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Educação

Governo fixa em R$ 5,1 mil novo piso nacional de professores

Lei altera também regra para reajuste anual

O governo federal sancionou nesta sexta-feira (19) lei que fixa em R$ 5,1 mil o novo piso salarial para profissionais da educação básica. A atualização representa aumento de 5,4% em relação aos R$ 4.867,77 pagos em 2025.

O percentual representa ganho real de 1,5% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, que foi de 3,9%. A medida é válida para professores com jornada de 40 horas semanais e produz efeitos financeiros a partir de janeiro de 2026.

O texto também amplia a definição de profissionais do magistério, incluindo aqueles que atuam em funções de apoio pedagógico, como direção, planejamento, supervisão e coordenação educacional.

Base no INPC
Pelas novas regras, o piso será atualizado todos os anos por ato do Ministério da Educação, publicado até o último dia útil de janeiro. O cálculo do reajuste passará a considerar a soma de dois indicadores:

Variação anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC);
Metade da média de crescimento real das receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) nos cinco anos anteriores.

A lei também estabelece limites para a correção anual. O reajuste não poderá ser inferior à inflação medida pelo INPC, nem superior à variação das receitas do Fundeb entre os dois anos anteriores, incluindo as complementações da União. No ano passado, seguindo a mesma regra, o reajuste foi de 6,27%.

Outra mudança importante é a exigência de maior transparência. O Ministério da Educação deverá divulgar, anualmente, a memória de cálculo utilizada na atualização do piso, com dados detalhados sobre receitas, metodologia e série histórica, em plataforma de dados abertos.

Financiamento
A norma reafirma que o financiamento do piso salarial terá como base os recursos vinculados à educação previstos na Constituição, especialmente aqueles relacionados ao Fundeb. O texto destaca que a valorização dos profissionais deve respeitar os pisos mínimos de investimento em educação estabelecidos na legislação.

Além dos professores da educação básica, estão contemplados profissionais contratados temporariamente e aqueles que atuam na educação infantil, reconhecendo a integração entre as atividades de cuidar, brincar e educar.

*Agência Brasil


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Política

Consignados do Master somaram R$ 354 milhões na folha do Exército

Repasses na folha de militares e pensionistas do Exército repasses seguiram após liquidação bancária.

Documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o Banco Master movimentou cerca de R$ 354 milhões em empréstimos consignados descontados na folha de militares e pensionistas do Exército entre outubro de 2020 e abril de 2026. Os registros revelam ainda que o credenciamento da instituição foi renovado pelo Comando do Exército em janeiro de 2025, poucos meses antes de o Banco Central decretar sua liquidação extrajudicial.

As informações foram encaminhadas pelo Centro de Pagamento do Exército (CPEx) e abrangem operações vinculadas ao Banco Máxima e ao Banco Master.

O pico da operação ocorreu em 2022, quando os descontos ultrapassaram R$ 110 milhões ao longo do ano. Em alguns meses, mais de 12 mil beneficiários tiveram parcelas de empréstimos vinculadas ao banco descontadas diretamente em folha.

Renovação antes da liquidação
Em 15 de janeiro de 2025, o Comando do Exército assinou um termo aditivo prorrogando por mais dois anos o contrato de credenciamento do Banco Master para operar empréstimos consignados junto a militares e pensionistas. A vigência foi estendida até 14 de janeiro de 2027.

O ato, posteriormente publicado no Diário Oficial da União, teve como fundamento o Parecer Referencial nº 2/2024 da Consultoria Jurídica do Exército.

Menos de um ano depois, em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. Na decisão, a autoridade monetária apontou comprometimento da situação econômico-financeira do banco, deterioração da liquidez, infrações às normas do sistema financeiro e descumprimento de determinações regulatórias.

A proximidade entre a renovação contratual e a intervenção levanta questionamentos sobre os critérios adotados pelo Exército para manter o credenciamento da instituição. Em respostas a pedidos feitos via LAI, a Força não apresentou documentos que demonstrassem eventual análise da situação financeira do banco antes da assinatura do aditivo nem esclareceu quais avaliações embasaram a decisão.

R$ 110 milhões em um único ano
Os dados do CPEx mostram a relevância da operação dentro da folha militar.

Em 2022, os descontos relacionados ao Banco Master somaram R$ 110,4 milhões. Apenas em setembro daquele ano, o valor mensal chegou a R$ 10,5 milhões, alcançando 12.778 CPFs.

Em 2023, os descontos totalizaram R$ 83,7 milhões. Já em 2024, o volume ficou em aproximadamente R$ 41 milhões.

Ao longo do período analisado, foram registrados mais de 30 mil contratos vinculados ao banco, concentrados principalmente entre pensionistas e militares veteranos. De acordo com Cleber Lourenço, ICL, os números indicam que a instituição mantinha participação expressiva no mercado de consignados da Força.

Repasses continuaram após a intervenção
Após a liquidação extrajudicial, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato de credenciamento do Banco Master e bloqueou a instituição para novas operações no sistema de consignações.

Os contratos já existentes, porém, permaneceram ativos. Segundo o CPEx, os descontos continuariam sendo realizados nos contracheques dos militares e pensionistas e os valores seriam repassados até a quitação dos empréstimos contratados antes da intervenção.

A reportagem questionou o Comando do Exército sobre os critérios utilizados para renovar o contrato em janeiro de 2025, se houve análise específica da situação econômico-financeira do Banco Master antes da prorrogação. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.


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Brasil Mundo

Rumble e Trump Media pedem à Justiça dos EUA julgamento à revelia de Moraes

Empresas sustentam que Moraes ‘não compareceu, respondeu, solicitou prazo adicional ou apresentou qualquer defesa’

A Rumble e a Trump Media, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediram nesta quinta-feira (18) que a Justiça da Flórida reconheça formalmente que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), não apresentou defesa dentro do prazo previsto em uma ação movida pelas companhias contra ele.

A medida representa um passo preliminar para um eventual julgamento à revelia. As empresas afirmam que Moraes foi citado por email em maio, por meio de um procedimento alternativo autorizado pela própria corte, e que o prazo para resposta terminou em 15 de junho sem manifestação do ministro.

Segundo os advogados da Rumble e da Trump Media, os documentos da ação foram enviados por meio de dois emails. Embora uma das mensagens tenha retornado com aviso de que a caixa não estava habilitada para receber emails, os autores afirmam ter recebido confirmação de entrega da mensagem enviada ao endereço vinculado ao gabinete do ministro.

Na petição, as empresas sustentam que Moraes “não compareceu, respondeu, solicitou prazo adicional ou apresentou qualquer defesa” após a citação. Com base nisso, pedem que a secretaria da corte registre formalmente o descumprimento do prazo processual pelo réu.

O pedido foi apresentado três dias após a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressar no processo. A Rumble argumenta que a iniciativa do governo brasileiro não impede o reconhecimento de que Moraes deixou transcorrer o prazo sem apresentar defesa.

Ao anunciar a medida, a AGU afirmou que a ação representa uma tentativa de submeter atos praticados por um integrante da Suprema Corte brasileira à jurisdição de um tribunal estrangeiro, o que configuraria afronta à soberania nacional e à independência do Judiciário.

Na manifestação protocolada nesta quinta, porém, os advogados da Rumble afirmam que a atuação do governo brasileiro não substitui uma resposta de Moraes. Segundo eles, a República Federativa do Brasil não representa o ministro individualmente no processo e não possui autoridade para responder em seu nome.

Os autores destacam ainda que, embora o governo brasileiro tenha pedido para intervir na ação e solicitado seu arquivamento, Moraes não apresentou defesa própria nem pediu prorrogação do prazo para se manifestar.

A medida solicitada pelas empresas não encerra o processo nem representa uma vitória automática dos autores. Caso o pedido seja aceito, a ação seguirá para uma nova fase processual, na qual a Rumble e a Trump Media poderão buscar uma decisão favorável com base na ausência de defesa apresentada pelo réu.

A disputa judicial teve início após a Rumble e a Trump Media contestarem decisões de Moraes relacionadas à moderação de conteúdo e ao bloqueio de contas em plataformas digitais.

Em 22 de maio, a Justiça dos EUA autorizou a citação do magistrado por email. Segundo a decisão, foram frustradas as tentativas de notificação formal por meio de cooperação internacional entre os dois países. Com a citação efetivada, passa a correr prazo de 21 dias para apresentação de resposta, sob pena de decretação de revelia.

As empresas alegam que as determinações do ministro produzem efeitos nos Estados Unidos e violam garantias previstas na Constituição americana.

*ICL


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Cotidiano

Daniel Vorcaro mandou ‘moer’ empregada de Monique Alfradique, diz Polícia Federal

Investigação da Polícia Federal mostrou mensagens em que o ex-banqueiro afirma estar sendo ameaçado por ex-funcionária da atriz

Segundo um dos relatórios preliminares divulgados nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mandou “moer” uma empregada da atriz Monique Alfradique em fevereiro de 2025 por suposta ameaça.

O pedido foi feito durante troca de mensagens entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e responsável pelo grupo A Turma, que coletava informações de pessoas consideradas “desafetos” do ex-banqueiro.

Após encaminhar o nome da funcionária com seu número de telefone, o ex-banqueiro escreveu para o sicário: “Empregada monique (sic) me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”.

Após as mensagens, Mourão encaminha um arquivo com dados pessoais e uma foto da mulher. Apesar de aparecer na petição, os investigadores não detalham os motivos da ameaça feita pelo ex-dono do Banco Master nem confirmam se ele seguiu em frente com a ameaça.

A ameaça não foi um episódio isolado. A peça também mostra outros registros em que o ex-banqueiro manda cometer violência contra terceiros. O mesmo documento que apresenta a intimidação para a empregada de Monique também mostra outras coações para um chefe de cozinha e um capitão do barco de Vorcaro por exemplo.

O ex-banqueiro tinha um grupo apelidado de “A Turma”, que era responsável pela obtenção ilegal de informações sigilisas a fim de coagir e ameaçar pessoas consideradas prejudiciais para a suposta organização criminosa.

Segundo as investigações, Mourão, citado anteriormente, era o responsável pela “execução de atividades de obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”. Ele costumava ser acionado pelo próprio Daniel Vorcaro para ir atrás de dados e realizar os pedidos do ex-banqueiro, como feito com a empregada.

A CNN entrou em contato com a assessoria da atriz que afirmou que desconhece qualquer ameaça nesse contexto.


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Pesquisa

Brasil reduz pobreza ao menor nível, diz IBGE

Com recuos expressivos em 2024, país soma 8,6 milhões de pessoas fora da pobreza e 1,9 milhão que deixou a extrema pobreza, impulsionado por empregos e programas sociais

Após os primeiros dois anos de governo Lula, o Brasil registrou, no final de 2024, o menor nível já observado de pobreza e extrema pobreza desde o início da série histórica do IBGE. A proporção de pessoas em extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5%, uma redução de 1,9 milhão de brasileiros vivendo com menos de US$ 2,15 por dia. Já a pobreza recuou de 27,3% para 23,1%, retirando 8,6 milhões de pessoas dessa condição.

Trata-se do terceiro ano seguido de melhora, impulsionada pelo mercado de trabalho mais aquecido e pelo reforço de programas sociais, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada nesta quarta-feira (3).

Pobreza volta a patamar pré-pandemia e rompe pico de 2021

O levantamento mostra a trajetória recente marcada pelo choque da pandemia de covid-19. Depois de atingir 36,8% da população em 2021 — o pior momento da série — a taxa vem caindo consistentemente: 31,6% em 2022, 27,3% em 2023 e 23,1% em 2024, de acordo com o Vermelho.

A queda reflete tanto a recuperação do emprego quanto a ampliação das transferências de renda. Em 2020, o Auxílio Emergencial reduziu temporariamente a pobreza; em 2021, com valores menores e menor cobertura, o indicador voltou a subir. O reaquecimento econômico e a retomada de benefícios mais robustos a partir de 2022 consolidaram a reversão.

Impacto decisivo dos programas sociais

O IBGE ressalta que, sem programas como Bolsa Família e BPC, a extrema pobreza no país seria quase três vezes maior, saltando de 3,5% para 10%. A pobreza, hoje em 23,1%, subiria para 28,7%.

O reforço no Bolsa Família e a inclusão de novos grupos beneficiários foram determinantes para a melhora. No segundo semestre de 2022, o Auxílio Brasil passou a pagar R$ 600 — valor mantido na retomada do Bolsa Família em 2023.

Regiões Norte e Nordeste seguem mais vulneráveis

Mesmo com avanços gerais, persistem grandes desigualdades territoriais. As taxas de pobreza e extrema pobreza continuam mais altas no Norte e Nordeste:

Pobreza (2024)

  • Nordeste: 39,4%
  • Norte: 35,9%
  • Brasil: 23,1%
  • Sul: 11,2%

Extrema pobreza (2024)

  • Nordeste: 6,5%
  • Norte: 4,6%
  • Brasil: 3,5%

Segundo o IBGE, as regiões mais pobres sofrem maior vulnerabilidade no mercado de trabalho, o que aprofunda as distâncias históricas.

Desigualdade racial continua marcante

Os indicadores expõem disparidades profundas entre brancos, pretos e pardos. A proporção de pobres entre pessoas brancas é de 15,1%, enquanto chega a 25,8% entre pretas e 29,8% entre pardas. A renda dos trabalhadores brancos supera em 65,9% a de pretos e pardos, diferença presente em todos os níveis de escolaridade.

Desigualdade de renda tem menor Gini da série

O Índice de Gini, que mede desigualdade de renda, caiu de 0,517 para 0,504 — o menor já registrado desde 2012. Sem os programas sociais, porém, o indicador teria subido para 0,542, mostrando que grande parte do equilíbrio obtido depende das políticas de transferência de renda.

Mercado de trabalho melhora, mas desigualdades insistem

O país atingiu em 2023 o maior número de pessoas ocupadas desde 2012: 100,7 milhões. Mesmo assim, as desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho permanecem:

  • Mulheres seguem com rendimento-hora 12,6% menor que o dos homens.
  • Trabalhadores brancos ganham 67,7% mais por hora que pretos e pardos.
  • A informalidade atinge 45,8% dos trabalhadores pretos e pardos, contra 34,3% entre brancos.

Jovens fora da escola e do trabalho atingem menor nível

O Brasil registrou também o menor contingente de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham desde 2012: 10,3 milhões, ou 21,2% do total. Ainda assim, desigualdades de gênero e raça são evidentes: mulheres pretas ou pardas representam 45,2% desse grupo.


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Política

Vídeo – Malafaia escracha Flavio: “Não passo a mão na cabeça de corrupto de direita”

Pastor carioca criticou a candidatura presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro

iante dos escândalos em torno do nome de Flávio Bolsonaro (PL), o pastor Silas Malafaia tem recalculado sua rota eleitoral e buscado se afastar da pré-candidatura presidencial do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao ser questionado durante uma entrevista sobre a escolha do nome de Flávio Bolsonaro, Malafaia lavou as mãos e disse que “não passa a mão na cabeça de corrupto de direita” e que nunca foi “próximo” do senador.

“Não teve conversa, não teve conversa partidária, não teve conversa com ninguém. O Flávio foi e disse: ‘Meu pai disse que eu sou o candidato’. Então, o corrupto da direita a gente passa a mão na cabeça e o corrupto da esquerda a gente arrebenta. Que princípio de caráter é o nosso? […] Eu sempre fui muito chegado a Bolsonaro e Michelle; aos filhos, não. Nunca tive relacionamento chegado nem com Carlos, nem com Eduardo, nem com Flávio. Eu nunca tive relacionamento com eles, para ser bem honesto.”

Malafaia descarta filhos de Bolsonaro e aponta novo líder da direita
O pastor Silas Malafaia afirmou, durante entrevista a um podcast, que o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não será levado adiante por nenhum de seus filhos, mas por outra pessoa.

Quando questionado sobre quem seria, então, esse novo líder da direita brasileira, Malafaia respondeu sem titubear: Nikolas Ferreira.

A declaração de Silas Malafaia expõe um profundo racha no núcleo duro do bolsonarismo, que se estabeleceu desde o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O pastor, o deputado Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro são acusados de não dar suporte ao nome do filho 01 na disputa pelo Palácio do Planalto.

“Nikolas é o futuro. Na minha visão, Nikolas é o futuro. Ele está amadurecendo, está crescendo… já fiz críticas a ele, críticas pessoais […] estou falando da minha concepção. Para mim, não vai ser um filho do Bolsonaro que vai ser herdeiro de Bolsonaro […] o herdeiro [de Jair Bolsonaro] chama-se Nikolas.” Forum.


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Ciência

Vacina da Covid reduz risco de infarto e AVC em idosos, aponta estudo

-Os resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre pessoas com mais de 75 anos

Estudo publicado na última segunda-feira (15) no JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina atualizada contra a Covid-19 reduziu em cerca de 38% o risco de eventos cardiovasculares graves associados à doença, como infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e morte com origem cardiovascular, em comparação a pessoas que receberam apenas a vacina da gripe.

Os pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e da Universidade Washington em St. Louis analisaram os prontuários eletrônicos de mais de 1 milhão de veteranos de guerra americanos que receberam a vacina contra gripe entre setembro e dezembro de 2024.

Desse total, 349.085 tomaram também a vacina contra Covid no mesmo dia. Essa comparação, segundo a pesquisa, foi feita para reduzir o “viés do vacinado saudável”, que pressupõe que pessoas que se vacinam tendem a ter comportamentos de saúde melhores em geral.

Os participantes receberam as formulações 2024-2025 das vacinas Moderna (65,4%) e Pfizer-BioNTech (34,1%), entre outras, como Novavax (0,5%). O estudo foi financiado pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, e os autores declararam não ter conflito de interesses.

Os participantes foram acompanhados por até oito meses. Durante esse período, os pesquisadores registraram quatro desfechos cardiovasculares graves relacionados à Covid: morte por evento cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC e internação por insuficiência cardíaca.

Os resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre pessoas com mais de 75 anos, grupo com queda de 50,7% dos eventos cardiovasculares.

Nos demais grupos os resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja, não é possível afirmar com segurança que a vacina da Covid protegeu essas faixas etárias contra episódios cardiovasculares. A média de idade dos participantes era de 70 anos.

De acordo com o estudo, a cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves associados à Covid foram evitados, em comparação ao grupo que não tomou a vacina. Os pesquisadores destacam que, ao considerar todos os eventos cardiovasculares -não apenas os confirmadamente ligados à Covid-, o número sobe para cerca de 24 eventos evitados para cada 10 mil pessoas.

Em uma população de 1 milhão de pessoas, os autores estimam que a vacinação poderia evitar cerca de 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em oito meses.

O estudo enfatiza que a eficácia relativa da vacina foi estatisticamente significativa nos subgrupos com e sem comorbidades. Ainda assim, o benefício absoluto foi substancialmente maior em indivíduos com doenças pré-existentes, como doença cardiovascular, doença renal crônica, doença pulmonar crônica, diabetes e imunossupressão.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa projeção deve ser interpretada com cautela, dado o caráter observacional do estudo e o fato de ter sido realizado apenas com veteranos americanos, uma população predominantemente branca, masculina e com idade avançada.

Os autores também pontuam que a eficácia da vacina atual é menor do que a registrada nos primeiros anos da pandemia, o que atribuem à evolução do vírus, à imunidade adquirida por infecções anteriores e à maior dificuldade de detectar infecções em um cenário em que os testes são realizados com menos frequência.

Por que a vacina protege o coração?
A pesquisa indica que a infecção pelo SARS-CoV-2 desencadeia processos inflamatórios e de coagulação que danificam os vasos sanguíneos e aumentam o risco de formação de trombos, que são coágulos que podem provocar infarto ou AVC. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina reduz esses mecanismos de dano vascular.

Os pesquisadores alertam, ainda, que o benefício sobre eventos cardiovasculares de outras causas foi muito maior do que o observado nos casos comprovadamente associados à Covid. Para os autores, isso indica que uma parcela significativa das complicações cardiovasculares provocadas pelo vírus ocorre em pessoas que não chegam a testar positivo para a doença.

*ICL


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Brasil Mundo

Vídeo: Lula responde a Trump sobre “Brasil politicamente perigoso”: Não se meta!”

Presidente brasileiro rebateu declarações de Trump, que ainda propagou fake news sobre a prisão de “Bolsonaro Jr.” durante a cúpula do G7 na França

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu publicamente, nesta quarta-feira (17), às declarações de Donald Trump sobre a política brasileira feitas ao fim da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. Em coletiva de imprensa em Genebra, Lula afirmou que Trump “não pode violar a soberania e se meter nas eleições brasileiras” e defendeu a lisura do sistema eleitoral do país, após o presidente americano classificar o Brasil como “politicamente perigoso” e disparar fake news sobre “prisão de um Bolsonaro Jr.”

Lula reage a Trump e defende soberania brasileira
A resposta de Lula foi direta.

“Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse o presidente, em Genebra.

Lula acrescentou que espera apenas que Trump “não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”.

*Forum


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Brasil Mundo

A íntegra do fundamental discurso de Lula no G7

O discurso do presidente Lula na cúpula do G7, em Évian, na França, destacou-se pela defesa do multilateralismo e críticas contundentes ao protecionismo, ao unilateralismo e à desigualdade global. Ele falou diretamente diante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abordando temas de soberania e justiça econômica.

Os principais pontos da fala do presidente incluíram:

Desigualdade e Neoliberalismo: Lula afirmou que o neoliberalismo agravou a crise econômica e as desigualdades entre países ricos e pobres.

Ele citou o empresário Elon Musk ao destacar que o primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.

Defesa da Soberania e Crime Transnacional: Fez uma crítica indireta a decisões dos EUA sobre o combate ao narcotráfico, ressaltando que tal esforço deve respeitar a soberania dos países e ser integrado à agenda de desenvolvimento, e não utilizado como justificativa para intervenções unilaterais.

Financiamento e Dívida Externa: Criticou os gastos militares globais (cerca de US$ 3 trilhões), enquanto nações em desenvolvimento pagam bilhões em serviços da dívida. Ele defendeu que essas nações não devem ser obrigadas a escolher entre pagar credores e alimentar sua população.

Tecnologia e Inteligência Artificial: O presidente argumentou que a Inteligência Artificial e a transição digital não podem reproduzir padrões históricos de concentração de renda e exclusão dos países em desenvolvimento.

A íntegra do discurso:

Agradeço ao presidente Macron pelo convite para participar deste segmento ampliado em Évian.

Ainda em 2003, uma das minhas primeiras tarefas como presidente do Brasil foi participar da Cúpula do então-G8 nesta bela cidade.

Desde aquele ano estive em outras nove cúpulas do G8 ou G7.

Em todas elas nos defrontamos com crises e desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo.

Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras.

Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos.

O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias.

Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas.

A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.

Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado.

O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.

A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários.

Caminhamos na contramão da Agenda 2030.

Faltam 4 trilhões de dólares por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A COP-30 voltou a evidenciar a distância entre os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos e os recursos efetivamente mobilizados para cumpri-los.

Para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, um trilhão e trezentos bilhões de dólares.

Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe.

No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento.

O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento.

A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%.

Não são cifras abstratas.

Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento.

São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas.

Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento.

Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares.

Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica.

O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos.

A Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou para a direção correta.

Embora a contribuição do setor privado seja bem-vinda, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento segue sendo responsabilidade primordial dos estados.

Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças.

Está claro que o desafio não é administrar a escassez.

O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política.

Não faltam boas ideias.

Mecanismos inovadores como a troca de dívida por ação climática ou investimentos sociais podem contribuir para ampliar o espaço fiscal dos países mais vulneráveis.

O Brasil tem dado a sua contribuição.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre vai canalizar investimentos para a conservação desse bioma e de seus habitantes.

A Aliança Global contra a Fome possibilita compartilhar experiências e auxiliar a implementação de políticas públicas eficazes na redução das desigualdades.

O estabelecimento do Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, apoiará com dados e evidências a formulação de respostas coordenadas a esse desafio.

Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento.

Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas.

Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados.

A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um passo positivo.

Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.

Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da INTERPOL, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas.

Outro desafio que não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial.

As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores.

Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais.

Muito obrigado.


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