Cinco estados seguem indefinidos
Levantamentos estaduais mostram maior alcance territorial do presidente, enquanto o Datafolha aponta vantagem de dez pontos para Lula entre as mulheres em eventual segundo turno. Entre os homens, os dois aparecem empatados dentro da margem de erro.
A corrida pela Presidência da República entra em uma fase decisiva com um cenário marcado pela divisão regional e por diferenças importantes entre os segmentos do eleitorado. Levantamento realizado pelo Poder360 a partir das pesquisas mais recentes de cada Unidade da Federação mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, à frente em 12 estados. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, lidera em sete.
Os estados em que Lula aparece na primeira posição concentram aproximadamente 67,13 milhões de eleitores, o equivalente a 42,29% do eleitorado brasileiro. Já as unidades lideradas por Flávio Bolsonaro reúnem 29,42 milhões de votantes, correspondentes a 18,53% do total nacional.
Lula lidera no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O resultado evidencia a força do presidente no Nordeste, onde aparece à frente em oito dos nove estados, além de sua vantagem em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, lidera em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Acre. O desempenho mostra maior presença do candidato do PL no Sul, no Centro-Oeste e em parte da Região Norte.
Ronaldo Caiado, do PSD, aparece na liderança apenas em Goiás. O estado reúne cerca de 5,08 milhões de eleitores e representa 3,2% do eleitorado nacional. É a única Unidade da Federação em que um nome fora da polarização entre PT e PL ocupa isoladamente a primeira posição nas pesquisas analisadas.
Cinco estados permanecem sem favorito definido
Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins apresentam empate técnico entre os dois candidatos numericamente mais bem colocados. A indefinição em São Paulo e no Rio de Janeiro ganha especial importância devido ao peso eleitoral desses estados e à necessidade de os candidatos ampliarem suas votações fora de seus redutos tradicionais.
Alagoas e Roraima ficaram fora do levantamento porque não havia pesquisas recentes com íntegra e metodologia disponíveis para consulta no banco de dados da Justiça Eleitoral.
Em dez estados, o candidato que ocupa a liderança aparece com mais de 50% dos votos válidos no cenário local. O dado, porém, não significa que a eleição esteja definida. A escolha do presidente é feita pela soma nacional dos votos válidos, e não pela quantidade de estados conquistados. Para vencer no primeiro turno, uma candidatura precisa alcançar mais da metade dos votos válidos em todo o país.
Datafolha aponta vantagem nacional de Lula
No levantamento nacional mais recente do Datafolha, Lula aparece com 48% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 43%. Outros 9% afirmaram que votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum dos dois, enquanto 1% não soube responder.
No cenário de primeiro turno, Lula tem 40% e Flávio aparece com 32%. Quando são considerados apenas os votos válidos, excluindo brancos e nulos, os percentuais ficam em 45% para o presidente e 36% para o senador. Os demais candidatos aparecem com 4% ou menos.
Os números mostram que Lula mantém vantagem nacional, mas ainda abaixo do patamar necessário para encerrar a disputa no primeiro turno. A existência de cinco estados em empate técnico também indica que a distribuição regional dos votos poderá sofrer alterações durante a campanha.
Eleitorado feminino amplia diferença
O principal desequilíbrio entre Lula e Flávio aparece no recorte por gênero. Em um eventual segundo turno, 50% das mulheres dizem que votariam em Lula, enquanto 40% escolheriam Flávio Bolsonaro. A diferença é de dez pontos percentuais.
Entre os homens, o cenário é diferente. Flávio aparece com 46%, enquanto Lula registra 45%. Como a margem de erro desse recorte é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados no eleitorado masculino.
A resistência também aparece nos índices de rejeição. Metade das mulheres entrevistadas afirmou que não votaria em Flávio de maneira alguma no primeiro turno. A rejeição feminina a Lula é de 44%. No conjunto do eleitorado, Flávio tem rejeição de 48% e Lula, de 46%, diferença que representa empate técnico.
Apesar da desvantagem, Flávio reduziu parte da distância nesse segmento. Em junho, Lula tinha uma vantagem de 15 pontos entre as mulheres no cenário de segundo turno. No levantamento de julho, a diferença caiu para dez pontos. A distância na rejeição feminina também diminuiu de 13 para seis pontos.
Campanhas disputam aproximação com as mulheres
Diante dos números, a campanha de Flávio Bolsonaro passou a priorizar a possibilidade de escolher uma mulher como candidata a vice-presidente. O senador também apresentou o programa Brasil por Elas, com propostas voltadas a creches, conectividade e empreendedorismo feminino, além de ampliar a presença de sua mulher, Fernanda Bolsonaro, em eventos públicos.
Lula também intensificou ações destinadas ao eleitorado feminino, com discursos sobre o combate ao feminicídio, aumento de punições e medidas de proteção às vítimas. Ronaldo Caiado adotou estratégia semelhante ao apresentar propostas direcionadas às mulheres durante a convenção do PSD.
O movimento das campanhas mostra que o voto feminino deverá ocupar uma posição central na disputa. Como as diferenças nacionais permanecem relativamente estreitas, alterações de poucos pontos nesse segmento podem provocar impacto relevante no resultado final.
Pesquisas exigem leitura cuidadosa
O levantamento estadual do Poder360 não é uma única pesquisa nacional. Trata-se de uma compilação dos estudos mais recentes disponíveis em cada estado, realizados por institutos diferentes, em períodos distintos e com metodologias próprias. Por esse motivo, o mapa deve ser interpretado como um retrato da distribuição geográfica das forças políticas, e não como uma projeção direta do resultado nacional.
Já o Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Nos recortes entre homens e mulheres, a margem sobe para três pontos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01166/2026. Diário de SP.
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