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Vídeo: CNBB teve conta no X bloqueada em meio a debate religioso na eleição

Episódio ocorre em meio à repercussão de manifestações de bispos e à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informou nesta sexta-feira (25) que está com dificuldades para acessar sua conta oficial no X, a @cnbbnacional. A entidade afirmou que acionou o suporte da plataforma e já enviou as informações e comprovações solicitadas sobre a titularidade e a administração do perfil.

A CNBB não detalhou o que provocou o problema nem informou se houve invasão, suspensão ou algum tipo de restrição aplicada pela plataforma. “A CNBB já acionou o suporte da plataforma e está realizando os procedimentos necessários para recuperar o acesso ao perfil”, afirmou a entidade em nota.

O episódio ocorre em um momento em que manifestações de integrantes da Igreja Católica ganharam espaço no debate político e eleitoral, especialmente em torno de temas como soberania nacional, democracia, voto consciente e uso da religião na política.

Nesta semana, declarações de bispos voltaram a repercutir nas redes sociais. Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, afirmou que “nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui”. Bispos da Regional Norte 1 da CNBB também divulgaram posicionamentos em defesa da soberania brasileira, da democracia e dos direitos da população.

A própria CNBB havia divulgado, em 7 de setembro, uma mensagem na qual reafirmou o compromisso com um Brasil “livre e soberano, democrático, justo e fraterno”, além de defender o respeito à Constituição, às instituições republicanas e à soberania nacional.

Debate sobre Nossa Senhora Aparecida ganha as redes
A dificuldade de acesso ao perfil também foi comunicada depois de uma forte repercussão nas redes sociais envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a eleição presidencial.

Publicações passaram a associar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma eventual tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto recuperado nas redes é de 2007, foi apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli e acabou arquivado pela Câmara em 2008.

A proposta pretendia alterar a legislação para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Galli viria posteriormente a ocupar um cargo no governo de Jair Bolsonaro.

A discussão ganhou ainda mais alcance após um comentário no programa “Em Pauta”, da GloboNews, relacionar a movimentação à atual disputa eleitoral. A emissora posteriormente corrigiu a informação e esclareceu que o projeto citado era antigo e estava arquivado desde 2008.

Flávio também publicou um vídeo para negar qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, declarou o candidato.

Enquanto tenta recuperar a conta, a CNBB orientou que seus demais canais (portal oficial, Instagram, Facebook, YouTube, TikTok e LinkedIn) sejam considerados meios oficiais de comunicação da entidade.

Leia a nota da CNBB:

“A Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informa que está com dificuldades de acesso à conta oficial da instituição na plataforma X, @cnbbnacional.

A CNBB já acionou o suporte da plataforma e está realizando os procedimentos necessários para recuperar o acesso ao perfil. As informações e comprovações solicitadas sobre a titularidade e a gestão da conta já foram encaminhadas.

Enquanto a situação não for normalizada, orientamos que sejam considerados oficiais os demais canais de comunicação da CNBB (portal oficial, Instagram, Facebook, YouTube, TikTok e LinkedIn).

Agradecemos a compreensão e reforçamos nosso compromisso com uma comunicação responsável, transparente e a serviço da Igreja no Brasil.

Assessoria de Comunicação Conferência Nacional dos Bispos do Brasil”

*ICL


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Mendonça votou a favor de Castro 4 vezes na época em que seu instituto ganhou contratos no Rio

Iter foi contratado sem licitação por cinco órgãos da gestão Castro entre 2025 e 2026

Desde 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça proferiu voto ou tomou decisões favoráveis aos interesses do ex-governador Cláudio Castro (PL) no mesmo período em que o Instituto Iter, empresa criada por ele após entrar para Corte, foi contratado sem licitação por cinco órgãos do governo do Rio de Janeiro.

Os votos e decisões de Mendonça foram proferidos em pelo menos quatro ocasiões em processos que correram no STF ou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Um levantamento feito pelo Núcleo Investigativo do ICL Notícias mostra que, ao longo do período em que Mendonça tomou decisões a favor do ex-governador do Rio, o Iter foi contratado pela Secretaria de Segurança, Corpo de Bombeiros e Procuradoria-Geral do Estado, em transações que somam ao menos R$ 1 milhão.

Questionado sobre a possibilidade de um conflito de interesse entre o momento em que se celebram os contratos e os julgamentos, o ministro André Mendonça disse que nunca participou da gestão do Iter. “A insinuação de correlação entre decisões judiciais e contratos de uma entidade privada da qual o magistrado nunca foi gestor é infundada”, afirmou o ministro. Já o Instituto Iter afirmou por nota que o ministro “nunca participou de sua gestão nem atuou na prospecção de clientes, na negociação ou assinatura de contratos, na definição de preços ou na organização das turmas”. Além disso, informou que “estabelecer vínculo entre decisões judiciais e contratações educacionais regulares, sem qualquer elemento concreto que as relacione, é uma ilação grave, que não encontra respaldo nos fatos”. (A íntegra das notas ao final)

A primeira decisão favorável para Castro se deu em 10 de outubro de 2024, poucos meses antes das contratações pelo governo do Rio. Mendonça decidiu pelo fim de duas investigações contra o então governador fluminense sobre um suposto esquema de corrupção na Fundação Leão XIII. Essa investigação, iniciada no Rio de Janeiro em 2019, apontava a participação de Castro no desvio de recursos enquanto atuava como vereador e vice-governador.

Dois delatores detalharam o envolvimento de Castro no esquema. Um deles relatou o pagamento de propina para o chefe do Executivo em diversas oportunidades – em uma delas, Castro foi flagrado em imagens saindo de um escritório com uma mochila que, segundo um dos delatores, teria R$ 100 mil.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreu da decisão de Mendonca ainda em outubro de 2024. Contudo, o ministro deixou o caso parado por 219 dias. Enquanto Mendonça evitava pautar o julgamento de Castro, duas secretarias do governo do Rio abriram processos para contratar, sem licitação, o Instituto Iter. O primeiro contrato foi publicado no Diário Oficial do Rio oito dias depois da Segunda Turma do STF confirmar a decisão do ministro.

No começo deste mês de setembro, depois de uma sequência de revelações sobre contratos firmados sem licitação com órgãos públicos pelo instituto, Mendonça anunciou sua saída da sociedade (leia mais abaixo).

Mendonça manifesta preocupação com independência da PF em reunião com  ministro da Justiça, que promete autonomia à corporação

Sete meses na gaveta
Após a decisão de Mendonça para encerrar as investigações, o recurso da PGR foi apresentado em 28 de outubro de 2024. No entanto, só em 4 de junho de 2025 Mendonça incluiu o caso em julgamento virtual na Segunda Turma. Entre 13 e 24 de junho de 2025, sua posição venceu por unanimidade.

Enquanto o processo no STF esteve parado, a Secretaria de Segurança do Rio abriu, em 26 de março de 2025, o processo de contratação do Iter. Já o Corpo de Bombeiros abriu o seu contrato em 29 de maio, seis dias antes de o caso ser pautado e foi finalizado no valor de R$ 20.250,00, em 2 de julho, oito dias depois do fim do julgamento.

As contratações começaram na semana em que Mendonça teve um encontro na sede do Iter com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em São Paulo, em 14 de março de 2025. A reunião foi revelada pelo jornalista Paulo Motoryn, em sua newsletter Noites Húngaras e no ICL Notícias.

Três dias depois, em 17 de março, Mendonça tomou a segunda decisão favorável ao grupo político de Castro: o ministro abriu uma divergência no julgamento de embargos de declaração para tentar absolver Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e então secretário de Castro, de uma condenação por crimes ambientais. Apesar da movimentação de Mendonça, a Segunda Turma do STF rejeitou os embargos e manteve a condenação, em julgamento no plenário virtual.

Bolsonarista, Reis era um dos principais aliados de Castro e foi escolhido por ele como vice em 2022, mas teve que sair da chapa justamente em função da condenação que Mendonça votou para reverter.

O processo da Secretaria de Segurança seria aberto nove dias depois desse voto.

André Mendonça e o Caso Master
Em fevereiro de 2026, Mendonça já estava na relatoria do caso Master no STF e um dos casos do qual ele é responsável versa sobre o possível pagamento de propina por trás dos aportes de quase R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado, no banco que era controlado por Daniel Vorcaro.

Em 23 de março de 2026, a Procuradoria-Geral do Estado assinou contrato de R$ 53 mil com o Iter. No dia seguinte, Mendonça votou pela terceira vez a favor dos interesses de Castro, Desta vez, o ministro se posicionou pela absolvição do ex-governador do Rio no Tribunal Superior Eleitoral , no julgamento do escândalo dos cargos secretos – o uso político e eleitoral da Fundação Ceperj e da Uerj pelo governo do Rio de Janeiro por meio da contratação secreta de mais de 45 mil pessoas com pagamentos em dinheiro vivo para beneficiar a campanha à reeleição de Cláudio Castro. O governador acabou condenado por 5 a 2 e se tornou inelegível, tendo que abrir mão da pré-candidatura ao Senado na eleição deste ano

Treze dias depois do voto, em 6 de abril, a Secretaria de Segurança assinou contrato de R$ 518 mil com o instituto.

Três dias depois, Mendonça atuou pela quarta vez a favor de Castro: no plenário do STF, o ministro antecipou voto pela realização de eleições indiretas no Rio, possibilitando a manobra que o ex-governador criou para botar seu aliado Douglas Ruas (PL), candidato do partido ao governo do Rio, no comando do estado durante a eleição. Cinco dias depois do voto de Mendonça, em 14 de abril, o governo emitiu o empenho da despesa.

Cláudio Castro diz a aliados que vai renunciar no RJ na véspera de  julgamento no TSE

As mochilas e o escritório de Castro
Castro deixou o governo no fim de abril de 2026. Em maio, o ex-governador foi alvo de duas operações da PF em 11 dias. A primeira, sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, teve buscas determinadas no apartamento do ex-governador na Barra da Tijuca na investigação sobre as fraudes do Grupo Refit.

A segunda foi ordenada por Mendonça no caso Master: a PF esteve na cobertura para onde Castro havia se mudado, no mesmo prédio, e apreendeu celulares.

A PF também pediu autorização para fazer buscas no escritório de advocacia do ex-governador. Os policiais apresentaram imagens de câmeras de segurança que mostram Castro deixando o local com mochilas no dia anterior à busca, e levantaram a suspeita de que o ex-governador tenha sido avisado e retirado documentos que interessavam aos investigadores.

Mendonça negou o pedido, sob o argumento de que a PF não demonstrou tentativa de obstrução nem o conteúdo das bolsas, na quinta decisão favorável a Castro. Desse modo, o escritório não foi alvo de buscas.

O ministro André Mendonça em evento organizado pelo Instituto Iter

O instituto de André Mendonça
O Iter foi fundado em novembro de 2023. Segundo documentos contábeis obtidos pelo ICL Notícias, a empresa faturou R$ 10,4 milhões em 2025 e acumula 68 contratos com entes públicos, somando R$ 11,47 milhões.

Mendonça e a esposa detinham 77,5% das ações, e dois dos sócios são assessores do ministro no STF e no TSE. Em 3 de setembro, depois da repercussão, Mendonça anunciou que deixaria a sociedade, cedendo suas cotas e as da esposa sem contrapartida financeira, mas seguirá como professor e palestrante do instituto.

No entanto, até está quinta-feira (24), não consta na Junta Comercial de São Paulo nenhum registro de que Mendonça e a esposa tenham deixado a empresa.

O Iter afirma que cursos de formação são serviços técnicos especializados e que a lei admite contratação direta por inexigibilidade, e que a escolha da modalidade cabe ao órgão contratante. O governo do Rio informou ter seguido a Lei de Licitações, com comprovação da notória especialização do instituto e compatibilidade de preços.

Nota ministro André Mendonça:
“O ministro jamais participou da gestão administrativa, financeira ou comercial do Instituto Iter, do qual não é mais sócio, e sempre observou rigorosamente os impedimentos e vedações da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Todas as decisões proferidas pelo ministro nos processos citados são públicas, fundamentadas e baseadas estritamente na legislação aplicável e nos elementos dos autos, com os argumentos jurídicos integralmente expostos nos votos.

Essa atuação é verificável, inclusive em decisões contrárias aos interesses do ex-governador. Em 26 de maio de 2026, na Petição 15676, o ministro autorizou, a pedido da Polícia Federal e com ratificação da Procuradoria-Geral da República, os mandados de busca e apreensão cumpridos na residência do sr. Cláudio Castro na 8ª fase da Operação Compliance Zero. No Tribunal Superior Eleitoral, reconheceu a ocorrência de abuso de poder com impacto na normalidade e na legitimidade das eleições de 2022 no Rio de Janeiro e consignou que a cassação seria cabível, restando prejudicada a pena diante da renúncia ao mandato.

A insinuação de correlação entre decisões judiciais e contratos de uma entidade privada da qual o magistrado nunca foi gestor é infundada. A atuação jurisdicional do ministro pauta-se exclusivamente pela imparcialidade e pelo devido processo legal.

Nota do ICL Notícias: Como é público o voto no TSE, o ministro André Mendonça entendeu não haver provas para condenar Castro à inelegibilidade. Quanto à cassação da chapa do ex-governador, o ministro afirmou durante o julgamento que a análise ficou prejudicada pela renúncia de Cláudio Castro, feita na véspera do julgamento”.

Nota do Instituto Iter
“O Instituto Iter é uma instituição de ensino dedicada à capacitação de profissionais dos setores público e privado, em cursos com conteúdo, preços e critérios de participação iguais para todos os alunos, independentemente de quem os contrata.

Os contratos mencionados referem-se à capacitação de servidores de órgãos técnicos do Estado do Rio de Janeiro: Secretaria de Estado de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Procuradoria-Geral do Estado. Foram contratações pontuais, de um a cinco servidores cada, com valores entre R$ 19,3 mil e R$ 71,5 mil, todas já executadas.

As contratações partiram de demandas dos próprios órgãos, conforme suas necessidades de formação e tramitaram pelos sistemas oficiais do Estado, com processo administrativo, empenho e publicidade nos termos da Lei nº 14.133/2021. Os documentos são públicos.

O ministro, que não integra mais o quadro societário do Instituto, nunca participou de sua gestão nem atuou na prospecção de clientes, na negociação ou assinatura de contratos, na definição de preços ou na organização das turmas. A atividade educacional do Instituto e a função jurisdicional do ministro são esferas inteiramente distintas.

Estabelecer vínculo entre decisões judiciais e contratações educacionais regulares, sem qualquer elemento concreto que as relacione, é uma ilação grave, que não encontra respaldo nos fatos. Além de desconsiderar a natureza técnica do trabalho do Instituto e dos servidores capacitados, lança suspeita infundada sobre a atuação de um ministro do Supremo Tribunal Federal, cujas decisões são fundamentadas, públicas e sujeitas aos recursos e ao controle previstos em lei. Insinuações dessa natureza, sem base factual, atingem a credibilidade do próprio Judiciário e exigem de quem as formula a devida responsabilidade”.

*Juliana Dal Piva e Igor Mello/ICL


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Depois de incontáveis mentiras sobre seus crimes, como Flávio Bolsonaro continua candidato à Presidência da República diante de um TSE omisso?

Perdeu-se a conta das mentiras graves ditas por Flávio Bolsonaro nesta campanha. E, ainda assim, ele chega à reta final como candidato à Presidência da República, a poucos dias do primeiro turno, sem que isso tenha produzido, até aqui, uma consequência eleitoral capaz de interromper sua candidatura. A pergunta, portanto, é inevitável: para que serve o Tribunal Superior Eleitoral?

Não se trata de exigir que o TSE escolha candidatos, muito menos de substituir a vontade soberana do eleitor. Trata-se de perguntar qual é o limite institucional quando um candidato utiliza a campanha para disseminar afirmações falsas ou enganosas. O próprio TSE estabeleceu regras para combater a desinformação e afirma que a propaganda eleitoral deve respeitar normas destinadas a garantir um processo equilibrado.

E há uma diferença fundamental entre crítica política, exagero retórico e mentira factual. A democracia suporta — e precisa suportar — opiniões duras, acusações e divergências. O que não pode ser naturalizado é a ideia de que uma campanha eleitoral seja um território sem consequências para quem apresenta como fato aquilo que não consegue sustentar.

O próprio tribunal já demonstrou que pode agir. Em junho, por exemplo, determinou a remoção de conteúdos publicados contra Flávio Bolsonaro que o associavam a facções criminosas. Em setembro, também confirmou punição por propaganda eleitoral negativa impulsionada irregularmente na internet. Portanto, a Justiça Eleitoral não é uma instituição sem instrumentos.

É justamente por isso que a cobrança precisa ser feita com mais força: se existem regras, critérios e mecanismos para preservar a integridade do processo eleitoral, por que a sensação de impunidade permanece quando se acumulam mentiras graves atribuídas a um candidato presidencial?

O problema não é o TSE impedir alguém de disputar uma eleição por discordância política. O problema seria permitir que a mentira eleitoral se transforme em método, enquanto a Justiça chega sempre depois que o dano já foi produzido.

Uma eleição presidencial não pode ser uma competição em que a velocidade da mentira seja maior que a velocidade da Justiça. Quando a decisão chega depois de milhões de votos terem sido influenciados, a pergunta sobre a efetividade da fiscalização deixa de ser retórica e passa a ser institucional.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. E, a esta altura, a sociedade tem todo o direito de perguntar: qual é o limite para a desinformação numa eleição presidencial? Quem fiscaliza esse limite? E, sobretudo, quais são as consequências quando ele é ultrapassado?

Porque democracia não é apenas colocar uma urna eletrônica à disposição do eleitor. É garantir que o eleitor chegue à urna tendo recebido informação submetida às mesmas regras que valem para todos.

Se a Justiça Eleitoral não consegue responder a isso antes que o voto seja depositado, para que momento exatamente ela está guardando sua autoridade?


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São Paulo diante de um divisor de águas

A eleição para o governo de São Paulo coloca diante do eleitorado uma discussão que vai muito além da disputa entre dois nomes. Ela coloca em debate que tipo de Estado se quer construir e qual lugar a educação, a ciência e o conhecimento devem ocupar nesse projeto.

De um lado está Fernando Haddad, professor da Universidade de São Paulo, com formação acadêmica em Direito, Economia e Filosofia, e que comandou o Ministério da Educação por sete anos. Nesse período, foram criadas ou ampliadas políticas que marcaram a educação brasileira, como Prouni, Sisu, Ideb, Institutos Federais, Universidade Aberta do Brasil e Pibid.

Do outro está Tarcísio de Freitas, atual governador, cuja declaração de que “o diploma universitário não é mais importante” abriu um debate inevitável sobre a valorização da formação acadêmica.

É impossível ignorar o simbolismo desse contraste.

Enquanto uma trajetória política está associada à universidade, à formação acadêmica e à expansão de políticas de acesso ao ensino superior, a outra apresenta uma visão segundo a qual o diploma universitário teria perdido importância.

E isso ganha ainda mais peso quando se olha para os indicadores educacionais de São Paulo. Segundo checagem da Lupa, a rede estadual de ensino médio passou da terceira posição nacional no Ideb, em 2021, para a décima em 2025. A nota caiu de 4,4 para 4,3 no período.

Não se trata, portanto, de uma discussão abstrata sobre diplomas. Trata-se de decidir qual valor São Paulo atribui ao professor, à escola pública, à universidade, à pesquisa e à formação profissional de sua juventude.

São Paulo é o estado mais rico e mais populoso do país. Não pode tratar educação como detalhe administrativo nem transformar conhecimento em algo descartável. Uma sociedade que pretende disputar inovação, produtividade, tecnologia e desenvolvimento precisa de escolas funcionando, professores valorizados, universidades fortes e jovens com acesso à formação de qualidade.

A eleição, nesse sentido, pode ser lida como um confronto entre projetos e concepções distintas de futuro. De um lado, Haddad, a defesa da formação e do conhecimento como instrumentos de transformação social; de outro, Tarcícios, uma concepção que relativiza a importância do diploma universitário.

O eleitor paulista terá diante de si essa diferença — e caberá a ele avaliar, à luz das propostas, dos resultados e das trajetórias apresentadas na campanha, qual visão de educação e de Estado considera adequada para São Paulo.


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Quando o escândalo chega ao quintal da velha mídia, o silêncio começa

Foi um verdadeiro festival.

Durante semanas, a velha mídia transformou o STF em uma espécie de vilão nacional de plantão. Cada decisão, cada ministro, cada conflito institucional servia de matéria-prima para manchetes alarmistas, colunas indignadas e intermináveis discussões destinadas a produzir uma conclusão política muito conveniente: era preciso desgastar o Supremo e, por tabela, criar desgaste para Lula.

O problema é que a realidade, essa inconveniente senhora que insiste em aparecer quando menos se espera, resolveu mudar o roteiro.

O espetáculo montado para atingir o STF acabou produzindo um efeito político que seus autores talvez não tivessem previsto: o desgaste passou a respingar muito mais no campo bolsonarista, especialmente em Flávio Bolsonaro.

E então veio o caso Banco Master, com as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro e as revelações sobre relações envolvendo personagens do Judiciário e pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques.

Entre os elementos divulgados está um contrato que poderia alcançar R$ 427 milhões em honorários de êxito, relacionado a ações envolvendo precatórios e interesses do Banco Master. Kassio Nunes Marques nega ter participado do contrato ou atuado em favor de Vorcaro ou do banco.

Ora, se o argumento era que o STF precisava ser vasculhado até a última vírgula quando as suspeitas serviam para atingir Lula, por que a mesma lupa não deveria permanecer sobre a mesa quando surgem fatos que envolvem personagens ligados ao universo bolsonarista?

Aí acontece o milagre editorial: o STF desaparece das manchetes.

O tribunal que ocupava horas de televisão, páginas de jornais e quilômetros de comentários passa, de repente, a parecer uma instituição quase invisível.

Convenientemente invisível.

É como se o botão de emergência da velha mídia tivesse duas posições: “escândalo quando interessa” e “silêncio quando incomoda”.

Mas jornalismo não deveria funcionar assim.

Se há suspeitas, que sejam investigadas. Se não há provas, que isso seja claramente informado. Se existem documentos, que sejam publicados e contextualizados. Se existem negativas, que sejam igualmente registradas.

O que não pode existir é uma imprensa que exige transparência absoluta dos adversários e subitamente descobre a delicadeza, a cautela e o silêncio quando a investigação começa a alcançar seus aliados políticos.

E talvez seja justamente por isso que todo aquele festival contra o STF tenha produzido um resultado tão diferente do esperado.

Tentaram transformar o Supremo em problema eleitoral para Lula. No caminho, acabaram abrindo uma janela para que o eleitor enxergasse as conexões políticas e financeiras que cercam o universo bolsonarista.

Agora, o que se espera é simples: menos teatro, menos manchete seletiva e mais jornalismo.

Porque, quando a imprensa decide quem merece holofote e quem merece silêncio, o problema deixa de ser apenas aquilo que está sendo investigado.

Passa a ser também aquilo que deliberadamente deixa de ser investigado com a mesma intensidade.


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Vídeo – Flávio Bolsonaro mentiroso: “nunca entrei em avião do Vorcaro”

Registros de planos de voo e dados da Anac obtidos pela PF desmentiram mais uma vez o filho de Jair Bolsonaro

Registros de planos de voo e dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) obtidos pela Polícia Federal desmentiram categoricamente uma das principais linhas de defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em declarações anteriores, o parlamentar havia afirmado enfaticamente que jamais havia utilizado bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro: “Vocês não vão me ver viajando para Londres, EUA, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro!”.

A investigação, no entanto, comprovou que a declaração do senador não condiz com a realidade.

O Voo de Fort Lauderdale
De acordo com os documentos migratórios e de tráfego aéreo, no dia 19 de janeiro de 2025, o senador, sua esposa e suas filhas embarcaram em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), com destino a Brasília.

A viagem de retorno ao Brasil foi realizada a bordo de um jato executivo de luxo, modelo Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR.

A Sociedade Oculta da Aeronave

Os registros oficiais da Anac revelam que o avião não pertencia a um único dono, mas sim a um condomínio de luxo dividido em três cotas de propriedade:

A cota operada pela empresa de Vorcaro havia sido adquirida no final de 2024, o que significa que, no momento em que Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave para trazer sua família dos Estados Unidos, o banqueiro já era coproprietário do bem.

Mudança na Linha de Defesa
Diante das evidências irrefutáveis apresentadas pela reportagem da Revista Piauí, o senador Flávio Bolsonaro abandonou o discurso de que “nunca havia entrado” no avião.

Em uma nova manifestação nas redes sociais, o parlamentar mudou a narrativa e passou a alegar desconhecimento. Flávio afirmou que, para ele, a aeronave pertencia exclusivamente ao amigo Willer Tomaz e que não tinha ciência da participação de Daniel Vorcaro no negócio.

O senador ironizou a situação em sua conta no X (antigo Twitter), tentando desviar o foco do caso: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, publicou, em referência ao fato de o ministro do STF ter utilizado o mesmo jatinho meses depois.

Por que o caso importa?
A proximidade de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro entrou no radar das autoridades após o Banco Master sofrer liquidação extrajudicial e o banqueiro se tornar alvo de operações da Polícia Federal. A mentira sobre o uso do jatinho complica a situação política do senador, que tenta afastar suspeitas de que usufruía de vantagens financeiras ou favores de empresários investigados.


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Política

Ministro diz que recurso do filme ‘Dark Horse’ pode ter origem em lavagem de dinheiro

Ministro ressalvou que é difícil identificar a origem de cada recurso que a empresa movimentava

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que os recursos enviados ao exterior pelo grupo Entre para custear o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), podem ter origem em atividades de lavagem de dinheiro.

O grupo, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, foi alvo de operação na Receita Federal nesta quinta. O Fisco acusa a empresa de lavar dinheiro do crime organizado e ajudar na ocultação de patrimônio de organizações criminosas.

O que disse o ministro
“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso”, respondeu o ministro ao ser questionado se a verba enviada ao exterior para o filme poderia ser fruto de lavagem de dinheiro.

“Aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. É um trabalho de investigação identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estão sendo feitas aqui em Brasília, seja para as apurações do Supremo, seja para as apurações que estão feitas em São Paulo […] mas tudo indica que sim”, completou.

O empresário Antônio Carlos Feixo Júnior, conhecido como Mineiro, assinou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PRG). Na delação, ele afirmou que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, do Banco Master.

*ICL


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Master: concessão de cemitérios de SP tem novos elos com Vorcaro

Por Amanda Audi, Agência Pública, Paulo Motoryn, Noites Húngaras em A Pública

O Grupo Maya, uma das concessionárias que administram cemitérios da cidade de São Paulo e cujas relações financeiras com o extinto banco Master motivaram um pedido de investigação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, tem proximidade com o entorno empresarial de Daniel Vorcaro.

Apuração exclusiva da Agência Pública e da newsletter Noites Húngaras identificou, nos documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo, que o principal elo passa pelo Maya Plano Funeral, uma empresa registrada no mesmo endereço do Grupo Maya e gerida pelos mesmos grupos empresariais que controlam a concessão de cemitérios.

Uma das sócias do Maya Plano Funeral é a AFC Holding SP Ltda., subsidiária da AFC Holding, que faz parte da teia de CNPJs investigada no escândalo do Master. Elas são administradas pela mesma pessoa: o advogado Thiago Assumpção Henriques, que também controla outros negócios ligados à família do banqueiro preso pelo maior rombo bancário da história do país.

A AFC Holding já apareceu em investigações sobre aquisições de terrenos e imóveis de alto valor no Rio Grande do Sul e na Bahia relacionadas à família Vorcaro, sob suspeita de possível ocultação patrimonial. Henriques também figura como dirigente da Global Carbon, investigada por suspeita de integrar a cadeia de movimentação de recursos ligados ao Master.

Empresas “irmãs” têm mesmos dirigentes
Integrantes das empresas Conata Engenharia, Infracon Engenharia e RMG Construções e Empreendimentos, que fundaram a concessão paulista, constam tanto na estrutura da concessionária quanto na da empresa de planos funerários.

A sobreposição vai além dos sócios. A Maya Plano Funeral funciona no mesmo endereço do Grupo Maya, na Rua Fidêncio Ramos, na Vila Olímpia, e utiliza um endereço de e-mail com o mesmo domínio “grupomaya”. Seus administradores também ocupam ou ocuparam postos de comando na concessionária.

Renato Medrado Geo, sócio da RMG e presidente do Grupo Maya desde 2023, também administra a Maya Plano Funeral desde 2024, quando a empresa foi criada. Alexandre Humberto Caramatti Manata, sócio da Conata e ex-presidente da concessionária, também é administrador da empresa de planos funerários. Wesley Bambirra, CEO da Infracon, integra o conselho de administração do Grupo Maya.

Ex-sócio de Vorcaro
Há ainda uma conexão pessoal entre o comando das empresas funerárias e Daniel Vorcaro. Rodrigo Medrado Geo, irmão de Renato, sócio da RMG e também dirigente da concessionária de cemitérios, foi sócio do banqueiro na Itaminas, mineradora de Minas Gerais.

Vorcaro adquiriu 50% da Itaminas em 2014 e vendeu sua participação por R$ 700 milhões aos antigos sócios, entre eles integrantes da família Geo, poucos dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025.

Essas conexões se somam à relação financeira entre o Grupo Maya e o Banco Master revelada pelo jornalista Artur Rodrigues, do UOL. As três acionistas da concessionária — Conata, Infracon e RMG — deram ao banco a totalidade das ações que detinham na empresa como garantia de dois financiamentos no valor total de R$ 78 milhões.

Pelos contratos, o Master passou a deter a propriedade fiduciária das ações enquanto as dívidas permanecessem em aberto e a ganhar poderes sobre determinadas decisões societárias. As acionistas deveriam seguir a orientação do credor em votações que pudessem afetar seus interesses e não poderiam realizar determinadas operações com ativos sem autorização.

Os créditos passaram por operações internas do conglomerado, chegaram à Master Holding, sediada nas Ilhas Cayman, e foram incluídos em negociações realizadas pelo Master com o Banco de Brasília, o BRB.

Além de vender serviços funerários, de coroas de flores a caixões, o Grupo Maya administra cinco cemitérios paulistanos: Campo Grande, Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade. O grupo se autodenomina “a maior administradora de cemitérios públicos da cidade de São Paulo”.

Dino manda PF investigar Master em cemitérios de SP

Na última quinta-feira (17/9), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal investigar conexões entre as concessionárias de cemitérios de São Paulo e o banco Master. A decisão foi tomada após os financiamentos do Master ao Grupo Maya se tornarem públicos.

O ministro já havia solicitado esclarecimentos sobre a ligação entre o Master e a Cortel, outra concessionária de cemitérios paulistas. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também está preso, atuou como conselheiro da Cortel entre 2022 e 2025 e teria usado e-mails institucionais do banco para assinar atas da empresa.

Uma denúncia do jornal O Globo, no início do ano, mostrava que o Grupo Maya e a Cortel teriam feito uma “fusão informal”, compartilhando serviços, funcionários e endereços. O caso passou a ser investigado pela prefeitura paulista e pelo Tribunal de Contas do Município.

Os cemitérios da capital paulista foram concedidos à iniciativa privada em 2023, durante a gestão de Ricardo Nunes (MDB). Além do STF, a concessão também é investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Agência Pública já mostrou que, após a privatização, os preços cobrados pelos cemitérios aumentaram em até 10 vezes. Em 2024, Flávio Dino determinou que os preços máximos fossem tabelados.

Vorcaro teve uma reunião com o ministro André Mendonça, do STF, no momento em que o plenário da Corte analisava a proposta de limitação de preços apresentada por Dino. O encontro entre o banqueiro e Mendonça ocorreu em 14 de março de 2025. No dia seguinte, o ministro pediu vista, suspendendo a análise. Ao devolver os autos, em abril de 2025, Mendonça votou contra o limite das tarifas, alinhando-se ao pleito das concessionárias privadas.

Um dos irmãos de Mendonça é servidor comissionado da SP Regula, agência da Prefeitura de São Paulo responsável, entre outras áreas, pela regulação dos serviços funerários da capital. Ele foi promovido de cargo após a posição do ministro favorável à administração municipal, segundo a newsletter Noites Húngaras e o ICL Notícias.

Na decisão mais recente de Flávio Dino sobre o assunto, e após a crise instaurada no STF, o ministro estipulou que Mendonça não deve ser investigado no caso envolvendo o Master e as concessionárias, pois a competência para isso caberia apenas ao presidente da Corte.

Procuramos as empresas e empresários citados nesta matéria, além do ministro André Mendonça e a defesa de Daniel Vorcaro, mas não recebemos retorno até a sua publicação. O espaço permanece aberto.

A Prefeitura de São Paulo disse que “eventuais relações societárias, financeiras ou bancárias das concessionárias também não configuram, por si só, irregularidade contratual. A capacidade econômico-financeira delas é acompanhada permanentemente pela Administração.”


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Como as big techs sabotam uma democracia

Gastos com anúncios na Meta contra Lula disparam 123% e STF vira novo alvo

Levantamento do ICL Notícias mostra que investimento diário mais que dobrou em setembro; menções ao STF e Moraes saltaram de 3,3% para 14%.

Um levantamento do ICL Notícias mostra que o investimento diário em anúncios pagos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo federal aumentou 123% em setembro, ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes passaram a ocupar um espaço até então residual nesse tipo de publicidade.

O gasto diário declarado passou de R$ 15,4 mil em agosto para R$ 34,5 mil em setembro. No mesmo período, a presença de STF e Moraes mais que quadruplicou: saiu de 3,3% para 14% das peças monitoradas.

A comparação com os dados coletados desde agosto mostra uma mudança que vai além do aumento do dinheiro. Até o início de setembro, o Supremo praticamente não aparecia entre os principais assuntos dos anúncios. No levantamento fechado em 3 de setembro, conteúdos relacionados a instituições, Polícia Federal e STF representavam apenas 1% das peças. Ataques pessoais contra Lula concentravam 73,4%, enquanto economia, impostos e taxação respondiam por 21,2%.

Nas semanas seguintes, o quadro mudou rapidamente. Em setembro, o eixo institucional chegou a 13,9% das peças. Quando a análise considera especificamente a presença de referências ao STF e a Moraes, a participação chega a 14%, contra os 3,3% registrados em agosto.

Moraes desativa conta no X após multar plataforma

Mais dinheiro e mais anunciantes
O crescimento dos gastos começou antes de o STF ganhar protagonismo. Dados coletados até 3 de setembro já mostravam que o valor mediano aplicado em cada peça havia passado de R$ 199 para R$ 299. O valor médio subiu de R$ 714 para R$ 1.150, e a parcela de anúncios acima de R$ 2 mil aumentou de 11,8% para 18,3%.

A expansão também ocorreu pelo aumento do número de anunciantes. Entre 1º e 16 de agosto, foram identificados 160 perfis diferentes. Entre 26 de agosto e 3 de setembro, eram 229. Destes, 163 não tinham aparecido na primeira janela e foram responsáveis por 61% das 410 peças registradas no período.

Também mudou quem colocava dinheiro nesses conteúdos. Candidatos sem mandato respondiam por 31,1% das peças na primeira quinzena de agosto e passaram a representar 60,1% entre 26 de agosto e 3 de setembro. No sentido contrário, páginas classificadas no monitoramento como “satélite” recuaram de 23,9% para 7,6%. A parcela sem partido identificado caiu de 27,5% para 9%.

Os dados mostram, portanto, duas mudanças sucessivas. Primeiro, a publicidade contra Lula cresceu, ficou mais cara e passou a envolver um número maior de anunciantes identificados. Depois, já em setembro, o STF e Moraes ganharam espaço no conteúdo dessas peças.

*ICL


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Caso Marielle: Peixe, Flávio Bolsonaro e os Brazão, coincidência demais para ser apenas coincidência

Peixe, o miliciano que circulava entre os Brazão e o caso Marielle, recebeu uma porta aberta no gabinete de Flávio Bolsonaro para a liberação de R$ 200 mil em emenda parlamentar. E não estamos falando de qualquer personagem. Robson Calixto, o “Peixe”, foi condenado pelo STF por integrar a organização criminosa ligada aos irmãos Brazão e aparece no relatório da Polícia Federal como responsável por intermediar a entrega da arma utilizada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

E a história fica ainda mais incômoda quando se olha para a sequência dos fatos. A PF encontrou mensagens nas quais Peixe tratava diretamente com uma assessora de Flávio Bolsonaro sobre a liberação dos recursos. A verba, de R$ 199.999,79, acabou destinada a um instituto localizado justamente em território de forte influência política dos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes do assassinato.

Não é necessário inventar conexões para perceber que há uma cadeia de relações que precisa ser rigorosamente explicada: um miliciano condenado no caso Marielle, os irmãos Brazão apontados pela Justiça como mandantes, um pedido de recursos públicos e o gabinete de um candidato à Presidência no centro da negociação.

Flávio Bolsonaro afirma que a destinação da emenda seguiu a legislação e critérios técnicos. Mas isso não encerra as perguntas levantadas pela investigação sobre a intermediação do dinheiro, os interlocutores e o destino efetivo dos recursos.

E é justamente aí que entra a ironia: diante de uma sucessão tão extraordinária de personagens, encontros, relações e dinheiro público, talvez alguém ainda queira nos convencer de que tudo isso aconteceu por acaso.

Peixe no caso Marielle. Brazão no comando político da região. Emenda de R$ 200 mil articulada com o miliciano. E Flávio Bolsonaro no outro extremo da linha.

Mas claro: tudo não passa de mera coincidência.


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