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Brasil não é propriedade de uma fé

Alguém minimamente sensato pode ignorar a gravidade política de um candidato à Presidência afirmar que, se eleito, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”?

A frase não é invenção de adversários. Foi dita pelo próprio Flávio Bolsonaro. E é justamente por isso que ela merece ser discutida com seriedade.

Uma coisa é um presidente professar sua fé pessoal. Outra, completamente diferente, é falar em “decretar” uma identidade religiosa para a nação, como se o Estado brasileiro pudesse pertencer a uma determinada crença.

O Brasil tem católicos, evangélicos, espíritas, adeptos de religiões de matriz africana, judeus, muçulmanos, pessoas de outras tradições e também milhões que não professam religião alguma. A Presidência da República não pertence a nenhuma igreja, pastor, padre ou denominação. Pertence à República e deve representar todos os brasileiros.

E há uma questão que não pode ser varrida para debaixo do tapete: a frase foi proferida justamente por um candidato evangélico, num contexto eleitoral em que religião e política vêm sendo cada vez mais misturadas. Isso explica por que ela provocou questionamentos sobre qual seria o espaço reservado às demais tradições religiosas num eventual governo.

Não é preciso inventar projeto contra Nossa Senhora Aparecida para fazer essa discussão. Aliás, a própria controvérsia recente mostrou o perigo da desinformação: o projeto que pretendia alterar a referência a Nossa Senhora Aparecida foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008, sem ligação comprovada com Flávio Bolsonaro.

A pergunta realmente relevante é outra:

Quando um candidato diz que pretende “decretar” que o Brasil é de Jesus Cristo, está falando apenas como cidadão de fé ou está anunciando uma concepção de Estado?

Essa é uma pergunta legítima. E merece resposta clara — não gritos, não fake news, não guerra religiosa.

Porque o Brasil não pode ser propriedade de ninguém. Nem de partido, nem de família política, nem de igreja. O Brasil é de todos os brasileiro


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Política

Se o “terrivelmente evangélico” já protagonizou uma batalha judicial envolvendo Nossa Senhora Aparecida, imagine o que o Zero Um do clã poderá fazer com a religião se chegar à Presidência

O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida acendeu um alerta que vai muito além da disputa eleitoral. André Mendonça, ministro indicado por Jair Bolsonaro e apresentado pelo próprio ex-presidente como alguém “terrivelmente evangélico”, determinou, no TSE, a remoção de 1.125 publicações que associavam Flávio Bolsonaro à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Flávio negou apoiar essa proposta, e Flávio Dino posteriormente derrubou a decisão, restabelecendo as publicações.

O episódio nos autoriza  a afirmar que Mendonça agiu eleitoralmente, revelando algo politicamente muito mais sério: até a devoção popular a Nossa Senhora Aparecida entrou no campo de batalha eleitoral e judicial.

E é justamente aí que a sociedade precisa prestar atenção.

Quando um projeto político começa a misturar de maneira cada vez mais agressiva fé, Estado e poder, prática comum ao clã Bolsonaro, a pergunta deixa de ser sobre esta ou aquela religião. Passa a ser sobre o princípio constitucional de que o Estado brasileiro é laico e deve garantir liberdade religiosa para todos.

O próprio Bolsonaro anunciou sua intenção de colocar no Supremo ministros “terrivelmente evangélicos”. Agora, diante do episódio envolvendo Mendonça e Nossa Senhora Aparecida, é legítimo discutir qual será o limite entre convicção religiosa pessoal e exercício do poder de Estado.

E se isso já produz tamanho conflito durante uma campanha eleitoral, a pergunta política é inevitável: o que aconteceria se Flávio Bolsonaro, o Zero Um do clã, tivesse nas mãos a Presidência da República e o poder de indicar ministros para o Supremo? É hora de pensar muito sério sobre seu voto e escolher entre soberania e democracia ou o caos.

Não se trata de atacar evangélicos, católicos ou qualquer outra religião. Trata-se exatamente do contrário: de defender o direito de todos a professarem sua fé sem que uma religião seja transformada em instrumento de poder político.

Nossa Senhora Aparecida pertence à fé de milhões de brasileiros. O Estado, porém, pertence a todos.

E essa fronteira — entre a crença de cada cidadão e o poder de quem governa — não pode ser tratada como detalhe eleitoral.


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N. Sra Aparecida: Lula cresce entre católicos e Flávio despenca entre evangélicos, diz Quaest

Presidente Lula, que lidera intenções de voto no primeiro turno e empata com Flávio no segundo, disparou 4 pontos percentuais entre o eleitorado católico, ao passo que o senador caiu 4 pontos entre os eleitores evangélicos

Um dos recortes mais significativos da nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), está no voto religioso. Em uma eventual disputa de segundo turno, o presidente Lula (PT) saltou de 46% para 50% entre os católicos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) permaneceu com 37%. Entre os evangélicos, ocorreu o movimento inverso: o senador caiu de 58% para 54%, enquanto Lula passou de 28% para 30%.

Com isso, a vantagem de Lula entre os católicos passou de 9 para 13 pontos percentuais em uma semana. Entre os evangélicos, a diferença favorável a Flávio diminuiu de 30 para 24 pontos. A margem de erro específica é de três pontos entre católicos e de quatro pontos entre evangélicos, segundo o levantamento da Quaest.

A mudança ocorre justamente na semana em que a campanha presidencial foi atravessada pela polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, que ganhou enorme repercussão nas redes sociais e colocou católicos e evangélicos no centro da disputa política. Como a pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 27 de setembro, o trabalho de campo coincidiu com a explosão do episódio. O levantamento, porém, não permite estabelecer uma relação causal entre a controvérsia e as oscilações registradas.

Lula chega a 50% entre católicos
Na rodada anterior, divulgada em 21 de setembro, Lula tinha 46% entre os católicos em uma eventual disputa com Flávio. O candidato do PL aparecia com 37%. Agora, o presidente alcança 50%, enquanto Flávio continua no mesmo patamar.

Os votos em branco, nulos ou de quem afirma que não vai votar recuaram de 14% para 10% nesse segmento, enquanto os indecisos permaneceram em 3%.

A série da Quaest mostra que Lula tinha 48% entre católicos em 2 de setembro, passou por 47%, 46% e 46% nas rodadas seguintes, até chegar agora aos 50%. Flávio oscilou entre 35% e 38% ao longo do mesmo período.

Entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro continua numericamente à frente, mas perdeu quatro pontos em relação à semana passada. O senador passou de 58% para 54%, enquanto Lula foi de 28% para 30%.

Há uma semana, a Quaest havia registrado a maior vantagem de Flávio nesse grupo desde o início de setembro: 30 pontos. Agora, a distância caiu para 24. A rodada anterior havia mostrado o senador avançando de 51% para 58% entre os evangélicos, diz Forum.

Veja os percentuais:

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Lula abre cinco pontos no primeiro turno
No quadro geral da eleição, a Quaest mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, o placar era de 37% a 33%.

Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 4% cada, Renan Santos (Missão) tem 3% e Romeu Zema (Novo), 1%. Indecisos são 5%, enquanto brancos, nulos e os que dizem não votar somam 10%.

A diferença numérica entre Lula e Flávio, portanto, passou de quatro para cinco pontos. Na rodada de 21 de setembro, os dois estavam no limite do empate técnico, com 37% a 33%.

Segundo turno tem empate numérico
No confronto direto de segundo turno, a disputa permanece apertada. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 42% cada, em empate numérico. Outros 13% dizem que votariam em branco, nulo ou não compareceriam, e 3% estão indecisos.

Na semana anterior, Flávio tinha 42% e Lula, 41%. O presidente, portanto, oscilou um ponto para cima e igualou numericamente o adversário. A diferença continua dentro da margem de erro geral de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, o cenário já era de empate técnico.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 24 e 27 de setembro. A margem de erro para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, está registrada no TSE sob o número BR-06520/2026.


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BTG/Nexus: Lula amplia vantagem e se aproxima da vitória no primeiro turno

No cenário espontâneo, Lula já tem 47,7% dos votos válidos

O presidente Lula (PT) avançou na mais recente pesquisa BTG/Nexus sobre a disputa pela Presidência da República e chegou a 47,7% dos votos válidos no cenário espontâneo, aproximando-se da marca necessária para uma vitória ainda no primeiro turno. O levantamento foi realizado entre os dias 25 e 27 de setembro de 2026, em todo o país.

Nos votos totais da pesquisa espontânea, Lula aparece com 41%, crescimento de um ponto percentual em relação ao levantamento anterior, realizado entre 18 e 20 de setembro. Flávio Bolsonaro (PL) também oscilou um ponto para cima e chegou a 35%. A diferença entre os dois é de seis pontos percentuais.

Quando são considerados apenas os votos válidos — excluindo brancos, nulos e indecisos —, Lula alcança 47,7%, alta de 1,7 ponto em relação à rodada anterior. Flávio Bolsonaro registra 40,7%, avanço de 1,6 ponto. A distância entre os dois chega, portanto, a sete pontos percentuais.

Renan Santos (Missão) aparece em terceiro lugar no cenário espontâneo, com 4% dos votos totais, um ponto acima da pesquisa anterior. Augusto Cury (Avante) tem 3%, após recuar um ponto, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) registra 2%, também com queda de um ponto. Outros candidatos somam 1%, e Romeu Zema (Novo) aparece com 0%. Brancos e nulos representam 5%, enquanto 9% não souberam ou não responderam.

Entre os votos válidos, Renan Santos alcança 4,7%, Augusto Cury tem 3,5%, Ronaldo Caiado registra 2,3% e outros candidatos somam 1,2%.

Lula também avança no cenário estimulado
O movimento de crescimento do presidente também aparece no cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. Lula chega a 42%, dois pontos acima da rodada anterior, enquanto Flávio Bolsonaro permanece estável em 37%. A vantagem do presidente passa, assim, a cinco pontos percentuais.

Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem empatados com 5%. Cury recuou um ponto, enquanto Caiado permaneceu estável. Renan Santos avançou um ponto e chegou a 4%. Romeu Zema e Samara Martins (UP) registram 1% cada. Outros 3% afirmam que votariam branco ou nulo, e 2% não souberam ou não responderam.

Os resultados mostram avanço de Lula nos dois recortes divulgados. No espontâneo, além de atingir 41% dos votos totais, o presidente chega a 47,7% dos votos válidos. No estimulado, sobe dois pontos, enquanto Flávio Bolsonaro permanece no mesmo patamar da rodada anterior.

A pesquisa BTG/Nexus tem abrangência nacional e foi realizada entre 25 e 27 de setembro de 2026. Nos dados disponibilizados ao 247, não foram informados o tamanho da amostra, a margem de erro, o nível de confiança, o contratante e o número de registro do levantamento na Justiça Eleitoral.

*247


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Política

Discussões sobre N. Sra. Aparecida têm 75% de posts negativos para Flávio Bolsonaro

Segundo relatório, episódio ganhou relevância por envolver diretamente eleitorado católico em meio à campanha presidencial

A repercussão nas redes sociais da associação de Flávio Bolsonaro (PL) à articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil foi majoritariamente negativa para o candidato. Segundo relatório da empresa de monitoramento Palver, 73% das publicações com posicionamento nas redes sociais criticaram Flávio, enquanto 27% foram favoráveis a ele. No fluxo de mensagens online, que inclui WhatsApp e Telegram, a proporção de críticas foi de 60%.

O levantamento analisou o período de 18 a 25 de setembro e apontou que a discussão ganhou força na noite de 24 de setembro, depois que a GloboNews associou o candidato à mobilização envolvendo o título de Nossa Senhora Aparecida. A emissora posteriormente se retratou e esclareceu que a informação tinha como referência um projeto apresentado em 2007 e arquivado em 2008.

De acordo com a Palver, 28% dos conteúdos analisados nas redes foram classificados como neutros. Entre os demais, 73% apresentaram críticas a Flávio, percentual que corresponde a aproximadamente três quartos das manifestações com posicionamento. O relatório aponta que, no que se refere à troca de mensagens, o cenário foi menos desfavorável ao candidato: 40% das mensagens com posicionamento eram de apoio.

A repercussão também provocou um salto expressivo no volume de menções. Nas redes sociais, o pico chegou a 735 menções a cada 100 mil mensagens em 25 de setembro, contra uma média de aproximadamente 40 a 80 menções por 100 mil nos dias anteriores. No X, o índice passou de cerca de 50 menções por 100 mil em 23 de setembro para 379 em 25 de setembro.

O relatório registra que muitas das mensagens reproduziram cards atribuídos à GloboNews e apresentaram a suposta retirada do título de Padroeira do Brasil como uma ameaça aos católicos. A narrativa também relacionou Flávio à bancada evangélica e ao projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, que foi assessor especial de Bolsonaro durante seu governo, que propunha substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos”. A proposta foi arquivada no ano seguinte.

Após a repercussão, Flávio publicou um vídeo negando a existência de qualquer projeto nesse sentido. A narrativa de defesa do candidato e reprodução do desmentido representou aproximadamente 16% das mensagens relevantes analisadas pela Palver. Segundo o relatório, esse conteúdo teve maior presença nos grupos de mensageria ligados ao campo bolsonarista.

Outra frente, responsável por cerca de 15% das mensagens, reuniu conteúdos de checagem sobre a origem do projeto e questionamentos ao desmentido de Flávio. Parte das publicações ressaltava que a proposta era de 2007, havia sido arquivada em 2008 e não era de autoria do candidato.

Tema alcança eleitorado católico
Para a Palver, o episódio ganhou relevância por envolver diretamente o eleitorado católico em meio à campanha presidencial. O relatório aponta que a associação entre Flávio, a bancada evangélica e uma suposta ameaça à padroeira passou a circular para além das bolhas partidárias e alcançou grupos religiosos.

O monitoramento também indica que a correção da informação não eliminou imediatamente a repercussão do conteúdo original. Segundo a empresa, a velocidade de disseminação do boato foi superior à do desmentido, fazendo com que a narrativa continuasse presente nas redes mesmo após a retratação da GloboNews e a manifestação de Flávio.


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A MP de Lula tirou o tumor à força; a Flávio Bolsonaro restou o papel de gritar que a cirurgia é ilegal

I. A Canetada do Planalto contra a “Ciranda da Arrecadação”

A Medida Provisória editada nesta tarde pelo presidente Lula estabeleceu a proibição total e imediata de apostas de quota fixa, jogos online e cassinos digitais (como o “Jogo do Tigrinho”). Ao instituir o dia 6 de outubro como o prazo fatal para que todos os domínios e aplicativos de bets saiam definitivamente do ar no país, o governo federal buscou colher dois dividendos simultâneos: estancar o endividamento catastrófico das famílias de baixa renda e atingir o coração de um eleitorado (mulheres do Sudeste e evangélicos) que as pesquisas internas apontavam como o núcleo de sustentação de seu rival.

A reação de Flávio Bolsonaro foi fulminante. Gravando vídeos de campanha a apenas nove dias do primeiro turno, o senador rotulou a MP de um “estelionato eleitoral” e uma “solução fajuta”. Na narrativa do parlamentar do PL, a canetada é puramente oportunista: o governo teria criado o problema ao sancionar a regulamentação do setor em dezembro de 2023 por pura avidez arrecadatória, e agora joga com o calendário eleitoral ao emitir uma MP que caducará em quatro meses, abrindo brecha para que o “tumor” retorne com força total após a apuração dos votos.

II. O Histórico Oculto: A Distinção entre o Púlpito e a Planilha

O cruzamento do discurso inflamado de hoje com a atuação legislativa de Flávio Bolsonaro desnuda a geometria variável de seu pragmatismo. No mesmo vídeo em que acusa Lula de “ferrar a vida das pessoas”, o senador fez uma promessa cirúrgica: “Nos meus quatro anos como presidente do Brasil, não vai ter cassino online, nem Tigrinho”. O silêncio sepulcral de sua fala em relação às bets esportivas de quota fixa não é um esquecimento; é método.

Ao discursar na formatura de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o candidato foi forçado a fazer uma distinção drástica entre o pecado do azar digital e o mercado do entretenimento esportivo:

“Uma coisa é você permitir, como já é permitido no Brasil há décadas, que brasileiros, por livre e espontânea vontade, possam apostar nos jogos que são reais, no jogo de futebol. Sou contra, mas é o que está em vigor”.

A manobra do clã visa a blindar os contratos bilionários que sustentam a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o ecossistema comercial do esporte. O histórico recente do senador mostra que, durante a tramitação da Lei nº 14.790 no final de 2023, a bancada da oposição não operou para banir a jogatina, mas sim para moldar as taxações de forma a favorecer as grandes plataformas de quota fixa. Flávio Bolsonaro sempre flutuou no limite da defesa do fomento de cassinos físicos e resorts sob o pretexto de “atrair turismo e investimentos estrangeiros”, mas agora, diante do colapso econômico provocado pelas bets no bolso do trabalhador, tenta equilibrar-se na corda bamba: condena o “Tigrinho” para acalmar os pastores conservadores e protege o bilionário mercado das apostas de futebol para não asfixiar o faturamento das redes de mídia e das camisas dos clubes.

III. A Gramática Eleitoral a Nove Dias do Voto

A publicação da MP hoje converteu as apostas no tema central da reta final da campanha ao Planalto, destronando parcialmente os ensaios de segurança pública e as crises de bastidores. A oposição sabe que a radicalidade do texto de Lula colocou o bolsonarismo em uma encruzilhada moral. Ao tentar jogar no colo do atual presidente a culpa pela expansão da epidemia do vício — ignorando que a liberação original das bets de quota fixa ocorreu em 2018, no governo Michel Temer, e passou em branco por quatro anos de gestão de seu próprio pai —, Flávio tenta estancar a sangria de votos de sua base.

A verdade matemática que cruza as urnas e os decretos é implacável: o candidato do PL não pode chancelar o banimento completo do futebol porque isso implodiria suas pontes com os barões da comunicação; mas também não pode defender o jogo virtual sob o risco de perder de vez as mulheres evangélicas do Sudeste que hoje sofrem os efeitos do colapso financeiro doméstico.

A MP de Lula tirou o tumor à força; a Flávio Bolsonaro restou o papel de gritar que a cirurgia é ilegal, rezando secretamente para que o paciente continue dependente do remédio que financia o espetáculo do poder.


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Dino derruba decisão de Mendonça e libera posts sobre Nossa Senhora

Ministro do STF, Flávio Dino, mandou restabelecer publicação de Tabet e afirmou que debate sobre título de Padroeira do Brasil deve ser livre

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou neste domingo (27/9) a decisão do ministro André Mendonça, também vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia determinado a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

Dino também determinou que o post e outras publicações retiradas pelo mesmo motivo sejam restabelecidos. Isso porque, para o ministro, não havia certeza suficiente sobre ilegalidade que justificasse uma restrição tão ampla à liberdade de expressão.

A decisão do magistrado ocorre após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentar uma ação contra o humorista.

O caso começou após a circulação, nas redes sociais, de que grupos evangélicos ligados ao senador queriam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O assunto repercutiu em 23 e 24 de setembro.

Na noite do dia 24, Tabet publicou no X uma imagem da santa, com a frase “a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Segundo Dino, o post não citava nominalmente Flávio nem familiares.

Embora a publicação não mencione a família do senador, ele entrou com representação no TSE alegando que a postagem trazia fato sabidamente inverídico, ódio racial e ligação com milícia.

O ministro André Mendonça, que acatou a ação, determinou a remoção do post de Tabet e proibiu novas postagens de mesmo teor, com multa de R$ 30 mil por descumprimento.

A ordem mirava publicações que tratassem como verdadeiro o boato de que Flávio ou sua família teriam proposto retirar o título de Padroeira, mas ressalvava críticas, sátiras e opiniões.

Decisão de Dino

Ao analisar o recurso, Dino afirmou que seria preciso presumir que “família miliciana” se referia a Flávio para justificar a remoção, o que não teria segurança, sem instrução adequada.

O ministro alegou que o debate eleitoral deve permitir exposição crítica e que até declarações eventualmente errôneas podem estar protegidas, exceto em casos como racismo e incitação à violência.

Dino destacou ainda que o próprio debate sobre a Lei nº 6.802/1980, que tornou 12 de outubro feriado nacional em homenagem à santa e a reconhece como Padroeira, pode ocorrer na eleição.

Ainda segundo o magistrado, candidatos podem se posicionar contra convicções religiosas e defender mudança na lei, mas isso não pode ser impedido de ser informado e debatido.

A decisão cita ainda o PL 2.623/2007, do então deputado Victório Galli Filho, que propunha alterar o título de Padroeira, como parte do debate público já existente.

Com isso, Dino cassou a ordem de Mendonça, mandou as plataformas restabelecerem o post e citou como fundamento a ADPF 130, que trata da proteção constitucional à liberdade de imprensa e de expressão.

*Metrópoles


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Bolsonaro abriu a porta para o Master e para as bets. Lula fechou as duas portas. Ponto final

Há uma gigantesca diferença política que merece ser lembrada sem maquiagem, mas a grande mídia faz questão de não ver e reportar, mesmo que tenha diferença cristalina entre o governo do clã Bolsonaro, do qual Flavio é um dos componentes centrais, já Lula, um velho alvo dos ataques mais vis da mídia, por representar os trabalhadores e as camadas mais pobres da população. Fato reconhecido pelos principais jornais estrangeiros, como ressaltou neste sábado (26), o Financial Times.

Enquanto o governo Bolsonaro convivia harmonicamente com o banditismo e expansão do Banco Master de Vorcaro, irmãozão de Flavio, que até agora não explicou os R$ 134 milhões que recebeu do banqueiro, Lula triturou a máquina que produziu o maior roubo do sistema financeiro brasileiro, que deveria ter um busto na Faria Lila, se o sistema financeiro fosse sério, mas não é. Por isso segue apoiando Flavio Bolsonaro.

O mesmo precisa ser dito sobre a abertura do mercado das apostas de quota fixa, das bets,  por Bolsonaro. Lula foi enfático, certeiro e recebeu o apoio de quase 80% da sociedade nas redes sociais, até porque 75% da população clamava por essa decisão.

No caso do Master, a transferência do controle do então Banco Máxima para Daniel Vorcaro foi autorizada pelo Banco Central em outubro de 2019, durante o governo Bolsonaro e sob a presidência de Roberto Campos Neto. Em 2021, a instituição passou a se chamar Banco Master. Em novembro de 2025, já no governo Lula, o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial, citando grave crise de liquidez e graves violações das normas do sistema financeiro.

Nas bets, a cronologia também é eloquente: a legislação de 2018, sancionada por Bolsonaro, criou a modalidade de apostas, as bets. Lula, por sua vez, em 25 de setembro de 2026, assinou uma medida provisória proibindo a oferta, a intermediação e a publicidade das bets em todo o território nacional.

Ou seja: de um lado, a expansão de um sistema que posteriormente entrou em profunda crise e um mercado de apostas que se espalhou pelo país desttroçando a vida de milhões de brasileiros e suas famílias, como revelam incontáveis histórias. De outro, medidas de contenção, fiscalização e, agora, a proibição das bets.

A comparação é direta, um governo abriu espaço; o outro decidiu fechar.

Com um detalhe: Flavio já anunciou que, se eleito, reabrirá as bets. Alguém tem dúvida de que ele fará o mesmo para reabrir o Banco Master do comparsa, Danie Vorcaro?

E é justamente essa cronologia que precisa ser colocada sobre a mesa quando se discute quem criou as condições para determinados problemas e quem tomou medidas drásticas para enfrentá-los, em favor do povo brasileiro.

Diferente disso, qualquer análise ou é de bolsonarismo malandro ou descarado, com as falas do grande mentiroso, Flavio Bolsonaro. Que fique claro, que votar nele, votará pela volta das bets e do Banco Master de Vorcaro.


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Política

Debate nas redes sobre Nossa Senhora Aparecida é um dos maiores eventos políticos do ano, diz instituto

De acordo com o Relatório Especial Democracia em Xeque, foram registradas 669,9 mil menções nas primeiras 24 horas

A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida alcançou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações nas redes sociais entre os dias 24 e 26 de setembro de 2026, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque. O episódio, que começou no campo religioso, ganhou dimensão eleitoral e posteriormente passou a envolver discussões sobre remoção de conteúdo, liberdade de expressão e censura.

De acordo com o relatório, foram registradas 669,9 mil menções nas primeiras 24 horas. Em aproximadamente 55 horas, o volume chegou a 977,6 mil publicações, com pico de 38,3 mil menções em uma única hora. O instituto afirma que o episódio alcançou o terceiro maior volume de menções entre os eventos políticos monitorados em 2026.

A controvérsia teve início após uma apuração da GloboNews sobre a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação envolvendo grupos evangélicos. A discussão ganhou associação com o senador Flávio Bolsonaro após uma declaração na qual afirmou que, se eleito presidente, declararia o Brasil como pertencente a Jesus Cristo.

O levantamento identifica duas principais ondas de repercussão. A primeira foi impulsionada pela discussão sobre o projeto, pelas reações de católicos, pela negativa de Flávio Bolsonaro e posteriormente pela correção feita pela GloboNews. A segunda ganhou força depois de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinando a remoção de mais de mil publicações. A partir daí, parte significativa do debate passou a tratar de censura, retirada de conteúdo e liberdade de expressão.

Esquerda concentrou maior volume de publicações
Entre 345 posts de perfis políticos analisados pelo Instituto DX, 66% das publicações e 70% das interações foram atribuídas à esquerda. Perfis classificados pelo instituto como extrema-direita responderam por 33% das publicações e 30% das interações. A imprensa representou 1% das publicações monitoradas.

O principal eixo de mobilização identificado foi o cluster denominado “TIRAR O TÍTULO DE APARECIDA”, que concentrou 53% das publicações e 47% das interações. Segundo o relatório, 80% da produção desse grupo teve origem em perfis classificados como de esquerda.

Outro tema de destaque foi “MOBILIZAÇÃO EVANGÉLICA E O PL DE 2007”. O assunto representou 17% das publicações, mas alcançou 33% das interações. A discussão recuperou o Projeto de Lei 2.623/2007 e sua posterior associação ao governo Jair Bolsonaro.

Já o cluster “FLÁVIO NEGA E ATACA A GLOBO” concentrou 20% das publicações, das quais 96% foram produzidas por perfis classificados pelo instituto como de extrema-direita. Nesse segmento, a correção feita pela GloboNews passou a ser utilizada como argumento para contestar a denúncia original.

A memória de episódios envolvendo Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida em 2022 teve participação menor na mobilização. O tema correspondeu a 11% das publicações e apenas 4% das interações.

Decisão de Mendonça mudou o foco da discussão
Segundo o relatório, a decisão de André Mendonça provocou uma mudança no objeto central da controvérsia. A discussão, inicialmente concentrada na mobilização do eleitorado católico, no projeto de 2007 e na atuação de Flávio Bolsonaro, passou a incluir a retirada de publicações e os limites da liberdade de expressão.

O Instituto DX aponta que perfis de esquerda questionaram o alcance da decisão, enquanto setores da direita passaram a incorporá-la à narrativa de que Flávio Bolsonaro havia sido alvo de uma campanha de desinformação.

Ao todo, o levantamento identificou cerca de 24 mil publicadores únicos. Entre os participantes estavam políticos, influenciadores, perfis progressistas, grupos religiosos e outros atores, indicando que o episódio atravessou simultaneamente os campos político, religioso e midiático.

O relatório conclui que a controvérsia mudou rapidamente de foco ao longo dos três dias analisados: começou com a mobilização em torno de Nossa Senhora Aparecida e do eleitorado católico, avançou para a discussão sobre o PL de 2007 e a atuação de Flávio Bolsonaro, passou pela contestação da reportagem da GloboNews e terminou incorporando a disputa sobre remoção de conteúdo, liberdade de expressão e censura.

O levantamento completo está disponível no Relatório Especial DX, publicado pelo Instituto Democracia em Xeque.

*ICL


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