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EUA militarizam América Latina e iniciam implantação de ‘Doutrina Donroe’

Um ano e meio depois de assumir o governo norte-americano e colocar a América Latina como uma de suas prioridades de sua atuação internacional, a presidência de Donald Trump inicia uma ofensiva para militarizar a região e implementar o controle sobre o Hemisfério, tese conhecida em Washington como Doutrina Donroe.

Nesta semana, no Panamá, o governo norte-americano enviou parte de sua cúpula militar para reuniões com os 18 países que fazem parte do Escudo das Américas, iniciativa criada no começo do ano para estabelecer uma aliança na região, supostamente no combate ao “terrorismo, narcotráfico e cartéis”.

Pete Hegseth, secretário de Guerra, anunciou que os EUA iniciariam ataques por terras contra cartéis na América Latina. No Equador, as operações já são uma realidade e, agora, a Colômbia autorizou o mesmo padrão de ação.

Mas com a presença de forças e ministros da Argentina, El Salvador, Paraguai e outros aliados, o encontro serviu ainda para desenhar a construção de uma nova realidade regional, sem a presença do Brasil.

Foi longe dos holofotes que a operação, de fato, ganhou contornos que passou a preocupar diplomatas brasileiros e estrangeiros. Um dos elementos centrais da estratégia é a criação de uma central de inteligência que, sob o comando dos EUA, poderia atuar em toda a região.

Condor 2.0?
Os países ainda seriam submetidos a entregar inteligência de pessoas e organizações, numa espécie de ofensiva regional contra qualquer ator que possa ser considerado como uma “ameaça” aos interesses dos EUA.

Hoje, o discurso é de que a ameaça vem dos cartéis. Mas há quem tema que a estrutura montada permitirá que os EUA se dêem todos os meios para frear qualquer tipo de ator que possa representar algum desafio para seus interesses.

O acesso aos recursos naturais, por exemplo, seria um desses cenários futuros, principalmente com a concorrência da China.

Não por acaso, membros de forças de oposição em países latino-americanos que optaram por entrar no projeto falam da repetição da lógica do Plano Condor, criado nos anos 70 para coordenar ações contra atores subversivos na região. A diferença é que, naquele momento, a operação era sigilosa.

Plano começa a ser implementado
Nesta semana, o general do Corpo de Fuzileiros Navais Francis L. Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA, afirmou que os membros da coalizão definiram os próximos passos da iniciativa, incluindo o “aprimoramento dos planos de campanha prioritários contra as redes criminosas, a designação de funções e nações líderes, o estabelecimento de grupos de trabalho com objetivos e marcos específicos e o início das avaliações da campanha da coalizão”.

“Entre agora e novembro, vamos elaborar um plano de campanha”, disse ele. “Vamos analisá-lo com nossos colegas e membros aqui presentes e aprová-lo até novembro”, explicou.

O general também afirmou que os governos da coalizão se apresentaram como candidatos para liderar as operações em diferentes setores. “Ontem, ao final da nossa sessão, saímos e fizemos um levantamento inicial… quem quer liderar em diferentes regiões? Quem quer liderar, para… combater essas redes?”, disse Donovan. “Tivemos voluntários imediatamente, nações que queriam se apresentar e assumir a liderança em sub-regiões e combater certas ameaças”, disse.

A referência à suposta liderança de outros países, porém, não passa de uma manobra para vender a ideia à opinião pública dos países envolvidos de que eles seriam supostamente “parceiros”.

A realidade é que, dias antes do anúncio da construção concreta da aliança, o Comando Sul dos EUA ativou a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental (JTF-WHEM). A estrutura, segundo nota do Pentágono, foi “criada especificamente para sincronizar as operações militares dos EUA com aliados e parceiros, a fim de combater ameaças, fortalecer a segurança regional e responder rapidamente a crises em todo o Hemisfério Ocidental”.

“O Comandante do SOUTHCOM, General Francis L. Donovan, ordenou a ativação da JTF-WHEM, que fornece comando e controle unificados nos níveis tático e operacional, integrando capacidades militares com as 18 nações parceiras da Coalizão Anticartel das Américas (A3C) para aumentar a eficácia operacional contra ameaças que prejudicam a segurança regional e impactam os Estados Unidos e as nações parceiras”, explicou.

De acordo com a nota, o órgão também fortalece a capacidade do SOUTHCOM de responder rapidamente a “contingências e crises humanitárias em toda a região”.

“A JTF-WHEM fortalece nossa capacidade de trabalhar ao lado de aliados e parceiros confiáveis, sincronizar capacidades militares e aplicar pressão sustentada contra as redes que ameaçam nossa segurança coletiva”, disse Donovan. “Juntos, estamos aumentando a segurança em todo o hemisfério e protegendo nossa pátria.”

Donovan selecionou o major-general do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Kevin Jarrard, para comandar a nova força-tarefa. Jarrard foi quem liderou recentemente o apoio militar dos EUA às operações de socorro após os terremotos de junho de 2026 na Venezuela.

Troca de inteligência
O que chamou a atenção de diplomatas estrangeiros e brasileiros é que a nova força-tarefa afirma que integra inteligência, vigilância e reconhecimento, planejamento operacional e coordenação multinacional para “aumentar a pressão sobre organizações nefastas que operam em todo o Hemisfério Ocidental”.

Um dos pontos centrais é o o fato de que “força-tarefa fortalecerá o compartilhamento de informações, expandirá o treinamento combinado, aprimorará a interoperabilidade, apoiará os esforços de interdição marítima, desenvolverá a capacidade dos parceiros e permanecerá preparada para fornecer assistência humanitária e resposta a desastres quando solicitada”.

“A Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental é o braço de ação do SOUTHCOM para enfrentar ameaças em todo o hemisfério”, disse Donovan. “Construído especificamente para esse fim e organizado para tarefas específicas, este quartel-general reúne capacidades militares personalizadas e parcerias de confiança para aumentar a fricção sistêmica total, o ritmo operacional, impor pressão sustentada sobre organizações criminosas e fortalecer a segurança dos Estados Unidos e de nossos parceiros. Juntamente com as 18 nações, estamos mudando a forma como enfrentamos essas ameaças”, completou.

“Fazemos coisas ruins com pessoas ruins”
Coube ao secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, dar o tom polêmico e político da operação. Segundo ele, o governo Trump iniciará imediatamente a tomar “medidas concretas” para lutar supostamente contra os cartéis da região.

“Quando dizemos que vamos desmantelar os cartéis, estamos falando sério, e sei que as nações desta coalizão sentem exatamente o mesmo… e tomarão medidas concretas — às vezes arriscadas, corajosas — em parceria.”

“Acreditamos que não há tempo a perder e não há momento melhor do que agora”, disse ele.

“O novo lema da Coalizão é: ‘Fazemos coisas ruins com pessoas ruins’”, disse ele. “Essa é a mentalidade que quero ver nesta sala. Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins com muitas pessoas boas, por muito tempo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade, e não estamos brincando. Narcoterroristas., traficantes de drogas, estejam avisados”, completou.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Quanto mais André Mendonça se cala sobre Flávio Bolsonaro, mais seu silêncio fala por ele

Há momentos em que o silêncio deixa de ser ausência de manifestação e passa a ser uma mensagem política. No caso do ministro André Mendonça, a demora em se posicionar sobre questões que envolvem Flávio Bolsonaro e sua campanha presidencial alimenta justamente essa percepção: quanto mais o ministro se cala, mais seu silêncio passa a ser interpretado como uma escolha.

O momento é especialmente delicado. Mendonça é relator, no Supremo Tribunal Federal, de processos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro é acusada pelo PT de ter tido acesso a áudios que estariam sob sigilo judicial. O partido pediu ao STF que investigue o suposto vazamento, e Mendonça está diretamente envolvido na análise de parte desses processos.

A questão, portanto, não é exigir que um ministro condene ou absolva alguém por pressão política. É exigir transparência, coerência e igualdade de tratamento. Quando há acusações graves envolvendo um candidato à Presidência, o silêncio prolongado de uma autoridade judicial pode produzir uma impressão extremamente perigosa: a de que existem situações que merecem respostas imediatas e outras que podem esperar.

E essa impressão se torna ainda mais incômoda diante de outras decisões recentes do ministro no ambiente eleitoral. Mendonça e Kassio Nunes Marques sinalizaram entendimento favorável a uma possível flexibilização das regras sobre deepfakes, tema que envolve diretamente a campanha de Flávio Bolsonaro. O TSE, porém, atualmente possui regras que vedam o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Não se trata de afirmar, sem provas, que André Mendonça esteja favorecendo Flávio Bolsonaro. Trata-se de algo mais simples e mais sério: a Justiça precisa parecer tão imparcial quanto deve ser.

Em uma eleição marcada por desinformação, inteligência artificial, vazamentos de informações e disputas judiciais, ministros dos tribunais superiores não podem permitir que suas omissões sejam transformadas em combustível para suspeitas. A autoridade de um magistrado não se sustenta apenas nas decisões que assina, mas também na confiança pública que consegue preservar.

E confiança pública não combina com dois pesos e duas medidas.

Se há uma acusação contra Flávio Bolsonaro, que seja investigada. Se não há fundamento, que isso seja esclarecido. Se há ilegalidade, que sejam tomadas as providências cabíveis. O que não pode prevalecer é um silêncio que se prolonga justamente quando as dúvidas aumentam.

Porque, na política e na Justiça, o silêncio também comunica.

E quanto mais tempo André Mendonça permanecer calado sobre Flávio Bolsonaro, mais espaço haverá para que a sociedade faça a pergunta inevitável: o que exatamente esse silêncio está dizendo?


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Política

O mesmo Tarcísio de Freitas, que é formado em engenharia pelo IME, como governador, diz que diploma não vale nada

O diploma vale menos — menos para quem?

Há algo de profundamente contraditório na fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao afirmar que “o diploma cada vez tem menos relevância”. A declaração foi feita em novembro de 2025, durante um evento sobre a expansão do ensino médio técnico, quando ele defendeu a ideia de que o mercado estaria mais interessado nas habilidades do trabalhador do que no lugar onde ele se formou.

O problema é que o autor dessa tese não chegou ao cargo que ocupa ignorando a importância da formação acadêmica. Muito pelo contrário.

Tarcísio é formado em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), uma das instituições de ensino de engenharia mais tradicionais e rigorosas do país. O próprio Ministério dos Transportes já registrou a importância que ele atribuía à formação recebida no IME, descrevendo-a como uma verdadeira “caixa de ferramentas” para enfrentar problemas profissionais.

E aqui está a contradição que merece ser exposta: se o diploma vale tão pouco, por que a formação de Tarcísio no IME é apresentada como credencial para demonstrar sua capacidade técnica?

Ninguém está dizendo que um diploma, sozinho, transforma alguém em um profissional competente. Evidentemente, experiência, capacidade de comunicação, criatividade e conhecimento prático também são fundamentais. O problema começa quando essa constatação é transformada em argumento para diminuir a importância da universidade e da educação formal.

Porque os dados não sustentam a ideia de que estudar perdeu relevância. Segundo dados da OCDE citados à época da declaração, brasileiros de 25 a 64 anos com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aqueles que têm apenas o ensino médio. Além disso, a própria OCDE aponta que a formação superior aumenta as chances de emprego e de melhores salários.

Portanto, dizer a um jovem que o diploma “vale cada vez menos” pode ser uma mensagem especialmente perigosa em um país onde a educação ainda é uma das principais portas de ascensão social.

E existe uma ironia adicional: Tarcísio não é um exemplo de alguém que chegou onde chegou apesar da formação acadêmica. Sua trajetória é, justamente, um exemplo de como uma formação altamente qualificada pode abrir portas.

O IME não é um detalhe biográfico. É parte importante da construção da imagem de Tarcísio como gestor técnico. O próprio instituto define sua missão como a formação superior em Engenharia e a produção de conhecimento científico e tecnológico.

Por isso, a pergunta que fica é simples: o diploma perdeu valor ou é conveniente dizer que ele perdeu valor quando se fala com os filhos dos outros?

Para quem teve acesso a uma formação de excelência, o diploma pode ser apresentado como consequência de esforço, competência e preparo. Para quem ainda luta para chegar à universidade, porém, a mensagem parece ser outra: não precisa estudar tanto, não precisa chegar ao ensino superior, basta desenvolver algumas “habilidades” e deixar que o mercado resolva.

Não deveria ser assim.

O papel de um governante deveria ser ampliar oportunidades, fortalecer a escola pública, democratizar o acesso às universidades e garantir que jovens pobres também possam conquistar os mesmos diplomas que ajudaram a construir as carreiras das elites brasileiras.

Desvalorizar o diploma não democratiza o conhecimento. Democratizar o conhecimento é garantir que todos possam conquistá-lo.

Tarcísio tem todo o direito de defender o ensino técnico. O que não faz sentido é transformar a valorização do ensino técnico em uma espécie de contraponto à universidade — muito menos sugerir que a formação superior esteja se tornando irrelevante justamente em um país que ainda possui uma parcela relativamente pequena de adultos com diploma universitário.

No fim, a frase do governador pode ser resumida em uma pergunta incômoda: se o diploma não vale tanto, por que justamente o diploma do IME continua sendo tão importante para contar a história de Tarcísio de Freitas?

A resposta talvez seja mais reveladora do que a própria declaração.


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Política

O carro de R$ 9 mil por mês e o moralismo seletivo de Rosângela Moro

Valor pago pelo aluguel de um veículo usado pelo gabinete da parlamentar é duas vezes e meia superior ao de um carro médio. No entanto, a deputada diz que Lula é que gasta mal o dinheiro do contribuinte

A deputada federal Rosângela Moro (PL-PR) tem sido uma crítica frequente das despesas do governo Lula e, particularmente, dos gastos relacionados às viagens internacionais do presidente e da primeira-dama, Janja da Silva.

Em uma publicação nas redes sociais, ao comentar a viagem de Lula e Janja a Paris, Rosângela foi especialmente contundente:

“Só com aluguel de carros de luxo, o governo torrou R$974 mil.”

Na mesma publicação, acrescentou: “Tudo isso pago com o dinheiro do contribuinte.”

E encerrou com uma frase que dá a dimensão do tom de sua crítica: “O Brasil não aguenta mais bancar a ostentação do presidente.”

O problema é que o mesmo princípio utilizado pela deputada para cobrar o governo federal precisa valer também para os gastos realizados por ela própria com dinheiro público.

E, nesse caso, os números chamam atenção.

Segundo os registros da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, a deputada destinou aproximadamente R$ 306 mil ao aluguel de veículos entre 2023 e maio de 2026.

A distribuição informada é a seguinte:

2023: aproximadamente R$ 75 mil;
2024: aproximadamente R$ 84,5 mil;
2025: aproximadamente R$ 104,5 mil;
janeiro a maio de 2026: aproximadamente R$ 42 mil.
No total, são cerca de R$ 306 mil.

Considerando os 41 meses do período, a média é de aproximadamente R$ 7,46 mil por mês.

Mas o dado mais significativo está na evolução recente. Em 2025, a média ficou em aproximadamente R$ 8,7 mil mensais. Nos primeiros cinco meses de 2026, chegou a aproximadamente R$ 8,4 mil por mês.

Ou seja, o padrão recente de despesa está próximo de R$ 8,5 mil mensais para manter o veículo alugado.

É justamente aí que surge a pergunta que a própria Rosângela costuma fazer ao governo: isso é razoável para o contribuinte?

Não há, por si só, irregularidade em uma deputada utilizar a Cota Parlamentar para locação de veículo quando a despesa atende às regras da Câmara.

Da mesma forma, também não é correto afirmar que todo gasto elevado com uma viagem presidencial seja automaticamente desperdício. Eu entendo que não. Viagens internacionais de um chefe de Estado envolvem reuniões diplomáticas, negociações comerciais, encontros multilaterais e atividades destinadas a ampliar a presença e os interesses do Brasil no exterior.

Quando se trata de Lula, Rosângela parece adotar uma régua bastante severa.

Quando se trata de sua própria despesa parlamentar, entretanto, a pergunta sobre a razoabilidade dos valores também precisa ser feita.

E ela não é uma pergunta abstrata.

Uma despesa na faixa de R$ 8 mil a R$ 9 mil todos os meses não é pequena.

Ao longo de um mandato, esse valor se transforma rapidamente em centenas de milhares de reais. No caso de Rosângela Moro, a soma já alcança aproximadamente R$ 306 mil desde 2023.

Além disso, há referências no próprio setor público que permitem questionar se os preços praticados são competitivos.

Em 2025, por exemplo, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) contratou um veículo executivo tipo sedan, sem motorista e sem combustível, por R$ 141.839 pelo período de 36 meses. Isso corresponde a aproximadamente R$ 3.940 por mês.

A comparação não é suficiente para afirmar que a deputada tenha pago preço indevido. Os contratos podem ter características diferentes: modelo do veículo, idade, seguro, manutenção, franquia, quilometragem, disponibilidade, serviços incluídos e outras condições podem alterar o preço.

Mas ela é suficiente para levantar uma questão legítima: o que exatamente justifica uma despesa mensal de quase R$ 9 mil?

Se existem serviços adicionais, é preciso identificá-los. Se o veículo possui características especiais, elas devem ser conhecidas. Se o contrato oferece condições diferenciadas, elas podem ser apresentadas.

Transparência funciona assim.

É justamente por causa do discurso da deputada que seus gastos merecem ser analisados com a mesma severidade que ela aplica às despesas do governo.

Rosângela não se limitou a perguntar quanto Lula gastou.

Ela utilizou expressões como “carros de luxo”, afirmou que o governo “torrou” quase R$ 1 milhão e classificou os gastos como “ostentação do presidente”.

Esse vocabulário é importante porque estabelece uma régua moral para avaliar despesas públicas.

Quando alguém afirma que o governo está promovendo “ostentação” porque utiliza recursos públicos para determinadas despesas, é legítimo perguntar se essa mesma pessoa considera razoável gastar, individualmente, centenas de milhares de reais em aluguel de veículo executivo utilizando recursos da Cota Parlamentar.

A pergunta não é partidária.

É simplesmente uma questão de coerência.

É nesse ponto que aparece o que pode ser chamado de moralismo seletivo.

Não é necessário defender todas as despesas do governo Lula para questionar a postura da deputada. Tampouco é necessário considerar automaticamente justificável o gasto de R$ 306 mil com veículos.

É possível, ao mesmo tempo, defender a fiscalização dos gastos presidenciais e exigir fiscalização dos gastos parlamentares.

O problema começa quando uma autoridade pública trata como escandalosa uma determinada despesa do adversário político, mas não demonstra o mesmo rigor ao explicar despesas próprias de natureza semelhante.

Se R$ 974 mil em aluguel de carros durante uma viagem oficial são apresentados como prova de “ostentação”, o eleitor também pode perguntar por que aproximadamente R$ 306 mil em aluguel de veículos para um único mandato parlamentar não deveriam ser submetidos à mesma análise.

A comparação não significa que as duas despesas sejam idênticas. Não são.

Uma refere-se a uma viagem internacional de uma comitiva presidencial; a outra, a despesas de uma parlamentar.

Mas o dinheiro, nos dois casos, é público.

E é exatamente esse o princípio invocado pela deputada quando critica Lula: “Tudo isso pago com o dinheiro do contribuinte.”

O mesmo contribuinte paga a Cota Parlamentar.

.x.x.x.x.

Para garantir o direito de resposta e permitir que a parlamentar apresentasse sua versão sobre os gastos, procurei o gabinete da deputada Rosângela Moro e expliquei à assessoria de imprensa qual era o objeto da matéria e quais questões seriam abordadas.

A assessoria informou que encaminharia a demanda à deputada.

Até o fechamento desta matéria, porém, não havia sido recebido retorno.

Caso a deputada ou sua assessoria encaminhe esclarecimentos posteriormente, as informações poderão ser incorporadas à reportagem.

É nesse ponto que aparece o que pode ser chamado de moralismo seletivo.

*Joaquim de Carvalho/247


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Política

Ex-ministro de Bolsonaro ligado ao Banco Master

O João Roma (PL-BA), candidato ao Senado e ex-ministro da Cidadania durante o governo Bolsonaro, é sócio do empresário Alfredo Pacheco Pereira Neto na Prata da Chapada, empreendimento ligado a uma fazenda produtora de bananas. Pacheco é dono da AB Serviços de Corretagem Financeira, que assinou ao menos R$ 19,7 milhões em contratos com o Banco Master nos últimos anos.

Roma e Pacheco passaram a dividir a empresa rural em 2021, quando o político ainda integrava o governo de Jair Bolsonaro. Em sua declaração à Justiça Eleitoral, Roma informou possuir 50% das cotas da Prata da Chapada, avaliadas em R$ 100 mil.

Os contratos da AB Serviços com o grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro envolveram consultoria, assessoria e relacionamento comercial, informou a corretora. A empresa disse que os acordos tiveram “comprovação técnica”, foram firmados no setor privado e incluíram recolhimento de tributos, segundo o DCM.

Por meio de nota, Alfredo Pacheco afirmou que a Prata da Chapada produz bananas e não mantém “qualquer relação com outras atividades, muito menos qualquer relação com a empresa AB”. Ele também negou que Roma tenha participado da aproximação entre a corretora e o Banco Master.


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Política

Kassio sob suspeita: os acenos a Flávio Bolsonaro que começam a incomodar o TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, passou a enfrentar um problema que nenhum integrante da Justiça Eleitoral deveria ter de administrar em plena corrida presidencial: a desconfiança sobre sua imparcialidade.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, ministros e técnicos do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF) identificaram, em decisões e declarações recentes de Kassio, supostas convergências com posições defendidas pela equipe jurídica de Flávio Bolsonaro. O ministro, por sua vez, nega qualquer favorecimento e afirma que manterá postura de neutralidade em relação a todos os candidatos.

O problema é que, na Justiça Eleitoral, não basta ser imparcial. É preciso também parecer imparcial. E quando decisões de um presidente de Corte eleitoral começam a ser interpretadas internamente como favoráveis a um determinado candidato, o desgaste deixa de ser apenas político e passa a atingir a própria credibilidade da instituição.

Um dos episódios que alimentaram as críticas foi a decisão de Kassio de suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontava recuo de Flávio Bolsonaro. A medida atendeu parcialmente a um pedido da campanha do senador e provocou questionamentos sobre os limites da intervenção judicial em pesquisas eleitorais.

Outro ponto de tensão envolve o uso de inteligência artificial na campanha de Flávio. Kassio teria sinalizado entendimento favorável à tese dos advogados do senador sobre a legalidade de um vídeo produzido com deepfake de Jair Bolsonaro e exibido em evento político. O tema é especialmente delicado porque o uso eleitoral de conteúdo manipulado por inteligência artificial é justamente uma das questões mais sensíveis da eleição de 2026.

Não se trata, portanto, de uma única decisão isolada. É a acumulação de episódios que produz o incômodo dentro da própria Corte. Quando diferentes medidas começam a beneficiar, ainda que indiretamente, os interesses de uma determinada candidatura, cresce inevitavelmente a cobrança por explicações.

Kassio tem todo o direito de rejeitar as acusações e defender sua atuação. Mas também é legítimo que ministros e integrantes das instituições democráticas questionem decisões que possam produzir a aparência de tratamento desigual. A Justiça Eleitoral não pode entrar na disputa presidencial carregando a suspeita de que seus árbitros estariam mais próximos de um dos lados.

E há uma razão ainda maior para essa preocupação: 2026 não é uma eleição qualquer. Depois dos ataques às instituições e das tentativas de desacreditar o sistema eleitoral, qualquer sinal de parcialidade vindo justamente da Corte responsável por garantir a lisura do processo tem potencial para alimentar desconfiança e tensão política.

Kassio afirma que será neutro. Agora, caberá a ele demonstrar isso não apenas por meio de declarações, mas principalmente por suas decisões. Na Justiça Eleitoral, a neutralidade não se proclama: prova-se na prática, voto a voto, candidato a candidato e sem exceções.

Porque, quando o árbitro passa a ser acusado de fazer acenos para um dos jogadores, a pergunta inevitável deixa de ser apenas quem vencerá a eleição. Passa a ser: todos estão realmente disputando em condições iguais?


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Política

Nada de documentos do “Dark Horse”, nada de DNA: a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar continua devendo explicações

Há uma pergunta incômoda que continua sem resposta, quando Flávio Bolsonaro pretende apresentar os documentos que prometeu sobre o financiamento do filme “Dark Horse”? Em maio, o senador afirmou que estava disposto a tornar públicos os contratos e anunciou uma prestação de contas. O prazo passou, e a própria campanha reconheceu posteriormente que a prometida prestação de contas ainda não havia sido divulgada.

O silêncio ganha ainda mais peso porque o caso deixou de ser apenas uma controvérsia política. O financiamento do filme passou a ser alvo de investigação, depois das revelações sobre as negociações de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador nega irregularidades, mas a investigação torna ainda mais importante que os documentos sejam apresentados de forma completa e transparente.

E há uma segunda cobrança sobre a mesa: o exame de DNA envolvendo Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio. Gaspar é acusado de estupro de vulnerável, acusação que ele nega. Diante da denúncia, sua defesa pediu que o exame fosse realizado, justamente para esclarecer objetivamente a questão. Até agora, porém, o caso continua mergulhado numa disputa de versões, com o STF aguardando informações da Polícia Federal antes de decidir sobre os próximos passos.

O contraste é inevitável. Se Flávio diz que não há irregularidade no “Dark Horse”, que apresente os documentos. Se seu vice afirma que a acusação é falsa, que o DNA seja realizado e que os fatos sejam esclarecidos. Transparência não deveria ser tratada como favor, muito menos como ameaça política.

Uma candidatura que pretende disputar a Presidência da República não pode exigir confiança enquanto responde a perguntas objetivas com silêncio, adiamentos e versões conflitantes. Documentos não são opinião. DNA não é discurso. E promessa de transparência não vale nada se nunca chega ao público.

No fim, a questão é simples, Flávio Bolsonaro precisa explicar o dinheiro do “Dark Horse”; Alfredo Gaspar precisa esclarecer a acusação que pesa sobre seu nome. Antes de pedir o voto dos brasileiros, a chapa deveria começar fazendo aquilo que qualquer candidato que se diz comprometido com a verdade deveria fazer, abrir os documentos e permitir que os fatos falem.


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Política

A chantagem política de Alcolumbre para pautar o fim da escala 6×1

Há momentos em que a política deixa de ser instrumento de representação popular e passa a funcionar como balcão de interesses. A postura de Davi Alcolumbre diante do fim da escala 6×1 é um exemplo preocupante desse velho método: uma pauta que interessa diretamente a milhões de trabalhadores é mantida sob o controle exclusivo de quem tem o poder de decidir quando — e se — ela será votada.

A proposta não surgiu ontem. Ela atravessou a Câmara, chegou ao Senado e ganhou apoio de parlamentares de diferentes correntes. Em plenário, até o senador Cleitinho, de oposição ao governo Lula, cobrou publicamente de Alcolumbre prioridade para a PEC que estabelece a jornada 5×2.

Ainda assim, o presidente do Senado insiste em falar em “melhorar” o texto, submetê-lo ao percurso pelas comissões e, agora, admite a possibilidade de empurrar a votação para depois das eleições.

É justamente aí que a situação se torna politicamente inaceitável.

O trabalhador brasileiro não pode ser transformado em moeda de negociação política. Quem enfrenta jornadas exaustivas, passa seis dias por semana trabalhando e tem apenas um dia para descansar não pode ficar à mercê do calendário eleitoral, das conveniências partidárias ou das disputas de poder no Congresso.

Se Alcolumbre tem ressalvas ao texto, que as apresente às claras. Se existem alternativas, que sejam debatidas publicamente. Se há impactos econômicos a considerar, que sejam discutidos com transparência. O que não é aceitável é manter uma mudança de tamanha importância social em uma espécie de limbo legislativo e utilizar sua votação como instrumento de pressão política.

A palavra “chantagem” é forte — e precisa ser usada com responsabilidade. Não há, até aqui, comprovação pública de uma chantagem no sentido literal de uma exigência vinculada à votação. Mas a lógica política que se desenha é profundamente preocupante: uma pauta de interesse nacional fica condicionada à vontade de um único comandante da Casa, que pode decidir o momento de colocá-la em votação.

Isso é concentração excessiva de poder.

E há uma ironia difícil de ignorar: enquanto milhões de brasileiros são cobrados por produtividade, pontualidade e cumprimento rigoroso de suas jornadas, o Congresso pode simplesmente adiar indefinidamente uma discussão que mexe justamente com o tempo de vida dessas pessoas.

O fim da escala 6×1 não deveria ser tratado como favor, concessão do Senado ou moeda de troca entre políticos. É uma discussão sobre qualidade de vida, descanso, saúde, convivência familiar e dignidade no trabalho.

Alcolumbre precisa responder ao país, e não apenas aos líderes partidários: por que uma proposta que já chegou ao Senado precisa esperar indefinidamente? Quem ganha com a demora? E por que o trabalhador precisa aguardar as eleições para saber se terá direito a uma jornada mais humana?

O Senado não é propriedade de seu presidente. A pauta legislativa não pertence a Davi Alcolumbre. E os trabalhadores brasileiros certamente não podem ser tratados como peças de um jogo de poder.

Se a escala 6×1 será aprovada ou rejeitada, que o plenário decida. Que cada senador vote diante das câmeras, com nome, rosto e posição claramente conhecidos pelo eleitor.

O que não pode continuar é a política do empurra-empurra, do silêncio e da conveniência.

A democracia exige debate e voto. O que ela não pode admitir é que o direito de milhões de trabalhadores fique refém da caneta de um único homem.


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EUA alertam que domínio sobre América Latina ‘nunca mais será questionado’

Vídeo de cinco minutos difundido nas redes sociais pelo Departamento de Estado distorce fatos históricos e manda recado a toda a região

O Departamento de Estado norte-americano publicou nesta terça-feira um video nas redes sociais no qual deturpa o sentido da Doutrina Monroe. Mas, acima de tudo, alerta que “o domínio” de Washington sobre o continente latino-americano “nunca mais será questionado”.

Desde o ano passado, o presidente Donald Trump passou a designar a região como sua prioridade, numa estratégia marcada para reduzir o papel da China no continente latino-americano.

Para explicar a ofensiva militar, política e econômica sobre a região, o governo Trump agora produziu um video no qual relembra os episódios da história americana na região e justifica guerras, invasões e derrubadas de governos como parte de uma estratégia para impedir que o continente fosse alvo da cobiça de europeus.

Além da monarquia no México, de uma suposta tentativa de anexação da República Dominicana e outros momentos chaves, o video aponta que uma guinada ocorre quando, no final do século 19, os EUA se apresentam como potência soberana na região. “Não era só um alerta. Era uma primazia dos EUA”, disse.

No vídeo, o relato mostra como, em 1899, os EUA expulsam a Espanha de Cuba e confiscam Porto Rico.

Neste momento, o narrador fala com orgulho que, naquele momento, os EUA “desembarcaram no cenário internacional como potência imperial com domínio sobre o Caribe”.

Quatro anos depois, isso seria testado depois na Venezuela. Caberia a Roosevelt, diz a história apresentada pela Casa Branca, estabelecer que, quando um país latino-americano estivesse em “caos”, os EUA “entrariam para administrá-lo”.

Era, agora, um “mandato”.

O vídeo ainda cita a da construção do Canal do Panamá, a crise dos mísseis em Cuba e a invasão norte-americana na Nicaragua.

Mas é o alerta para o atual momento que chamou a atenção. Ao explicar o sequestro de Nicolás Maduro, o Departamento de Estado afirma que se tratou de “um manobra calculada” para “dar um sinal no hemisfério”: o “domínio nunca mais ver ser questionado”.

Não por acaso, o video é narrado por Kevin Cabrera, embaixador dos EUA no Panamá. “O que começou como alerta aos europeus se transformou em quadro para domínio regional”, completou.

Em pouco mais de cinco minutos, o Departamento de Estado avisa: o continente é nosso.

*Jamil Chade/ICL


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Política

Testemunha de acusação contra vice de Flavio muda versão sobre o estupro

Luiz Antonio Lopes, personagem central nas versões que cercam a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar (PL-AL), mudou sua versão.

O caso envolvendo Alfredo Gaspar, escolhido como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, ganhou uma reviravolta que aumenta ainda mais a necessidade de investigação rigorosa e independente. A principal testemunha relacionada à acusação de estupro de vulnerável apresentou versões diferentes sobre o episódio, chegando posteriormente a afirmar à Polícia Legislativa que poderia ter ocorrido uma armação para incriminar o deputado.

A mudança de versão é extremamente relevante porque a acusação original é gravíssima: segundo o relato inicialmente levado a parlamentares, uma adolescente de 13 anos teria sido abusada e engravidado. A denúncia também mencionava uma suposta tentativa de comprar o silêncio da família. Gaspar nega todas as acusações e afirma estar disposto a realizar exame de DNA para esclarecer definitivamente a questão.

Mas o novo depoimento do comerciante Luiz Antonio Lopes acrescentou uma camada ainda mais controversa ao caso. Segundo a reportagem da Agenda do Poder, ele passou a afirmar que a história poderia ter sido montada para atingir Alfredo Gaspar e mencionou supostos pagamentos relacionados à articulação. Ao mesmo tempo, continuou dizendo possuir provas da versão original — contradição que precisa ser esclarecida pelas autoridades.

Uma acusação gravíssima não pode ser transformada em arma política

É justamente por envolver uma acusação de estupro que o caso exige máxima responsabilidade. Nem uma denúncia dessa natureza pode ser ignorada, nem uma acusação sem comprovação pode ser transformada automaticamente em sentença política.

O episódio também precisa ser separado da disputa eleitoral. Alfredo Gaspar é hoje uma peça importante da candidatura de Flávio Bolsonaro, o que inevitavelmente confere enorme dimensão política ao caso. Entretanto, a gravidade da acusação exige que a verdade seja estabelecida por provas, documentos, perícias e depoimentos consistentes — e não por versões conflitantes divulgadas de acordo com a conveniência de cada lado.

Outro ponto importante é que, até o momento, não há conclusão oficial que comprove nem a acusação de estupro nem a alegação posterior de que teria existido uma armação. O caso chegou ao STF por meio de um pedido de investigação, mas isso não significa que Alfredo Gaspar tenha sido formalmente investigado ou considerado culpado.

A mudança de versão da testemunha, portanto, não encerra o caso. Ao contrário: torna indispensável descobrir por que a primeira história foi apresentada, por que depois foi modificada, quem eventualmente participou dos relatos e se existem provas materiais capazes de confirmar qualquer uma das versões.

No meio de uma eleição presidencial marcada por intensa polarização, a sociedade brasileira não precisa de acusações lançadas como munição eleitoral. Precisa de investigação séria, transparência e verdade.

Se houve crime, que os responsáveis sejam punidos. Se houve armação, que os responsáveis também respondam. O que não pode prevalecer é uma versão conveniente no lugar dos fatos.


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