Sudeste, feridos em SP e mais de 400 mil sem luz no Rio

Ventania provoca destruição em São Paulo e deixa mais de 400 mil consumidores sem energia no Rio

A passagem de uma intensa frente fria, acompanhada por rajadas de vento de grande intensidade, provocou um rastro de destruição entre a quarta e a quinta-feira no Sudeste do país. Em São Paulo, a ventania deixou ao menos dez pessoas feridas após a queda de árvores, estruturas e objetos arrastados pelo vento. No Rio de Janeiro, a situação também foi crítica: mais de 400 mil consumidores permaneciam sem energia elétrica horas após o temporal, enquanto equipes das concessionárias trabalhavam para restabelecer o serviço.

Na capital paulista, a força dos ventos derrubou árvores sobre veículos e vias importantes, provocando congestionamentos, interrupções no trânsito e transtornos ao transporte público. A Defesa Civil emitiu alertas para a população evitar deslocamentos durante o pico da tempestade, diante do risco de novos acidentes. Os feridos sofreram, principalmente, lesões provocadas pela queda de galhos e estruturas metálicas.

Entenda por que ventou tanto no Rio nesta terça-feira | G1

No estado do Rio de Janeiro, os ventos também provocaram danos à rede elétrica. A interrupção no fornecimento de energia atingiu centenas de milhares de consumidores em diferentes municípios da Região Metropolitana e da capital, afetando residências, comércios e serviços públicos. Em diversos bairros, moradores relataram longas horas sem luz e dificuldades de comunicação.

Os impactos do mau tempo também atingiram a mobilidade urbana. Houve interrupções e atrasos em diferentes modais de transporte, além de quedas de árvores que bloquearam ruas e avenidas. As concessionárias de energia informaram que reforçaram suas equipes para acelerar os reparos, mas alertaram que a normalização completa poderia levar várias horas, em razão do grande número de ocorrências simultâneas.

Qual foi a velocidade do vento de quarta-feira, em São Paulo? | Exame

Meteorologistas explicam que o episódio foi provocado pela combinação entre uma massa de ar frio e um sistema de baixa pressão, capaz de gerar rajadas intensas e mudanças bruscas nas condições atmosféricas. A previsão indica que o tempo deve permanecer instável em parte do Sudeste, mantendo o risco de novos temporais localizados e ventos fortes nos próximos dias.

O episódio reforça a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de eventos climáticos extremos, que têm se tornado mais frequentes e provocado impactos crescentes sobre o fornecimento de energia, a mobilidade e a segurança da população nas grandes cidades brasileiras.

Ventos fortes causam cinco mortes em São Paulo e Rio de Janeiro | CNN Brasil

Aeroportos ainda registram cancelamentos após vendaval
O aeroporto de Congonhas tem três voos cancelados na manhã desta quinta-feira (30) por ajuste de malha aérea, segundo a concessionária Aena. Na quarta-feira (29), houve 32 chegadas e 22 partidas canceladas devido às condições meteorológicas.

“Toda a infraestrutura do Aeroporto de Congonhas está disponível para pousos e decolagens, além de todos os serviços para atendimento aos passageiros”, afirmou a concessionária.

A operação segue normal no Aeroporto de Guarulhos, de acordo com a Gru Airport. Ontem, dois voos tiveram de ser alternados.


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Política

Um escândalo a mais: Regra defendida por Flávio Bolsonaro beneficiou setor que recebeu investimentos do Banco Master

As revelações sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, continuam produzindo novos questionamentos sobre a convergência entre atuação política e interesses econômicos. Um dos pontos que passou a chamar atenção é a defesa, por Flávio, de mudanças regulatórias que beneficiavam diretamente um setor no qual o Banco Master havia realizado investimentos significativos.

A Polícia Federal está investigando se o ocorrido foi em troca de vantagens ou mediante coordenação com o banco, a coincidência entre os interesses defendidos pelo senador e os investimentos do conglomerado financeiro amplia o escrutínio sobre sua relação com Vorcaro.

O caso ganha relevância porque o Banco Master tornou-se alvo de uma série de investigações conduzidas pela Polícia Federal e por órgãos reguladores, que apuram suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e operações irregulares envolvendo recursos públicos. Daniel Vorcaro nega as acusações e afirma que o banco enfrentou uma crise de liquidez, não de solvência.

As investigações também revelaram que Flávio manteve interlocução frequente com Vorcaro. Reportagens mostraram, por exemplo, que o senador intermediou pedidos de recursos para projetos ligados ao universo bolsonarista, enquanto a Polícia Federal apura a natureza dessas operações financeiras. Flávio afirma que não recebeu vantagem indevida e sustenta que todas as negociações ocorreram dentro da legalidade.

Nesse contexto, a defesa de normas que favoreciam um segmento econômico financiado pelo Master passa a ser analisada sob uma nova perspectiva. Especialistas em integridade pública costumam observar que, mesmo quando não há prova de ilegalidade, a coincidência entre interesses privados e atuação parlamentar pode suscitar questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse, especialmente quando há relações pessoais ou comerciais entre agentes políticos e empresários.

O episódio soma-se a uma sequência de revelações envolvendo a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nos últimos meses vieram à tona informações sobre pagamentos, notas fiscais emitidas por seu escritório de advocacia, além de mensagens entre o senador e o banqueiro, fatos que passaram a integrar diferentes linhas de investigação e reportagens. Flávio nega irregularidades e afirma que sua atuação profissional e política sempre observou os limites da lei.

À medida que as investigações avançam, a tendência é que a atuação legislativa relacionada a setores econômicos beneficiados pelo Banco Master também seja examinada pelas autoridades e pela opinião pública. Ainda que a existência de uma regra favorável não constitua, por si só, prova de irregularidade, ela amplia o contexto em que as relações entre política e interesses financeiros passam a ser avaliadas.


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Política

Bolsonaro de papelão digital custará caro para Flávio

A tentativa de transformar Jair Bolsonaro em um personagem onipresente por meio da inteligência artificial pode acabar produzindo o efeito contrário ao desejado pela campanha de Flávio Bolsonaro. Ao recorrer a uma versão digital do ex-presidente para participar de eventos políticos, gravar mensagens e mobilizar apoiadores, a estratégia revela, antes de tudo, a dificuldade do candidato em construir uma identidade própria.

O problema não é apenas tecnológico. É político. Um “Bolsonaro de papelão digital” pode emocionar parte da militância mais fiel, mas dificilmente convence o eleitor que procura respostas para problemas concretos do país. A insistência em reproduzir, ainda que virtualmente, a imagem do patriarca reforça a percepção de que Flávio continua dependente do sobrenome e incapaz de conduzir uma campanha baseada em propostas e liderança próprias.

Além disso, o recurso à inteligência artificial levanta questionamentos éticos e jurídicos. Em um cenário de crescente preocupação com desinformação e manipulação digital, o uso de avatares hiper-realistas de figuras públicas tende a ser observado com atenção pela Justiça Eleitoral. Mesmo quando identificado como conteúdo sintético, o impacto sobre a opinião pública pode gerar controvérsias e alimentar novas disputas judiciais.

Há ainda um aspecto simbólico difícil de ignorar. Campanhas presidenciais costumam buscar transmitir força, renovação e capacidade de liderança. Quando o principal ativo eleitoral de um candidato é uma versão digital de outra pessoa, a mensagem implícita é de fragilidade. Em vez de apresentar um projeto para o futuro, a campanha parece prisioneira da necessidade de reviver o passado.

Para o eleitor moderado, que costuma decidir eleições, a imagem de um Bolsonaro recriado por inteligência artificial pode soar mais como um artifício de marketing do que como demonstração de vigor político. O efeito novidade tende a desaparecer rapidamente, dando lugar à percepção de artificialidade e de falta de autenticidade.

No fim das contas, o “Bolsonaro de papelão digital” corre o risco de se tornar um símbolo involuntário da própria campanha de Flávio: uma candidatura sustentada pela sombra do pai, incapaz de caminhar com as próprias pernas. Em política, avatares podem chamar atenção por alguns minutos, mas dificilmente substituem liderança, credibilidade e capacidade de convencer o eleitorado. E essa conta pode custar caro nas urnas.


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Política

Vídeo: Bolsonaro deve culpar Flavio por vídeo de IA: “Não sabia”

Moraes apontou risco de retorno ao regime fechado
Flávio Bolsonaro não pode visitar o pai desde que leu uma carta aberta dele destinada aos eleitores. Condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro está impedido de fazer manifestações políticas, de forma direta ou por intermédio de terceiros.

No despacho, Moraes afirmou que uma eventual concordância de Bolsonaro com a divulgação do vídeo poderia levar à reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado. O ministro destacou que a peça circulou amplamente nas redes sociais e continha declarações de caráter político-eleitoral.

“A eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial”, escreveu o relator.

O ministro também citou a decisão anterior que proibiu a divulgação de manifestos político-eleitorais por Bolsonaro, inclusive por terceiros e qualquer meio de comunicação. O despacho ainda menciona a vedação eleitoral ao uso de imagem sem autorização.

Se a defesa negar que Bolsonaro autorizou ou conhecia o vídeo, a apuração sobre a produção e a veiculação da peça pode se concentrar em Flávio Bolsonaro e no PL, já que a legislação eleitoral proíbe o uso de deepfake.

*DCM


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Política

Cavalo de Troia: Milei usou a convenção de Flávio para se promover

A presença do presidente argentino Javier Milei na convenção do PL foi vendida como uma demonstração de força internacional da candidatura de Flávio Bolsonaro. Na prática, porém, o saldo político parece ter sido outro: quem mais lucrou com o evento foi o próprio Milei.

Em meio ao desgaste de seu governo na Argentina, marcado por dificuldades econômicas, protestos e perda de popularidade, Milei encontrou na política brasileira um palco para reposicionar sua imagem junto à direita internacional. Transformou a convenção em uma vitrine para reafirmar seu discurso ideológico, posar como liderança continental do campo ultraconservador e alimentar sua projeção externa.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, assumiu um papel secundário. O foco da cobertura acabou dividido entre o visitante estrangeiro e a família Bolsonaro, enquanto as propostas do pré-candidato permaneceram em segundo plano. Em vez de fortalecer sua identidade política, a convenção reforçou a impressão de que sua campanha depende da mobilização de personagens externos e do capital político herdado do pai.

A estratégia também traz riscos diplomáticos. A participação ostensiva de um chefe de Estado estrangeiro em um evento de natureza eleitoral inevitavelmente suscita questionamentos sobre os limites da interferência internacional em disputas políticas nacionais. Ainda que cada país tenha suas próprias regras, a imagem transmitida foi a de uma tentativa de importar conflitos ideológicos para o cenário brasileiro.

Sob esse aspecto, a metáfora do “Cavalo de Troia” faz sentido. A promessa era de que Milei chegaria para impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Mas, uma vez aberto o “presente”, quem ocupou o centro do palco foi o argentino. Seu discurso, sua agenda e sua própria projeção passaram a dominar o noticiário, enquanto a campanha brasileira ficou em segundo plano.

No fim, a convenção revelou uma inversão de papéis. Em vez de servir aos interesses eleitorais de Flávio Bolsonaro, o evento ofereceu a Milei uma oportunidade de reconstruir sua imagem perante sua base internacional, ampliar sua visibilidade e reafirmar seu protagonismo político. O convidado acabou se tornando o principal beneficiário da festa.

Se havia a expectativa de um impulso decisivo para a candidatura bolsonarista, o resultado foi ambíguo. Milei saiu com mais exposição; Flávio, com mais uma demonstração de que sua campanha ainda busca um discurso e um protagonismo próprios.

Trocando em miúdos, Milei agiu como amigo da onça do  clã Bolsonaro.


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Pesquisa

Atlas/Intel: Lula amplia vantagem e chega mais forte ao segundo turno contra Flávio Bolsonaro

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg reforça uma tendência que vem se consolidando ao longo da corrida presidencial: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma vantagem consistente sobre o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira, Lula aparece com 49,2% das intenções de voto, contra 42,9% de Flávio Bolsonaro, ampliando ligeiramente a diferença em relação à pesquisa anterior.

Os números mostram que, apesar da forte polarização da disputa, Flávio ainda encontra dificuldades para romper o teto eleitoral e conquistar segmentos decisivos do eleitorado. A vantagem de Lula permanece acima da margem de erro do levantamento, indicando um cenário favorável ao atual presidente neste momento da campanha.

O resultado também sugere que a estratégia de nacionalizar a campanha em torno do legado do bolsonarismo ainda não foi suficiente para reduzir a distância. Nas últimas semanas, Flávio buscou reforçar sua candidatura com apoios internacionais e intensificou o discurso voltado ao eleitorado conservador. Ainda assim, a pesquisa indica que esse movimento não se traduziu em crescimento capaz de ameaçar a liderança de Lula.

Em comparação com levantamentos anteriores da própria AtlasIntel, observa-se estabilidade na intenção de voto de Lula e um crescimento insuficiente de Flávio para alterar o quadro geral. O cenário confirma uma tendência observada desde julho: o presidente preserva uma vantagem confortável na simulação de segundo turno.

Embora a campanha ainda tenha espaço para mudanças, especialmente diante da intensificação da propaganda eleitoral e dos debates, o levantamento reforça que Lula inicia a fase decisiva da disputa em posição mais favorável. Para Flávio Bolsonaro, o desafio passa a ser ampliar seu alcance para além do eleitorado já identificado com o bolsonarismo e reduzir sua rejeição entre os eleitores moderados, condição considerada fundamental para tornar a disputa mais competitiva.

  • Lula (PT): 49,2%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 42,9%
  • Voto nulo/branco/não sei: 7,9%

De acordo com a sondagem, o petista tem vantagem de 6,3 pontos percentuais sobre Flávio. Na pesquisa anterior, realizada no fim de junho, o presidente brasileiro tinha 48,8%, enquanto Flávio pontuava 42,3% — a diferença era de 6,5 pontos percentuais.

O levantamento foi feito entre os dias 22 e 27 de julho, com 5 mil entrevistados. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08602/2026.


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Pesquisa

Lula lidera em 12 estados e Flávio em 7

Cinco estados seguem indefinidos

Levantamentos estaduais mostram maior alcance territorial do presidente, enquanto o Datafolha aponta vantagem de dez pontos para Lula entre as mulheres em eventual segundo turno. Entre os homens, os dois aparecem empatados dentro da margem de erro.

A corrida pela Presidência da República entra em uma fase decisiva com um cenário marcado pela divisão regional e por diferenças importantes entre os segmentos do eleitorado. Levantamento realizado pelo Poder360 a partir das pesquisas mais recentes de cada Unidade da Federação mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, à frente em 12 estados. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, lidera em sete.

Os estados em que Lula aparece na primeira posição concentram aproximadamente 67,13 milhões de eleitores, o equivalente a 42,29% do eleitorado brasileiro. Já as unidades lideradas por Flávio Bolsonaro reúnem 29,42 milhões de votantes, correspondentes a 18,53% do total nacional.

Lula lidera no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O resultado evidencia a força do presidente no Nordeste, onde aparece à frente em oito dos nove estados, além de sua vantagem em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, lidera em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Acre. O desempenho mostra maior presença do candidato do PL no Sul, no Centro-Oeste e em parte da Região Norte.

Ronaldo Caiado, do PSD, aparece na liderança apenas em Goiás. O estado reúne cerca de 5,08 milhões de eleitores e representa 3,2% do eleitorado nacional. É a única Unidade da Federação em que um nome fora da polarização entre PT e PL ocupa isoladamente a primeira posição nas pesquisas analisadas.

Cinco estados permanecem sem favorito definido
Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins apresentam empate técnico entre os dois candidatos numericamente mais bem colocados. A indefinição em São Paulo e no Rio de Janeiro ganha especial importância devido ao peso eleitoral desses estados e à necessidade de os candidatos ampliarem suas votações fora de seus redutos tradicionais.

Alagoas e Roraima ficaram fora do levantamento porque não havia pesquisas recentes com íntegra e metodologia disponíveis para consulta no banco de dados da Justiça Eleitoral.

Em dez estados, o candidato que ocupa a liderança aparece com mais de 50% dos votos válidos no cenário local. O dado, porém, não significa que a eleição esteja definida. A escolha do presidente é feita pela soma nacional dos votos válidos, e não pela quantidade de estados conquistados. Para vencer no primeiro turno, uma candidatura precisa alcançar mais da metade dos votos válidos em todo o país.

Datafolha aponta vantagem nacional de Lula
No levantamento nacional mais recente do Datafolha, Lula aparece com 48% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 43%. Outros 9% afirmaram que votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum dos dois, enquanto 1% não soube responder.

No cenário de primeiro turno, Lula tem 40% e Flávio aparece com 32%. Quando são considerados apenas os votos válidos, excluindo brancos e nulos, os percentuais ficam em 45% para o presidente e 36% para o senador. Os demais candidatos aparecem com 4% ou menos.

Os números mostram que Lula mantém vantagem nacional, mas ainda abaixo do patamar necessário para encerrar a disputa no primeiro turno. A existência de cinco estados em empate técnico também indica que a distribuição regional dos votos poderá sofrer alterações durante a campanha.

Eleitorado feminino amplia diferença
O principal desequilíbrio entre Lula e Flávio aparece no recorte por gênero. Em um eventual segundo turno, 50% das mulheres dizem que votariam em Lula, enquanto 40% escolheriam Flávio Bolsonaro. A diferença é de dez pontos percentuais.

Entre os homens, o cenário é diferente. Flávio aparece com 46%, enquanto Lula registra 45%. Como a margem de erro desse recorte é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados no eleitorado masculino.

A resistência também aparece nos índices de rejeição. Metade das mulheres entrevistadas afirmou que não votaria em Flávio de maneira alguma no primeiro turno. A rejeição feminina a Lula é de 44%. No conjunto do eleitorado, Flávio tem rejeição de 48% e Lula, de 46%, diferença que representa empate técnico.

Apesar da desvantagem, Flávio reduziu parte da distância nesse segmento. Em junho, Lula tinha uma vantagem de 15 pontos entre as mulheres no cenário de segundo turno. No levantamento de julho, a diferença caiu para dez pontos. A distância na rejeição feminina também diminuiu de 13 para seis pontos.

Campanhas disputam aproximação com as mulheres
Diante dos números, a campanha de Flávio Bolsonaro passou a priorizar a possibilidade de escolher uma mulher como candidata a vice-presidente. O senador também apresentou o programa Brasil por Elas, com propostas voltadas a creches, conectividade e empreendedorismo feminino, além de ampliar a presença de sua mulher, Fernanda Bolsonaro, em eventos públicos.

Lula também intensificou ações destinadas ao eleitorado feminino, com discursos sobre o combate ao feminicídio, aumento de punições e medidas de proteção às vítimas. Ronaldo Caiado adotou estratégia semelhante ao apresentar propostas direcionadas às mulheres durante a convenção do PSD.

O movimento das campanhas mostra que o voto feminino deverá ocupar uma posição central na disputa. Como as diferenças nacionais permanecem relativamente estreitas, alterações de poucos pontos nesse segmento podem provocar impacto relevante no resultado final.

Pesquisas exigem leitura cuidadosa
O levantamento estadual do Poder360 não é uma única pesquisa nacional. Trata-se de uma compilação dos estudos mais recentes disponíveis em cada estado, realizados por institutos diferentes, em períodos distintos e com metodologias próprias. Por esse motivo, o mapa deve ser interpretado como um retrato da distribuição geográfica das forças políticas, e não como uma projeção direta do resultado nacional.

Já o Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Nos recortes entre homens e mulheres, a margem sobe para três pontos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026. Diário de SP.


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